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Relatório de Olheiro: Sporting x Benfica

O Sporting recebe o Benfica, este sábado, numa jornada que poderá ser importante para as contas do título. Contudo, aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: não será desta que o título ficará entregue. O Sporting chega ao clássico de Lisboa sem a margem sólida de vantagem que tinha à passagem da segunda volta do campeonato, fruto dos empates com Tondela, Rio Ave e Vit. Guimarães, mas com o foco completamente centrado na competição na qual ainda é líder. Do outro lado está o Benfica de Rui Vitória, que continua sem conseguir bater as equipas grandes e que sabe que uma nova derrota poderá complicar em definitivo as contas do título.



Sporting: Não há três sem quatro

Com a chegada de Jorge Jesus, o Sporting voltou a bater-se de igual com os seus rivais directos. A classificação não engana. O problema tem sido frente às equipas que se contentam com menos, ou seja, as que lutam por uma posição confortável na tabela. A maior parte dos pontos perdidos pelo Sporting esta época deve-se a clubes da metade inferior da tabela, e de todas as vitórias dos leões na Liga raras foram as vezes em que o clube venceu folgadamente os seus opositores. E quando o fez, espante-se, foi contra as melhores equipas. O que nos remete para este jogo. A jogar contra o campeão em título, o Sporting vai procurar confirmar a sua superioridade face à táctica de Rui Vitória, e alcançar o quarto triunfo - Liga, Supertaça e Taça de Portugal - sobre o Benfica na mesma época, algo que seria histórico e um marco importante na história recente do clube de Alvalade.

ASPECTO A EXPLORAR: Pressão na zona intermediária. É a justificação para os problemas do Benfica nos jogos grandes: a capacidade de construir jogo. Samaris e Renato Sanches posicionam-se no meio-campo para iniciarem o processo ofensivo e a equipa perde ideias de jogo quando tal não é possível. Nas alas tanto João Mário como Bruno César (ou Bryan Ruiz) terão atenções redobradas numa primeira linha de pressão e prontidão para se lançarem à defesa do Benfica em ataque rápido.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no remate. Foi curiosamente o problema do Benfica no seu último clássico, mas tem sido uma constante no percurso do Sporting ao longo da temporada. Relembre-se, porém, que Slimani, melhor marcador dos leões, agora sem uma alternativa credível, costuma dar-se bem contra as águias.

JOGADOR-CHAVE: Adrien. É um dos pilares do Sporting nos jogos mais importantes. A sua capacidade de pressão e a sua inteligência táctica complementam na perfeição as qualidades de William Carvalho e João Mário. Recentemente lesionado, e partindo do princípio que irá recuperar a tempo, a sua condição será determinante para o sucesso da táctica leonina.


Benfica: Não entregar o ouro ao bandido

Em Dezembro, após o nulo diante do U. Madeira, poucos foram os que acreditaram na recuperação do Benfica face à desvantagem para os seus principais rivais. Desde então, o pleno de vitórias encarnadas apenas foi interrompido pelo FC Porto (1-2), algo que, tendo em conta aquele que foi o calendário do Sporting até aqui, mantém o Benfica na discussão pelo título, embora sem grande margem de manobra, como é óbvio. Mais do que inverter o ciclo negativo do Benfica nos jogos mais importantes, Rui Vitória e o seu plantel sabem que uma nova derrota poderia colocar um ponto final no percurso dos encarnados rumo ao tri, deitando por terra todo o esforço de uma recuperação notável. Se ganhar é importante, perder está absolutamente fora de questão, pois seria entregar o título de mão beijada a quem já tanto castigou o Benfica esta época.


ASPECTO A EXPLORAR: Rapidez de processos. As equipas de Jorge Jesus costumam pressionar logo o portador da bola, o que gera um menor tempo de reacção. A capacidade de organizar jogo de forma rápida, seja com linhas de passe bastante unidas, seja através da condução de bola por parte dos jogadores com mais técnica, será importante para a criação de oportunidades de perigo. Foi algo que, por exemplo, faltou no segundo tempo diante do FC Porto.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no passe. Vem no seguimento do ponto anterior. O Benfica tem denotado alguns problemas neste capítulo em vários jogos esta época e isso poderá ser fatal contra um adversário como o Sporting.

JOGADOR-CHAVE: Renato Sanches. Será importante nos diversos momentos do jogo: na capacidade de aguentar o ímpeto adversário a meio-campo, na precisão do seu passe, na leitura de jogo, na condução de bola para zonas mais restritas. Será o playmaker do Benfica. Se Renato Sanches se evidenciar - e que jogo para o fazer -, o Benfica terá hipóteses de sair de Alvalade com um bom resultado.

O bingo de Jonas "Pistolas"

Mais dois golos. Mais uma vitória. Mais uma vítima. Jonas continua imparável na Liga Portuguesa e já leva 26 golos, liderando de forma impressionante a lista dos melhores marcadores do campeonato e a corrida à Bota de Ouro, com vantagem mínima sobre Higuaín e Suárez. Com o bis frente ao U. Madeira (2-0), já só restam dois "alvos a abater" para o "pistoleiro" da Luz - FC Porto e Sporting, próximo adversário do Benfica, são as únicas equipas da Liga que se foram conseguindo desviar das balas de Jonas.

Com 46 golos apontados em 51 jogos do campeonato, Jonas já "disparou" acertadamente na baliza de 17 dos 19 oponentes que enfrentou na Liga, com Belenenses e Nacional (6 golos) a serem, para já, os principais alvos do avançado brasileiro. Só em 2015/16, e com apenas 24 jornadas concluídas, Jonas já apontou golos a 12 dos 17 adversários em prova, somando 26 golos no total (média superior a 1 golo/jogo). Verdadeiro amuleto da sorte, sempre que Jonas marcou para o campeonato o Benfica acabou por vencer essa mesma partida - já nos cinco jogos em que participou diante dos principais rivais (três contra o FC Porto e dois contra o Sporting), e em que ficou em branco, o Benfica registou dois empates e três derrotas.

Relatório de Olheiro: Benfica x FC Porto

Benfica e FC Porto medem forças no Estádio da Luz, esta sexta-feira, num jogo importante para as contas do título, não fosse este um embate entre dois colossos do futebol português. O Benfica, invicto em 2016, e que já não perde para o campeonato desde a derrota caseira com o Sporting (0-3), está em primeiro lugar, em igualdade pontual com o Sporting, e chega assim mais moralizado para o Clássico, isto depois de o Arouca ter repetido uma façanha que não se verificava há largos meses, ao bater o FC Porto (1-2), para a Liga, no estádio dos azuis e brancos. Ainda à procura de uma identidade sob o comando de José Peseiro, os dragões sabem que tudo o que não signifique uma vitória poderá ser suficiente para voltar a ver o título escapar para um dos rivais de Lisboa. Vencer é, portanto, obrigatório para qualquer uma das equipas.


Benfica: Contrariar a tendência dos jogos grandes

Ao contrário do que aconteceu na época passada, o Benfica deixou o pragmatismo de parte nos jogos grandes e tem sentido muitas dificuldades para contrariar o ímpeto adversário. No Dragão, à 5ª jornada, o Benfica conseguiu disputar o jogo de forma equilibrada, sucumbindo nos últimos minutos. Contra o Sporting, as três derrotas em tantas partidas esta época não abonam a favor de Rui Vitória, que, no entanto, parece ter finamente encontrado o modelo de jogo mais adequado para a sua equipa. A afirmação de Lisandro face à lesão de Luisão, a juventude de Renato Sanches, agressivo na luta pela bola e com um pulmão imenso, e a importância táctica de Pizzi, o joker de Rui Vitória neste "novo" Benfica, têm catapultado os encarnados para o topo e dado uma nova moral à equipa.

ASPECTO A EXPLORAR: Liberdade criativa dos alas. Pizzi assumiu o lado direito do meio-campo e conferiu uma estabilidade táctica que tem sido preponderante no sucesso do Benfica. As suas movimentações, juntamente com a magia de Gaitán, exímio na condução de bola e um dos jogadores mais tecnicamente evoluídos do campeonato, podem desequilibrar uma partida a qualquer momento e baralhar as marcações individuais do FC Porto.

TER ATENÇÃO A: Bolas paradas. E isto em ambos os lados do campo, isto é, o FC Porto tem marcado vários golos de bola parada, sobretudo de canto, mas também tem sofrido bastantes de igual forma.

JOGADOR-CHAVE: Jonas. Acusado de não aparecer nos "jogos grandes", algo comprovado pela estatística, o brasileiro entra para este jogo no melhor momento da sua carreira (15 golos e 6 assistências, nos últimos 10 jogos da Liga). Perante uma equipa do FC Porto não tão coesa como anteriormente, as suas movimentações serão fulcrais para criar desequilíbrios - e oportunidades - e buscar, assim, o primeiro golo contra os dragões.


FC Porto: Manter a chama do título acesa

Um nada querido mês de Janeiro... Depois de terem sido afastados da Liga dos Campeões - o jogo em casa com o D. Kiev terá sido o momento chave da época - e da Taça da Liga, ainda que não de forma oficial, os dragões viram a liderança fugir logo no primeiro jogo de 2016 após uma exibição pobre frente ao Sporting. Fast-forward até à chegada de José Peseiro, encontramos um FC Porto cada vez mais longe do primeiro lugar, sem a mesma chama de outros tempos. A chegada do novo técnico implicou o abandono do futebol de posse e a adopção de um modelo que privilegia a largura de jogo e o envolvimento dos jogadores numa manobra mais ofensiva, com o uso recorrente dos flancos. Numa equipa ainda à procura de cimentar esta nova identidade, em vésperas de um dos jogos mais importantes da época, resta saber como se comportará o Dragão no Estádio da Luz.

ASPECTO A EXPLORAR: Largura de jogo e movimentos interiores. Tal como escrevi, o modelo de jogo de José Peseiro privilegia a exploração dos flancos. Se a equipa se conseguir balançar bem no ataque, trocando a bola rapidamente e baralhando o posicionamento defensivo do Benfica com movimentos interiores e de ruptura, as ocasiões de golo deverão surgir mais facilmente. Atenção ainda para as movimentações de André André, constantemente a derivar para o flanco, e Herrera.

TER ATENÇÃO A: Transição defensiva. O Benfica não é uma equipa especialmente talhada para o contra-ataque, mas Renato Sanches, Pizzi e Gaitán são jogadores capazes de imprimir uma nova velocidade de um momento para o outro. E o modelo ofensivo do FC Porto é bastante susceptível de abrir brechas no meio-campo defensivo - contra o Arouca isso ficou bem evidente.

JOGADOR-CHAVE: Corona. Poderia igualmente destacar Brahimi, mas "Tecatito" tem tudo para se evidenciar. No duelo com Eliseu leva clara vantagem, tanto no "um contra um" como nas desmarcações nas suas costas do internacional português, e a sua velocidade poderá igualmente ser útil em situações de transição rápida.

Jonas entre os principais goleadores de 2015

Depois de um ano de estreia ao mais alto nível, marcado pela hegemonia interna do Benfica, seu clube, parecem faltar adjectivos para descrever o impacto de Jonas no nosso campeonato. Um dos melhores jogadores do bicampeonato dos encarnados, e actual melhor marcador da prova, o avançado brasileiro inscreveu, em 2015, o seu nome entre os principais protagonistas do desporto-rei apontando 31 golos no campeonato, apenas superado pelos incontornáveis Cristiano Ronaldo (37) e Lionel Messi (34). Um registo verdadeiramente impressionante para um jogador do campeonato português.

No que diz respeito aos seis principais campeonatos europeus, Cristiano Ronaldo liderou a lista de melhores marcadores, embora tenha disputado mais partidas que o seu eterno rival, Messi, detalhe que se reflecte na média de golos por jogo - 0,97 do português, face aos 1,03 do argentino, o único dos principais goleadores com mais golos do que jogos. Segue-se então Jonas, com 31 golos em 32 jogos, incluindo quatro de grande penalidade, ligeiramente à frente do uruguaio Luís Suárez, com 29 golos na Liga Espanhola, e de Aubameyang, que também apontou 29 tentos na Bundesliga ao serviço do Borussia Dortmund, que assim fecham o Top-5. Para além de Higuaín e Harry Kane, ambos com 27 golos, apenas mais quatro avançados conseguiram superar a barreira dos 25 golos nas respectivas ligas, no presente ano civil: Ibrahimovic (26), Neymar (25), Lewandowski (25) e Griezmann (25).

Dos 31 golos de Jonas na Liga, apenas 8 foram marcados longe do Estádio da Luz, sendo que Académica e Belenenses, cada um com quatro golos encaixados, foram as suas vítimas predilectas. O registo goleador de Jonas funcionou, curiosamente, como um talismã para o Benfica, uma vez que o clube encarnado somou os três pontos em todos os encontros em que o avançado fez o gosto ao pé. Numa estatística mais geral de 2015, o número 17 das águias participou em 45 jogos, em todas as competições, fazendo balançar as redes adversárias em 36 ocasiões diferentes e contribuindo com mais 11 assistências.

JGG-47: A principal arma do Benfica

AK-47 é uma das armas de origem soviética mais conhecidas à escala global. No plantel do Benfica, somando os números das camisolas envergadas dentro de campo, existe um trio que se tem destacado pelos efeitos igualmente devastadores e que tem dinamitado o ataque encarnado ao longo deste primeiro terço do campeonato. Com um total de 12 golos e 14 assistências nas primeiras nove jornadas disputadas - o encontro com o U. Madeira ainda não se realizou -, Jonas, Gaitán e Gonçalo Guedes constituem a principal arma ofensiva da equipa com mais golos apontados na prova.

Gaitán continua a demonstrar o porquê de ser considerado o melhor jogador a actuar no campeonato nacional e lidera o capítulo das assistências (7) e ocasiões criadas, ao passo que Jonas, melhor marcador da Liga (8 golos), tem sido um dos goleadores de 2015, apenas atrás de Messi e Ronaldo, se considerarmos as principais ligas europeias. Gonçalo Guedes, que apenas assumiu a titularidade a partir da 3ª jornada, tem crescido a olhos vistos, tendo participado directamente em sete golos desde então. Curiosamente, o último jogo, frente ao Boavista (2-0), manteve uma tendência que se tem verificado até ao momento. Em todas as seis vitórias do Benfica na Liga, pelo menos dois destes três jogadores tiveram influência directa (golo ou assistência) no resultado final de cada partida. Os restantes encontros, diante de Arouca (0-1) e com os rivais FC Porto (0-1) e Sporting (0-3), foram sinónimo de pólvora seca e de três pontos perdidos em combate.

Benfica 2014/15: O tão ambicionado bicampeonato

Novo "triplete". Uma tarefa certamente mais árdua devido à saída de vários titulares ao longo dos últimos meses. A Supertaça Nacional substituiu a Taça de Portugal, a hegemonia na Taça da Liga continua e o jejum de 31 anos sem um bicampeonato conheceu o seu fim. Pelo meio, a pior prestação dos últimos anos nas competições europeias.

Depois de uma pré-época desastrosa, muitas foram as incógnitas em torno do Benfica. No entanto, o campeão em título desde cedo ocupou a liderança da Liga e de lá não saiu até ao seu término. Até lá, e repetindo um pouco o balanço já feito anteriormente, a vitória no Dragão (deu confiança e margem de segurança) e o empate dramático em Alvalade (numa altura em que ainda havia três candidatos ao título), o crescimento de vários jogadores e a aposta certeira em determinadas contratações (os números de Júlio César e Jonas, por exemplo, impressionaram), a maneira como o clube soube explorar a ideia de "manto protector" como resposta às declarações dos rivais (importante na união equipa/adeptos) e a forma como a equipa jogou de forma entrosada e confiante (sem lesões à mistura, o Benfica esteve imparável na segunda metade da época) contribuíram para um novo sucesso colectivo do emblema lisboeta. Com o melhor ataque e segunda melhor defesa do campeonato, o Benfica, cujas escorregadelas na Liga foram atenuadas pelos deslizes dos rivais, soube gerir a diferença pontual e aproveitar a saída precoce da Liga dos Campeões (prestação medíocre de uma equipa que ainda estava em fase de adaptação) para se exibir a bom nível nas competições internas.

Se o mérito do título do ano passado é de Luís Filipe Vieira, pela forma como aguentou Jorge Jesus no cargo, o deste ano pertence ao treinador. Perder sete titulares indiscutíveis no espaço de um ano, cinco deles numa janela de transferências, e manter a equipa com um nível de jogo elevado não é fácil. Não surpreende, portanto, que o Benfica tenha sete jogadores na "Equipa Ideal" publicada há uns dias. Mas o desafio das águias cresce a partir de agora: para além das eventuais mexidas do mercado, a saída de Jorge Jesus, técnico com mais títulos em toda a história do Benfica, irá certamente pesar. Caberá agora a Rui Vitória a tarefa de oferecer novas alegrias aos adeptos.

Os mestres das transferências nos últimos 10 anos

Já se sabe de antemão que os clubes portugueses, sobretudo Benfica e FC Porto, são exímios a garantir lucros consideráveis por jogadores adquiridos a baixo custo que são potenciados e introduzidos nas suas equipas. Não admira, portanto, que estes clubes estejam entre aqueles que mais dinheiro recebem pela venda dos seus activos. Nos últimos dez anos, nenhum clube a nível mundial possui um balanço receita/despesa tão positivo como Benfica e FC Porto. Os campeões nacionais compraram mais sem gastar tanto, mas os vice-campeões foram os que mais receberam vendendo menos. Os dados do Transfermarkt, que englobam os valores totais das transferências, ajudam a provar este cenário.


FC Porto: Uma Liga dos Campeões que mudou tudo

Balanço do FC Porto (valores em milhões de euros)
Até ao início do novo milénio, os clubes portugueses não eram, naturalmente, aqueles que mais dinheiro esbanjavam. Se a contratação de futebolistas estrangeiros era bastante mais limitada, o mesmo não se podia aplicar aos colossos europeus da altura. Ainda assim, como é certo e sabido, as verbas gastas não eram, nem de perto nem de longe, tão elevadas como as de hoje em dia. Porém, a Liga dos Campeões ganha pelo FC Porto de José Mourinho em 2003/04, época que nem sequer entra nestas contas, veio mudar o panorama do mercado de transferências a nível nacional.

E o FC Porto saiu claramente beneficiado. Os azuis e brancos são de longe o clube que mais lucrou com transferências à escala mundial. A temporada 2006/07 foi a única, nos últimos dez anos, em que os dragões não encaixaram um mínimo de 30M - por cinco ocasiões distintas receberam 70M -, sendo que essa fasquia, mesmo sem o mercado ter aberto de forma oficial, já foi atingida na preparação da temporada que se avizinha. Igualmente como excepção, a melhor temporada do FC Porto na última década (2010/11) foi aquela em que o volume das despesas superou o das receitas, ainda que por uma margem reduzida (inferior a 1,5M).

As cinco maiores vendas do FC Porto neste período foram as de James Rodríguez (45M), Falcao (40M), Hulk (40M), Mangala (40M), Danilo (31,5M) e Anderson (31,5M), todos eles já vendidos entretanto, enquanto que a compra de Hulk (19M) foi a mais cara, com Danilo (13M) e Adrián (11M) a fecharem o pódio.


Benfica: O mestre da táctica que rendeu ouro aos cofres encarnados

Balanço do Benfica (valores em milhões de euros)
Escusado será dizer que Jorge Jesus veio mudar a natureza do Benfica no capítulo das transferências. Se de 2005 a 2010 o Benfica teve mais prejuízo que lucro na maior parte dos casos (as vendas de Simão e Manuel Fernandes em 2007/08 foram a grande lufada de ar fresco), o contrário verificou-se após a primeira época de Jorge Jesus de águia ao peito.

O ex-técnico do Benfica foi o responsável por ter encaixado mais de 100M numa só temporada, um recorde absoluto entre clubes portugueses, e ganhou fama por conseguir tirar o melhor dos jogadores que potenciava, muitos deles jovens e/ou relativamente desconhecidos, e realizar futuramente encaixes significativos com os mesmos. Duas notas de curiosidade: os dois maiores encaixes financeiros do Benfica registaram-se nas temporadas que sucederam o título nacional - 2015/16 ainda está a meses de começar e as águias já levam um bom balanço - e o "Benfica da era Jorge Jesus" lucrou bem mais do que o rival no mesmo período (diferença aproximada de 50M).

Witsel (40M), Di María (33M), Fábio Coentrão (30M) e Rodrigo (30M) encabeçam as principais vendas do Benfica, ao passo que Óscar Cardozo (11,7M), Salvio (11M), Markovic (10M) e Samaris (10M) constituem as principais aquisições nos últimos dez anos.

'Ola Jonas' e o aparecimento do herói inesperado

'Ola Jonas' e o aparecimento do herói inesperado
Benfica 2-1 Marítimo
(Jonas 37', Ola John 80'; João Diogo 56')

O Benfica voltou a erguer a Taça da Liga, troféu que viu escapar para o Sp. Braga no ano passado, e conquistou assim o terceiro título da temporada, depois da Supertaça Nacional e do Campeonato. O Marítimo entrou bastante pressionante e agressivo e foi adiando a entrada dos encarnados na partida. Depois de Lima ter desperdiçado uma soberana ocasião, Jonas voltou a fazer o gosto ao pé na competição (marcou nos cinco jogos). A segunda parte abriu com a expulsão de Raúl Silva, mas foram os insulares a beneficiar com isso a curto prazo e a empatar a contenda por intermédio de João Diogo. Nos últimos 20 minutos, e já a jogar para o empate e consequente desempate por grandes penalidades, o Marítimo viu Ola John, extremo que tinha sido fortemente apontado a clubes estrangeiros na véspera deste encontro, a sair do banco e a ser o herói desta final. Até ao fim, o Benfica não se livrou de um susto no último minuto mas soube controlar o encontro e defender o 2-1.

Benfica: No jogo que fechou a Liga, o Marítimo já tinha mostrado que podia ser o adversário temível, embora a defesa seja claramente o calcanhar de Aquiles deste conjunto. O meio-campo, principalmente na primeira metade, foi engolido e foram valendo as movimentações dos avançados, sobretudo a inteligência e técnica de Jonas, que parece ter tomado o gosto ao pé nesta competição, a desbloquear o jogo encarnado. Sulejmani não conseguiu fazer esquecer Salvio e foi mesmo a outra alternativa, Ola John, a resolver uma partida em que os encarnados desperdiçaram imenso na segunda parte, algo que poderia ter sido fatal. Criticado por não ser tão incisivo a defender, Eliseu fez uma exibição bastante agradável.

Marítimo: A estratégia de Ivo Vieira passava por condicionar a construção de jogo benfiquista com base num estilo de jogo intenso e agressivo. Acabou por ser uma boa partida dos insulares, pese o número excessivo de faltas, que acabaram por ser traídos pelas debilidades defensivas acentuadas pela expulsão de Raúl Silva. João Diogo fartou-se de recuperar bolas e ainda marcou o golo do empate, Danilo Pereira foi incansável na forma como se entregou ao jogo e Marega voltou a mostrar que é um dos destaques desta segunda metade da época no plano nacional.

Nulo aproxima Benfica do título

Nulo aproxima Benfica do título
Benfica 0-0 FC Porto

Um resultado que serve melhor os interesses do Benfica, que continuam a depender de si próprios para renovar o título. Quanto ao FC Porto, esperava-se mais ambição e ousadia de quem partia com uma dupla desvantagem (diferença pontual e confronto directo) à entrada para esta partida. Naquele que era o "jogo do título" desta temporada, viu-se um FC Porto com muita bola mas poucas oportunidades - na primeira parte Jackson Martínez desperdiçou aquela que foi a única grande ocasião em 45 minutos - e um Benfica a jogar pelo seguro, sabendo que um empate serviria para as suas contas do título. Apesar da segunda metade ter mostrado um pouco mais de atrevimento de parte a parte, o clássico, bastante faltoso, foi um dos mais pobres das últimas épocas, o que apenas favoreceu os encarnados que estão a nove pontos do bi-campeonato.

Benfica: Maior preocupação em não deixar o FC Porto criar chances do que propriamente assumir o controlo da partida. A abordagem mais cautelosa, claramente a apostar num empate como mal menor, resultou na perfeição. Se por um lado é verdade que Jorge Jesus interrompe o ciclo de dezenas de jogos consecutivos a marcar em casa para o campeonato, também é certo que finalmente não foi derrotado por nenhum dos dois grandes rivais nos quatro jogos da época. Individualmente, o maior destaque vai para Samaris, cada vez mais um senhor jogador na sua posição, e para Jardel, que esteve imperial no eixo da defesa. Eliseu teve bastantes dificuldades na primeira parte (viu amarelo nessa altura mas o adversário não soube aproveitar isso) e o meio-campo do FC Porto não permitiu muita margem de manobra aos homens da frente (face ao resultado adverso, a meia-hora final foi diferente).

FC Porto: Percebeu-se a intenção de controlar o meio-campo desde o início e assumir a batuta quanto à toada do jogo, mas não a falta de ambição de Lopetegui num jogo em que a vitória era o único resultado que interessava. Daí que fique a ideia que o espanhol deu meio jogo de vantagem ao rival e apenas reagiu demasiado tarde. Mea-surpresa para a titularidade de Hélton (Fabiano parece ter sido riscado a partir de agora), para o à-vontade de Rúben Neves num esquema de duplo-pivot que acabou por não ter resultados práticos face à necessidade de vitória dos portistas e para a exibição de Danilo, o mais consistente.

Relatório de Olheiro: Benfica x FC Porto

Já começa a ser uma constante: Benfica e FC Porto voltam-se a defrontar nas derradeiras jornadas da Liga, desta vez com tudo ainda em aberto, naquele que se pode afirmar que é o "jogo do título". Jorge Jesus procurará bater os rivais azuis e brancos pela segunda vez na Liga esta época, algo que já não acontece desde que John Mortimore guiou as águias ao título em 1976/77, enquanto que Julen Lopetegui sabe que está obrigado a vencer para sonhar com um título neste seu ano de estreia ao leme portista.


O Benfica parte em vantagem para este jogo, não só pelos três pontos de avanço, como pela vitória no Estádio do Dragão (2-0) na primeira volta do campeonato. Será, por isso, interessante de se perceber a estratégia que Jorge Jesus irá adoptar na abordagem a esta partida: maior preocupação em evitar um deslize caseiro ou a aposta no onze habitual (salvo alguma impossibilidade forçada), mesmo que isso implique uma eventual debilidade no esquema táctico. Se na defesa Eliseu é o único elemento que poderá ficar de fora, no meio-campo as dúvidas acentuam-se - Salvio está em dúvida; Pizzi pode não ser opção no miolo (André Almeida, titular em todos os clássicos desta época, e Rúben Amorim dão maior consistência defensiva) e até pode substituir o argentino; um meio-campo com três médios não seria inédito (o momento de forma de Jonas torna esta hipótese mais remota). O onze inicial dos encarnados será, portanto, uma incógnita até ao momento em que os jogadores pisarem o relvado. De qualquer das maneiras, a equipa terá de se manter sólida, sobretudo o meio-campo, que irá ser pressionado constantemente e que também terá de estar atento às movimentações de Herrera e à técnica de Óliver, isto para além da pressão alta que o FC Porto deverá fazer, o que forçará, na perspectiva encarnada, os jogadores a manterem a sua compostura e a limitarem os erros individuais (a eficácia de passe das águias não é a melhor). Na frente, apesar do momento de forma de Jonas, julgo que será Gaitán a fazer desequilibrar a balança, pelas suas movimentações interiores e capacidade de criar oportunidades de golo.

O FC Porto está obrigado a vencer a partida. E mesmo isso pode não ser suficiente. À semelhança do que aconteceu no confronto com o Bayern, os dragões devem entrar a todo o gás, com o intuito de assumir desde cedo o controlo do jogo e condicionar a fase de construção de jogo benfiquista, imprimindo uma pressão intensa e alta - a zona central do meio-campo azul e branco leva vantagem sobre a encarnada - e explorando as debilidades técnicas dos centrais e de Samaris. Se um dos pontos-chave é ser agressivo, outro será manter a disciplina, ou seja, evitar sanções disciplinares desnecessárias - para além das emoções de um Clássico, não será de estranhar a tentativa do Benfica em explorar as transições rápidas com maior frequência (todo o sector recuado, especialmente Casemiro, por ser o pêndulo defensivo e o elemento mais faltoso, está "sob alerta amarelo"). Finalmente, com Tello fora de combate, terá de ser Quaresma, que tem apresentado bons minutos diante do Benfica, a entrar em cena e fazer a diferença. Brahimi e Jackson também têm que melhorar em relação ao último confronto entre as duas equipas mas é a experiência e a capacidade de desequilíbrio do extremo português que leva a melhor sobre a ala esquerda encarnada, independentemente do opositor que estiver à sua frente.

Jonas entre os melhores na lista de goleadores de 2015

Era difícil pedir melhor na época de estreia. Jonas continua a encantar os adeptos encarnados com golos aliados a boas exibições - nos últimos sete jogos apontou nove golos, falhando apenas o alvo na derrota em Vila do Conde (1-2) -, facto que lhe valeu entretanto o prémio de Melhor Jogador do Mês de Fevereiro. Mas é exactamente o número de golos apontados pelo dianteiro brasileiro que merece ser destacado.

Entre as principais ligas europeias, e considerando todas as competições oficiais, Jonas é o 4º melhor marcador de 2015 (15 golos). Graças ao bis alcançado diante da Académica (5-1) na última jornada, o nº17 das águias ultrapassou Harry Kane (Tottenham) na lista de melhores marcadores do presente ano civil e persegue agora os registos de Ibrahimovic (16), Cristiano Ronaldo (17) e Messi (22). Se ignorarmos os penáltis convertidos por cada jogador, Jonas sobe uma posição no ranking, uma vez que metade dos golos de Ibrahimovic no PSG em 2015 resultaram da conversão de castigos máximos. Com menos jogos disputados (17) que os demais opositores, ainda que a diferença seja mínima exceptuando o caso de Messi (22 jogos), a verdade é que a média de golos por jogo não dá azo a oscilações no Top5.

Depois de ter terminado 2014 de pé quente na Taça da Liga, competição onde até agora facturou em todos os jogos, Jonas juntou-se a Lima na 2ª posição da tabela de melhores marcadores do campeonato (14 golos). Dos 14 adversários que defrontou em 2015, apenas não balançou as redes diante de Marítimo (4-2), Paços de Ferreira (0-1), Sporting (1-1) e Rio Ave (1-2).

Jardel rouba a vitória ao Sporting no último minuto

Jardel rouba a vitória ao Sporting no último minuto
Sporting 1-1 Benfica
(Jefferson 87'; Jardel 90'+4')


O Benfica foi a equipa mais feliz do derby, depois de conseguir um empate já após os 90' no último remate enquadrado com a baliza em todo o encontro. A partida começou com uma intensidade impressionante, com um Sporting a tentar desmobilizar o adversário das suas posições (João Mário ocupou o espaço de Montero por inúmeras vezes) e a explorar a velocidade e desmarcações dos seus jogadores através de passes de ruptura e um Benfica a fechar espaços e a apostar na qualidade técnica dos homens da frente. Numa primeira parte muita táctica e sem grandes oportunidades de golo, um pouco à semelhança daquilo que foi o jogo na sua totalidade, o empate aceitava-se ao intervalo - o Benfica entrou ligeiramente melhor e o Sporting acabou por se superiorizar nos últimos minutos. A segunda metade começou com um Sporting mais intenso e a conseguir criar algumas situações de perigo. A partir do momento em que André Almeida viu cartão amarelo e Ola John saiu de campo, o Benfica perdeu o controlo do jogo (defensivamente) e ia valendo Artur (três intervenções de grande qualidade), que nada pôde fazer no golo do Sporting aos 87'. A correr atrás do prejuízo, o Benfica acabou por sorrir no fim, logrando um empate no último lance da partida.

Sporting: O Sporting sabia que teria de vencer o jogo para alimentar a esperança pelo título (o empate ainda não o arreda dessa corrida) mas agora vai depender muito dos outros (ainda vai jogar ao Dragão e sabe que o Benfica vai receber o FC Porto no seu estádio). O Benfica soube defender bem durante dois terços do encontro, mas face ao que aconteceu sobretudo na segunda parte o Sporting merecia mais que um ponto. Individualmente, a defesa esteve muito bem (o Benfica mal conseguiu criar lances de perigo e quando rematava era de fora da área), com Jefferson e Cédric a anularem por completo os seus opositores directos e a dupla jovem de centrais a evidenciar muita segurança, João Mário fez um jogo incansável, William encheu o meio-campo defensivo (abafou o ataque dos encarnados) e Adrien foi aquele que esteve em menor evidência na zona central, Nani foi bem anulado e não beneficiou da estratégia de Marco Silva (não teve muitas oportunidades de iniciar lances de "um contra um"), Carrillo foi uma ameaça constante para Eliseu e Montero não conseguiu ser eficaz na frente (mérito para o Benfica).

Benfica: Entrou bem, foi perdendo esse ímpeto e alcançou um empate importante de forma fortuita, valendo-se da sua eficácia (repetiu o feito da vitória no Dragão nesse capítulo). Entrou com uma mentalidade muito cautelosa e apenas explorou as transições, ainda que sem efeito, quando o Sporting estava por cima. Artur demonstrou muita segurança na baliza quando foi chamado a intervir, Luisão e Jardel cumpriram mais uma vez (Jardel tem elevado o seu estatuto ao longo da época e hoje foi o herói da partida), Maxi controlou Nani mas Eliseu teve mais dificuldades com o sobrepovoamento na sua ala (notava-se que o Sporting atacava mais e com mais do lado direito), no meio-campo Samaris e André Almeida quebraram com o desenrolar do jogo (não aguentaram a intensidade inicial e o grego ficou ligado ao golo sportinguista) após uma primeira parte bastante positiva, Salvio e Ola John pouco acrescentaram e Jonas foi muito mais influente que Lima, hoje muito desinspirado.

Relatório de Olheiro: Sporting x Benfica

Sporting e Benfica defrontam-se este domingo em Alvalade, num jogo que poderá revelar-se decisivo para as contas do campeonato. Os leões são obrigados a conseguir um resultado positivo que lhes permita encurtar distâncias para os rivais directos e manter o estatuto de "candidatos ao título", ao passo que o Benfica, em caso de vitória, praticamente hipoteca as esperanças do adversário e mantém uma margem confortável para o FC Porto, actual 2º classificado. Apesar de ainda restarem algumas incógnitas quanto à disponibilidade física de alguns jogadores e opções tácticas de cada um dos treinadores, é possível, ainda assim, traçar alguns pontos que devem ser explorados ou respeitados por cada uma das equipas.


O Sporting é uma das equipas que mais golos marca nos primeiros 15 minutos de jogo, apenas atrás do... Benfica. Daí que seja importante entrar forte e aguerrido, não deixar o adversário assumir o controlo do jogo e ter um bom índice de aproveitamento (dos "três grandes", o Sporting é o menos eficaz no ataque), colocando, assim, pressão do lado dos encarnados. O dérbi, muito provavelmente, será decidido no meio-campo. Adrien e João Mário devem iniciar a partida e terão a tarefa de impor ritmo, capacidade de pressão e intensidade extrema no meio-campo do Sporting que, globalmente, e ao contrário do que sucedera nos últimos clássicos, possui maior qualidade que o do Benfica; mais atrás estará William Carvalho, que terá a dupla missão de parar as investidas adversárias e auxiliar a dupla de centrais (ainda inexperiente). Por fim, quer seja Slimani ou Montero na frente (ou até os dois), é nas alas que vai residir o perigo constante para a baliza à guarda de Artur. Nani, um dos destaques da Liga, será auxiliado por um lateral bastante ofensivo (Jefferson), enquanto que Carrillo poderá ser o "joker" do Sporting - Eliseu, caso não seja rendido por André Almeida, não tem pedalada para o peruano e Ola John, se for o titular na ala esquerda dos encarnados, não cumpre tão bem defensivamente como Gaitán.

Para o Benfica tudo começa na baliza, onde Artur irá render um Júlio César em excelente momento de forma e enfrentar os fantasmas que permitiram ao Sporting sair da Luz com um ponto na mala no jogo da primeira volta do campeonato. De resto, a competência benfiquista será colocada à prova no sector intermediário do terreno (sim, volto a frisar que o meio-campo será a chave deste encontro). Se no jogo do Dragão a dupla Samaris-Enzo, secundada por Talisca, conseguiu fechar espaços e controlar o ímpeto adversário, a verdade é que a saída do argentino fará deste jogo uma verdadeira prova de fogo à disciplina táctica daquele que é o sector crucial do modelo de Jorge Jesus. Para ganhar, o Benfica não precisará necessariamente de ter mais posse de bola, mas sim ser inteligente com e sem o esférico e aproveitar bem as transições à sua disposição. Jonas e Lima são avançados bastante móveis, Gaitán (em dúvida), Salvio e Ola John são flechas apontadas à área contrária e terão pela frente um conjunto defensivo ainda muito jovem (os extremos têm tudo para suplantar os laterais). Por último, realçar que, à semelhança do que sucede com o Sporting, o Benfica vai tentar importunar ao máximo a organização de jogo a partir da defesa.

Castores destorem muralha de Júlio César

Júlio César ficou a um jogo de entrar no pódio
Na ressaca da derrota na Mata Real (0-1), Júlio César viu a sua série de minutos sem sofrer golos conhecer um sabor amargo. O guardião do Benfica ficou, assim, a um jogo de entrar no Top3 dos melhores registos do clube, após Sérgio Oliveira, de penálti, ter batido o guarda-redes brasileiro. Os 808 minutos que Júlio César esteve sem conceder qualquer golo para a Liga - a série começou logo no primeiro minuto do jogo diante do Nacional e prolongou-se até à deslocação de hoje a Paços de Ferreira (pelo meio, Académica, Belenenses, FC Porto, Gil Vicente, Penafiel, Vit. Guimarães e Marítimo não facturaram contra os encarnados) - são, portanto, a 4ª melhor marca de sempre na história do Benfica, apenas atrás de Bento, que na temporada 1985/86 conseguiu manter a baliza imaculada durante 1.065 minutos, um registo ainda melhor que os 839 minutos que já havia registado em 1977/78, e de José Henrique, que manteve as redes intactas por 836 minutos, em 1971/72.

Outro registo impressionante que também pereceu hoje na Mata Real foi a série de 81 jogos consecutivos a marcar em jogos do campeonato [jogo anterior sem golos das águias: derrota em Alvalade (0-1), em Abril de 2012]. Em jeito de curiosidade, desde que Jorge Jesus assumiu o seu cargo, o Benfica marcou em todos os jogos caseiros da Liga (86).

Bis de Lima solidifica liderança do Benfica

Bis de Lima solidifica liderança do Benfica
FC Porto 0-2 Benfica
(Lima 36' e 56')


Jornada fantástica para o Benfica. Além de terem vencido no Dragão (onde já não ganhavam há nove anos e onde nunca Jorge Jesus havia ganho para o campeonato), ainda viram Sporting e Vit. Guimarães perder pontos. Os encarnados alargaram para seis pontos a sua liderança graças a um bis de Lima, que mereceu a confiança do seu treinador apesar das exibições menos conseguidas. Quanto ao clássico, o FC Porto tentou explorar, no início do jogo, a velocidade de Tello e as bolas nas costas da defensiva encarnada (Herrera e Jackson tiveram o golo nos pés), mas foram perdendo algum gás, algo que o Benfica aproveitou aos 36', na sequência de um lançamento lateral. O FC Porto perdeu fulgor ofensivo e esbarrou na muralha táctica dos encarnados, que aos 56' fizeram o segundo golo. Lopetegui ainda tentou mexer com a partida (Quaresma podia ter feito a diferença a partir do banco) mas a capacidade de entrega defensiva do Benfica, aliada a alguma sorte (duas bolas no ferro), ditaram a primeira derrota dos azuis e brancos no campeonato. 

FC Porto: Entrou melhor, teve mais posse de bola que o adversário, mas ter mais bola e atacar mais não é sinónimo de o fazer com qualidade. Lopetegui foi inteligente ao explorar o espaço nas costas do adversário no início, mas voltou a mostrar muitas limitações tácticas (a equipa sofre muito nas transições defensivas e não tem muita clarividência a atacar). Quanto a individualidades, Martins Indi foi o único a destacar-se no sector defensivo, Brahimi e Óliver espalharam técnica, sobretudo na primeira parte, (embora o argelino tenha caído imenso de rendimento no segundo tempo) e Quaresma, que começou no banco, foi dos poucos a desequilibrar constantemente (Jackson esteve muito desinspirado e Tello desapareceu ainda antes dos 45'). 

Benfica: Algumas dificuldades logo no início da partida mas a partir dos 30' a equipa começou-se a soltar e a chegar cada vez mais longe no terreno de jogo. A eficácia encarnada também ajudou, mas o ponto alto da partida foi a forma como a equipa inteligentemente fechou espaços e controlou o ímpeto ofensivo do adversário. Samaris e Enzo fizeram um trabalho incansável no meio-campo (Talisca ajudou), a dupla Luisão e Jardel esteve segura, Lima voltou aos golos e Jorge Jesus fez um bom trabalho a partir do banco (depois do calvário que um jogo contra o FC Porto simbolizava para o técnico, certo é que o Benfica tem respondido muito bem nos últimos confrontos).

A um passo do céu e a dois do abismo

Depois de um fim-de-semana marcado pelos jogos da 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, entre os quais um clássico entre FC Porto e Sporting no Estádio do Dragão que ditou o afastamento da equipa da casa, as atenções viravam-se agora para a Liga dos Campeões. Sporting e Benfica estavam obrigados a não perder pontos - aos encarnados interessava ainda mais somar os três pontos depois das duas derrotas nas jornadas anteriores - e o FC Porto procurava segurar o 1.º lugar e dar um passo importante rumo à fase seguinte.

Lopetegui mostrou mais uma vez que a rotatividade do plantel chega ao fim nos momentos mais importantes - já havia sido assim no início da época e não ganhar após o recente desaire na Taça de Portugal só aumentaria a pressão sobre o técnico e a própria equipa - e o resultado, apesar de todas as peripécias, favoreceu os azuis e brancos. Num jogo em que o golo sofrido voltou a nascer de um erro na fase de construção (à semelhança do que tem acontecido em quase todos os jogos da presente temporada), Lopetegui soube mexer bem a partir do banco, Quaresma assumiu o papel de herói para gáudio dos adeptos, que exigem mais minutos para o internacional português, e o FC Porto pode carimbar a presença nos oitavos-de-final já daqui a uns dias, em solo basco. Boas notícias para Portugal, num ano em que a representação nacional tem estado aquém das expectativas.

Menos sorte teve o Sporting, que foi traído pela infantilidade de Maurício (novamente em foco pela negativa), numa altura em que os leões estavam por cima na partida, e pelos graves erros da equipa de arbitragem. Apesar da vitória moral - recuperar de uma desvantagem de dois golos, a jogar fora de casa, com um elemento a menos, é notável -, associada a uma grande atitude dos jogadores e a uma sensação de crescimento gradual da equipa de Marco Silva, fica uma sensação de injustiça e culpa própria face àquela que é a realidade do grupo do Sporting na Liga dos Campeões. Se o sonho nas provas europeias tomou contornos mais ténues, também é justo dizer que as recentes exibições leoninas, incluindo a vitória no Estádio do Dragão, não têm sido obra do acaso e deixam boas indicações para o muito que ainda falta disputar esta época. Apenas um aparte, que já poderia ter sido escrito há mais tempo: ter João Mário no meio-campo aumenta consideravelmente o nível da equipa.

O Benfica, obrigado a somar pontos tal a distância que o separava das restantes equipas do grupo, foi a última equipa lusa a entrar em acção. Ainda assim, mais do mesmo. Entrada nervosa em campo (alguma falta de ritmo?), em que os encarnados voltaram a dar 45 minutos de avanço aos seus opositores (felizmente mais perdulários que Zenit e Bayer Leverkusen) e tentaram resgatar mais do que um mero ponto na segunda metade. O Benfica foi atraiçoado por alguma falta de eficácia e por Lisandro, expulso após uma entrada imprudente sobre Moutinho numa altura em que os campeões nacionais estavam a controlar o jogo, e teve de sofrer até ao fim para somar o seu primeiro ponto na prova milionária. Percurso curto para aquela que é a capacidade da equipa e que coloca os pupilos de Jorge Jesus, que hoje apresentou em campo a melhor equipa disponível, numa posição delicada para continuar nas provas europeias - já nem se fala apenas na Liga dos Campeões! Hora de redefinir prioridades?

Benfica e Sporting voltam a empatar 1-1 à 3.ª jornada pelo 2.º ano consecutivo

Benfica e Sporting voltam a empatar 1-1 à 3.ª jornada pelo 2.º ano consecutivo
Benfica 1-1 Sporting
(Gaitán 12'; Slimani 20')


Pelo segundo ano consecutivo águias e leões defrontaram-se ao cabo de três jornadas e o resultado não sofreu variações. Entrou melhor o Benfica, que cedo chegou à vantagem após uma boa jogada colectiva concluída por Gaitán. No entanto, o guardião Artur tomou o papel de vilão instantes depois oferecendo o golo da igualdade a Slimani. Um lance que mudou completamente a toada do jogo até então. O Sporting esteve por cima até ao intervalo e o Benfica apenas voltou a surgir na etapa complementar dando início a uma sequência de golos falhados. Face a ineficácia ofensiva dos encarnados foram os leões a terminar melhor a partida mas sem conseguirem modificar o 1-1.

Benfica: Precisa de aumentar o nível se quiser revalidar o título. Acima de tudo este derby será recordado pelo acumular de erros de Artur que, apesar de uma boa defesa já perto do fim, continua a não oferecer tranquilidade na baliza encarnada. Outro destaque pela negativa foi Jardel, com várias abordagens infantis. Eliseu voltou a exibir-se a bom nível (tem crescido muito ao longo dos jogos), Talisca fez uma exibição q.b. (tarda em convencer) e a dupla Gaitán-Salvio nem sempre conseguiu assumir a batuta e acusou algum desgaste na parte final do jogo (nota-se que são os únicos jogadores com capacidade para decidir uma partida).

Sporting: Marco Silva surpreendeu com a titularidade de Slimani e deu-se bem com isso. Teve três oportunidades flagrantes para marcar - fê-lo por uma vez - e deu bastante trabalho à defensiva contrária. Nani foi fazendo um jogo em crescendo, Esgaio conseguiu aguentar bem do lado direito da defesa mas o grande destaque da partida foi Rui Patrício. Várias intervenções de qualidade, sobretudo durante o melhor período do Benfica no jogo, e o responsável pelo facto de o Sporting apenas ter concedido um golo (a defesa leonina voltou a não dar garantias).

BENFICA no Grupo C com Zenit, Bayer Leverkusen e Monaco

BENFICA no Grupo C com Zenit, Bayer Leverkusen e Monaco
BENFICA vs Zenit (16/9)
Bayer Leverkusen vs BENFICA (1/10)
Monaco vs BENFICA (22/10)
BENFICA vs Monaco (4/11)
Zenit vs BENFICA (26/11)
BENFICA vs Bayer Leverkusen (9/12)


Sorteio difícil e que dita vários reencontros na óptica dos encarnados. André Villas-Boas tem feito o Zenit crescer desde que assumiu o comando da equipa há uns meses e conta com vários jogadores de renome, entre os quais Javi García, Witsel, Garay e Hulk (a grande figura desta equipa), que vão regressar ao Estádio da Luz. Não sendo uma das três equipas mais difíceis do pote 2, é um adversário que implica uma deslocação longa e em condições adversas e com uma capacidade individual muito acima da média. O Bayer Leverkusen, à semelhança das restantes equipas alemãs, evoluiu bastante desde o último confronto com as águias e possui vários jogadores de qualidade (sobretudo do meio-campo para a frente). A favor do Benfica joga a estatística: nenhuma derrota diante da formação germânica em quatro jogos disputados. A concluir o grupo encontra-se o Monaco, uma das duas equipas a evitar no pote 4 (a outra, a Roma, até era mais temível). Mais um treinador português a regressar a Portugal, Leonardo Jardim, tal como João Moutinho e Bernardo Silva, jovem que foi emprestado ao clube do Principado. Apesar de toda a conjectura económica em torno do clube e de um ou outro nome mais sonante (Falcao pode estar de saída), fica a ideia de que o Benfica tem todas as condições para fazer face aos franceses em ambos os jogos da fase de grupos. Em jeito de conclusão, convém frisar que as águias devem vencer todos os jogos caseiros se quiserem alimentar a esperança de passar à próxima fase da prova milionária.

Artur garante Supertaça Nacional ao Benfica

Artur garante Supertaça Nacional ao Benfica
Benfica 0-0 Rio Ave (3-2 após g.p.)


De vilão a herói... Artur Moraes foi a grande figura do Benfica no jogo da Supertaça Nacional ao defender três das cinco grandes penalidades no momento decisivo após o prolongamento. As águias estiveram sempre por cima no encontro (na 1.ª parte o domínio foi quase absoluto) mas muito perdulárias na finalização. Após 120 minutos sem golos foi o guardião do Benfica a fazer a diferença.

Benfica: No primeiro jogo oficial da época Jorge Jesus resolveu apostar em apenas dois reforços (Eliseu e Talisca, que estiveram bem) e montar um onze já rotinado às suas indicações e a resposta foi muito positiva, sobretudo no 1.º tempo. O grande problema foi a finalização, que esteve a um nível lastimável. Com o desenrolar da partida os jogadores foram naturalmente acusando o cansaço mas a vitória, que podia ter sido conquistada de forma mais confortável, não escapou. Artur podia ter sido o vilão (teve dois erros crassos durante o tempo regulamentar) e saiu de Aveiro como o grande herói. Enzo acrescentou uma nova dimensão ao meio-campo que não se viu durante a pré-época e o trio Gaitán-Salvio-Lima esteve muito activo e deixou bons apontamentos.

Rio Ave: Pedro Martins chegou ao clube há pouco tempo, os vila-condenses tinham disputado um jogo europeu há poucos dias e a estratégia passou por aguentar o ataque encarnado e explorar as transições ofensivas e algo mais. À excepção de Del Valle e da genica de Boateng pouco ou nada se viu do meio-campo para a frente no Rio Ave e valeu sobretudo Marcelo atrás a evitar males maiores (o seu colega no centro da defesa, Prince-Désir, não impressionou).

Benfica 2014/15: Aliar títulos à renovação do plantel

Possível onze do Benfica 2014/15
Seria um feito impressionante renovar o título após a autêntica revolução que houve no plantel benfiquista. Oblak, Siqueira, Garay, Markovic e Rodrigo deixaram o campeão nacional e as novas contratações, além de não serem sonantes, estão longe, até ao momento, de convencer. Jorge Jesus já admitiu que precisa de um guarda-redes, um médio defensivo e um avançado. Será suficiente? Conseguirá dar nova alegria aos adeptos encarnados?


Esquema táctico do Benfica 2014/15
GR: Artur continua a não dar segurança, Paulo Lopes será novamente guarda-redes de reserva e Jorge Jesus já anunciou publicamente que é uma área a reforçar. Espera-se novo titular na baliza encarnada (falou-se em Romero mas o guardião deve ser alemão).
DD: Luís Felipe foi um terrível "erro de casting", João Cancelo precisa de maturidade competitiva (ainda está muito irregular e comete vários erros defensivos), daí que Maxi Pereira continue a ser a opção mais fiável. Ainda assim, convém não esquecer André Almeida, que também pode actuar do lado esquerdo.
DE: Eliseu, desejo expresso do treinador, será o titular habitual. Benito, se Sílvio não continuar no plantel encarnado (a sua situação contratual nunca foi esmiuçada), deverá ser a alternativa principal.
DC: Luisão é o patrão da defesa. Depois é que a situação se complica. Jardel e Lisandro López partiam na linha da frente mas as lesões baralharam as contas. Sídnei e César não têm qualidade para jogar no Benfica e Steven Vitória terá um papel semelhante ao do ano passado. Por já estar mais habituado aos esquemas de Jorge Jesus, Jardel é a melhor opção disponível.
MD: Na ausência de Fejsa por lesão, Rúben Amorim tinha tudo para ser o parceiro de Enzo no meio-campo (ficaria com um papel mais defensivo). No entanto, há que reconhecer que um novo médio defensivo apenas abonaria a favor dos encarnados (por outro lado, seria um crime Rúben Amorim não ser aposta regular nesta equipa).
MC: Enzo Pérez é imprescindível, ponto final. Talisca ainda está em processo de evolução e João Teixeira, que ainda precisa de evoluir bastante, poderá ter direito a alguns minutos durante a época.
EXT: Gaitán é fulcral neste Benfica e Salvio, face à saída de Markovic, retomará o seu lugar no onze. O problema é que o sérvio era um elemento muito acima da média e as opções no banco perderão muita qualidade em função da sua saída. Ola John (devia estar num processo de maturação bem mais avançado) e Sulejmani (não se sabe quando regressa) serão as principais opções de reserva, em princípio. Resta saber o que irá acontecer com Ivan Cavaleiro, Candeias, Pizzi e Bebé (teria sido interessante ver o ex-jogador do Man. United a jogar numa posição mais central).
PL: Lima tem lugar garantido no onze e deverá ter a companhia de mais alguém. Face à saída de Cardozo, esperam-se novidades durante os próximos dias (de preferência um nome sonante). Mas para já parece ser Derley o elemento em melhor forma. N. Oliveira e Jara apresentaram muito pouco (por razões distintas) e o seu futuro permanece em aberto.

Reforço a ter em atenção: Eliseu, para já. A verdade é que o Benfica contratou vários jogadores - e outros tantos regressaram de empréstimos - mas nenhum promete dar que falar. Resta esperar até ao fecho do mercado para dar uma nova resposta.
Áreas a reforçar: Acima de tudo ficou bem evidente durante as últimas semanas a má gestão que houve durante a pré-época. O Benfica chega a esta fase com várias lacunas graves. Falta um guarda-redes que transmita tranquilidade (Artur há muito deixou de ser bem-amado na Luz), um central que ofereça garantias (é difícil apontar o dedo face à lesão de Lisandro López, potencial substituto de Garay) e um avançado capaz de substituir Rodrigo (aqui reside o maior buraco do actual plantel benfiquista). Num plano secundário, um médio defensivo (que Jorge Jesus quer) e um extremo (ninguém convenceu durante a pré-época a não ser Gaitán) não seriam hipóteses a colocar de lado.