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Relatório de Olheiro: Sporting x Benfica

O Sporting recebe o Benfica, este sábado, numa jornada que poderá ser importante para as contas do título. Contudo, aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: não será desta que o título ficará entregue. O Sporting chega ao clássico de Lisboa sem a margem sólida de vantagem que tinha à passagem da segunda volta do campeonato, fruto dos empates com Tondela, Rio Ave e Vit. Guimarães, mas com o foco completamente centrado na competição na qual ainda é líder. Do outro lado está o Benfica de Rui Vitória, que continua sem conseguir bater as equipas grandes e que sabe que uma nova derrota poderá complicar em definitivo as contas do título.



Sporting: Não há três sem quatro

Com a chegada de Jorge Jesus, o Sporting voltou a bater-se de igual com os seus rivais directos. A classificação não engana. O problema tem sido frente às equipas que se contentam com menos, ou seja, as que lutam por uma posição confortável na tabela. A maior parte dos pontos perdidos pelo Sporting esta época deve-se a clubes da metade inferior da tabela, e de todas as vitórias dos leões na Liga raras foram as vezes em que o clube venceu folgadamente os seus opositores. E quando o fez, espante-se, foi contra as melhores equipas. O que nos remete para este jogo. A jogar contra o campeão em título, o Sporting vai procurar confirmar a sua superioridade face à táctica de Rui Vitória, e alcançar o quarto triunfo - Liga, Supertaça e Taça de Portugal - sobre o Benfica na mesma época, algo que seria histórico e um marco importante na história recente do clube de Alvalade.

ASPECTO A EXPLORAR: Pressão na zona intermediária. É a justificação para os problemas do Benfica nos jogos grandes: a capacidade de construir jogo. Samaris e Renato Sanches posicionam-se no meio-campo para iniciarem o processo ofensivo e a equipa perde ideias de jogo quando tal não é possível. Nas alas tanto João Mário como Bruno César (ou Bryan Ruiz) terão atenções redobradas numa primeira linha de pressão e prontidão para se lançarem à defesa do Benfica em ataque rápido.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no remate. Foi curiosamente o problema do Benfica no seu último clássico, mas tem sido uma constante no percurso do Sporting ao longo da temporada. Relembre-se, porém, que Slimani, melhor marcador dos leões, agora sem uma alternativa credível, costuma dar-se bem contra as águias.

JOGADOR-CHAVE: Adrien. É um dos pilares do Sporting nos jogos mais importantes. A sua capacidade de pressão e a sua inteligência táctica complementam na perfeição as qualidades de William Carvalho e João Mário. Recentemente lesionado, e partindo do princípio que irá recuperar a tempo, a sua condição será determinante para o sucesso da táctica leonina.


Benfica: Não entregar o ouro ao bandido

Em Dezembro, após o nulo diante do U. Madeira, poucos foram os que acreditaram na recuperação do Benfica face à desvantagem para os seus principais rivais. Desde então, o pleno de vitórias encarnadas apenas foi interrompido pelo FC Porto (1-2), algo que, tendo em conta aquele que foi o calendário do Sporting até aqui, mantém o Benfica na discussão pelo título, embora sem grande margem de manobra, como é óbvio. Mais do que inverter o ciclo negativo do Benfica nos jogos mais importantes, Rui Vitória e o seu plantel sabem que uma nova derrota poderia colocar um ponto final no percurso dos encarnados rumo ao tri, deitando por terra todo o esforço de uma recuperação notável. Se ganhar é importante, perder está absolutamente fora de questão, pois seria entregar o título de mão beijada a quem já tanto castigou o Benfica esta época.


ASPECTO A EXPLORAR: Rapidez de processos. As equipas de Jorge Jesus costumam pressionar logo o portador da bola, o que gera um menor tempo de reacção. A capacidade de organizar jogo de forma rápida, seja com linhas de passe bastante unidas, seja através da condução de bola por parte dos jogadores com mais técnica, será importante para a criação de oportunidades de perigo. Foi algo que, por exemplo, faltou no segundo tempo diante do FC Porto.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no passe. Vem no seguimento do ponto anterior. O Benfica tem denotado alguns problemas neste capítulo em vários jogos esta época e isso poderá ser fatal contra um adversário como o Sporting.

JOGADOR-CHAVE: Renato Sanches. Será importante nos diversos momentos do jogo: na capacidade de aguentar o ímpeto adversário a meio-campo, na precisão do seu passe, na leitura de jogo, na condução de bola para zonas mais restritas. Será o playmaker do Benfica. Se Renato Sanches se evidenciar - e que jogo para o fazer -, o Benfica terá hipóteses de sair de Alvalade com um bom resultado.

O bingo de Jonas "Pistolas"

Mais dois golos. Mais uma vitória. Mais uma vítima. Jonas continua imparável na Liga Portuguesa e já leva 26 golos, liderando de forma impressionante a lista dos melhores marcadores do campeonato e a corrida à Bota de Ouro, com vantagem mínima sobre Higuaín e Suárez. Com o bis frente ao U. Madeira (2-0), já só restam dois "alvos a abater" para o "pistoleiro" da Luz - FC Porto e Sporting, próximo adversário do Benfica, são as únicas equipas da Liga que se foram conseguindo desviar das balas de Jonas.

Com 46 golos apontados em 51 jogos do campeonato, Jonas já "disparou" acertadamente na baliza de 17 dos 19 oponentes que enfrentou na Liga, com Belenenses e Nacional (6 golos) a serem, para já, os principais alvos do avançado brasileiro. Só em 2015/16, e com apenas 24 jornadas concluídas, Jonas já apontou golos a 12 dos 17 adversários em prova, somando 26 golos no total (média superior a 1 golo/jogo). Verdadeiro amuleto da sorte, sempre que Jonas marcou para o campeonato o Benfica acabou por vencer essa mesma partida - já nos cinco jogos em que participou diante dos principais rivais (três contra o FC Porto e dois contra o Sporting), e em que ficou em branco, o Benfica registou dois empates e três derrotas.

Relatório de Olheiro: Benfica x FC Porto

Benfica e FC Porto medem forças no Estádio da Luz, esta sexta-feira, num jogo importante para as contas do título, não fosse este um embate entre dois colossos do futebol português. O Benfica, invicto em 2016, e que já não perde para o campeonato desde a derrota caseira com o Sporting (0-3), está em primeiro lugar, em igualdade pontual com o Sporting, e chega assim mais moralizado para o Clássico, isto depois de o Arouca ter repetido uma façanha que não se verificava há largos meses, ao bater o FC Porto (1-2), para a Liga, no estádio dos azuis e brancos. Ainda à procura de uma identidade sob o comando de José Peseiro, os dragões sabem que tudo o que não signifique uma vitória poderá ser suficiente para voltar a ver o título escapar para um dos rivais de Lisboa. Vencer é, portanto, obrigatório para qualquer uma das equipas.


Benfica: Contrariar a tendência dos jogos grandes

Ao contrário do que aconteceu na época passada, o Benfica deixou o pragmatismo de parte nos jogos grandes e tem sentido muitas dificuldades para contrariar o ímpeto adversário. No Dragão, à 5ª jornada, o Benfica conseguiu disputar o jogo de forma equilibrada, sucumbindo nos últimos minutos. Contra o Sporting, as três derrotas em tantas partidas esta época não abonam a favor de Rui Vitória, que, no entanto, parece ter finamente encontrado o modelo de jogo mais adequado para a sua equipa. A afirmação de Lisandro face à lesão de Luisão, a juventude de Renato Sanches, agressivo na luta pela bola e com um pulmão imenso, e a importância táctica de Pizzi, o joker de Rui Vitória neste "novo" Benfica, têm catapultado os encarnados para o topo e dado uma nova moral à equipa.

ASPECTO A EXPLORAR: Liberdade criativa dos alas. Pizzi assumiu o lado direito do meio-campo e conferiu uma estabilidade táctica que tem sido preponderante no sucesso do Benfica. As suas movimentações, juntamente com a magia de Gaitán, exímio na condução de bola e um dos jogadores mais tecnicamente evoluídos do campeonato, podem desequilibrar uma partida a qualquer momento e baralhar as marcações individuais do FC Porto.

TER ATENÇÃO A: Bolas paradas. E isto em ambos os lados do campo, isto é, o FC Porto tem marcado vários golos de bola parada, sobretudo de canto, mas também tem sofrido bastantes de igual forma.

JOGADOR-CHAVE: Jonas. Acusado de não aparecer nos "jogos grandes", algo comprovado pela estatística, o brasileiro entra para este jogo no melhor momento da sua carreira (15 golos e 6 assistências, nos últimos 10 jogos da Liga). Perante uma equipa do FC Porto não tão coesa como anteriormente, as suas movimentações serão fulcrais para criar desequilíbrios - e oportunidades - e buscar, assim, o primeiro golo contra os dragões.


FC Porto: Manter a chama do título acesa

Um nada querido mês de Janeiro... Depois de terem sido afastados da Liga dos Campeões - o jogo em casa com o D. Kiev terá sido o momento chave da época - e da Taça da Liga, ainda que não de forma oficial, os dragões viram a liderança fugir logo no primeiro jogo de 2016 após uma exibição pobre frente ao Sporting. Fast-forward até à chegada de José Peseiro, encontramos um FC Porto cada vez mais longe do primeiro lugar, sem a mesma chama de outros tempos. A chegada do novo técnico implicou o abandono do futebol de posse e a adopção de um modelo que privilegia a largura de jogo e o envolvimento dos jogadores numa manobra mais ofensiva, com o uso recorrente dos flancos. Numa equipa ainda à procura de cimentar esta nova identidade, em vésperas de um dos jogos mais importantes da época, resta saber como se comportará o Dragão no Estádio da Luz.

ASPECTO A EXPLORAR: Largura de jogo e movimentos interiores. Tal como escrevi, o modelo de jogo de José Peseiro privilegia a exploração dos flancos. Se a equipa se conseguir balançar bem no ataque, trocando a bola rapidamente e baralhando o posicionamento defensivo do Benfica com movimentos interiores e de ruptura, as ocasiões de golo deverão surgir mais facilmente. Atenção ainda para as movimentações de André André, constantemente a derivar para o flanco, e Herrera.

TER ATENÇÃO A: Transição defensiva. O Benfica não é uma equipa especialmente talhada para o contra-ataque, mas Renato Sanches, Pizzi e Gaitán são jogadores capazes de imprimir uma nova velocidade de um momento para o outro. E o modelo ofensivo do FC Porto é bastante susceptível de abrir brechas no meio-campo defensivo - contra o Arouca isso ficou bem evidente.

JOGADOR-CHAVE: Corona. Poderia igualmente destacar Brahimi, mas "Tecatito" tem tudo para se evidenciar. No duelo com Eliseu leva clara vantagem, tanto no "um contra um" como nas desmarcações nas suas costas do internacional português, e a sua velocidade poderá igualmente ser útil em situações de transição rápida.

Jonas entre os principais goleadores de 2015

Depois de um ano de estreia ao mais alto nível, marcado pela hegemonia interna do Benfica, seu clube, parecem faltar adjectivos para descrever o impacto de Jonas no nosso campeonato. Um dos melhores jogadores do bicampeonato dos encarnados, e actual melhor marcador da prova, o avançado brasileiro inscreveu, em 2015, o seu nome entre os principais protagonistas do desporto-rei apontando 31 golos no campeonato, apenas superado pelos incontornáveis Cristiano Ronaldo (37) e Lionel Messi (34). Um registo verdadeiramente impressionante para um jogador do campeonato português.

No que diz respeito aos seis principais campeonatos europeus, Cristiano Ronaldo liderou a lista de melhores marcadores, embora tenha disputado mais partidas que o seu eterno rival, Messi, detalhe que se reflecte na média de golos por jogo - 0,97 do português, face aos 1,03 do argentino, o único dos principais goleadores com mais golos do que jogos. Segue-se então Jonas, com 31 golos em 32 jogos, incluindo quatro de grande penalidade, ligeiramente à frente do uruguaio Luís Suárez, com 29 golos na Liga Espanhola, e de Aubameyang, que também apontou 29 tentos na Bundesliga ao serviço do Borussia Dortmund, que assim fecham o Top-5. Para além de Higuaín e Harry Kane, ambos com 27 golos, apenas mais quatro avançados conseguiram superar a barreira dos 25 golos nas respectivas ligas, no presente ano civil: Ibrahimovic (26), Neymar (25), Lewandowski (25) e Griezmann (25).

Dos 31 golos de Jonas na Liga, apenas 8 foram marcados longe do Estádio da Luz, sendo que Académica e Belenenses, cada um com quatro golos encaixados, foram as suas vítimas predilectas. O registo goleador de Jonas funcionou, curiosamente, como um talismã para o Benfica, uma vez que o clube encarnado somou os três pontos em todos os encontros em que o avançado fez o gosto ao pé. Numa estatística mais geral de 2015, o número 17 das águias participou em 45 jogos, em todas as competições, fazendo balançar as redes adversárias em 36 ocasiões diferentes e contribuindo com mais 11 assistências.

JGG-47: A principal arma do Benfica

AK-47 é uma das armas de origem soviética mais conhecidas à escala global. No plantel do Benfica, somando os números das camisolas envergadas dentro de campo, existe um trio que se tem destacado pelos efeitos igualmente devastadores e que tem dinamitado o ataque encarnado ao longo deste primeiro terço do campeonato. Com um total de 12 golos e 14 assistências nas primeiras nove jornadas disputadas - o encontro com o U. Madeira ainda não se realizou -, Jonas, Gaitán e Gonçalo Guedes constituem a principal arma ofensiva da equipa com mais golos apontados na prova.

Gaitán continua a demonstrar o porquê de ser considerado o melhor jogador a actuar no campeonato nacional e lidera o capítulo das assistências (7) e ocasiões criadas, ao passo que Jonas, melhor marcador da Liga (8 golos), tem sido um dos goleadores de 2015, apenas atrás de Messi e Ronaldo, se considerarmos as principais ligas europeias. Gonçalo Guedes, que apenas assumiu a titularidade a partir da 3ª jornada, tem crescido a olhos vistos, tendo participado directamente em sete golos desde então. Curiosamente, o último jogo, frente ao Boavista (2-0), manteve uma tendência que se tem verificado até ao momento. Em todas as seis vitórias do Benfica na Liga, pelo menos dois destes três jogadores tiveram influência directa (golo ou assistência) no resultado final de cada partida. Os restantes encontros, diante de Arouca (0-1) e com os rivais FC Porto (0-1) e Sporting (0-3), foram sinónimo de pólvora seca e de três pontos perdidos em combate.

Benfica 2014/15: O tão ambicionado bicampeonato

Novo "triplete". Uma tarefa certamente mais árdua devido à saída de vários titulares ao longo dos últimos meses. A Supertaça Nacional substituiu a Taça de Portugal, a hegemonia na Taça da Liga continua e o jejum de 31 anos sem um bicampeonato conheceu o seu fim. Pelo meio, a pior prestação dos últimos anos nas competições europeias.

Depois de uma pré-época desastrosa, muitas foram as incógnitas em torno do Benfica. No entanto, o campeão em título desde cedo ocupou a liderança da Liga e de lá não saiu até ao seu término. Até lá, e repetindo um pouco o balanço já feito anteriormente, a vitória no Dragão (deu confiança e margem de segurança) e o empate dramático em Alvalade (numa altura em que ainda havia três candidatos ao título), o crescimento de vários jogadores e a aposta certeira em determinadas contratações (os números de Júlio César e Jonas, por exemplo, impressionaram), a maneira como o clube soube explorar a ideia de "manto protector" como resposta às declarações dos rivais (importante na união equipa/adeptos) e a forma como a equipa jogou de forma entrosada e confiante (sem lesões à mistura, o Benfica esteve imparável na segunda metade da época) contribuíram para um novo sucesso colectivo do emblema lisboeta. Com o melhor ataque e segunda melhor defesa do campeonato, o Benfica, cujas escorregadelas na Liga foram atenuadas pelos deslizes dos rivais, soube gerir a diferença pontual e aproveitar a saída precoce da Liga dos Campeões (prestação medíocre de uma equipa que ainda estava em fase de adaptação) para se exibir a bom nível nas competições internas.

Se o mérito do título do ano passado é de Luís Filipe Vieira, pela forma como aguentou Jorge Jesus no cargo, o deste ano pertence ao treinador. Perder sete titulares indiscutíveis no espaço de um ano, cinco deles numa janela de transferências, e manter a equipa com um nível de jogo elevado não é fácil. Não surpreende, portanto, que o Benfica tenha sete jogadores na "Equipa Ideal" publicada há uns dias. Mas o desafio das águias cresce a partir de agora: para além das eventuais mexidas do mercado, a saída de Jorge Jesus, técnico com mais títulos em toda a história do Benfica, irá certamente pesar. Caberá agora a Rui Vitória a tarefa de oferecer novas alegrias aos adeptos.

Os mestres das transferências nos últimos 10 anos

Já se sabe de antemão que os clubes portugueses, sobretudo Benfica e FC Porto, são exímios a garantir lucros consideráveis por jogadores adquiridos a baixo custo que são potenciados e introduzidos nas suas equipas. Não admira, portanto, que estes clubes estejam entre aqueles que mais dinheiro recebem pela venda dos seus activos. Nos últimos dez anos, nenhum clube a nível mundial possui um balanço receita/despesa tão positivo como Benfica e FC Porto. Os campeões nacionais compraram mais sem gastar tanto, mas os vice-campeões foram os que mais receberam vendendo menos. Os dados do Transfermarkt, que englobam os valores totais das transferências, ajudam a provar este cenário.


FC Porto: Uma Liga dos Campeões que mudou tudo

Balanço do FC Porto (valores em milhões de euros)
Até ao início do novo milénio, os clubes portugueses não eram, naturalmente, aqueles que mais dinheiro esbanjavam. Se a contratação de futebolistas estrangeiros era bastante mais limitada, o mesmo não se podia aplicar aos colossos europeus da altura. Ainda assim, como é certo e sabido, as verbas gastas não eram, nem de perto nem de longe, tão elevadas como as de hoje em dia. Porém, a Liga dos Campeões ganha pelo FC Porto de José Mourinho em 2003/04, época que nem sequer entra nestas contas, veio mudar o panorama do mercado de transferências a nível nacional.

E o FC Porto saiu claramente beneficiado. Os azuis e brancos são de longe o clube que mais lucrou com transferências à escala mundial. A temporada 2006/07 foi a única, nos últimos dez anos, em que os dragões não encaixaram um mínimo de 30M - por cinco ocasiões distintas receberam 70M -, sendo que essa fasquia, mesmo sem o mercado ter aberto de forma oficial, já foi atingida na preparação da temporada que se avizinha. Igualmente como excepção, a melhor temporada do FC Porto na última década (2010/11) foi aquela em que o volume das despesas superou o das receitas, ainda que por uma margem reduzida (inferior a 1,5M).

As cinco maiores vendas do FC Porto neste período foram as de James Rodríguez (45M), Falcao (40M), Hulk (40M), Mangala (40M), Danilo (31,5M) e Anderson (31,5M), todos eles já vendidos entretanto, enquanto que a compra de Hulk (19M) foi a mais cara, com Danilo (13M) e Adrián (11M) a fecharem o pódio.


Benfica: O mestre da táctica que rendeu ouro aos cofres encarnados

Balanço do Benfica (valores em milhões de euros)
Escusado será dizer que Jorge Jesus veio mudar a natureza do Benfica no capítulo das transferências. Se de 2005 a 2010 o Benfica teve mais prejuízo que lucro na maior parte dos casos (as vendas de Simão e Manuel Fernandes em 2007/08 foram a grande lufada de ar fresco), o contrário verificou-se após a primeira época de Jorge Jesus de águia ao peito.

O ex-técnico do Benfica foi o responsável por ter encaixado mais de 100M numa só temporada, um recorde absoluto entre clubes portugueses, e ganhou fama por conseguir tirar o melhor dos jogadores que potenciava, muitos deles jovens e/ou relativamente desconhecidos, e realizar futuramente encaixes significativos com os mesmos. Duas notas de curiosidade: os dois maiores encaixes financeiros do Benfica registaram-se nas temporadas que sucederam o título nacional - 2015/16 ainda está a meses de começar e as águias já levam um bom balanço - e o "Benfica da era Jorge Jesus" lucrou bem mais do que o rival no mesmo período (diferença aproximada de 50M).

Witsel (40M), Di María (33M), Fábio Coentrão (30M) e Rodrigo (30M) encabeçam as principais vendas do Benfica, ao passo que Óscar Cardozo (11,7M), Salvio (11M), Markovic (10M) e Samaris (10M) constituem as principais aquisições nos últimos dez anos.

'Ola Jonas' e o aparecimento do herói inesperado

'Ola Jonas' e o aparecimento do herói inesperado
Benfica 2-1 Marítimo
(Jonas 37', Ola John 80'; João Diogo 56')

O Benfica voltou a erguer a Taça da Liga, troféu que viu escapar para o Sp. Braga no ano passado, e conquistou assim o terceiro título da temporada, depois da Supertaça Nacional e do Campeonato. O Marítimo entrou bastante pressionante e agressivo e foi adiando a entrada dos encarnados na partida. Depois de Lima ter desperdiçado uma soberana ocasião, Jonas voltou a fazer o gosto ao pé na competição (marcou nos cinco jogos). A segunda parte abriu com a expulsão de Raúl Silva, mas foram os insulares a beneficiar com isso a curto prazo e a empatar a contenda por intermédio de João Diogo. Nos últimos 20 minutos, e já a jogar para o empate e consequente desempate por grandes penalidades, o Marítimo viu Ola John, extremo que tinha sido fortemente apontado a clubes estrangeiros na véspera deste encontro, a sair do banco e a ser o herói desta final. Até ao fim, o Benfica não se livrou de um susto no último minuto mas soube controlar o encontro e defender o 2-1.

Benfica: No jogo que fechou a Liga, o Marítimo já tinha mostrado que podia ser o adversário temível, embora a defesa seja claramente o calcanhar de Aquiles deste conjunto. O meio-campo, principalmente na primeira metade, foi engolido e foram valendo as movimentações dos avançados, sobretudo a inteligência e técnica de Jonas, que parece ter tomado o gosto ao pé nesta competição, a desbloquear o jogo encarnado. Sulejmani não conseguiu fazer esquecer Salvio e foi mesmo a outra alternativa, Ola John, a resolver uma partida em que os encarnados desperdiçaram imenso na segunda parte, algo que poderia ter sido fatal. Criticado por não ser tão incisivo a defender, Eliseu fez uma exibição bastante agradável.

Marítimo: A estratégia de Ivo Vieira passava por condicionar a construção de jogo benfiquista com base num estilo de jogo intenso e agressivo. Acabou por ser uma boa partida dos insulares, pese o número excessivo de faltas, que acabaram por ser traídos pelas debilidades defensivas acentuadas pela expulsão de Raúl Silva. João Diogo fartou-se de recuperar bolas e ainda marcou o golo do empate, Danilo Pereira foi incansável na forma como se entregou ao jogo e Marega voltou a mostrar que é um dos destaques desta segunda metade da época no plano nacional.