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Liga NOS 2016/17: O inédito "tetra" ou o regresso aos títulos

O hábito de repartir o pódio

O Campeonato Europeu já lá vai. A pré-época até mereceu uma atenção diferente em função disso. Mas a partir de agora o país volta a olhar para o seu clube de eleição, a discutir quem anda a jogar melhor, quem anda a ser mais beneficiado ou prejudicado pelas arbitragens, quem se reforçou melhor e quem são os novos craques a pisar os relvados nacionais. Está de volta a Liga NOS.

Para não variar, tendência que se deverá manter por muito tempo, Benfica, Sporting e FC Porto disputam o tão ambicionado troféu, embora em circunstâncias completamente distintas. O campeão Benfica viu Gaitán e Renato Sanches abandonar o clube, mas manteve, até ver, peças igualmente importantes num plantel já habituado a elevados ritmos competitivos. O Sporting, bastante mais activo no mercado, garantiu várias soluções que oferecessem profundidade ao seu plantel e colmatassem as saídas de Slimani e João Mário. Já o FC Porto, numa tentativa de dar a volta ao jejum de títulos que vai perdurando, viu-se obrigado a tentar renovar o seu plantel, mantendo, contudo, as suas principais peças do ano transacto.

As primeiras jornadas permitiram perceber que o poder de arranque do Benfica já não é propriamente o mesmo, fruto do então virtuosismo de Gaitán e irreverência de Renato Sanches. Os encarnados partem para este novo exercício com múltiplas opções para as alas, mas sem uma opção fiável para a posição 8 - André Horta ainda não convence, Celis e Danilo ainda não somaram muitos minutos -, ela que constituiu o ponto de viragem no campeonato que garantiu o "tri" ao Benfica. E é exactamente por aí que passará a possibilidade de êxito dos campeões nacionais.

Depois de uma época marcada pela denominada "traição de Jesus" e por um percurso bastante positivo no campeonato, o Sporting parte para este novo desafio com a obrigação de lutar pelo título. Apesar das vendas de João Mário e Slimani, já esperadas, a turma de Alvalade viu chegar vários reforços de qualidade e possui neste momento argumentos mais que suficientes para chegar ao título, sobretudo no capítulo ofensivo. E numa Liga em que a capacidade ofensiva costuma marcar a diferença, exactamente por haver um fosso tão grande entre os três candidatos ao título e restantes quinze clubes, bem se pode dizer que o Sporting tem tudo ao seu alcance para voltar a ser campeão, algo que não acontece desde o início do milénio.

Já o caso do FC Porto é diferente. Nuno Espírito Santo chega ao clube numa fase em que o jejum de títulos teima em persistir, daí que a habitual pressão de ser campeão dê lugar a um tipo de pressão distinta: a retoma dos momentos de glória. Não houve saídas consideráveis, sempre um bom sinal para qualquer treinador, e chegaram soluções para a defesa e para as alas, tal como se exigia. Contudo, a posição 9 permanece débil - André Silva está em processo de afirmação e não parecem existir alternativas de qualidade ao jovem português. Sem uma profundidade de plantel ao nível da dos rivais, é justo afirmar que os azuis e brancos correm por trás este ano, embora sejam naturais candidatos ao título.


Uma luta a Norte pela Europa

Se a luta pelo título se resume sempre aos mesmos protagonistas, a luta pela Europa também não é assim tão diferente. O Sp. Braga assume-se como principal candidato ao 4º lugar. Outra vez. Nem mesmo as saídas de Rafa e Boly podem diminuir as odds do conjunto de José Peseiro, de regresso à Pedreira, claramente apetrechado para mais uma época onde campeonato e fase de grupos da Liga Europa são as grandes prioridades.

Igualmente favorito a um lugar europeu é o Vit. Guimarães. Depois de uma temporada desastrosa, em que o objectivo europeu foi redondamente falhado, Pedro Martins, habituado a estas andanças, foi o escolhido para pegar no bom plantel dos vimaranenses e recolocá-lo na rota europeia. A excelente abordagem de mercado, com particular destaque para o retorno de Hernâni e Bernard, e as aquisições de João Aurélio, Marega e Tiquinho Soares, também ajudam a comprovar a ambição do clube para esta nova temporada.


Potenciais surpresas

Vit. Setúbal: Europa à vista? Não seria a primeira vez que Couceiro vestiria a capa de herói em Setúbal. Há três anos o treinador do clube sadino alcançou um honroso 7º lugar, numa época em que sobressaíram jogadores como João Mário, Pedro Tiba e Ricardo Horta, então fora dos radares dos adeptos portugueses. Com um plantel bastante equilibrado e jogadores que podem seguir as pisadas dos supracitados, o Vit. Setúbal será uma equipa a acompanhar atentamente esta época.

Desp. Chaves: Clube que sobe de divisão é automaticamente um dos candidatos à descida. Costuma ser essa a norma, pelo menos. Mas no caso dos flavienses a história não deverá ser igual. Com um bom técnico ao comando (Jorge Simão) e um plantel bastante competente e habituado ao futebol nacional, não seria de estranhar que a equipa terminasse num lugar a meio da tabela. Mais do que isso seria uma proeza extraordinária.


10 jovens jogadores* a ter em atenção

  1. Lucas Farias || Estoril || Defesa || 22 anos
  2. Álex Grimaldo || Benfica || Defesa || 20 anos
  3. Alex Telles || FC Porto || Defesa || 23 anos
  4. João Pedro || Vit. Guimarães || Médio || 23 anos
  5. Pedrinho || P. Ferreira || Médio || 23 anos
  6. Tomás Martínez || Sp. Braga || Médio || 21 anos
  7. Raphinha || Vit. Guimarães || Avançado || 20 anos
  8. Andrija Zivkovic || Benfica || Avançado || 20 anos
  9. Peter Etebo || Feirense || Avançado || 20 anos
  10. Komnen Andric || Belenenses || Avançado || 21 anos

*Critérios dos jovens jogadores: idade igual ou inferior a 23 anos, debutantes na Liga ou com um máximo de 5 jogos em épocas anteriores

Liga NOS 2015/16: Equipa do Ano

Chegou a altura de baixar as cortinas. O Benfica voltou a conquistar o título nacional, mantendo a ligeira vantagem face ao Sporting, segundo classificado, na recta final da prova. O FC Porto, longe dos rivais, finalizou em terceiro, enquanto que Sp. Braga (vencedor da Taça de Portugal), Arouca e Rio Ave englobam o lote de equipas que se qualificaram para a Liga Europa. Académica e União da Madeira, nos últimos lugares da tabela, disputarão o segundo escalão do futebol nacional na próxima época. Posto isto, falta reconhecer quem mais se evidenciou do ponto de vista individual. Aqui ficam as minhas escolhas para o 11 Ideal da Liga NOS*.


RUI PATRÍCIO (Sporting): Além da sua regularidade ao longo da época, o Sporting foi o clube com mais clean-sheets (17), tantos como o Benfica, e melhor defesa do campeonato.

MAXI PEREIRA (FC Porto): Foi fazendo um campeonato em crescendo, embora não tenha sido exuberante, e manteve a regularidade que já lhe é característica. Estreou-se a marcar pelos azuis e brancos na Liga e somou ainda 9 assistências.
HUGO BASTO (Arouca): A época fabulosa do Arouca deveu-se muito à regularidade do conjunto de Lito Vidigal, e a defesa não foi excepção. Foi uma das referências no sector mais recuado, pese embora a sua tenra idade.
JARDEL (Benfica): O melhor defesa central do campeonato por larga margem. Tornou-se no novo patrão da defesa encarnada, formando excelentes duplas com Luisão, Lisandro López e Lindelof, e apontou dois golos decisivos na recta final da prova (3 golos e 4 assistências nos 30 jogos disputados).
MIGUEL LAYÚN (FC Porto): Apresentou uma estatística verdadeiramente impressionante para a posição que ocupa no terreno (5 golos e 16 assistências) e foi um dos destaques do campeonato a uma determinada altura. A crise do FC Porto acabou por se alastrar ao mexicano na segunda volta, mas os seus números não deixam margem para dúvida quanto à sua presença neste onze.

JOÃO MÁRIO (Sporting): Originalmente médio centro, fixou-se do lado direito do meio-campo leonino, mas a sua qualidade de passe e inteligência fazem a diferença num esquema táctico como o de Jorge Jesus. O que faz, fá-lo bem. Os 6 golos e 10 assistências não enganam.
IURI MEDEIROS (Moreirense): Foi a referência do Moreirense, rubricando por diversas vezes exibições de encher o olho e que lhe prometem uma vaga no plantel principal do Sporting na próxima temporada. Terminou com 8 golos e 8 assistências.
ADRIEN SILVA (Sporting): Repetindo o que já foi escrito há uns meses: é um dos melhores jogadores do campeonato no que concerne ao "trabalho invisível". Líder do meio-campo dos leões, finalizou a prova com 8 golos e 6 assistências.
DIOGO JOTA (P. Ferreira): Confirmou as expectativas de possível melhor jogador jovem do campeonato, carregando os pacenses às costas apesar de ainda ser bastante jovem e está agora pronto para pisar relvados de maior gabarito. Os 12 golos e 4 assistências demonstram bem o seu potencial.

SLIMANI (Sporting): Um avançado à medida de Jorge Jesus, que exibiu bem os seus dotes de goleador sob a alçada do novo técnico (27 golos e 3 assistências) e continua a fazer estragos na nossa Liga pelas suas qualidades físicas e técnicas.
JONAS (Benfica): Mais um ano em grande para o "papa-estatísticas" Jonas (32 golos e 12 assistências, ou seja, um envolvimento directo em metade dos golos da equipa na Liga), cujo único defeito parece mesmo ser a sua crise goleadora nos jogos grandes - Sporting e FC Porto são os únicos clubes a quem o brasileiro ainda não marcou.


BANCO DE SUPLENTES**: Bracali (Arouca), Lucas Lima (Arouca), Rúben Semedo (Sporting), Danilo Pereira (FC Porto), Otávio (Vit. Guimarães), Bryan Ruiz (Sporting) e Mitroglou (Benfica).



Melhor Jogador: Jonas. Mais um ano a apresentar uma folha estatística impressionante. Rivalizou com os melhores pela Bota de Ouro e foi novamente imprescindível para a conquista do título, aliando uma elevada capacidade de finalização à inteligência que lhe é reconhecida.

Melhor Jogador Jovem: Diogo Jota. Renato Sanches ficou ligado ao título do Benfica pela forma como deu um novo alento aos encarnados, mas o jovem pacense foi bastante regular ao longo da temporada e apresentou números muito sólidos.

Melhor Treinador: Lito Vidigal. Rui Vitória tem mérito na conquista do campeonato, ainda para mais com um novo recorde de pontos (88), mas o trabalho de Lito Vidigal foi bastante subvalorizado pela Comunicação Social. Levar um clube com menos recursos, e que há um ano lutava para não descer, a um sólido 5º lugar é um feito impressionante.
Jogador Revelação: Renato Sanches. Não se pode pedir muito mais a um jovem que começou a temporada a alinhar pela formação secundária do Benfica e terminou a época como titular indiscutível e peça importante na conquista do campeonato.
Melhor Golo: Suk (2ª jornada). Um remate indefensável ao canto superior. Apenas o golo de Edgar Costa (Marítimo) lhe faz frente.


*Os jogadores destacados no 11 Ideal respeitam as posições em que têm vindo a jogar e o esquema táctico que tenho usado nos balanços mensais. A sua escolha respeita, principalmente, os seguintes critérios: minutos jogados, números apresentados, regularidade, impacto na classificação da equipa, expectativas iniciais.
**Posições dos jogadores no banco de suplentes: 1 GR, 2 DEF (lateral + central), 3 MED, 1 AV.

Liga NOS: Balanço do Mês (Abril)

Com o campeonato cada vez mais próximo da sua recta final, Benfica e Sporting vão lutando taco a taco pelo título, com os verdes e brancos a necessitarem de um deslize adversário para sonhar com o primeiro lugar. Os encarnados permanecem invictos desde o embate em Alvalade, e o Sporting está a mostrar que pretende acabar a competição em grande, depois de um grande triunfo no reduto do FC Porto, que assim somou a terceira derrota em casa, na Liga, esta época. Um pouco mais abaixo na tabela, o Arouca está cada vez mais perto de uma qualificação inédita para a Liga Europa, enquanto que o Tondela, que muitos davam como descido há uns meses, poderá estar prestes a concretizar uma manutenção impressionante. Por outro lado, a Académica precisa de um milagre para se salvar esta época, e o Vit. Setúbal continua em queda livre e arrisca-se a passar um mau bocado no momento mais decisivo do campeonato. As decisões finais serão conhecidas nas próximas semanas.

Individualmente, Slimani destacou-se do resto da concorrência com 6 golos apontados em Abril, pelo menos mais dois do que qualquer outro jogador da Liga; mais um mês em grande para João Mário, que juntou um golo e duas assistências a exibições de grande nível; Élio Martins (3 golos e 3 assistências) revelou-se decisivo nos últimos jogos, sobretudo na "final" diante da Académica; Jardel (2 golos) continua a confirmar que é porventura o melhor central da temporada a nível nacional.

Liga NOS: Balanço do Mês (Março)

Com apenas três jogos disputados face à paragem do campeonato para compromissos de Selecções, o início de Março ficou desde logo marcado por um resultado que poderá ser crucial para as contas finais do título. O Benfica, que continua com a sua série de vitórias, venceu o Sporting (1-0) no derby de Alvalade e depende apenas de si até ao final da competição. A ajudar os encarnados o FC Porto tropeçou em Braga, e tem agora uma tarefa bastante mais difícil para alcançar o primeiro lugar. Fora das contas pelo título o Arouca continua a fazer um trabalho excepcional e mantém-se na 5ª posição, atrás do Sp. Braga, mas a equipa em melhor forma no mês de Março foi incontornavelmente o Nacional (3 vitórias), que parece estar definitivamente de volta à metade superior da tabela. Em contrapartida, Vit. Guimarães e Vit. Setúbal apenas conheceram o sabor da derrota nas últimas três jornadas.

Individualmente, Mattheus foi a estrela maior do mês de Março, apontando 4 golos, e continua a assumir-se como uma das revelações da temporada num Estoril em ascensão; também o seu colega Léo Bonatini (2 golos e 2 assistências) parece estar no seu melhor momento de forma, ele que continua na perseguição aos melhores marcadores do campeonato (4º posto, com 14 golos); Éderson e Lindelof, com exibições cada vez mais seguras desde que agarraram a titularidade no Benfica, e com um registo defensivo praticamente imaculado, figuram igualmente entre os melhores do mês.

Liga NOS: Balanço do Mês (Fevereiro)

Fevereiro ficou marcado pelo primeiro Clássico da segunda metade do campeonato, culminado com a vitória do FC Porto (2-1) no terreno do Benfica, agravando assim ainda mais o registo de Rui Vitória nos jogos grandes a nível nacional. O Sporting poderia ter aproveitado este resultado mas a formação de Alvalade continua a tropeçar em demasia na segunda volta, e já tem novamente os principais rivais bastante próximos de si. Um pouco mais abaixo na classificação, e grande destaque do mês, o Arouca somou 10 pontos em 12 possíveis, incluindo uma vitória impressionante (2-1) no reduto do FC Porto e um registo defensivo praticamente imaculado. Cada vez numa situação mais delicada, e ainda sem pontuar nesta segunda volta, está uma Académica com várias dificuldades a nível ofensivo e que ainda só manteve a baliza em branco por duas vezes (24 jogos). Em queda parece estar também o Paços de Ferreira, alérgico a vitórias nos últimos dois meses, cada vez mais longe dos lugares europeus.

Individualmente, Otávio é o único jogador que se mantém no onze ideal face ao mês anterior (2 golos e 2 assistências); Nathan Jr. (Tondela) foi o homem em foco em Fevereiro com 5 golos e uma assistência, registo semelhante ao de Mitroglou que terminou recentemente a sua série de jogos consecutivos (7) a marcar na Liga. Também o trio do Arouca composto por Rafael Bracali (apenas um golo sofrido, num jogo no Estádio do Dragão onde foi um dos melhores), Hugo Basto (bastante seguro no eixo da defesa) e Lucas Lima (já leva 3 golos nos últimos cinco jogos) merece a presença entre os melhores do mês.

Relatório de Olheiro: Sporting x Benfica

O Sporting recebe o Benfica, este sábado, numa jornada que poderá ser importante para as contas do título. Contudo, aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: não será desta que o título ficará entregue. O Sporting chega ao clássico de Lisboa sem a margem sólida de vantagem que tinha à passagem da segunda volta do campeonato, fruto dos empates com Tondela, Rio Ave e Vit. Guimarães, mas com o foco completamente centrado na competição na qual ainda é líder. Do outro lado está o Benfica de Rui Vitória, que continua sem conseguir bater as equipas grandes e que sabe que uma nova derrota poderá complicar em definitivo as contas do título.



Sporting: Não há três sem quatro

Com a chegada de Jorge Jesus, o Sporting voltou a bater-se de igual com os seus rivais directos. A classificação não engana. O problema tem sido frente às equipas que se contentam com menos, ou seja, as que lutam por uma posição confortável na tabela. A maior parte dos pontos perdidos pelo Sporting esta época deve-se a clubes da metade inferior da tabela, e de todas as vitórias dos leões na Liga raras foram as vezes em que o clube venceu folgadamente os seus opositores. E quando o fez, espante-se, foi contra as melhores equipas. O que nos remete para este jogo. A jogar contra o campeão em título, o Sporting vai procurar confirmar a sua superioridade face à táctica de Rui Vitória, e alcançar o quarto triunfo - Liga, Supertaça e Taça de Portugal - sobre o Benfica na mesma época, algo que seria histórico e um marco importante na história recente do clube de Alvalade.

ASPECTO A EXPLORAR: Pressão na zona intermediária. É a justificação para os problemas do Benfica nos jogos grandes: a capacidade de construir jogo. Samaris e Renato Sanches posicionam-se no meio-campo para iniciarem o processo ofensivo e a equipa perde ideias de jogo quando tal não é possível. Nas alas tanto João Mário como Bruno César (ou Bryan Ruiz) terão atenções redobradas numa primeira linha de pressão e prontidão para se lançarem à defesa do Benfica em ataque rápido.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no remate. Foi curiosamente o problema do Benfica no seu último clássico, mas tem sido uma constante no percurso do Sporting ao longo da temporada. Relembre-se, porém, que Slimani, melhor marcador dos leões, agora sem uma alternativa credível, costuma dar-se bem contra as águias.

JOGADOR-CHAVE: Adrien. É um dos pilares do Sporting nos jogos mais importantes. A sua capacidade de pressão e a sua inteligência táctica complementam na perfeição as qualidades de William Carvalho e João Mário. Recentemente lesionado, e partindo do princípio que irá recuperar a tempo, a sua condição será determinante para o sucesso da táctica leonina.


Benfica: Não entregar o ouro ao bandido

Em Dezembro, após o nulo diante do U. Madeira, poucos foram os que acreditaram na recuperação do Benfica face à desvantagem para os seus principais rivais. Desde então, o pleno de vitórias encarnadas apenas foi interrompido pelo FC Porto (1-2), algo que, tendo em conta aquele que foi o calendário do Sporting até aqui, mantém o Benfica na discussão pelo título, embora sem grande margem de manobra, como é óbvio. Mais do que inverter o ciclo negativo do Benfica nos jogos mais importantes, Rui Vitória e o seu plantel sabem que uma nova derrota poderia colocar um ponto final no percurso dos encarnados rumo ao tri, deitando por terra todo o esforço de uma recuperação notável. Se ganhar é importante, perder está absolutamente fora de questão, pois seria entregar o título de mão beijada a quem já tanto castigou o Benfica esta época.


ASPECTO A EXPLORAR: Rapidez de processos. As equipas de Jorge Jesus costumam pressionar logo o portador da bola, o que gera um menor tempo de reacção. A capacidade de organizar jogo de forma rápida, seja com linhas de passe bastante unidas, seja através da condução de bola por parte dos jogadores com mais técnica, será importante para a criação de oportunidades de perigo. Foi algo que, por exemplo, faltou no segundo tempo diante do FC Porto.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no passe. Vem no seguimento do ponto anterior. O Benfica tem denotado alguns problemas neste capítulo em vários jogos esta época e isso poderá ser fatal contra um adversário como o Sporting.

JOGADOR-CHAVE: Renato Sanches. Será importante nos diversos momentos do jogo: na capacidade de aguentar o ímpeto adversário a meio-campo, na precisão do seu passe, na leitura de jogo, na condução de bola para zonas mais restritas. Será o playmaker do Benfica. Se Renato Sanches se evidenciar - e que jogo para o fazer -, o Benfica terá hipóteses de sair de Alvalade com um bom resultado.

O bingo de Jonas "Pistolas"

Mais dois golos. Mais uma vitória. Mais uma vítima. Jonas continua imparável na Liga Portuguesa e já leva 26 golos, liderando de forma impressionante a lista dos melhores marcadores do campeonato e a corrida à Bota de Ouro, com vantagem mínima sobre Higuaín e Suárez. Com o bis frente ao U. Madeira (2-0), já só restam dois "alvos a abater" para o "pistoleiro" da Luz - FC Porto e Sporting, próximo adversário do Benfica, são as únicas equipas da Liga que se foram conseguindo desviar das balas de Jonas.

Com 46 golos apontados em 51 jogos do campeonato, Jonas já "disparou" acertadamente na baliza de 17 dos 19 oponentes que enfrentou na Liga, com Belenenses e Nacional (6 golos) a serem, para já, os principais alvos do avançado brasileiro. Só em 2015/16, e com apenas 24 jornadas concluídas, Jonas já apontou golos a 12 dos 17 adversários em prova, somando 26 golos no total (média superior a 1 golo/jogo). Verdadeiro amuleto da sorte, sempre que Jonas marcou para o campeonato o Benfica acabou por vencer essa mesma partida - já nos cinco jogos em que participou diante dos principais rivais (três contra o FC Porto e dois contra o Sporting), e em que ficou em branco, o Benfica registou dois empates e três derrotas.

Relatório de Olheiro: Benfica x FC Porto

Benfica e FC Porto medem forças no Estádio da Luz, esta sexta-feira, num jogo importante para as contas do título, não fosse este um embate entre dois colossos do futebol português. O Benfica, invicto em 2016, e que já não perde para o campeonato desde a derrota caseira com o Sporting (0-3), está em primeiro lugar, em igualdade pontual com o Sporting, e chega assim mais moralizado para o Clássico, isto depois de o Arouca ter repetido uma façanha que não se verificava há largos meses, ao bater o FC Porto (1-2), para a Liga, no estádio dos azuis e brancos. Ainda à procura de uma identidade sob o comando de José Peseiro, os dragões sabem que tudo o que não signifique uma vitória poderá ser suficiente para voltar a ver o título escapar para um dos rivais de Lisboa. Vencer é, portanto, obrigatório para qualquer uma das equipas.


Benfica: Contrariar a tendência dos jogos grandes

Ao contrário do que aconteceu na época passada, o Benfica deixou o pragmatismo de parte nos jogos grandes e tem sentido muitas dificuldades para contrariar o ímpeto adversário. No Dragão, à 5ª jornada, o Benfica conseguiu disputar o jogo de forma equilibrada, sucumbindo nos últimos minutos. Contra o Sporting, as três derrotas em tantas partidas esta época não abonam a favor de Rui Vitória, que, no entanto, parece ter finamente encontrado o modelo de jogo mais adequado para a sua equipa. A afirmação de Lisandro face à lesão de Luisão, a juventude de Renato Sanches, agressivo na luta pela bola e com um pulmão imenso, e a importância táctica de Pizzi, o joker de Rui Vitória neste "novo" Benfica, têm catapultado os encarnados para o topo e dado uma nova moral à equipa.

ASPECTO A EXPLORAR: Liberdade criativa dos alas. Pizzi assumiu o lado direito do meio-campo e conferiu uma estabilidade táctica que tem sido preponderante no sucesso do Benfica. As suas movimentações, juntamente com a magia de Gaitán, exímio na condução de bola e um dos jogadores mais tecnicamente evoluídos do campeonato, podem desequilibrar uma partida a qualquer momento e baralhar as marcações individuais do FC Porto.

TER ATENÇÃO A: Bolas paradas. E isto em ambos os lados do campo, isto é, o FC Porto tem marcado vários golos de bola parada, sobretudo de canto, mas também tem sofrido bastantes de igual forma.

JOGADOR-CHAVE: Jonas. Acusado de não aparecer nos "jogos grandes", algo comprovado pela estatística, o brasileiro entra para este jogo no melhor momento da sua carreira (15 golos e 6 assistências, nos últimos 10 jogos da Liga). Perante uma equipa do FC Porto não tão coesa como anteriormente, as suas movimentações serão fulcrais para criar desequilíbrios - e oportunidades - e buscar, assim, o primeiro golo contra os dragões.


FC Porto: Manter a chama do título acesa

Um nada querido mês de Janeiro... Depois de terem sido afastados da Liga dos Campeões - o jogo em casa com o D. Kiev terá sido o momento chave da época - e da Taça da Liga, ainda que não de forma oficial, os dragões viram a liderança fugir logo no primeiro jogo de 2016 após uma exibição pobre frente ao Sporting. Fast-forward até à chegada de José Peseiro, encontramos um FC Porto cada vez mais longe do primeiro lugar, sem a mesma chama de outros tempos. A chegada do novo técnico implicou o abandono do futebol de posse e a adopção de um modelo que privilegia a largura de jogo e o envolvimento dos jogadores numa manobra mais ofensiva, com o uso recorrente dos flancos. Numa equipa ainda à procura de cimentar esta nova identidade, em vésperas de um dos jogos mais importantes da época, resta saber como se comportará o Dragão no Estádio da Luz.

ASPECTO A EXPLORAR: Largura de jogo e movimentos interiores. Tal como escrevi, o modelo de jogo de José Peseiro privilegia a exploração dos flancos. Se a equipa se conseguir balançar bem no ataque, trocando a bola rapidamente e baralhando o posicionamento defensivo do Benfica com movimentos interiores e de ruptura, as ocasiões de golo deverão surgir mais facilmente. Atenção ainda para as movimentações de André André, constantemente a derivar para o flanco, e Herrera.

TER ATENÇÃO A: Transição defensiva. O Benfica não é uma equipa especialmente talhada para o contra-ataque, mas Renato Sanches, Pizzi e Gaitán são jogadores capazes de imprimir uma nova velocidade de um momento para o outro. E o modelo ofensivo do FC Porto é bastante susceptível de abrir brechas no meio-campo defensivo - contra o Arouca isso ficou bem evidente.

JOGADOR-CHAVE: Corona. Poderia igualmente destacar Brahimi, mas "Tecatito" tem tudo para se evidenciar. No duelo com Eliseu leva clara vantagem, tanto no "um contra um" como nas desmarcações nas suas costas do internacional português, e a sua velocidade poderá igualmente ser útil em situações de transição rápida.

Liga NOS: Balanço do Mês (Janeiro)

A mudança de ano não implicou, felizmente, uma mudança nos hábitos ofensivos das equipas da Liga - em Janeiro, a média de golos aproximou-se dos 3,5 golos/jogo. Nas contas que mais interessam, o Benfica foi, sem sombra de dúvidas, a equipa em melhor forma (6 vitórias em 6 jogos), aproximando-se do rival Sporting, e ultrapassando um FC Porto combalido - já sem Lopetegui - que desceu do topo da tabela logo após a derrota com o Sporting, em Alvalade. Um pouco mais abaixo na tabela, o Vit. Guimarães continua a espreitar os lugares europeus e o Belenenses tem vindo a subir de nível desde a chegada de Júlio Velázquez, novo técnico dos azuis do Restelo. Já Tondela e Marítimo, cada um com apenas uma vitória neste mês, vão-se afundando numa posição delicada na tabela, tendo em conta aqueles que eram os seus objectivos na época.

Individualmente, Pizzi tem subido de forma de uma maneira cavalgante - é ele um dos principais responsáveis pelo sucesso actual do Benfica, ainda invicto em 2016 -, destacando-se no panorama europeu como um dos jogadores com mais passes para ocasião no respectivo campeonato, e no panorama nacional (4 golos e 4 assistências, em seis jogos); os melhores avançados da primeira volta, Jonas e Slimani, somaram um total de 16 golos e 4 assistências, números verdadeiramente impressionantes; Adrien, talvez o jogador em melhor forma no Sporting, é o maior destaque no meio-campo do onze ideal do mês, co-adjuvado por Otávio, bastante potenciado por Sérgio Conceição e regular desde que assumiu a titularidade. Nota de destaque para Danilo Pereira (FC Porto), João Mário (Sporting), Iuri Medeiros (Moreirense) e Bruno Moreira (P. Ferreira), jogadores que apenas não figuraram no onze face à forte concorrência nas respectivas posições.

Liga NOS 2015/16: Balanço da 1ª volta

O espectáculo da Liga vai a meio, altura ideal para fazer um breve balanço do que aconteceu até ao momento e destacar os melhores*. O Sporting é o líder isolado do campeonato, com um ascendente importante sobre os principais rivais (pleno de vitórias); o FC Porto, já sem Lopetegui ao comando, é acompanhado no 2º lugar por um Benfica em crescendo nas últimas jornadas; na luta equilibrada pelos lugares europeus, Sp. Braga e Paços de Ferreira levam vantagem sobre a concorrência; Tondela e Boavista, piores ataques do campeonato, encontram-se, por outro lado, nas posições mais delicadas. Posto isto, falta reconhecer quem mais se evidenciou do ponto de vista individual. Aqui ficam as minhas escolhas para o 11 Ideal da Liga NOS, findada a sua primeira volta.

KRITCIUK (Sp. Braga): Rui Patrício é o guarda-redes menos batido do campeonato, mas o russo tem sido uma verdadeira muralha na baliza do Sp. Braga. Com 9 clean sheets, apenas batido pelo titular da Selecção Nacional e por Júlio César (10), soma muitas mais defesas nos 17 jogos em que participou, de acordo com os dados da Liga: 51 intervenções, contra as 30 do sportinguista e as 35 do benfiquista.


MAXI PEREIRA (FC Porto): Não tem sido uma posição em destaque, pelo que a eleição resulta de um processo de exclusão de partes. Baiano constituía a maior "ameaça" ao uruguaio, todavia, as 6 assistências e a ausência de erros graves nas acções do nº2 dos azuis e brancos acabam por facilitar a decisão.

PAULO MONTEIRO (U. Madeira): Tem andado fora dos radares dos meios de comunicação social, mas tem sido bastante competente no núcleo da defesa com mais totalistas (3) no campeonato. Sereno nos jogos contra as equipas com mais argumentos, excepção feita para a goleada diante do FC Porto, já ajudou a sua equipa, uma das condenadas à luta pela manutenção, a manter a baliza inviolável em 7 jogos. À sua regularidade acrescenta um golo marcado.

NALDO (Sporting): Chegou a Alvalade para discutir a titularidade com Ewerton, então lesionado, mas impôs-se de forma assinalável. Mesmo com menos minutos de jogo que o seu parceiro da defesa, Paulo Oliveira, apresenta uma estatística defensiva mais robusta e destaca-se principalmente pelo elevado nível de actuação diante de Benfica e FC Porto. Já viu um cartão vermelho, é certo, por empurrar Lito Vidigal, mas vou perdoar...

MIGUEL LAYÚN (FC Porto): Ao contrário do que se passa na ala contrária, aqui a competição é bem maior. Mas, ao mesmo tempo, a escolha é bem mais fácil. Outra asa do Dragão, Layún está a ser um dos destaques do campeonato, participando com acutilância no processo ofensivo da equipa e beneficiando de ser o principal marcador das bolas paradas para se afirmar como o líder de assistências (9) da Liga - às quais junta 2 golos.


JOÃO MÁRIO (Sporting): Joga no meio, à direita, à esquerda se for preciso. A sua inteligência e técnica refinada permitem-lhe encontrar as melhores linhas de passe, os melhores movimentos interiores, as melhores definições da jogada. Joga simples, nada de exuberante. E o que faz, fá-lo bem. Prova disso são os constantes elogios e os seus 2 golos e 4 assistências.

RENAN BRESSAN (Rio Ave): A formação de Vila do Conde começou a época em alta e é, à data, a equipa que marcou em mais jogos da Liga. Com 5 golos e 3 assistências, Bressan tem contribuído para esse bom momento, estando bastante mais regular em comparação com o nível do ano passado - já é capaz de definir melhor quando tem bola.

ADRIEN SILVA (Sporting): A chegada de Jorge Jesus permitiu-lhe elevar o jogo a um novo nível. O Adrien de agora não só pressiona intensamente no meio-campo e recupera imensas bolas - ou contribui para tal -, como é muitas vezes o importante elo de ligação ao ataque leonino, liberdade essa conferida pelo novo modelo de jogo. É dos melhores jogadores do campeonato no que concerne ao "trabalho invisível", sem a bola nos pés, a chamada inteligência táctica. A isso acrescenta 5 golos e 3 assistências.

DIOGO JOTA (P. Ferreira): Despontou com Paulo Fonseca e continua-se a afirmar sob a batuta de Jorge Simão. A capacidade de conduzir bola pelos flancos ou pela zona central e as oportunidades criadas para os seus companheiros auguram um bom futuro à promessa de apenas 19 anos. Num conjunto a lutar pela Liga Europa - está no 5º lugar -, Diogo Jota leva vantagem sobre a demais concorrência pela sua regularidade, preponderância no sucesso colectivo e números apresentados: 5 golos e 4 assistências.


SLIMANI (Sporting): Não surpreende este aumento no rendimento. Slimani é um "Cardozo 2.0", uma versão mais móvel, mais desgastante do ponto de vista dos adversários, mais raçudo - talvez menos letal, pese embora o seu registo goleador -, a peça perfeita no puzzle ofensivo de Jorge Jesus. Os seus 13 golos, a juntar a uma consistência e trabalho incansável impressionantes, têm dado bastantes alegrias aos adeptos sportinguistas.

JONAS (Benfica): Começa a tornar-se num caso cada vez mais sério na história do campeonato português. Se a qualidade individual tinha ficado bem patente no ano passado, poucos esperavam que em ano de mudança de treinador o "papa-estatísticas" Jonas apresentasse os números avassaladores que apresenta. Pode ser acusado de não aparecer nos jogos importantes - essa tradição mantém-se -, mas 18 golos e 6 assistências ao fim de 17 jogos não é para qualquer um.


BANCO DE SUPLENTES**: Rui Patrício (Sporting), Marcelo Goiano (Sp. Braga), Hugo Basto (Arouca), Iuri Medeiros (Moreirense), Brahimi (FC Porto), Suk (Vit. Setúbal) e Bruno Moreira (P. Ferreira).



Melhor Treinador: Jorge Jesus. O Sporting é líder do campeonato por estar a jogar bom futebol, por se exibir a grande nível nos jogos mais complicados, por as individualidades terem oportunidade de se evidenciarem. Isto tudo a somar aos recordes que o técnico tem vindo a quebrar nos últimos meses.

Melhor Jogador: Slimani. A estatística de Jonas é impressionante, mas o peso do argelino na classificação do Sporting e a sua regularidade exibicional conferem-lhe uma ligeira vantagem.

Melhor Jogador Jovem: Diogo Jota. Entenda-se por "jogador jovem" um atleta com idade igual ou inferior a 21 anos e não restam quaisquer dúvidas. O resto já foi escrito mais acima.

Jogador Revelação: Stojiljkovic. O avançado sérvio, um autêntico desconhecido quando chegou a Portugal, agarrou a titularidade à passagem da 5ª jornada e já é um dos imprescindíveis de Paulo Fonseca. Movimenta-se bem, é um jogador potente e figura entre os principais goleadores da Liga (7 golos).

Equipa Revelação: Vit. Setúbal. No início da época coloquei as minhas reticências em torno dos sadinos, pelo que a classificação actual, a juntar à forma como Quim Machado potenciou diversos atletas, é uma verdadeira surpresa e um prémio para o plantel. Menção honrosa para o Arouca.


*Os jogadores destacados no 11 Ideal respeitam as posições em que têm vindo a jogar e o esquema táctico que tenho usado nos balanços mensais. A sua escolha respeita, principalmente, os seguintes critérios: minutos jogados, números apresentados, regularidade, impacto na classificação da equipa, expectativas iniciais.
**Posições dos jogadores no banco de suplentes: 1 GR, 2 DEF (lateral + central), 2 MED (centro + ala), 2 AV.

Liga NOS: Balanço do Mês (Novembro - Dezembro)

Depois de um mês de Novembro parco em jogos da Liga, Dezembro devolveu a emoção aos relvados nacionais. Desde logo por nos ter brindado com um presente de Natal antecipado, com 40 golos numa só jornada, um dos melhores registos das últimas décadas. Nas contas que mais interessam, e com um Benfica ainda a correr atrás do prejuízo, FC Porto e Sporting trocaram as posições cimeiras, algo que apenas veio apimentar o clássico entre dragões e leões na próxima ronda, sendo que os comandados de Julen Lopetegui fizeram o pleno nos seis jogos disputados ao longo dos últimos dois meses. A meio da tabela, Arouca e Vit. Guimarães merecem destaque pela forma como se aproximaram dos lugares europeus (apenas dois pontos de distância), e o Moreirense parece estar de volta ao caminho certo, após ter somado 11 dos seus 14 pontos nos últimos seis jogos. Pior estão certamente as três equipas com a pior sequência de jogos sem uma vitória, Estoril (8), Boavista (9) e Tondela (11), sendo que os beirões ocupam o último lugar, com apenas 5 pontos conquistados ao cabo de 14 jornadas.

Individualmente, Miguel Layún foi a estrela maior do campeonato ao apresentar uma estatística impressionante nestes últimos dois meses (2 golos e 6 assistências) e por estar a cimentar-se como um activo essencial no esquema táctico do FC Porto; Stefanovic e Iuri Medeiros, principalmente, foram elementos cruciais para a recente recuperação do Moreirense; Danilo Dias (3 golos e 2 assistências) foi decisivo para o U. Madeira; o pacense Bruno Moreira (4 golos) ganhou por escassa margem a corrida a Maurides (Arouca) e acompanha o benfiquista Jonas (5 golos e 3 assistências) no ataque da equipa ideal.

Defesa aos pastéis

A 13ª jornada da Liga NOS não deverá guardar boas recordações para os adeptos do Belenenses, sobretudo os mais supersticiosos. Devido à derrota em Coimbra (3-4), a equipa permanece com 13 pontos, ocupando o 13º lugar, e ainda viu Ricardo Sá Pinto colocar o seu cargo à disposição. Olhando para o trabalho que o técnico português fez na Liga, salta logo à vista que a defesa tem "andado aos papéis". Ou "aos pastéis", tratando-se dos azuis do Restelo.

Nas 13 jornadas disputadas, o Belenenses tem 30 golos sofridos (média de 2,31 golos/jogo), sendo que 22 deles foram encaixados longe do próprio estádio, daí que não surpreenda que estejamos perante a defesa mais batida do campeonato. Em 6 dos 13 jogos, o guardião Ventura, totalista no campeonato, teve de ir buscar a bola ao fundo das redes pelo menos três vezes, o que atesta bem o desequilíbrio defensivo da turma azul - das restantes equipas, apenas a Académica (4) soma mais de três jogos com 3 ou mais golos consentidos em noventa minutos. Embora o registo defensivo seja predominantemente negativo, o Belenenses não é a equipa da Liga com menos clean sheets: Ventura conseguiu manter a baliza inviolável diante de Moreirense (2-0) e U. Madeira (1-0), tantas vezes quanto Salin, do Marítimo. Com apenas um jogo sem golos sofridos, Académica e Tondela dividem o estatuto de piores da prova nesse aspecto em particular.

Como os defesas também não estão inibidos de darem o seu contributo ao ataque, como é óbvio, convém realçar mais um dado estatístico bastante curioso: nenhum defesa do Belenenses soma um golo ou uma assistência até ao momento no campeonato, registo inédito entre todas as equipas da competição. Gonçalo Brandão, verdade seja dita, até já fez o gosto ao pé logo na jornada inaugural, frente ao Rio Ave (3-3)... mas na baliza errada.

De volta à boa forma?

Depois de um retorno em grande ao principal escalão do futebol nacional, o desafio do Moreirense para a nova época era o maior até à data. Privado de jogadores nucleares em 2014/15, que rumaram a outras paragens na abertura do mercado - Marafona, Paulinho, André Simões, Arsénio -, Miguel Leal sabia que um bom arranque poderia motivar um conjunto em reconstrução. No entanto, o início de época não correu como o desejado. Apesar de quase ter roubado pontos ao Benfica (2-3), na Luz, e de ter travado, em casa, o FC Porto (2-2), o Moreirense não fez mais do que 3 pontos nas oito jornadas inaugurais.

A ocupar a posição de "lanterna vermelha", foi em Coimbra [Académica 1-1 Moreirense], já para lá dos 90', que a equipa se relançou no campeonato, graças a um remate certeiro de Ença Fati. Desde então, a história dos cónegos mudou completamente: para além do registo de 3 jogos consecutivos sem sofrer golos (Stefanovic muito contribuiu para tal), a equipa venceu finalmente um jogo no campeonato, ante o Paços de Ferreira (2-0), deixou pela primeira vez o Rio Ave em branco (1-0) e roubou pontos ao Sp. Braga (0-0), uma das equipas a lutar abertamente pelos lugares cimeiros da tabela. Conhecido por montar bem a sua equipa do ponto de vista táctico, Miguel Leal viu, assim, o seu Moreirense melhorar substancialmente os índices ofensivos e, sobretudo, defensivos nas partidas mais recentes. Na época transacta, o técnico não foi além de 4 partidas consecutivas sem conhecer o sabor da derrota (2 vitórias, 2 empates), algo que agora se torna a verificar. Conseguirá na próxima jornada, diante do Sporting, melhorar esse registo e estabelecer um novo máximo?

"Su(k)cesso" Asiático

É muito raro ver um clube português apostar num jogador asiático para o seu plantel. Quer pela natural barreira linguística ou cultural, quer pela gritante diferença de exigência técnico-táctica, é bastante provável que essa mesma aposta não se torne num caso de sucesso. Suk Hyun-Jun, ou simplesmente Suk, é, portanto, uma excepção à regra. O avançado sul-coreano, que cumpre actualmente a sua terceira época no campeonato nacional, tem sido um dos melhores na sua posição desde o início da prova, assumindo uma preponderância vital no processo ofensivo do Vit. Setúbal.

Titular nas 12 jornadas da presente edição da Liga, e apenas superado pelo totalista Frederico Venâncio no número de minutos jogados por um jogador da formação sadina, Suk é o segundo melhor marcador da competição (juntamente com o sportinguista Islam Slimani) com 7 golos marcados. Um número que lhe permite melhorar a marca do ano passado (6 golos, ao serviço de Nacional e Vit. Setúbal, em 30 jogos) e isolar-se ainda mais como melhor marcador asiático em toda a história da Liga Portuguesa (17 golos). Aos tentos marcados em 2015/16, Suk acrescenta ainda 4 assistências, o que atesta a influência na manobra ofensiva da equipa - está directamente envolvido em 11 dos 21 golos (52,4%) do Vit. Setúbal na Liga.

Apenas superado por FC Porto e Benfica, e em igualdade com o Sporting, o ataque da turma do Sado também tem contado com outras peças em destaque. André Claro tem sido um parceiro à altura na frente de ataque (5 golos e uma assistência), Costinha teve um bom arranque de campeonato e Arnold Issoko e André Horta têm vindo a conquistar o seu espaço entre o grupo principal daquela que está a ser uma das revelações do principal escalão da Liga até ao momento.

Mestre da táctica... defensiva

Apesar de uma maior contenção financeira, esperava-se que Jorge Jesus tivesse um impacto imediato e fosse capaz de finalmente fazer com que o Sporting rivalizasse com Benfica e FC Porto, os outros grandes candidatos ao título. E a verdade é que o clube de Alvalade está no bom caminho. Mas o apelidado "Mestre da Táctica", ao contrário do que nos habituou nas últimas épocas - apenas não superou a fasquia dos 100 golos marcados no ano passado -, está actualmente a (tentar) fazer valer a máxima «Ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos». Como se pode constatar pela imagem ao lado, e com o auxílio dos dados da Opta, o Sporting é a equipa que recebeu menos remates adversários enquadrados com a sua baliza (18), dos quais 5 (dois deles de grande penalidade) fizeram balançar as redes à guarda de Rui Patrício. Noutros registos defensivos importantes, o conjunto de Jorge Jesus apenas é superado pelo Vit. Guimarães (185) no número de desarmes ganhos e pelo Sp. Braga (639) no número de duelos ganhos - individualmente, Adrien lidera os leões em ambos os capítulos.

Com apenas um golo sofrido nas últimas sete jornadas [Sporting 5-1 Vit. Guimarães], estamos perante a segunda melhor defesa do campeonato, apenas superada pela do FC Porto (4 golos concedidos), e o melhor Sporting do século XXI no que diz respeito à quantidade de golos sofridos (5) no primeiro terço do campeonato. Já de Jorge Jesus não se pode afirmar o mesmo. O técnico igualou o registo alcançado na sua única época ao serviço do Sp. Braga, em 2008/09, em que alcançou o 5º lugar, meses antes de iniciar uma nova etapa enquanto treinador do Benfica.

Nas asas do Dragão

Apesar de não praticar o futebol mais espectacular da Liga, ninguém pode negar que a defesa do FC Porto tem sido uma das mais consistentes do campeonato. Algo que já se havia verificado no ano passado. Uma das imagens de marca do sector defensivo deste ano tem sido, indubitavelmente, a influência ofensiva que os laterais têm tido. Depois das saídas de Danilo e Alex Sandro, este último ainda fez uma assistência no único jogo em que participou esta época, Maxi Pereira e Miguel Layún têm sabido dar boa resposta nas asas (leia-se "alas") do Dragão. O uruguaio já soma 5 assistências, apenas menos uma face ao registo de 2014/15, embora ainda não tenha feito o gosto ao pé. Já o mexicano, que apenas chegou no fecho do mercado de transferências, tem sido o melhor jogador da Liga nas últimas cinco jornadas, acrescentando um golo às suas 4 assistências.

Ainda assim, não são apenas os laterais que merecem destaque. O FC Porto é agora a equipa que já não sofre golos há mais tempo - desde a 6ª jornada -, dado que confere aos azuis e brancos o estatuto de melhor defesa do campeonato (4 golos sofridos). Neste primeiro terço de campeonato, para além dos três jogadores supracitados, também os centrais Iván Marcano e Maicon, com um e dois golos, respectivamente, já participaram em golos portistas. A boa forma do sector defensivo estende-se à baliza, onde Iker Casillas defendeu um penálti em Aveiro, diante do Tondela (1-0), dando continuidade ao número de minutos sem sofrer qualquer golo na Liga.

Muralha Russa

Já tinha sido destacado na Equipa do Mês de Outubro e está-se a tornar na grande figura do campeonato na sua posição. Isto depois de um ano em que foi suplente de Matheus, cujos minutos se restringem, agora, aos jogos da Liga Europa, e em que deu uma boa réplica sempre que foi chamado a intervir (6 clean-sheets em 11 jogos da Liga e uma exibição memorável num jogo da Taça de Portugal, no terreno do Benfica). Kritciuk, guarda-redes de 25 anos do Sp. Braga, somou o seu quinto jogo consecutivo sem qualquer golo encaixado. Líder da Liga em clean-sheets (6, em igualdade com Casillas), as boas exibições ante Vit. Guimarães (fora), Arouca (casa), FC Porto (fora), Belenenses (casa) e, mais recentemente, U. Madeira (fora) permitem que o russo continue a ser o único jogador da Liga sem golos sofridos nos meses de Outubro e Novembro [Sp. Braga 5-1 Marítimo, com um golo de Dyego Sousa, foi o último jogo em que a bola entrou na sua baliza]. A própria estatística mostra que o seu número de defesas aumentou consideravelmente nos últimos cinco jogos, o que se traduz na classificação da equipa minhota entre as melhores defesas do campeonato (1º lugar, com apenas 5 golos sofridos, tantos quanto o FC Porto, que tem um jogo a menos) e na tabela classificativa (3º lugar). Também merece uma atenção especial a defesa do Sp. Braga, sobretudo a jovem dupla de centrais constituída por Wily Boly, que cada vez mais adquire um papel imprescindível neste sector, e Ricardo Ferreira, que tem merecido a confiança de Paulo Fonseca e até já se estreou a marcar no campeonato.

JGG-47: A principal arma do Benfica

AK-47 é uma das armas de origem soviética mais conhecidas à escala global. No plantel do Benfica, somando os números das camisolas envergadas dentro de campo, existe um trio que se tem destacado pelos efeitos igualmente devastadores e que tem dinamitado o ataque encarnado ao longo deste primeiro terço do campeonato. Com um total de 12 golos e 14 assistências nas primeiras nove jornadas disputadas - o encontro com o U. Madeira ainda não se realizou -, Jonas, Gaitán e Gonçalo Guedes constituem a principal arma ofensiva da equipa com mais golos apontados na prova.

Gaitán continua a demonstrar o porquê de ser considerado o melhor jogador a actuar no campeonato nacional e lidera o capítulo das assistências (7) e ocasiões criadas, ao passo que Jonas, melhor marcador da Liga (8 golos), tem sido um dos goleadores de 2015, apenas atrás de Messi e Ronaldo, se considerarmos as principais ligas europeias. Gonçalo Guedes, que apenas assumiu a titularidade a partir da 3ª jornada, tem crescido a olhos vistos, tendo participado directamente em sete golos desde então. Curiosamente, o último jogo, frente ao Boavista (2-0), manteve uma tendência que se tem verificado até ao momento. Em todas as seis vitórias do Benfica na Liga, pelo menos dois destes três jogadores tiveram influência directa (golo ou assistência) no resultado final de cada partida. Os restantes encontros, diante de Arouca (0-1) e com os rivais FC Porto (0-1) e Sporting (0-3), foram sinónimo de pólvora seca e de três pontos perdidos em combate.

Liga NOS: Balanço do Mês (Outubro)

Outubro foi um mês perfeito para Jorge Jesus e para o seu Sporting: os leões  foram a única equipa da Liga a fazer o pleno de vitórias, triunfaram historicamente na casa do grande rival e beneficiaram das condicionantes que ditaram o adiamento dos jogos do U. Madeira (apenas fez um jogo no mês) com os outros dois "grandes" para aumentarem a sua vantagem no topo da tabela, algo que dá alguma folga anímica à equipa. O Sp. Braga foi outra das equipas em destaque, sendo para já a única equipa a sair do Estádio do Dragão, em 2015, sem golos sofridos e a única do mês a manter esse mesmo registo imaculado. Também Rio Ave e Vit. Setúbal, que somaram 7 pontos em 9 possíveis, permanecem em grande, sendo que os vilacondenses ocupam neste momento o terceiro lugar do campeonato. A "nota menos" vai para Nacional, que já não vence há cinco jogos, e Moreirense, única equipa da prova que ainda não sabe o que é ganhar.

Individualmente, Zeegelaar foi decisivo nos últimos três jogos do Rio Ave, com 2 golos e uma assistência (Jefferson, do Sporting, também merecia a distinção); Rafa parece estar de volta à sua melhor forma; Slimani foi, porventura, o melhor jogador do mês e seguramente o avançado em evidência nesse período (4 golos).

De cabeça quente

Não está a ser o início que os adeptos do Marítimo esperavam. A equipa do Funchal partiu para esta temporada com a ambição de voltar às competições europeias, mas ao cabo de oito jornadas soma apenas duas vitórias e um total de oito pontos (13º lugar). E um dos dados estatísticos que sobressai de imediato e tem deixado os adeptos de mãos na cabeça é, sem dúvida, o número de cartões vermelhos exibidos. Os jogadores do Marítimo já foram expulsos em seis ocasiões - Tiago Rodrigues (x2), Raúl Silva, João Diogo, Diallo e Dirceu -, sendo que todas elas surgiram nos últimos seis jogos (o encontro com o Vit. Setúbal, à 4ª jornada, foi o último a terminar com 11 insulares em campo). A nível geral, os verde-rubros lideram destacadamente a tabela da indisciplina da Liga NOS - têm o dobro dos cartões vermelhos (6) face às equipas que se seguem neste capítulo e são ainda a equipa com mais cartões amarelos (30). Juntamente com as restantes cinco equipas da Liga com pelo menos três vermelhos, representadas na imagem ao lado, temos aqui 68% das expulsões do campeonato!

Por falar em cabeça quente, e apesar de ter ficado em branco na derrota caseira com o Paços de Ferreira nesta última jornada, o Marítimo é a equipa da Liga com mais golos de cabeça (6), um registo entretanto igualado pelo Rio Ave no último fim-de-semana graças às finalizações certeiras de Zeegelaar e Guedes.