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Liga NOS 2016/17: O inédito "tetra" ou o regresso aos títulos

O hábito de repartir o pódio

O Campeonato Europeu já lá vai. A pré-época até mereceu uma atenção diferente em função disso. Mas a partir de agora o país volta a olhar para o seu clube de eleição, a discutir quem anda a jogar melhor, quem anda a ser mais beneficiado ou prejudicado pelas arbitragens, quem se reforçou melhor e quem são os novos craques a pisar os relvados nacionais. Está de volta a Liga NOS.

Para não variar, tendência que se deverá manter por muito tempo, Benfica, Sporting e FC Porto disputam o tão ambicionado troféu, embora em circunstâncias completamente distintas. O campeão Benfica viu Gaitán e Renato Sanches abandonar o clube, mas manteve, até ver, peças igualmente importantes num plantel já habituado a elevados ritmos competitivos. O Sporting, bastante mais activo no mercado, garantiu várias soluções que oferecessem profundidade ao seu plantel e colmatassem as saídas de Slimani e João Mário. Já o FC Porto, numa tentativa de dar a volta ao jejum de títulos que vai perdurando, viu-se obrigado a tentar renovar o seu plantel, mantendo, contudo, as suas principais peças do ano transacto.

As primeiras jornadas permitiram perceber que o poder de arranque do Benfica já não é propriamente o mesmo, fruto do então virtuosismo de Gaitán e irreverência de Renato Sanches. Os encarnados partem para este novo exercício com múltiplas opções para as alas, mas sem uma opção fiável para a posição 8 - André Horta ainda não convence, Celis e Danilo ainda não somaram muitos minutos -, ela que constituiu o ponto de viragem no campeonato que garantiu o "tri" ao Benfica. E é exactamente por aí que passará a possibilidade de êxito dos campeões nacionais.

Depois de uma época marcada pela denominada "traição de Jesus" e por um percurso bastante positivo no campeonato, o Sporting parte para este novo desafio com a obrigação de lutar pelo título. Apesar das vendas de João Mário e Slimani, já esperadas, a turma de Alvalade viu chegar vários reforços de qualidade e possui neste momento argumentos mais que suficientes para chegar ao título, sobretudo no capítulo ofensivo. E numa Liga em que a capacidade ofensiva costuma marcar a diferença, exactamente por haver um fosso tão grande entre os três candidatos ao título e restantes quinze clubes, bem se pode dizer que o Sporting tem tudo ao seu alcance para voltar a ser campeão, algo que não acontece desde o início do milénio.

Já o caso do FC Porto é diferente. Nuno Espírito Santo chega ao clube numa fase em que o jejum de títulos teima em persistir, daí que a habitual pressão de ser campeão dê lugar a um tipo de pressão distinta: a retoma dos momentos de glória. Não houve saídas consideráveis, sempre um bom sinal para qualquer treinador, e chegaram soluções para a defesa e para as alas, tal como se exigia. Contudo, a posição 9 permanece débil - André Silva está em processo de afirmação e não parecem existir alternativas de qualidade ao jovem português. Sem uma profundidade de plantel ao nível da dos rivais, é justo afirmar que os azuis e brancos correm por trás este ano, embora sejam naturais candidatos ao título.


Uma luta a Norte pela Europa

Se a luta pelo título se resume sempre aos mesmos protagonistas, a luta pela Europa também não é assim tão diferente. O Sp. Braga assume-se como principal candidato ao 4º lugar. Outra vez. Nem mesmo as saídas de Rafa e Boly podem diminuir as odds do conjunto de José Peseiro, de regresso à Pedreira, claramente apetrechado para mais uma época onde campeonato e fase de grupos da Liga Europa são as grandes prioridades.

Igualmente favorito a um lugar europeu é o Vit. Guimarães. Depois de uma temporada desastrosa, em que o objectivo europeu foi redondamente falhado, Pedro Martins, habituado a estas andanças, foi o escolhido para pegar no bom plantel dos vimaranenses e recolocá-lo na rota europeia. A excelente abordagem de mercado, com particular destaque para o retorno de Hernâni e Bernard, e as aquisições de João Aurélio, Marega e Tiquinho Soares, também ajudam a comprovar a ambição do clube para esta nova temporada.


Potenciais surpresas

Vit. Setúbal: Europa à vista? Não seria a primeira vez que Couceiro vestiria a capa de herói em Setúbal. Há três anos o treinador do clube sadino alcançou um honroso 7º lugar, numa época em que sobressaíram jogadores como João Mário, Pedro Tiba e Ricardo Horta, então fora dos radares dos adeptos portugueses. Com um plantel bastante equilibrado e jogadores que podem seguir as pisadas dos supracitados, o Vit. Setúbal será uma equipa a acompanhar atentamente esta época.

Desp. Chaves: Clube que sobe de divisão é automaticamente um dos candidatos à descida. Costuma ser essa a norma, pelo menos. Mas no caso dos flavienses a história não deverá ser igual. Com um bom técnico ao comando (Jorge Simão) e um plantel bastante competente e habituado ao futebol nacional, não seria de estranhar que a equipa terminasse num lugar a meio da tabela. Mais do que isso seria uma proeza extraordinária.


10 jovens jogadores* a ter em atenção

  1. Lucas Farias || Estoril || Defesa || 22 anos
  2. Álex Grimaldo || Benfica || Defesa || 20 anos
  3. Alex Telles || FC Porto || Defesa || 23 anos
  4. João Pedro || Vit. Guimarães || Médio || 23 anos
  5. Pedrinho || P. Ferreira || Médio || 23 anos
  6. Tomás Martínez || Sp. Braga || Médio || 21 anos
  7. Raphinha || Vit. Guimarães || Avançado || 20 anos
  8. Andrija Zivkovic || Benfica || Avançado || 20 anos
  9. Peter Etebo || Feirense || Avançado || 20 anos
  10. Komnen Andric || Belenenses || Avançado || 21 anos

*Critérios dos jovens jogadores: idade igual ou inferior a 23 anos, debutantes na Liga ou com um máximo de 5 jogos em épocas anteriores

Liga NOS 2015/16: Equipa do Ano

Chegou a altura de baixar as cortinas. O Benfica voltou a conquistar o título nacional, mantendo a ligeira vantagem face ao Sporting, segundo classificado, na recta final da prova. O FC Porto, longe dos rivais, finalizou em terceiro, enquanto que Sp. Braga (vencedor da Taça de Portugal), Arouca e Rio Ave englobam o lote de equipas que se qualificaram para a Liga Europa. Académica e União da Madeira, nos últimos lugares da tabela, disputarão o segundo escalão do futebol nacional na próxima época. Posto isto, falta reconhecer quem mais se evidenciou do ponto de vista individual. Aqui ficam as minhas escolhas para o 11 Ideal da Liga NOS*.


RUI PATRÍCIO (Sporting): Além da sua regularidade ao longo da época, o Sporting foi o clube com mais clean-sheets (17), tantos como o Benfica, e melhor defesa do campeonato.

MAXI PEREIRA (FC Porto): Foi fazendo um campeonato em crescendo, embora não tenha sido exuberante, e manteve a regularidade que já lhe é característica. Estreou-se a marcar pelos azuis e brancos na Liga e somou ainda 9 assistências.
HUGO BASTO (Arouca): A época fabulosa do Arouca deveu-se muito à regularidade do conjunto de Lito Vidigal, e a defesa não foi excepção. Foi uma das referências no sector mais recuado, pese embora a sua tenra idade.
JARDEL (Benfica): O melhor defesa central do campeonato por larga margem. Tornou-se no novo patrão da defesa encarnada, formando excelentes duplas com Luisão, Lisandro López e Lindelof, e apontou dois golos decisivos na recta final da prova (3 golos e 4 assistências nos 30 jogos disputados).
MIGUEL LAYÚN (FC Porto): Apresentou uma estatística verdadeiramente impressionante para a posição que ocupa no terreno (5 golos e 16 assistências) e foi um dos destaques do campeonato a uma determinada altura. A crise do FC Porto acabou por se alastrar ao mexicano na segunda volta, mas os seus números não deixam margem para dúvida quanto à sua presença neste onze.

JOÃO MÁRIO (Sporting): Originalmente médio centro, fixou-se do lado direito do meio-campo leonino, mas a sua qualidade de passe e inteligência fazem a diferença num esquema táctico como o de Jorge Jesus. O que faz, fá-lo bem. Os 6 golos e 10 assistências não enganam.
IURI MEDEIROS (Moreirense): Foi a referência do Moreirense, rubricando por diversas vezes exibições de encher o olho e que lhe prometem uma vaga no plantel principal do Sporting na próxima temporada. Terminou com 8 golos e 8 assistências.
ADRIEN SILVA (Sporting): Repetindo o que já foi escrito há uns meses: é um dos melhores jogadores do campeonato no que concerne ao "trabalho invisível". Líder do meio-campo dos leões, finalizou a prova com 8 golos e 6 assistências.
DIOGO JOTA (P. Ferreira): Confirmou as expectativas de possível melhor jogador jovem do campeonato, carregando os pacenses às costas apesar de ainda ser bastante jovem e está agora pronto para pisar relvados de maior gabarito. Os 12 golos e 4 assistências demonstram bem o seu potencial.

SLIMANI (Sporting): Um avançado à medida de Jorge Jesus, que exibiu bem os seus dotes de goleador sob a alçada do novo técnico (27 golos e 3 assistências) e continua a fazer estragos na nossa Liga pelas suas qualidades físicas e técnicas.
JONAS (Benfica): Mais um ano em grande para o "papa-estatísticas" Jonas (32 golos e 12 assistências, ou seja, um envolvimento directo em metade dos golos da equipa na Liga), cujo único defeito parece mesmo ser a sua crise goleadora nos jogos grandes - Sporting e FC Porto são os únicos clubes a quem o brasileiro ainda não marcou.


BANCO DE SUPLENTES**: Bracali (Arouca), Lucas Lima (Arouca), Rúben Semedo (Sporting), Danilo Pereira (FC Porto), Otávio (Vit. Guimarães), Bryan Ruiz (Sporting) e Mitroglou (Benfica).



Melhor Jogador: Jonas. Mais um ano a apresentar uma folha estatística impressionante. Rivalizou com os melhores pela Bota de Ouro e foi novamente imprescindível para a conquista do título, aliando uma elevada capacidade de finalização à inteligência que lhe é reconhecida.

Melhor Jogador Jovem: Diogo Jota. Renato Sanches ficou ligado ao título do Benfica pela forma como deu um novo alento aos encarnados, mas o jovem pacense foi bastante regular ao longo da temporada e apresentou números muito sólidos.

Melhor Treinador: Lito Vidigal. Rui Vitória tem mérito na conquista do campeonato, ainda para mais com um novo recorde de pontos (88), mas o trabalho de Lito Vidigal foi bastante subvalorizado pela Comunicação Social. Levar um clube com menos recursos, e que há um ano lutava para não descer, a um sólido 5º lugar é um feito impressionante.
Jogador Revelação: Renato Sanches. Não se pode pedir muito mais a um jovem que começou a temporada a alinhar pela formação secundária do Benfica e terminou a época como titular indiscutível e peça importante na conquista do campeonato.
Melhor Golo: Suk (2ª jornada). Um remate indefensável ao canto superior. Apenas o golo de Edgar Costa (Marítimo) lhe faz frente.


*Os jogadores destacados no 11 Ideal respeitam as posições em que têm vindo a jogar e o esquema táctico que tenho usado nos balanços mensais. A sua escolha respeita, principalmente, os seguintes critérios: minutos jogados, números apresentados, regularidade, impacto na classificação da equipa, expectativas iniciais.
**Posições dos jogadores no banco de suplentes: 1 GR, 2 DEF (lateral + central), 3 MED, 1 AV.

Liga NOS: Balanço do Mês (Abril)

Com o campeonato cada vez mais próximo da sua recta final, Benfica e Sporting vão lutando taco a taco pelo título, com os verdes e brancos a necessitarem de um deslize adversário para sonhar com o primeiro lugar. Os encarnados permanecem invictos desde o embate em Alvalade, e o Sporting está a mostrar que pretende acabar a competição em grande, depois de um grande triunfo no reduto do FC Porto, que assim somou a terceira derrota em casa, na Liga, esta época. Um pouco mais abaixo na tabela, o Arouca está cada vez mais perto de uma qualificação inédita para a Liga Europa, enquanto que o Tondela, que muitos davam como descido há uns meses, poderá estar prestes a concretizar uma manutenção impressionante. Por outro lado, a Académica precisa de um milagre para se salvar esta época, e o Vit. Setúbal continua em queda livre e arrisca-se a passar um mau bocado no momento mais decisivo do campeonato. As decisões finais serão conhecidas nas próximas semanas.

Individualmente, Slimani destacou-se do resto da concorrência com 6 golos apontados em Abril, pelo menos mais dois do que qualquer outro jogador da Liga; mais um mês em grande para João Mário, que juntou um golo e duas assistências a exibições de grande nível; Élio Martins (3 golos e 3 assistências) revelou-se decisivo nos últimos jogos, sobretudo na "final" diante da Académica; Jardel (2 golos) continua a confirmar que é porventura o melhor central da temporada a nível nacional.

Liga NOS: Balanço do Mês (Março)

Com apenas três jogos disputados face à paragem do campeonato para compromissos de Selecções, o início de Março ficou desde logo marcado por um resultado que poderá ser crucial para as contas finais do título. O Benfica, que continua com a sua série de vitórias, venceu o Sporting (1-0) no derby de Alvalade e depende apenas de si até ao final da competição. A ajudar os encarnados o FC Porto tropeçou em Braga, e tem agora uma tarefa bastante mais difícil para alcançar o primeiro lugar. Fora das contas pelo título o Arouca continua a fazer um trabalho excepcional e mantém-se na 5ª posição, atrás do Sp. Braga, mas a equipa em melhor forma no mês de Março foi incontornavelmente o Nacional (3 vitórias), que parece estar definitivamente de volta à metade superior da tabela. Em contrapartida, Vit. Guimarães e Vit. Setúbal apenas conheceram o sabor da derrota nas últimas três jornadas.

Individualmente, Mattheus foi a estrela maior do mês de Março, apontando 4 golos, e continua a assumir-se como uma das revelações da temporada num Estoril em ascensão; também o seu colega Léo Bonatini (2 golos e 2 assistências) parece estar no seu melhor momento de forma, ele que continua na perseguição aos melhores marcadores do campeonato (4º posto, com 14 golos); Éderson e Lindelof, com exibições cada vez mais seguras desde que agarraram a titularidade no Benfica, e com um registo defensivo praticamente imaculado, figuram igualmente entre os melhores do mês.

Liga NOS: Balanço do Mês (Fevereiro)

Fevereiro ficou marcado pelo primeiro Clássico da segunda metade do campeonato, culminado com a vitória do FC Porto (2-1) no terreno do Benfica, agravando assim ainda mais o registo de Rui Vitória nos jogos grandes a nível nacional. O Sporting poderia ter aproveitado este resultado mas a formação de Alvalade continua a tropeçar em demasia na segunda volta, e já tem novamente os principais rivais bastante próximos de si. Um pouco mais abaixo na classificação, e grande destaque do mês, o Arouca somou 10 pontos em 12 possíveis, incluindo uma vitória impressionante (2-1) no reduto do FC Porto e um registo defensivo praticamente imaculado. Cada vez numa situação mais delicada, e ainda sem pontuar nesta segunda volta, está uma Académica com várias dificuldades a nível ofensivo e que ainda só manteve a baliza em branco por duas vezes (24 jogos). Em queda parece estar também o Paços de Ferreira, alérgico a vitórias nos últimos dois meses, cada vez mais longe dos lugares europeus.

Individualmente, Otávio é o único jogador que se mantém no onze ideal face ao mês anterior (2 golos e 2 assistências); Nathan Jr. (Tondela) foi o homem em foco em Fevereiro com 5 golos e uma assistência, registo semelhante ao de Mitroglou que terminou recentemente a sua série de jogos consecutivos (7) a marcar na Liga. Também o trio do Arouca composto por Rafael Bracali (apenas um golo sofrido, num jogo no Estádio do Dragão onde foi um dos melhores), Hugo Basto (bastante seguro no eixo da defesa) e Lucas Lima (já leva 3 golos nos últimos cinco jogos) merece a presença entre os melhores do mês.

Relatório de Olheiro: Sporting x Benfica

O Sporting recebe o Benfica, este sábado, numa jornada que poderá ser importante para as contas do título. Contudo, aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: não será desta que o título ficará entregue. O Sporting chega ao clássico de Lisboa sem a margem sólida de vantagem que tinha à passagem da segunda volta do campeonato, fruto dos empates com Tondela, Rio Ave e Vit. Guimarães, mas com o foco completamente centrado na competição na qual ainda é líder. Do outro lado está o Benfica de Rui Vitória, que continua sem conseguir bater as equipas grandes e que sabe que uma nova derrota poderá complicar em definitivo as contas do título.



Sporting: Não há três sem quatro

Com a chegada de Jorge Jesus, o Sporting voltou a bater-se de igual com os seus rivais directos. A classificação não engana. O problema tem sido frente às equipas que se contentam com menos, ou seja, as que lutam por uma posição confortável na tabela. A maior parte dos pontos perdidos pelo Sporting esta época deve-se a clubes da metade inferior da tabela, e de todas as vitórias dos leões na Liga raras foram as vezes em que o clube venceu folgadamente os seus opositores. E quando o fez, espante-se, foi contra as melhores equipas. O que nos remete para este jogo. A jogar contra o campeão em título, o Sporting vai procurar confirmar a sua superioridade face à táctica de Rui Vitória, e alcançar o quarto triunfo - Liga, Supertaça e Taça de Portugal - sobre o Benfica na mesma época, algo que seria histórico e um marco importante na história recente do clube de Alvalade.

ASPECTO A EXPLORAR: Pressão na zona intermediária. É a justificação para os problemas do Benfica nos jogos grandes: a capacidade de construir jogo. Samaris e Renato Sanches posicionam-se no meio-campo para iniciarem o processo ofensivo e a equipa perde ideias de jogo quando tal não é possível. Nas alas tanto João Mário como Bruno César (ou Bryan Ruiz) terão atenções redobradas numa primeira linha de pressão e prontidão para se lançarem à defesa do Benfica em ataque rápido.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no remate. Foi curiosamente o problema do Benfica no seu último clássico, mas tem sido uma constante no percurso do Sporting ao longo da temporada. Relembre-se, porém, que Slimani, melhor marcador dos leões, agora sem uma alternativa credível, costuma dar-se bem contra as águias.

JOGADOR-CHAVE: Adrien. É um dos pilares do Sporting nos jogos mais importantes. A sua capacidade de pressão e a sua inteligência táctica complementam na perfeição as qualidades de William Carvalho e João Mário. Recentemente lesionado, e partindo do princípio que irá recuperar a tempo, a sua condição será determinante para o sucesso da táctica leonina.


Benfica: Não entregar o ouro ao bandido

Em Dezembro, após o nulo diante do U. Madeira, poucos foram os que acreditaram na recuperação do Benfica face à desvantagem para os seus principais rivais. Desde então, o pleno de vitórias encarnadas apenas foi interrompido pelo FC Porto (1-2), algo que, tendo em conta aquele que foi o calendário do Sporting até aqui, mantém o Benfica na discussão pelo título, embora sem grande margem de manobra, como é óbvio. Mais do que inverter o ciclo negativo do Benfica nos jogos mais importantes, Rui Vitória e o seu plantel sabem que uma nova derrota poderia colocar um ponto final no percurso dos encarnados rumo ao tri, deitando por terra todo o esforço de uma recuperação notável. Se ganhar é importante, perder está absolutamente fora de questão, pois seria entregar o título de mão beijada a quem já tanto castigou o Benfica esta época.


ASPECTO A EXPLORAR: Rapidez de processos. As equipas de Jorge Jesus costumam pressionar logo o portador da bola, o que gera um menor tempo de reacção. A capacidade de organizar jogo de forma rápida, seja com linhas de passe bastante unidas, seja através da condução de bola por parte dos jogadores com mais técnica, será importante para a criação de oportunidades de perigo. Foi algo que, por exemplo, faltou no segundo tempo diante do FC Porto.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no passe. Vem no seguimento do ponto anterior. O Benfica tem denotado alguns problemas neste capítulo em vários jogos esta época e isso poderá ser fatal contra um adversário como o Sporting.

JOGADOR-CHAVE: Renato Sanches. Será importante nos diversos momentos do jogo: na capacidade de aguentar o ímpeto adversário a meio-campo, na precisão do seu passe, na leitura de jogo, na condução de bola para zonas mais restritas. Será o playmaker do Benfica. Se Renato Sanches se evidenciar - e que jogo para o fazer -, o Benfica terá hipóteses de sair de Alvalade com um bom resultado.

O bingo de Jonas "Pistolas"

Mais dois golos. Mais uma vitória. Mais uma vítima. Jonas continua imparável na Liga Portuguesa e já leva 26 golos, liderando de forma impressionante a lista dos melhores marcadores do campeonato e a corrida à Bota de Ouro, com vantagem mínima sobre Higuaín e Suárez. Com o bis frente ao U. Madeira (2-0), já só restam dois "alvos a abater" para o "pistoleiro" da Luz - FC Porto e Sporting, próximo adversário do Benfica, são as únicas equipas da Liga que se foram conseguindo desviar das balas de Jonas.

Com 46 golos apontados em 51 jogos do campeonato, Jonas já "disparou" acertadamente na baliza de 17 dos 19 oponentes que enfrentou na Liga, com Belenenses e Nacional (6 golos) a serem, para já, os principais alvos do avançado brasileiro. Só em 2015/16, e com apenas 24 jornadas concluídas, Jonas já apontou golos a 12 dos 17 adversários em prova, somando 26 golos no total (média superior a 1 golo/jogo). Verdadeiro amuleto da sorte, sempre que Jonas marcou para o campeonato o Benfica acabou por vencer essa mesma partida - já nos cinco jogos em que participou diante dos principais rivais (três contra o FC Porto e dois contra o Sporting), e em que ficou em branco, o Benfica registou dois empates e três derrotas.

Relatório de Olheiro: Benfica x FC Porto

Benfica e FC Porto medem forças no Estádio da Luz, esta sexta-feira, num jogo importante para as contas do título, não fosse este um embate entre dois colossos do futebol português. O Benfica, invicto em 2016, e que já não perde para o campeonato desde a derrota caseira com o Sporting (0-3), está em primeiro lugar, em igualdade pontual com o Sporting, e chega assim mais moralizado para o Clássico, isto depois de o Arouca ter repetido uma façanha que não se verificava há largos meses, ao bater o FC Porto (1-2), para a Liga, no estádio dos azuis e brancos. Ainda à procura de uma identidade sob o comando de José Peseiro, os dragões sabem que tudo o que não signifique uma vitória poderá ser suficiente para voltar a ver o título escapar para um dos rivais de Lisboa. Vencer é, portanto, obrigatório para qualquer uma das equipas.


Benfica: Contrariar a tendência dos jogos grandes

Ao contrário do que aconteceu na época passada, o Benfica deixou o pragmatismo de parte nos jogos grandes e tem sentido muitas dificuldades para contrariar o ímpeto adversário. No Dragão, à 5ª jornada, o Benfica conseguiu disputar o jogo de forma equilibrada, sucumbindo nos últimos minutos. Contra o Sporting, as três derrotas em tantas partidas esta época não abonam a favor de Rui Vitória, que, no entanto, parece ter finamente encontrado o modelo de jogo mais adequado para a sua equipa. A afirmação de Lisandro face à lesão de Luisão, a juventude de Renato Sanches, agressivo na luta pela bola e com um pulmão imenso, e a importância táctica de Pizzi, o joker de Rui Vitória neste "novo" Benfica, têm catapultado os encarnados para o topo e dado uma nova moral à equipa.

ASPECTO A EXPLORAR: Liberdade criativa dos alas. Pizzi assumiu o lado direito do meio-campo e conferiu uma estabilidade táctica que tem sido preponderante no sucesso do Benfica. As suas movimentações, juntamente com a magia de Gaitán, exímio na condução de bola e um dos jogadores mais tecnicamente evoluídos do campeonato, podem desequilibrar uma partida a qualquer momento e baralhar as marcações individuais do FC Porto.

TER ATENÇÃO A: Bolas paradas. E isto em ambos os lados do campo, isto é, o FC Porto tem marcado vários golos de bola parada, sobretudo de canto, mas também tem sofrido bastantes de igual forma.

JOGADOR-CHAVE: Jonas. Acusado de não aparecer nos "jogos grandes", algo comprovado pela estatística, o brasileiro entra para este jogo no melhor momento da sua carreira (15 golos e 6 assistências, nos últimos 10 jogos da Liga). Perante uma equipa do FC Porto não tão coesa como anteriormente, as suas movimentações serão fulcrais para criar desequilíbrios - e oportunidades - e buscar, assim, o primeiro golo contra os dragões.


FC Porto: Manter a chama do título acesa

Um nada querido mês de Janeiro... Depois de terem sido afastados da Liga dos Campeões - o jogo em casa com o D. Kiev terá sido o momento chave da época - e da Taça da Liga, ainda que não de forma oficial, os dragões viram a liderança fugir logo no primeiro jogo de 2016 após uma exibição pobre frente ao Sporting. Fast-forward até à chegada de José Peseiro, encontramos um FC Porto cada vez mais longe do primeiro lugar, sem a mesma chama de outros tempos. A chegada do novo técnico implicou o abandono do futebol de posse e a adopção de um modelo que privilegia a largura de jogo e o envolvimento dos jogadores numa manobra mais ofensiva, com o uso recorrente dos flancos. Numa equipa ainda à procura de cimentar esta nova identidade, em vésperas de um dos jogos mais importantes da época, resta saber como se comportará o Dragão no Estádio da Luz.

ASPECTO A EXPLORAR: Largura de jogo e movimentos interiores. Tal como escrevi, o modelo de jogo de José Peseiro privilegia a exploração dos flancos. Se a equipa se conseguir balançar bem no ataque, trocando a bola rapidamente e baralhando o posicionamento defensivo do Benfica com movimentos interiores e de ruptura, as ocasiões de golo deverão surgir mais facilmente. Atenção ainda para as movimentações de André André, constantemente a derivar para o flanco, e Herrera.

TER ATENÇÃO A: Transição defensiva. O Benfica não é uma equipa especialmente talhada para o contra-ataque, mas Renato Sanches, Pizzi e Gaitán são jogadores capazes de imprimir uma nova velocidade de um momento para o outro. E o modelo ofensivo do FC Porto é bastante susceptível de abrir brechas no meio-campo defensivo - contra o Arouca isso ficou bem evidente.

JOGADOR-CHAVE: Corona. Poderia igualmente destacar Brahimi, mas "Tecatito" tem tudo para se evidenciar. No duelo com Eliseu leva clara vantagem, tanto no "um contra um" como nas desmarcações nas suas costas do internacional português, e a sua velocidade poderá igualmente ser útil em situações de transição rápida.