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As 10 maiores esperanças portuguesas nos JO'2016

É hoje a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos 2016, no Brasil, o mesmo que dizer que é chegada a altura de o patriotismo vir ao de cima e de as pessoas se lembrarem que afinal há mais atletas nacionais para além dos que praticam futebol. E se a conquista do EURO'2016 pode mudar a perspectiva dos portugueses quanto aos atletas olímpicos, para melhor ou para pior, a verdade é que mais uma vez estamos perante um grupo de participantes que nos fazem sonhar com medalhas olímpicas.

No seu palmarés Portugal já conta com 23 medalhas olímpicas, quatro delas de ouro, sendo que a dupla Fernando Pimenta e Emanuel Silva foi responsável pela última medalha conquistada (prata), a única que trouxemos de Londres em 2012. O máximo que Portugal arrecadou numa só edição foi três medalhas (1984 e 2004), um feito que este ano parece ser possível repetir - ou até mesmo ultrapassar. Entre atletas e equipas que lutam abertamente por uma medalha e outros que podem "surpreender meio-mundo", eis as grandes esperanças portugueses nos JO'2016.


FERNANDO PIMENTA || Canoagem ||  O mais recente campeão europeu de K1 1.000m deu seguimento à sua excelente forma desde a última edição dos Jogos Olímpicos (medalha de prata, com Emanuel Silva) e é uma das maiores esperanças portugueses na luta por uma medalha na categoria anteriormente enunciada.

EMANUEL SILVA, JOÃO RIBEIRO || Canoagem (equipas) ||  A fase de ouro da canoagem portuguesa também passa pelas provas colectivas, e aí é a dupla que irá competir em K2 1.000m a assumir o protagonismo.

RUI BRAGANÇA || Taekwondo ||  Um dos atletas nacionais que mais se tem destacado nos últimos anos, é bicampeão europeu da sua categoria, medalha de ouro nos Jogos Europeus do ano passado e conta com outras medalhas internacionais no seu currículo.

SELECÇÃO SUB-23 || Futebol ||  Uma equipa de remendos mas que continua com jogadores de qualidade - dentro do possível - e que até poderá lutar por medalhas se evitar os principais favoritos (nomeadamente o Brasil e a Alemanha) até à fase crucial da prova.

JOÃO COSTA || Tiro ||  Talvez na sua melhor fase da carreira, o atleta mais velho da comitiva tem somado pódios em provas importantes desde a última edição dos Jogos Olímpicos.

TELMA MONTEIRO || Judo ||  Costuma quebrar nos momentos mais decisivos, mas é uma atleta sempre capaz de lutar pelo ouro, de quem se espera um rendimento olímpico condizente com o seu estatuto de pentacampeã europeia. Dispensa grandes apresentações.

MARCOS FREITAS, TIAGO APOLÓNIA, JOÃO MONTEIRO || Ténis de mesa (equipas) ||  Deixaram uma boa imagem na última edição dos Jogos Olímpicos e desde então tem sido sempre em crescendo. Atravessando a melhor fase da modalidade, Portugal pode sonhar com uma medalha na prova por equipas (até às meias-finais não há adversários asiáticos) e individual (mais difícil, mas não impossível).

JOÃO SILVA || Triatlo ||  Um excelente ano de 2015, em que foi 4º no WTS - Abu Dhabi e medalha de prata nos Jogos Europeus de Baku, abrem boas perspectivas em torno de um atleta que se estreou com um impressionante 9º lugar nos Jogos Olímpicos de Londres (2012).

NELSON ÉVORA || Triplo salto ||  Não é provável que alcance uma marca do outro mundo, até porque a lesão ainda é relativamente recente, mas a sua força mental pode levá-lo a um resultado bastante positivo (andar perto das medalhas já seria fantástico). Veremos também como será a prova de Patrícia Mamona, que se sagrou recentemente campeã europeia.

SARA MOREIRA, JÉSSICA AUGUSTO || Maratona ||  O favoritismo em provas de longa distância pertence sempre às africanas, mas tanto Sara Moreira (chega em boa forma ao Rio de Janeiro) como Jéssica Augusto (7º lugar em Londres) devem ser tidas em conta.

Nós é que agradacemos, campeão

Nós é que agradacemos, campeão
Triste realidade a nossa, que vivemos obcecados com os bate-bocas entre treinadores e ignoramos quem trabalha arduamente, na sombra do mediatismo, para conquistar os seus objectivos pessoais e elevar o nome de uma nação ao som do hino.

Lenine Cunha, atleta paralímpico português, e um dos mais reconhecidos internacionalmente, viu o seu esforço reconhecido pelos portugueses. Uma frase perfeitamente normal, não fosse o seu contexto absurdo. Vencedor de quase 200 medalhas em toda a sua carreira - o seu grande objectivo antes de se retirar -, Lenine concilia a sua vida profissional com os 386 euros mensais da bolsa paralímpica. Não admira, portanto, que o próprio tenha sentido necessidade em dirigir-se à população nacional. Para poder ter condições de preparar os Jogos Paralímpicos'2016. Para poder suportar os custos do seu clube. Para poder servir de exemplo para outros. Para ser um exemplo.

Em 2016 ganho de certeza uma medalha nos Jogos [Paralímpicos]. Que isso fique claro. Vou lutar por isso, pois podem ser os meus últimos Jogos onde posso ganhar. Não vou perder esta oportunidade. Não vou dar 100%, nem 200%, mas sim 1000%! Quero acabar em beleza. [Lenine Cunha, em entrevista concedida ao Record]
Felizmente, esta é uma história com um final digno. O crowdfunding organizado por Lenine amealhou uma verba superior aos 10.000 euros a que se tinha comprometido, um valor simbólico para o que este atleta fez nos últimos anos. A triste mentalidade de apenas apoiarmos os nossos atletas nos momentos de glória deu lugar à união, ao reconhecimento, à tentativa de combater uma injustiça. Em Setembro, aos 33 anos, Lenine competirá nos Jogos Paralímpicos, talvez pela última vez, na prova de salto em comprimento. A medalha está prometida. Para já, somos nós que agradecemos com o que podemos. Daqui a uns meses, ele certamente retribuirá o agradecimento. Força, campeão!

2015 e o Desporto Nacional: O Momento (parte IV)

Mais um ano em grande para o desporto nacional... Não é fácil restringir os sucessos de 2015 a apenas um momento. Todavia, pela superação individual e pelos fantásticos resultados obtidos, a primeira edição dos Jogos Europeus deixará, certamente, boas recordações a vários atletas lusos e um sentimento de esperança a menos de um ano dos Jogos Olímpicos.

13 de Junho. Baku, Azerbaijão. Nem o calor que se faz sentir a horas do início do evento retira concentração nem esperança aos atletas nacionais. Ambicionam-se grandes prestações e almejam-se medalhas. Depois de um primeiro dia em branco, Portugal estreia-se entre os medalhados graças à excelente recuperação de João Silva, prata no triatlo. A bandeira nacional ergue-se pela primeira vez numa edição dos Jogos Europeus. O orgulho é por demais evidente.

Mas seria no dia 15 que o ouro se juntaria à colecção dos portugueses. A Selecção Nacional de Ténis de Mesa, formada por Marcos Freitas, Tiago Apolónia e João Geraldo, bate a França na final (3-1) e sobe ao mais alto lugar do pódio. Deseja-se que tal feito motive os restantes compatriotas. Horas antes, Fernando Pimenta confirmara a sua qualidade e arrecadara a prata em K1 1.000m, a milésimos do vencedor. Feito que viria a repetir no dia seguinte, em K1 5.000m, onde a vontade falou mais alto que o cansaço acumulado. O sol não se deita sem que antes Rui Bragança sofra para arrecadar nova medalha de ouro, no taekwondo (-58kg). Foi até ao último segundo. Transpira-se alívio. Com esta já são cinco medalhas no espaço de três dias. Muito bom. E apenas íamos a meio...

Novo dia, nova medalha. O porta-estandarte João Costa sobrevive à pressão inerente e dispara certeiro para a prata na categoria de pistola a 10m. Sexta medalha. Quatro dias consecutivos a somar conquistas. E como "não há quatro sem cinco", o desempate por ponto de ouro atribui o bronze a Júlio Ferreira (-80kg), segunda condecoração do taekwondo, autor de um percurso notável nestes Jogos Europeus. Seguem-se dois dias de descanso. Quanto às medalhas, claro. A 21 de Junho retoma-se o ciclo. A dupla Ana Rente / Beatriz Martins é medalha de bronze na prova de trampolins sincronizados, a apenas uma décima do segundo posto, e tornam-se nas primeiras atletas femininas portuguesas medalhadas em Baku. Até ao fim do torneio, mais um ouro e um bronze para as cores nacionais. A judoca Telma Monteiro, pentacampeã europeia, ultrapassou estoicamente a sua lesão e venceu a competição de -57kg, enquanto que a perseverança da Selecção Nacional de Futebol de Praia valeu-nos o terceiro lugar na despedida a Baku, depois de mais um jogo épico diante da Suíça.

Entre várias finais disputadas, registos individuais superados e Top-10 alcançados, a prestação de Portugal nos I Jogos Europeus encerrava com 10 medalhas (três de ouro, quatro de prata e três de bronze). Uma prestação que, assim, superava as expectativas dos membros do Comité Olímpico e que sublinhava a boa preparação que está a ser feita rumo aos Jogos Olímpicos. Espera-se, agora, que os Jogos Europeus constituam um estímulo adicional para os nossos atletas e que possamos sair do Brasil com várias medalhas ao peito. Talento, como ficou comprovado, existe. Resta sonhar alto e acreditar.

Saímos daqui satisfeitos, com 10 medalhas em oito modalidades. Honrámos Portugal. Honrámos a nossa bandeira, não só pelos resultados, mas também pelo comportamento. Só posso estar grato pelo facto de ter estado a liderar esta equipa. [José Garcia, Chefe de Missão de Portugal nos Jogos Europeus]

E se é justo destacar a prestação lusa nos "Jogos Olímpicos Europeus", merece também uma menção honrosa a campanha dos jovens portuguesas nas Universíadas de Gwangju, de onde saímos com quatro medalhas - a Selecção Universitária de Andebol amealhou o ouro, Rui Bragança e Joana Cunha arrecadaram a prata no taekwondo e Ana Filipa Martins coroou mais um ano em grande com uma medalha de bronze. O ano que agora termina ficará recordado não só pelas conquistas, mas também por alguns regressos em grande (Nélson Évora) e algumas tristes despedidas (Naide Gomes). Dito isto, a eleição de Momento de 2015 recai sobre os Jogos Europeus de Baku'2015.

2015 e o Desporto Nacional: O Treinador (parte III)

2015 e o Desporto Nacional: O Treinador (parte III)
Uma nova era. Após o fracasso total na campanha para o Campeonato do Mundo, Mário Narciso assume, em 2013, o comando da Selecção Nacional de Futebol de Praia, manifestando o «orgulho extraordinário» de ter sido o escolhido para o cargo e traçando metas ambiciosas para o futuro. Mantendo Luís Bilro e Tiago Reis a seu lado, o setubalense foi, aos poucos, montando as bases que permitissem a Portugal fazer face às grandes equipas e voltar a sonhar com um grande título.

Chegamos a 2015. O trabalho contínuo de dois anos tem agora oportunidades de ser exibido. Ambiciona-se um salto gigante. Do fundo do poço, ao topo do mundo. Principais objectivos: Jogos Europeus de Baku e Campeonato do Mundo, a ser disputado na praia da Baía, em Espinho. A viagem ao Azerbaijão corre bem. Portugal sucumbe aos pés da Rússia (1-2) nos últimos minutos, mas segura a medalha de bronze num confronto épico com a Suíça (6-5). Segue-se o Campeonato do Mundo. Em areias nacionais. Mário Narciso, ciente do poderio dos adversários e do estado físico e anímico dos seus jogadores, não admite menos que o pódio. A Selecção Nacional de Futebol de Praia, como muitos nunca se esquecerão, supera as expectativas e ergue o tão ambicionado troféu. Logo a seguir, conquista o título europeu, na Estónia. Em cerca de três meses, Mário Narciso devolvera a glória à Selecção na modalidade e marcara um ano que permanecerá inesquecível para a história da modalidade. É reconhecido como o Treinador do Ano no desporto em questão e condecorado em Belém, juntamente com a restante comitiva, pelo Presidente da República.

Sensação fantástica. Se me dissessem há três anos que ia ser campeão do mundo de futebol de praia eu diria que estavam a brincar. Esta equipa mereceu. [Mário Narciso, após Portugal se sagrar campeão mundial]

Dando sequência ao trabalho realizado em 2014, Rui Jorge guiou uma Selecção Sub-21 à final do Campeonato Europeu, onde apenas sucumbiu na lotaria dos penáltis perante a predestinada Suécia. Pelo meio, um registo imaculado na campanha de qualificação (10 vitórias em outros tantos jogos), que teve o seu seguimento na fase final (nenhuma derrota), que resultou na medalha de segundo classificado e no apuramento para os Jogos Olímpicos do próximo ano. Entretanto, o pleno de vitórias no grupo de qualificação para o Euro'2017 vai deixando boas indicações. Na canoagem, a dupla Hélio Lucas e José Sousa comandou uma armada que continua a somar medalhas ao seu currículo, nas mais importantes competições internacionais, e que promete dar tudo para figurar entre os melhores no Rio de Janeiro. Mas a escolha recaiu sobre um dos "Heróis da Areia". É Mário Narciso o melhor Treinador de 2015.

2015 e o Desporto Nacional: A Equipa (parte II)

2015 e o Desporto Nacional: A Equipa (parte II)
Uma geração, por muito que se queira, nunca é eterna. O tempo corre, a idade pesa. O hábito de ver o talento eterno de Alan ou Madjer a emergir nas praias portuguesas Verão após Verão esbarra na falta de um título mundial. E o fracasso de 2012, quando nem nos qualificámos para o Campeonato do Mundo do ano seguinte, pode ser um sinal de que tudo tem um fim.

Ano de 2015. Mário Narciso já havia, entretanto, assumido o cargo de Seleccionador. O Campeonato do Mundo teria lugar em Espinho. Em casa. Talvez a última grande oportunidade de se sonhar com um grande título que teima em escapar à Selecção Nacional de Futebol de Praia. O grupo, pelo menos, é acessível. A estreia corre bem, com Portugal a vencer o Japão (4-2). O jogo seguinte, porém, lança algumas dúvidas. O Senegal (5-6) surpreende a Selecção Nacional, num jogo onde o aspecto mental acabou por fazer toda a diferença. Regressam as incógnitas. Terá sido um mero acidente de percurso? O jogo final diante da Argentina (7-2) dá a entender que sim. Espera-se que a complacência se tenha quedado pela fase de grupos.

Segue-se a vice-campeã Suíça, sabendo que o Brasil, qual "besta negra", deverá ser o adversário seguinte. Um jogo de cada vez. A irreverência de Ott e a experiência de Stankovic causam dificuldades, mas o hat-trick de Madjer desbloqueia o jogo (7-3) e encaminha Portugal para as meias-finais. A Rússia, uma das favoritas em prova e que recentemente nos havia batido em Baku, eliminara o Brasil e marcara confronto para discutir o acesso à tão ambicionada final. A força do adversário é notória. Mas são os ânimos exaltados dos russos, juntamente com a ajuda dos suplentes portugueses, a decidir o jogo (4-2) e guiar-nos à final. Desta vez não há Brasil. Menos mal. Sonha-se. O Tahiti, em ascensão na modalidade, batera a Itália nos penáltis e seria o derradeiro oponente. 

Três segundos e já se festeja no areal da praia de Espinho. Belchior e Coimbra dilatam a vantagem e o marcador já vai nos três, sem que o Tahiti consiga reagir. As coisas correm de feição. Mas quem chega à final nunca desiste. Um jogador do Tahiti falha escandalosamente uma recarga em zona frontal, já com o resultado em 4-3, depois de Bruno Novo, entretanto, ter feito o gosto ao pé. Como a história poderia ter sido bem diferente... Talvez tenha sido obra destino. Alan, com um chapéu de grande categoria a segundos do fim, decidiria a final. O que Madjer iniciou, Alan terminou. Mais uma coincidência? Talvez. Mas esta foi mesmo simbólica. Soa o apito final. Celebra-se em campo e nas bancadas. Os "Heróis da Areia" sagram-se campeões mundiais pela primeira vez e arrecadam a terceira competição FIFA em toda a história da FPF.

À conquista do título mundial, antecedida semanas antes pela medalha de bronze conquistada nos Jogos Europeus de Baku, junta-se mais tarde a vitória sobre a Ucrânia (5-4) na final da Superfinal da Liga Europeia. Como se já não bastassem os títulos colectivos, Portugal é plenamente reconhecido na Gala Internacional da modalidade, arrecadando os prémios de Melhor Jogador (Madjer), Melhor Treinador (Mário Narciso) e Jogador em Ascensão (Bé Martins). Um ano para mais tarde recordar.

Está na hora. Temos tudo, tudo a nosso favor. Jogamos em casa e estamos motivados. Pela brilhante carreira que fizemos em Baku interiorizámos que somos uma das melhores equipas do mundo. Sinto que podemos bater qualquer equipa. [Madjer, antes de Portugal disputar o Campeonato do Mundo]

Embora nem sempre haja o devido reconhecimento e mediatismo, todos os anos há equipas que se superam e que orgulham a nossa pátria. E nos últimos tal tem sido uma constante. Desde mais um excelente ano para a Selecção Portuguesa de Ténis de Mesa, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Europeus de Baku e outras quatro, entre as quais uma de ouro, no Campeonato Europeu, um bom indicador para os Jogos Olímpicos que se avizinham, passando pelo talento mais jovem da Selecção Nacional Universitária de Andebol, 100% vitoriosa e medalha de ouro nas Universíadas de Gwangju, e da Selecção Sub-20 de Hóquei em Patins, que renovou o título mundial em solo espanhol, motivos não faltam para acreditar que Portugal poderá continuar a dar cartas nas diferentes modalidades e que a próxima edição dos Jogos Olímpicos não ficará manchada pela ausência de medalhas. Contudo, pelo feito histórico, pelo peso simbólico e por ter quebrado a malapata de "morrer na praia", literalmente, houve uma equipa que mereceu mais esta distinção. É a Selecção Nacional de Futebol de Praia a melhor Equipa de 2015.

2015 e o Desporto Nacional: O Atleta (parte I)

2015 e o Desporto Nacional: O Atleta (parte I)
31 de Maio de 2015. Circuito de Mugello, Itália. Categoria de Moto3. Um jovem português de 20 anos parte da 11ª posição da grelha e arranca para uma vitória que faz soar o hino nacional pela primeira vez numa prova do Campeonato do Mundo. Transpira-se orgulho. Começaria aqui a afirmação de Miguel Oliveira, depois de alguns anos a desenvolver as suas capacidades ao mais alto nível e a subir ao pódio por cinco ocasiões distintas, mas sem ocupar o lugar mais honroso deste.

Depois de um 5º lugar no GP Catalunha, eis um novo triunfo, em solo holandês, local do seu único pódio em 2014. Começa-se a sonhar alto. A sorte, no entanto, desvia-se da pista de Miguel Oliveira no GP Alemanha. Uma fractura na mão esquerda, contraída nos treinos livres, força-o a abandonar a corrida e a ser operado. Receia-se. Mas não se desiste. Após algumas semanas a tentar regressar ao seu melhor ritmo, Miguel Oliveira inicia uma recuperação estrondosa, logrando cinco pódios consecutivos - incluindo três vitórias - à entrada para a última corrida da temporada. A perseverança do atleta luso, aliada a uma moto renovada pela equipa com quem havia rubricado contrato no início do ano, a KTM, permitem-lhe discutir o título mundial na última corrida da época, em Valência. Uma tarefa bastante complicada, uma vez que o britânico Danny Kent nem sequer precisaria de fazer uma grande corrida para segurar o seu primeiro lugar. É o que acontece, infelizmente. A vitória de Miguel Oliveira de nada lhe vale nas contas finais, com Danny Kent a vencer o português por uma margem de seis pontos.

Para a história irá ficar o percurso do atleta de Almada, que em 2015 espalhou o som d'A Portuguesa por seis circuitos diferentes e mostrou ter todas as condições de aspirar ao seu grande objectivo, a MotoGP, num futuro próximo. Para já segue-se uma nova aventura, ao serviço da Leopard Racing, no escalão de Moto2, onde irá reencontrar Danny Kent, agora seu colega de equipa.

É bom sair como uma referência da categoria. Deixa-me muito contente e dá-me muita confiança para os novos desafios que se avizinham. Sair da Moto3 como uma referência e ganhar a última corrida… não poderia haver melhor forma de terminar o campeonato. [Miguel Oliveira, após o GP Valência]

João Sousa viveu o seu melhor ano da carreira, alcançando um histórico 33º lugar no ranking ATP, melhor classificação de um tenista português em toda a história da modalidade, e marcando presença em quatro finais do circuito masculino e garantindo em Valência o seu segundo grande título da carreira [Kuala Lumpur, em 2013]. Aos 26 anos, e continuando a receber rasgados elogios por parte dos mais prestigiados colegas da modalidade, o "Conquistador" tem vindo a demonstrar que o sonho de ter um tenista luso no Top-25 mundial poderá ser concretizado em breve. O canoísta Fernando Pimenta viveu um dos melhores anos da sua carreira, arrecadando dez medalhas, entre as quais a de ouro na Taça do Mundo, de prata nos Jogos Europeus de Baku'2015 e no Europeu (K4), e de bronze no Mundial e no Europeu. Rui Bragança, actual 3º classificado no ranking mundial de taekwondo (-58kg), depois de se ter sagrado campeão europeu em 2014, arrecadou a medalha de ouro nos Jogos Europeus e a de prata nas Universíadas, na Coreia do Sul, sendo já visto como uma das grandes esperanças da comitiva nacional que irá estar presente nos Jogos Olímpicos. Cristiano Ronaldo, personalidade indissociável no que toca a eleger os melhores, falhou os títulos colectivos mas voltou a quebrar recordes, especialmente na Liga dos Campeões, e a deixar a sua marca pessoal na história do futebol. Contudo, no fim nenhum conseguiu acompanhar o sprint final do motociclista de Almada em direcção à meta. Miguel Oliveira é, portanto, o Atleta Nacional de 2015.

Heróis Nacionais!

Que feito histórico (e os contornos da vitória ainda o tornam mais épico)! Já não há palavras que descrevam a equipa nacional de ténis de mesa... Infelizmente, e por se tratar de um desporto pouco mediático, estes feitos acabam por passar despercebidos à maior parte dos portugueses. Aliás, quase ninguém deve saber que Portugal, à semelhança do que acontece com Cristiano Ronaldo no futebol, teve um atleta [Marcos Freitas] nomeado para Melhor Jogador do Ano e que o actual técnico nacional [Pedro Rufino] foi distinguido como Treinador do Ano há poucos dias. E estas situações são válidas para outras modalidades. 

Depois de terem sido campeões europeus - em pleno solo nacional -, Marcos Freitas, Tiago Apolónia e João Monteiro continuam o excelente momento de forma e Portugal já está entre as quatro melhores nações da Taça do Mundo que se está a disputar no Dubai. Os atletas nacionais protagonizaram uma vitória épica diante do Japão (3-2) - Selecção a quem nunca havíamos ganho - e vão agora defrontar a Áustria nas meias-finais (hoje), garantindo assim que uma Selecção europeia marque presença na final pela primeira vez em 20 anos. Match points salvos logo no início, reviravolta após 1-2 (em jogos) e, para acentuar a dificuldade lusa, João Monteiro teve de recuperar de dois sets de desvantagem e enfrentar dois match points para selar o triunfo. Incrível!


PORTUGAL 3-2 Japão

Marcos Freitas-Yuto Muramatsu, 3-2
(11-8, 7-11, 11-8, 8-11 e 13-11)

Tiago Apolónia-Yuya Oshima, 2-3
(11-6, 12-14, 7-11, 12-10 e 12-14)

João Monteiro/Tiago Apolónia-Masataka Morizono-Yuya Oshima, 1-3
(8-11, 6-11, 11-6 e 9-11)

Marcos Freitas-Masataka Morizono, 3-0
(11-9, 11-8 e 13-11)

João Monteiro-Yuto Muramatsu, 2-3
(8-11, 8-11, 11-8, 11-9 e 13-11)

Rep. Checa volta a vencer a Taça Davis (2ª vez consecutiva)

Rep. Checa volta a vencer a Taça Davis (2ª vez consecutiva)
Nem mesmo o melhor Djokovic do ano - voltou a não vacilar na vertente de singulares - foi suficiente para parar esta Selecção da República Checa. Stepanek e Berdych nada puderam fazer contra o actual nº2 mundial mas não tiveram problemas em derrotar os restantes sérvios na edição deste ano da Taça Davis (3-2 no conjunto total dos jogos). Se a vitória checa já era de certo modo esperada - a partir do momento em que o encontro de pares é ganho, é praticamente impossível os checos serem ameaçados por Lajovic, sérvio de ranking muito inferior - convém destacar dois aspectos: 1) A Sérvia foi traída pelas ausências de Tipsarevic e Troicki, tenistas que certamente dariam maior competitividade aos checos; 2) Novak Djokovic termina o ano de 2013 num momento de forma impressionante e só não é coroado campeão da Taça Davis devido à "traição" dos seus companheiros (Djokovic, infelizmente para os sérvios, não pode fazer tudo sozinho).

Djokovic vence o ATP World Tour Finals (derrotou Nadal por 6-3 6-4)

Continua imparável o sérvio, actual nº2 mundial. Desde a final do US Open que não perde um jogo - o carrasco foi precisamente Rafael Nadal - e encerrou a sua prestação individual de 2013 com mais uma vitória sobre o espanhol (já o havia feito no China Open há umas semanas, curiosamente com os mesmos parciais) e nova conquista do ATP World Tour Finals (repete a façanha do ano passado). Ainda assim, vai continuar a ser Nadal o líder do ranking ATP à entrada para a nova época (em jeito de curiosidade o português João Sousa termina um glorioso ano na 49ª posição).

Num torneio de encerramento da temporada onde o grande ausente foi o britânico Andy Murray (lesionado), pode-se afirmar com segurança que a final ditou o embate entre os dois tenistas que a melhor nível se exibiram em 2013. Nadal fez uma recuperação fantástica - esteve afastado dos courts durante um longo período de tempo devido a lesão - e conquistou um vasto número de torneios, incluindo dois títulos do Grand Slam. Por sua vez, Djokovic foi o atleta mais regular (a diferença pontual que o separa da liderança é mínima) e ainda tem a oportunidade de juntar um título na Davis Cup aos já conquistados.

Djokovic e Nadal em 2013

Jornais portugueses dão finalmente relevo a quem merece

É a primeira vez este ano que os três principais jornais desportivos destacam conquistas além-futebol nas suas capas diárias. O jornal A Bola destacou na sua capa o triunfo de Michelle Brito diante de Sharapova no dia 26 de Junho (vitória histórica, na altura, da jovem tenista que valeu a passagem à terceira ronda do torneio de Wimbledon). Em Julho, o mesmo jornal decidiu dar relevância ao percurso notável de Rui Costa no Tour de France (duas etapas ganhas, feito incrível por parte do ciclista luso). Quando Emanuel Silva e João Ribeiro se sagraram campeões mundiais na canoagem - feito histórico na modalidade, talvez superado apenas pela medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos do ano passado - não houve uma única publicação a coroar esse feito com uma capa de jornal.

Já não era sem tempo! Foi necessário que Rui Costa se sagrasse campeão do mundo - não deixa de ser irónico que Sérgio Paulinho tenha conquistado uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, aumentando as semelhanças entre a conquista do ciclista e a dos canoístas mencionados no parágrafo acima - e que João Sousa fizesse história no ténis nacional para que A Bola, O Jogo e Record destacassem nas suas capas feitos inéditos de desportistas portugueses não-ligados ao futebol.

Três pontos cruciais. 1º: Há que dar os parabéns por (finalmente) se dar esta relevância a feitos históricos do desporto nacional (se bem que seria inadmissível Rui Costa e João Sousa não merecerem capa depois do que fizeram); 2º: Esperemos que a tendência seja para que resultados como estes mereçam um destaque mais significativo do que o rumor de uma transferência ou o momento de forma de um jogador; 3º: Fica sempre a dúvida: se um dos três grandes tivesse jogado no domingo o destaque das capas teria sido diferente?

João Sousa deve terminar o mês de Setembro como nº51 do ranking mundial (Top50 deixa de ser uma ilusão para o ténis nacional)

João Sousa foi o autor da maior proeza do ténis nacional no que a títulos diz respeito. Mais: é o tenista português com a melhor classificação de sempre no ranking masculino. Numa hierarquia para já liderada pelo sérvio Novak Djokovic, importa tirar as dúvidas quanto à posição que o vimaranense ocupa neste momento. De acordo com o ranking ATP actualizado até ao fim do dia 29, João Sousa abandonou o 77º que ocupava e passou a nº51 do ranking. No entanto, esta poderá ser uma posição provisória uma vez que, durante os próximos dias, irá decorrer um torneio na China onde estarão presentes tenistas que têm quase os mesmos pontos que o atleta português.


Destaque ainda para o trajecto que o atleta nacional tem feito este ano - o mês de Setembro foi o seu melhor de sempre (boa participação no US Open, meias-finais em S. Petersburgo e vitória em Kuala Lumpur) -, que lhe permite tornar-se no 43º melhor tenista deste ano (apesar de a época tenística ainda não ter terminado não se pode deixar em claro esta excelente classificação). Uma última nota para os 872 pontos conquistados por João Sousa este ano, quase tantos como os 903 que vigoram no ranking ATP (actualizado).

João Sousa faz história: conquista o primeiro torneio ATP e alcança a melhor classificação de sempre (51º lugar)

João Sousa faz história: conquista o primeiro torneio ATP e alcança a melhor classificação de sempre (51º lugar)
Ao derrotar o espanhol David Ferrer já tinha dado que falar. Ao vencer Melzer foi apelidado de "estrela emergente". Na final disputada frente a Benneteau, João Sousa, vimaranense de 24 anos, provou que a alcunha de "O Conquistador" não se deve apenas à cidade que o viu nascer. Após uma final muito renhida, o atleta português mostrou um coração de guerreiro, nunca baixando os braços, salvando inclusive um match point de uma forma soberba.

Depois de perder o primeiro parcial por 2-6, João Sousa esteve à beira da derrota quando servia para evitar o fecho da partida (4-5 na altura), conseguindo evitar um match point com um passing magistral. Um ponto que mudou o ímpeto do jogo, já que o português fechou o seu jogo de serviço, quebrou o do adversário e consumou a conquista do segundo set. Mais fresco fisicamente e animicamente, voltou a quebrar o serviço a Benneteau no início do derradeiro set e foi segurando essa vantagem até concluir o encontro com os parciais 2-6 7-5 6-4. Primeiro torneio da categoria ATP250 para um tenista nacional, que irá permitir uma grande subida no ranking ATP.


Momento histórico para o ténis nacional! Depois de uma excelente prestação no US Open - apenas sucumbiu perante o líder do ranking, Novak Djokovic - e de alcançar as semi-finais na Rússia, João Sousa continua em grande e garante o mais prestigiado título para o ténis nacional até à data. Se Frederico Gil tinha chegado à final do Estoril Open e sucumbira diante de Montañes, este feito de João Sousa é ainda mais grandioso por diversos factores: jogou num país onde o apoio nacional não é de grande dimensão; derrotou três adversários que ocupam o Top50 mundial (incluindo um Top5); junta à conquista do torneio a obtenção da melhor classificação de sempre (tanto pessoal como internacional) no ranking ATP.

Ténis: Frederico Silva termina o seu percurso de junior com 11 títulos

O jovem português Frederico Silva não conseguiu revalidar o título de juniores no US Open, naquele que foi o seu último torneio do Grand Slam nesse mesmo escalão. Fazendo dupla com o francês Quentin Halys (o anterior título havia sido conquistado com o britânico Kyle Edmund), o português sucumbiu perante o polaco Kamil Majchrzak e o norte-americano Martin Redlicki pelos parciais 6-3 6-4.
Se nos últimos anos Frederico Gil, Rui Machado e João Sousa (eliminado por Djokovic na presente edição do US Open) têm sido alvo de grande atenção no circuito sénior do ténis masculino, o mesmo deve acontecer com o jovem de 18 anos que conquistou dois torneios do Grand Slam. De acordo com dados da ITF, o Adjunto1x2 apresenta algumas das estatísticas referentes a Frederico Silva ao longo dos últimos anos:






Wimbledon: Serena Williams é a séria candidata (quadro feminino)

Depois de ter sido feita a análise ao quadro masculino, é chegada a altura de fazer as previsões quanto ao que o quadro feminino deve reservar. No ano passado, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, foi uma das irmãs Williams (a que está em melhor forma: Serena) que arrebatou o troféu na relva de Londres, ao bater na final a polaca Radwanska. Agora que está em primeiro lugar do ranking da WTA (a subida gradual no ranking deu-lhe mais confiança e consistência), Serena perfila-se como a mais provável vencedora do terceiro Grand Slam da época.
Se Serena é a grande favorita, quais as jogadoras que podem causar maior dificuldade (ou eventualmente constituir uma surpresa)? O quadro feminino costuma apresentar maiores surpresas que o masculino e o mesmo poderá acontecer em Wimbledon. Serena está num fantástico momento de forma e tem a vantagem de conhecer bem a relva do complexo britânico (5 títulos conquistados em 7 finais disputadas). Mas nomes como Azarenka, Sharapova, Kvitova ou a própria finalista vencida do ano passado - Radwanska - são bem capazes de baralhar as contas e devem ser levados em consideração (as três primeiras têm um estilo de jogo favorecido pela superfície do torneio).

Wimbledon: uma das edições mais renhidas dos últimos anos (quadro masculino)

Wimbledon: uma das edições mais renhidas dos últimos anos (quadro masculino)
Já falta pouco tempo para começar o terceiro torneio do Grand Slam deste ano. A edição do ano passado foi uma das mais importantes de sempre, uma vez que os Jogos Olímpicos realizar-se-iam na mesma superfície, na mesma cidade, no mesmo complexo e seus courts. Roger Federer ergueu o seu sétimo título derrotando na final Andy Murray, que, curiosamente, se desforrou do helvético na final que lhe valeu o ouro olímpico. Se nenhuma lesão afectar os principais candidatos, a disputa do título será a mais renhida dos últimos tempos.
Por que razão será uma das edições mais renhidas? Quais os principais candidatos? Pelas razões já enunciadas, Federer e Murray são sérios candidatos a vencer o torneio. Enquanto que o suíço venceu sete das últimas dez edições (William Renshaw, Pete Sampras e o próprio Federer possuem sete títulos, pelo que mais um implicaria recorde absoluto), o britânico, que falhou Roland Garros devido a lesão (poderá ser importante, mas Murray não costuma baixar o rendimento devido às lesões), jogará em casa e tentará repetir a façanha dos Jogos Olímpicos. Se por um lado teremos tenistas à procura de defender os seus títulos e quebrar recordes (oitavo título para Federer e primeiro de Wimbledon para Murray), por outro teremos os que em melhor forma se encontram - Nadal e Djokovic. O espanhol acabou de renovar o seu título em Roland Garros e já venceu o torneio de Wimbledon por duas vezes (esperava-se que começasse a dominar a superfície britânica, mas tal não aconteceu). Djokovic é o n.º1 mundial, já conquistou o torneio em 2011 e perfila-se como outro dos sérios candidatos.
Que atletas devem ser levados em consideração além dos quatro principais candidatos? Face à qualidade de Djokovic, Murray, Federer e Nadal, julgo não haverem muitos outros atletas que possam ser favoritos à conquista do título. Os que podem causar maiores adversidades são os que combinam jogo de serviço potente e sólido com um número elevado de winners. Apesar de Ferrer ocupar actualmente a quarta posição do ranking, aponto Berdych, Tsonga, del Potro e Wawrinka como as "bestas negras" da corrente edição de Wimbledon.