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EURO'2016: A festa do futebol em frágil solo gaulês

Favoritismo para os anfitriões

Nunca os ideais de uma nação fizeram tanto sentido antes do início de uma grande competição de nações no panorama futebolístico. "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", as três palavras de ordem em vésperas de um torneio que esteve em risco devido a problemas de segurança que assolaram a França há escassos meses, três mandamentos comuns à ordem entre as nações. E como são elas as grandes figuras do EURO'2016, que se dê destaque a quem o merece.

A própria França, até por jogar no seu território, é a grande favorita à conquista do troféu, contando com duas das maiores estrelas da competição (Pogba e Griezmann) e com um restante elenco de luxo, apesar de todas as ausências sonantes, entre as quais Benzema, grande parte delas por lesões recentes. Com qualidade exacerbada em todas as posições do terreno e um treinador experiente, as expectativas são altas relativamente ao anfitrião, que na última grande competição de nações, o Mundial'2014, foi eliminado pela... Alemanha. Os germânicos, campeões mundiais, estão também bem cotados para erguer a taça, sobretudo por manter boa parte do núcleo duro que fez a festa há dois anos. A maior diferença reside na defesa, onde poderá residir a diferença nas fases mais adiantadas, com Lahm e Hummels a saírem do onze titular em 2014 e a não terem substitutos a um nível idêntico.

Portugal entre o segundo lote de favoritos

Poderá parecer excesso de confiança englobar a nossa Selecção numa segunda linha de favoritismo, mas quando se tem uma equipa tão equilibrada e um jogador capaz de fazer a diferença a qualquer momento é impossível não assumir um estatuto como este. Portugal tem um meio-campo de luxo, parece ter ganho uma confiança acrescida com a chegada de Fernando Santos, como já não se via desde os tempos de Scolari, e deverá ser a segunda selecção com mais adeptos neste EURO'2016. A Espanha, pela má imagem que deixou há dois anos, por estar no grupo mais difícil e por estar a ultrapassar os tempos áureos que viveu recentemente, figura apenas numa linha de favoritismo inferior, apesar de contar com vários jogadores de qualidade inegável. A Itália, treinada pelo futuro técnico do Chelsea, Antonio Conte, que conhece bem os jogadores da sua linha mais recuada, ex-pupilos na Juventus, é uma das selecções que poderá causar maiores dificuldades nas fases mais adiantadas do torneio, até pelo excelente poder táctico de que dispõe.

Potenciais surpresas e desilusões

Croácia: Não tem um grupo fácil, mas tem qualidade suficiente para passar à fase seguinte e desafiar os melhores tal é a qualidade dos jogadores que tem à sua disposição, muitos nas condições ideais para sobressaírem ao longo das próximas semanas.

Suécia: Tem uma equipa equilibrada, um jogador que chega a França - ou se mantém por lá, por enquanto - num momento de forma tremendo e pode surpreender pela forma organizada como joga.

Rússia: Individualmente tem condições para fazer uma boa campanha, mas o jogo inaugural diante da Inglaterra, se não correr bem, pode acrescentar pressão a uma selecção que reparte com a Eslováquia a candidatura ao segundo lugar do grupo.

República Checa: Venceu o seu grupo na fase de qualificação, à frente de Holanda (eliminada), Islândia e Turquia, o que aumentou as expectativas em seu torno, mas teve o azar de voltar a figurar num "grupo da morte", onde o último lugar é uma forte possibilidade.


10 jovens jogadores estrangeiros a ter em atenção

  1. Elseid Hysaj || Albânia || Defesa || 22 anos || Napoli
  2. Victor Lindelöf || Suécia || Defesa || 21 anos || Benfica
  3. Jason Denayer || Bélgica || Defesa || 20 anos || Man. City
  4. Oğuzhan Özyakup || Turquia || Médio || 23 anos || Besiktas
  5. Dele Alli || Inglaterra || Médio || 19 anos || Tottenham
  6. Ozan Tufan || Turquia || Médio || 21 anos || Fenerbahçe
  7. Piotr Zielinski || Polónia || Médio || 22 anos || Empoli
  8. Ladislav Krejci || República Checa || Médio || 22 anos || Sparta Praga
  9. Arkadiusz Milik || Polónia || Avançado || 22 anos || Ajax
  10. Breel Embolo || Suíça || Avançado || 19 anos || Basileia


PORTUGAL: Algumas notas visando o sucesso

Possível onze base de Portugal
Após a entrada de Fernando Santos, a Selecção Nacional teve uma fase de qualificação bastante tranquila, como há muito não se verificava, o que não significa necessariamente que o futebol praticado tenha sido deslumbrante. Longe disso. Com alguma sorte pelo meio, Portugal estará inserido naquele que é, porventura, o grupo mais fácil da fase final do EURO'2016, o que no plano teórico apenas traz aspectos positivos. Aumento de confiança, aprofundamento de conhecimentos tácticos e rotinas de equipa e sobretudo menor desgaste físico, que poderão ser cruciais numa competição agora alargada a 24 equipas na sua fase decisiva.

E se, como disse, o futebol tardou em convencer, a verdade é que se tem verificado um crescimento considerável até à véspera do torneio, e Portugal chega a França com a confiança em alta depois de uma goleada convincente diante da Estónia (7-0).

Abandonando o tradicional 4-2-3-1 que caracterizou a Selecção Nacional durante vários anos, Fernando Santos implementou um 4-4-2 que tira melhor partido da ausência de um ponta-de-lança goleador (Cristiano Ronaldo será uma falsa referência no momento ofensivo) e que aproveita melhor o talento em abundância no meio-campo. Assim, e com base no que ficou patente nos jogos que antecederam a participação de Portugal no Europeu, é possível formar algumas notas quanto ao que se poderá/deverá esperar da nossa equipa.

ASPECTO MAIS FORTE: O meio-campo. Duas excelentes opções para a vaga de médio mais recuado, jogadores inteligentes um pouco mais à frente, tecnicamente dotados, enfim, qualidade é coisa que realmente não falta no centro do terreno, zona primordial do esquema de Fernando Santos.

EVITAR A TODO O CUSTO: Centrar as atenções em Cristiano Ronaldo. Não deixa de ser curioso que a opinião internacional continue a referir que Portugal é composto por "Ronaldo + 10" - algo que por cá também se parece verificar -, quando estamos perante uma Selecção com vários jogadores de qualidade. Dentro de campo há que confiar nos rasgos de inspiração do extremo, mas não ficar dependente do mesmo, pois tal não seria bom nem para o jogador, nem para a equipa.

JOGADOR-CHAVE: João Mário. Ok, temos Cristiano Ronaldo, um dos melhores jogadores da história... mas o impacto que o jogador do Sporting tem tido na dinâmica da equipa é por demais evidente. Adaptado ao seu papel na Selecção, não tão diferente do que faz no seu clube, o médio tem uma inteligência pouco habitual com e sem bola, e promete ser uma das figuras de Portugal neste Campeonato da Europa.

POTENCIAL SURPRESA: Raphaël Guerreiro. O lateral esquerdo convenceu na fase preparatória e ameaça mesmo ocupar a vaga no lado esquerdo da defesa, ganhando assim o lugar a Eliseu. Agressivo, acutilante no momento ofensivo e dono de uma técnica bastante apurada, o jovem de 23 anos poderá surpreender os próprios portugueses caso seja o titular na sua posição.

Tempo de fixar novas metas

Tempo de fixar novas metas
Objectivo cumprido. Depois do desaire em Aveiro frente à Albânia (0-1), que motivou o despedimento de Paulo Bento e a chegada de Fernando Santos, Portugal conquistou sete vitórias em outros tantos jogos e assegurou o primeiro lugar do seu grupo, e consequente qualificação directa para o Euro'2016.

Olhando para trás, fica a sensação que o futebol praticado ainda está aquém do exigido. Nem mesmo os resultados nesta fase de grupos conseguem enganar: Portugal venceu todos os jogos sob o comando de Fernando Santos... mas sempre pela margem mínima. Um espelho, portanto, das dificuldades ofensivas que a Selecção foi demonstrando, atenuada, felizmente, pela eficácia e pelo pragmatismo característicos das equipas do actual técnico luso. Ainda assim, é injusto retirar mérito a Fernando Santos. A forma como uniu o balneário após o primeiro desaire e como foi dando oportunidades, ou incluindo em convocatórias, àqueles que mais mereciam resultou numa fase de qualificação em que, finalmente, não foi preciso voltar ao básico e andar de calculadora na mão.

É altura de pensar no futuro. No próximo objectivo. Até ao início da fase final do Euro'2016 muito acontecerá. Alguns jogadores poderão destacar-se até ao final da temporada e espera-se que não haja condicionamentos físicos. Mas dificilmente se verificará uma revolução no lote de 23 que rumarão a França face àquelas que têm sido as últimas convocatórias. A maior dúvida, neste momento, talvez se prenda com o meio-campo. Para segundo plano ficam os Jogos Olímpicos - Rui Jorge deve apostar no núcleo duro que foi recentemente vice-campeão europeu, o que faz com que Raphäel Guerreiro, William Carvalho, João Mário ou até Bernardo Silva possam ser equacionados para a comitiva que rumará ao Brasil. Mas mais importante que pensar em individualidades, nesta altura o foco deve incidir sobre uma boa preparação táctica que permita à Selecção bater-se com os melhores (os jogos com a França mostraram que ainda há um longo caminho a percorrer) e corrigir as nuances evidenciadas até ao momento. Temos tempo.

Para a frente é o caminho!

Para a frente é o caminho!
As coisas correram bem a Portugal nos últimos dias. Depois de uma excelente campanha dos Sub21, culminada com um jogo atípico quanto ao número de golos (5-4), foi a vez de a Selecção AA entrar em campo na Copenhaga, naquela que foi a estreia de Fernando Santos no banco luso em jogos oficiais. Nem a chuva fria evitou que a Selecção arrancasse um triunfo suado diante da Dinamarca, com Ronaldo a resolver de cabeça para lá dos 90 minutos. Mais do que três pontos conquistados, Portugal ganhou uma nova equipa, com jogadores regressados e uma esperança renovada, e um novo ânimo para abraçar um desafio perfeitamente ao seu alcance - a qualificação directa para o Euro'2016.

Não se pode tirar mérito a Fernando Santos. Se por um lado o seu tridente mais móvel não surtiu efeito durante a maior parte do jogo, por outro soube mexer bem a partir do banco. Ou fora dele, se alargarmos o prisma temporal ao passado... Ricardo Carvalho voltou a ser titular volvidos três anos e foi, indubitavelmente, um dos melhores em campo. A sua capacidade de liderança, concentração e antecipação fazem falta a qualquer selecção e mascaram bem os seus 35 anos e justificam o seu estatuto de «um dos melhores centrais portugueses dos últimos tempos». Igualmente bem esteve Tiago, que creseceu imenso com Simeone e já o havia demonstrado frente à França. A forma como ocupou o meio-campo, tanto a pressionar como a oferecer linhas de passe, sobretudo na primeira parte, só pode ser um indicador positivo para a Selecção Nacional. Danny e Quaresma foram outros jogadores experientes que voltaram a envergar a camisola da Selecção. Se o primeiro se destacou pela forma como tentou semear o perigo no último terço do terreno, ainda que de forma algo inconsequente, o segundo voltou a mostrar que é capaz de "sacar um coelho da cartola" de um momento para o outro. A assistência para Ronaldo é metade do golo. Foi a vantagem de Portugal.

Era urgente reagir aos mais recentes desaires. Se no jogo com a França foram postas a nu as debilidades defensivas da Selecção (Cédric até deu uma resposta mais positiva que Eliseu no jogo com a Dinamarca), é igualmente verdade que na segunda parte desse mesmo encontro foi evidente uma atitude totalmente diferente - para melhor - que só poderia ter deixado Fernando Santos orgulhoso no final da partida. Apesar de não ter feito um jogo exemplar, Portugal foi incontornavelmente o vencedor justo do encontro de terça-feira. A sorte esteve do seu lado. Agora há que dar seguimento a este resultado.

Reservo um último parágrafo para os Sub21. Um percurso de 10 vitórias em outros tantos jogos é fantástico para qualquer equipa. Melhor sabe quando se tem consciência do potencial e da qualidade do grupo orientado por Rui Jorge, que está de parabéns por ter apurado os nossos jovens jogadores para o Euro'2015. E as perspectivas só podem ser as melhores. Ainda para mais sabendo que a Espanha, bi-campeã em título, e a sempre perigosa França não vão estar na fase final da competição. Uma presença entre os quatro melhores dá, desde logo, direito a uma participação nos Jogos Olímpicos, em 2016, mas o título europeu não deve ser considerado uma miragem para estes jovens lusos. Há que sonhar alto mantendo os pés bem assentes no chão.

A primeira vitória de Fernando Santos

A primeira vitória de Fernando Santos
A primeira incógnita em torno de Fernando Santos seria, desde logo, a sua primeira convocatória. Felizmente para Portugal, o novo Seleccionador Nacional mostrou que está atento ao que se vai passando nos diferentes campeonatos europeus (o lateral Ivo Pinto é a maior surpresa da convocatória). Como tal, não se coibiu de chamar jogadores como Tiago, Ricardo Carvalho, José Fonte ou Danny que, quer pela sua experiência, quer pelo seu momento de forma, poderão ser mais-valias no imediato, com vista à qualificação para a próxima fase do Euro'2016. Infelizmente para Portugal, essa revolução, tão aclamada pela larga maioria dos portugueses, chegou com um mês de atraso.

Convém, ainda assim, ressalvar que revolução não é sinónimo de renovação (este grupo de convocados até apresenta uma média de idades superior ao que foi chamado para o confronto com a Albânia) e, ao mesmo tempo, lembrar que os Sub-21 estão na iminência de disputir dois jogos decisivos e complicados para garantir o apuramento para a fase final do Euro'2015 nesse mesmo escalão. Assim, há que consolidar primeiro o grupo mais forte e só depois, de forma gradual, deixar que os mais novos tenham a oportunidade de integrar o escalão principal. Cada coisa a seu tempo. Fernando Santos conseguiu, para já, a sua primeira vitória enquanto sucessor de Paulo Bento - deixar de fora aqueles que pareciam ter lugar cativo nos eleitos (os "intocáveis") e promover a chamada dos jogadores em melhor forma.


Lista dos 24 convocados para os jogos com a França (amigável) e a Dinamarca:
Guarda-redes: Anthony Lopes (Lyon), Beto (Sevilha) e Rui Patrício (Sporting)
Defesas: Antunes (Málaga), Bruno Alves (Fenerbahçe), Cédric (Sporting), Eliseu (Benfica), Fábio Coentrão e Pepe (Real Madrid), Ivo Pinto (Dínamo Zagreb), José Fonte (Southampton) e Ricardo Carvalho (Mónaco)
Médios: Adrien, João Mário e William Carvalho (Sporting), André Gomes (Valência), João Moutinho (Mónaco) e Tiago (Atlético Madrid)
Avançados: Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Danny (Zenit), Éder (SC Braga), Nani (Sporting), Ricardo Quaresma (FC Porto) e Vieirinha (Wolfsburgo)

A saída de Paulo Bento: O sucessor (parte II)

A saída de Paulo Bento: O sucessor (parte II)
Já houve mais que tempo para digerir a inexplicável derrota de Portugal perante a Albânia, equipa mais fraca do grupo de apuramento para o Euro'2016, e o anúncio do técnico que irá suceder a Paulo Bento no cargo de Seleccionador Nacional já não deve tardar. Ainda assim, convém deixar uma ou duas notas face a esta decisão da FPF, principal responsável pelo acumular de desgostos vividos nos últimos meses.


Tal como sucedeu há quatro anos atrás, Portugal mudou de seleccionador já no decorrer da fase de qualificação para o Campeonato Europeu. O que apenas agrava a situação, dado que o substituto de Paulo Bento terá agora pouca margem de manobra para implementar novos conhecimentos tácticos e chegará com uma pressão acrescida devido ao desaire com a Albânia. Felizmente para Portugal, Platini resolveu facilitar a tarefa das selecções e Portugal, mesmo sendo terceiro classificado no seu grupo, pode continuar a sonhar com o apuramento. Mas sejamos realistas: o objectivo é a qualificação directa. Torna-se, assim, imprescindível identificar o perfil do novo treinador o mais rapidamente possível para se evitar a tomada de decisões precipitadas, que possam comprometer o futuro da nossa Selecção, caso se deixe arrastar o processo em demasia.

Será Fernando Santos uma boa opção para a Selecção?
Tem-se falado muito em Jesualdo Ferreira (tem o factor experiência e um currículo apetecível a seu favor, mas não deixa de ser uma incógnita), Vítor Pereira (adepto do futebol em posse, mas rápido, capaz de ligar bem defesa e ataque e de imprimir uma dinâmica interessante ao meio-campo) e Fernando Santos (ritmo de jogo mais lento e uma estratégia baseada no erro do adversário e em transições recheadas de pragmatismo) - o último parece ser o grande candidato à sucessão, embora o seu castigo seja o maior entrave -, ainda que a vinda de um eventual treinador estrangeiro seja igualmente uma hipótese colocada de cima da mesa. Fala-se ainda, e já não é de agora, na suposta renovação dos convocados da Selecção Nacional, defendendo-se que é chegada a altura de dar o lugar aos mais jovens e riscar alguns nomes que pareciam ter lugar cativo com Paulo Bento. Não sendo grande apologista de uma "revolução total", devo confessar que surgiu a altura de alguns jogadores serem finalmente introduzidos de forma gradual nas convocatórias de maneira a futuramente terem condições para serem mais-valias no onze inicial da Selecção - verdade seja dita que, para tal acontecer, é necessário que haja uma aposta constante por parte dos respectivos clubes. Convém, portanto, que o novo seleccionador seja capaz de "apostar sem medo" e que se reveja naquilo que é efectivamente a Selecção Portuguesa. Que se identifique com laterais ofensivos, um meio-campo pressionante, extremos com uma capacidade técnica acima da média e que consiga conferir maior estabilidade defensiva (a exploração de contra-ataques seria interessante de se ver numa selecção como a nossa) e criatividade ofensiva (não podemos estar sempre dependentes do que os extremos são capazes de fazer). No fundo, que seja capaz de aplicar um modelo táctico que vá ao encontro dos pontos fortes da Selecção e permita tirar o melhor rendimento de cada jogador.

A saída de Paulo Bento: O timing (parte I)

A saída de Paulo Bento: O timing (parte I)
Já houve mais que tempo para digerir a inexplicável derrota de Portugal perante a Albânia, equipa mais fraca do grupo de apuramento para o Euro'2016, e o anúncio do técnico que irá suceder a Paulo Bento no cargo de Seleccionador Nacional já não deve tardar. Ainda assim, convém deixar uma ou duas notas face a esta decisão da FPF, principal responsável pelo acumular de desgostos vividos nos últimos meses.


Recuemos ligeiramente no tempo. Portugal acabara de ser eliminado pela Espanha nos oitavos-de-final do Mundial'2010 com um golo irregular de David Villa. Carlos Queiroz abandonara o cargo em virtude da prestação lusa na competição que decorrera na África do Sul e Agostinho Oliveira seria o próximo homem ao leme da Selecção Nacional. A coisa não corre bem. Portugal, em dois jogos da fase de qualificação para o Euro'2012, perde quatro pontos contra adversários bem menos cotados. O apuramento complicara-se em demasia e o jogo seguinte seria contra a Dinamarca, adversário directo no grupo. É aqui que entra Paulo Bento. Portugal exibe a partir de então uma atitude bem diferente da que vinha evidenciando e Nani e Ronaldo, que, diga-se em bom da verdade, havia falhado os dois jogos anteriores, oferecem a vitória a Paulo Bento na sua estreia. A partir de então a Selecção Nacional só perdeu pontos na Dinamarca (derrota por 2-1), o suficiente para disputar o playoff de acesso à fase seguinte. Atropelámos a Bósnia-Herzegovina e carimbámos a nossa presença na fase final da competição, onde voltámos a ser eliminados pela Espanha - aquela que entretanto havíamos goleado por 4-0 num amigável -, desta feita na terrível sorte dos penáltis de uma meia-final. O balanço que ficou deste primeiro grande desafio de Paulo Bento enquanto Seleccionador Nacional foi o de esperança recuperada. A recuperação na fase de apuramento foi muito boa e a prestação no Euro'2012 não ficou aquém das expectativas. Muito pelo contrário. Restava dar continuidade ao bom trabalho.

Paulo Bento devia ter permanecido após o Mundial?
Infelizmente, a partir daqui o caso mudou de figura... Depois de duas vitórias na fase de qualificação para o Mundial'2014, Portugal era derrotado na Rússia (1-0), único adversário de respeito no seu grupo. Até aqui nada de muito grave. Bastaria dar a volta e vencer os restantes jogos, já que era essa a nossa obrigação. Porém, não foi isso que aconteceu. Portugal somou exibições fracas a pontos perdidos e quedou-se pela carruagem dos segundos classificados. Contudo, o Brasil não passou a ser miragem - valeu Ronaldo, sobretudo! Paulo Bento mudara por completo o seu estatuto por não ter ficado no topo de um grupo demasiado acessível. Acabara-se a sua margem de manobra. E eis que a FPF comete o seu primeiro erro crasso. Em Abril de 2014, meses antes de o Mundial começar, o vínculo de Paulo Bento com a Selecção foi renovado até 2016. A FPF depositava, assim, uma enorme confiança num treinador que não convenceu durante os jogos de qualificação para a grande competição entre selecções à escala global e o resultado, inevitavelmente, acabou por ser desastroso. Portugal, nos jogos amigáveis que antecediam a competição, não convencia - aqueles 5-1 à República da Irlanda foram uma ilusão tremendamente grande -, o estado clínico da sua estrela permanecia uma incógnita e até mesmo a preparação portuguesa foi questionada antes sequer da equipa aterrar no Brasil. A partir daqui todos nós sabemos a história. As exibições medíocres, que se vinham a arrastar há já vários meses, a vaga de lesões inexplicável, os "ses" que ficaram após o jogo com o Gana e um sentimento de desilusão que culminou com uma chuva de críticas. A prematura renovação de contrato começava agora a pesar no subconsciente dos responsáveis da FPF. Ou talvez não.

Voltemos ao presente. Paulo Bento cá esteve, em Aveiro, para comandar a nossa Selecção após o fracasso no Mundial'2014. O voto de confiança era enorme. Pela frente estava a Albânia, contra quem não se avizinhavam grandes dificuldades. Mas o futebol da nossa Selecção voltou a ser muito pobre e fomos surpreendidos em casa. Os lenços brancos compunham as bancadas do Estádio Municipal de Aveiro, à medida que Paulo Bento fazia contas à vida. Esperava-se que a FPF anunciasse o despedimento de Paulo Bento no dia seguinte, o mais tardar. Mas tal não aconteceu. Foram necessários quatro dias para que a decisão fosse finalmente tomada. O que apenas revela insegurança por parte da estrutura que melhor devia saber o que fazer nestes casos. Pior do que o trabalho dos jogadores ou do treinador, foi a inércia da FPF face ao que aconteceu desde o Mundial'2014. Coloca-se agora um novo desafio: encontrar o sucessor. Ao que parece quatro dias não foram suficientes para se traçar o perfil do novo seleccionador. Convém relembrar que os próximos compromissos da Selecção - amigável com a França e jogo na Dinamarca - estão à distância de um mês.

Grupo G: Portugal diz adeus ao Mundial'2014

Grupo G: Portugal diz adeus ao Mundial'2014
PORTUGAL 2-1 Gana

Uma vitória podia não chegar à Selecção, que também dependia do outro jogo do grupo. No entanto, a eliminação precoce deveu-se exclusivamente à equipa nacional que cometeu vários erros e não soube aproveitar as oportunidades que teve ao seu dispor. Nem mesmo as ofertas de Boye e Dauda chegaram para que Portugal conseguisse golear o Gana, que apenas foi perigoso devido à necessidade de precisarmos de ir em busca de um resultado avolumado. Quanto a prestações individuais... Beto ainda teve de ser substituído perto do fim mas não teve influência no resultado, Miguel Veloso e João Pereira tiveram bastantes dificuldades nas alas (João Pereira fez um Mundial péssimo), Pepe e Bruno Alves (mais uma vez fez passes longos sem nexo) também não estiveram muito seguros, Moutinho fez hoje o seu melhor jogo nesta fase de grupos (ter William Carvalho e Rúben Amorim no 11 deu logo outra dimensão ao meio-campo) mas a frente de ataque voltou a evidenciar demasiados problemas. Ronaldo marcou, acertou no ferro, mas falhou inúmeras ocasiões de golo (não costuma ser normal, nem mesmo a condição física o pode explicar), Nani foi o mais apagado e Éder esteve bem a vir buscar jogo atrás mas fora isso voltou a passar ao lado do jogo (contra os EUA tinha acontecido o mesmo). Notas finais para Vieirinha, que demonstrou vontade a partir do banco, e para aquilo que foi a participação portuguesa neste Mundial: um desastre, tendo em conta a qualidade dos jogadores, a preparação que foi / devia ter sido feita e o grupo onde estava inserido, que não era tão difícil quanto muitos julgavam (a Alemanha nem jogou a um ritmo elevado, os EUA e o Gana estavam perfeitamente ao alcance da Selecção) mas Portugal complicou a tarefa por culpa própria.



EUA 0-1 Alemanha

Temia-se que houvesse um jogo de interesses mas não foi isso que transpareceu. Os EUA jogaram nitidamente para o empate - e até o podiam ter alcançado já nos descontos - mas a Alemanha dominou a partida e apenas não dilatou o resultado por culpa própria. Continua a dar a ideia que os alemães ainda não encontraram o seu melhor nível de jogo mas nem isso os impediu de ficar em 1.º lugar deste grupo que tantos consideravam como «o mais difícil». Voltou a ser Müller a decidir o jogo, depois de Tim Howard ter feito várias intervenções de qualidade.

Grupo G: Portugal depende de um milagre para chegar aos "oitavos"

Grupo G: Portugal depende de um milagre para chegar aos "oitavos"
PORTUGAL 2-2 EUA

O apuramento fica agora muito complicado... Portugal até começou bem a partida adiantando-se logo aos 5' mas rubricou mais uma exibição cinzenta, permitindo a reviravolta aos EUA e empatando só no último minuto do jogo. Exibição fraca, mais uma vez manchada pelas lesões (Postiga e André Almeida). Ricardo Costa e Miguel Veloso foram os mais regulares durante a 1.ª parte (o central voltou a estar bem na 2.ª) e William Carvalho o melhor no 2.º tempo. De resto, nada de positivo a registar. Beto foi traído pelos erros defensivos, Bruno Alves demonstrou demasiada passividade (incrível como fica a dormir no lance do 2.º golo), Fabian Johnson e Beasley fizeram o que quiseram nos flancos, Meireles e Moutinho pouco ou nada conseguiram acrescentar no meio-campo, Nani mostrou vontade mas apenas se destacou pelo golo (sem bola nem se viu), Ronaldo é constantemente procurado pelos colegas, movimenta-se bem na frente, mas está em "Mundial-não" e Éder mostrou que falta um avançado top a esta Selecção. Acima de tudo, fica a ideia de que as opções de Paulo Bento após o golo de Nani nunca foram as mais acertadas (a equipa não se movimentava bem, não acertava nas marcações e parecia perdida em campo) e que a preparação portuguesa não foi feita da melhor forma a diversos níveis (exibicional, físico e anímico). Finalmente, Klinsmann merece muitos elogios pela maneira como voltou a organizar uma equipa teoricamente mais fraca e quase a qualificou para a próxima fase.



Golo histórico de Miroslav Klose
Alemanha 2-2 Gana

Após uma 1.ª parte sem golos, o 2.º tempo foi verdadeiramente frenético. Duas equipas a procurar desesperadamente a vitória e um jogo de parada e resposta capaz de apaixonar qualquer adepto da modalidade. André Ayew mostrou toda a sua irreverência, Gyan desta vez apresentou um nível de jogo bem mais condizente com a sua capacidade, Jordan Ayew entrou bem a partir do banco e os laterais Afful e Asamoah também estiveram bem. Já os alemães voltaram a desiludir um pouco - o nível apresentado continua a não ser de topo - e a demonstrar as suas fragilidades defensivas contra equipas que sejam rápidas e perigosas no contra-ataque. Götze foi o melhor dos germânicos, numa partida em que Klose marcou e fez história (15.º golo do avançado em Mundiais, tantos quanto o brasileiro Ronaldo).