Mostrar mensagens com a etiqueta Sporting. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sporting. Mostrar todas as mensagens

Relatório de Olheiro: Sporting x Benfica

O Sporting recebe o Benfica, este sábado, numa jornada que poderá ser importante para as contas do título. Contudo, aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: não será desta que o título ficará entregue. O Sporting chega ao clássico de Lisboa sem a margem sólida de vantagem que tinha à passagem da segunda volta do campeonato, fruto dos empates com Tondela, Rio Ave e Vit. Guimarães, mas com o foco completamente centrado na competição na qual ainda é líder. Do outro lado está o Benfica de Rui Vitória, que continua sem conseguir bater as equipas grandes e que sabe que uma nova derrota poderá complicar em definitivo as contas do título.



Sporting: Não há três sem quatro

Com a chegada de Jorge Jesus, o Sporting voltou a bater-se de igual com os seus rivais directos. A classificação não engana. O problema tem sido frente às equipas que se contentam com menos, ou seja, as que lutam por uma posição confortável na tabela. A maior parte dos pontos perdidos pelo Sporting esta época deve-se a clubes da metade inferior da tabela, e de todas as vitórias dos leões na Liga raras foram as vezes em que o clube venceu folgadamente os seus opositores. E quando o fez, espante-se, foi contra as melhores equipas. O que nos remete para este jogo. A jogar contra o campeão em título, o Sporting vai procurar confirmar a sua superioridade face à táctica de Rui Vitória, e alcançar o quarto triunfo - Liga, Supertaça e Taça de Portugal - sobre o Benfica na mesma época, algo que seria histórico e um marco importante na história recente do clube de Alvalade.

ASPECTO A EXPLORAR: Pressão na zona intermediária. É a justificação para os problemas do Benfica nos jogos grandes: a capacidade de construir jogo. Samaris e Renato Sanches posicionam-se no meio-campo para iniciarem o processo ofensivo e a equipa perde ideias de jogo quando tal não é possível. Nas alas tanto João Mário como Bruno César (ou Bryan Ruiz) terão atenções redobradas numa primeira linha de pressão e prontidão para se lançarem à defesa do Benfica em ataque rápido.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no remate. Foi curiosamente o problema do Benfica no seu último clássico, mas tem sido uma constante no percurso do Sporting ao longo da temporada. Relembre-se, porém, que Slimani, melhor marcador dos leões, agora sem uma alternativa credível, costuma dar-se bem contra as águias.

JOGADOR-CHAVE: Adrien. É um dos pilares do Sporting nos jogos mais importantes. A sua capacidade de pressão e a sua inteligência táctica complementam na perfeição as qualidades de William Carvalho e João Mário. Recentemente lesionado, e partindo do princípio que irá recuperar a tempo, a sua condição será determinante para o sucesso da táctica leonina.


Benfica: Não entregar o ouro ao bandido

Em Dezembro, após o nulo diante do U. Madeira, poucos foram os que acreditaram na recuperação do Benfica face à desvantagem para os seus principais rivais. Desde então, o pleno de vitórias encarnadas apenas foi interrompido pelo FC Porto (1-2), algo que, tendo em conta aquele que foi o calendário do Sporting até aqui, mantém o Benfica na discussão pelo título, embora sem grande margem de manobra, como é óbvio. Mais do que inverter o ciclo negativo do Benfica nos jogos mais importantes, Rui Vitória e o seu plantel sabem que uma nova derrota poderia colocar um ponto final no percurso dos encarnados rumo ao tri, deitando por terra todo o esforço de uma recuperação notável. Se ganhar é importante, perder está absolutamente fora de questão, pois seria entregar o título de mão beijada a quem já tanto castigou o Benfica esta época.


ASPECTO A EXPLORAR: Rapidez de processos. As equipas de Jorge Jesus costumam pressionar logo o portador da bola, o que gera um menor tempo de reacção. A capacidade de organizar jogo de forma rápida, seja com linhas de passe bastante unidas, seja através da condução de bola por parte dos jogadores com mais técnica, será importante para a criação de oportunidades de perigo. Foi algo que, por exemplo, faltou no segundo tempo diante do FC Porto.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no passe. Vem no seguimento do ponto anterior. O Benfica tem denotado alguns problemas neste capítulo em vários jogos esta época e isso poderá ser fatal contra um adversário como o Sporting.

JOGADOR-CHAVE: Renato Sanches. Será importante nos diversos momentos do jogo: na capacidade de aguentar o ímpeto adversário a meio-campo, na precisão do seu passe, na leitura de jogo, na condução de bola para zonas mais restritas. Será o playmaker do Benfica. Se Renato Sanches se evidenciar - e que jogo para o fazer -, o Benfica terá hipóteses de sair de Alvalade com um bom resultado.

Mestre da táctica... defensiva

Apesar de uma maior contenção financeira, esperava-se que Jorge Jesus tivesse um impacto imediato e fosse capaz de finalmente fazer com que o Sporting rivalizasse com Benfica e FC Porto, os outros grandes candidatos ao título. E a verdade é que o clube de Alvalade está no bom caminho. Mas o apelidado "Mestre da Táctica", ao contrário do que nos habituou nas últimas épocas - apenas não superou a fasquia dos 100 golos marcados no ano passado -, está actualmente a (tentar) fazer valer a máxima «Ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos». Como se pode constatar pela imagem ao lado, e com o auxílio dos dados da Opta, o Sporting é a equipa que recebeu menos remates adversários enquadrados com a sua baliza (18), dos quais 5 (dois deles de grande penalidade) fizeram balançar as redes à guarda de Rui Patrício. Noutros registos defensivos importantes, o conjunto de Jorge Jesus apenas é superado pelo Vit. Guimarães (185) no número de desarmes ganhos e pelo Sp. Braga (639) no número de duelos ganhos - individualmente, Adrien lidera os leões em ambos os capítulos.

Com apenas um golo sofrido nas últimas sete jornadas [Sporting 5-1 Vit. Guimarães], estamos perante a segunda melhor defesa do campeonato, apenas superada pela do FC Porto (4 golos concedidos), e o melhor Sporting do século XXI no que diz respeito à quantidade de golos sofridos (5) no primeiro terço do campeonato. Já de Jorge Jesus não se pode afirmar o mesmo. O técnico igualou o registo alcançado na sua única época ao serviço do Sp. Braga, em 2008/09, em que alcançou o 5º lugar, meses antes de iniciar uma nova etapa enquanto treinador do Benfica.

Sporting 2014/15: O regresso aos títulos

Embora tenha ficado em 3º lugar no campeonato, uma posição abaixo do que se havia verificado em 2013/14, o Sporting voltou a conquistar um título (Taça de Portugal) sete anos depois. Apesar desse momento mais positivo, a temporada verde e branca ficou marcada pela divergência entre Bruno de Carvalho e Marco Silva, que culminou com o despedimento do técnico.

O arranque menos conseguido do Sporting na Liga acabou por ditar a sua sorte na competição. Tendo uma equipa jovem como base, em que a experiência do retornado Nani era uma das escassas excepções, o Sporting praticava um futebol bastante agradável do ponto de vista de posse e de balanço ofensivo (foi a equipa com mais remates em toda a Liga, apesar de ter sido apenas o 3º melhor ataque da prova), embora com graves lacunas defensivas, o sector que mais meteu água durante a época, inadmissíveis para quem ambiciona ser campeão (o registo de 103 cartões amarelos e 10 vermelhos ajuda a comprovar a ideia). Se os empates com Benfica e FC Porto não foram percalços de maior, o mesmo não se pode dizer de outros jogos no primeiro terço do campeonato. Mesmo sem ter averbado qualquer derrota em casa, os empates diante de equipas de meio da tabela atrasaram imenso o clube leonino na luta pelo título. E é mais ou menos a partir desta altura, final de 2014, que o caso ganha novos contornos. Eliminação injusta na Liga dos Campeões, blackout e o rumor do despedimento de Marco Silva. O treinador, porém, não se deixou abalar e esteve a segundos de alcançar os seus rivais directos. No entanto, o golo de Jardel (Benfica) no último minuto foi fatal para os leões, que logo a seguir foram eliminados das competições europeias e vergados pelo FC Porto. Após algumas semanas a garantir o 3º lugar e a cumprir calendário, a Taça de Portugal, pelo trajecto até à final, acabou por ser um prémio merecido para o Sporting.

O Sporting 2014/15, é certo, não se resumiu a Marco Silva. Nem mais uma vez ao ego de Bruno de Carvalho. Pelas exibições, pelo troféu conquistado (e mérito nessa mesma conquista) e pela forma como tirou o melhor de alguns jogadores (Carrillo, João Mário e Paulo Oliveira evoluíram bastante) e como lidou com a pressão interna, Marco Silva saiu injustamente pela "porta pequena". O plantel era bastante limitado quando comparado com o dos outros dois rivais mas fez um trabalho competente pese os erros individuais, daí que o 3º lugar não possa ser encarado como uma desilusão e o regresso aos títulos mereça o devido destaque. A partir de 2015/16 será a vez de Jorge Jesus assumir o cargo.

Esforço épico devolve a glória ao leão

Esforço épico devolve a glória ao leão
Sporting 2-2 Sp. Braga (3-1 após g.p.)
(Slimani 83', Montero 90'+2; Éder g.p. 16', Rafa 25')

Jogo digno de uma final. Numa reviravolta com proporções épicas, o Sporting venceu a Taça de Portugal pela 16ª vez e quebrou um jejum de títulos que já se arrastava desde 2008. O encontro ficou pautado desde cedo pela agressividade dos minhotos, que terminaram o jogo com o dobro das faltas face ao Sporting, e pelos erros defensivos que ditaram os dois golos do Sp. Braga, o primeiro apontado por Éder a castigar um penálti cometido por Cédric (expulso nesse lance) e o segundo por Rafa perante a passividade dos laterais sportinguistas. Meia hora de jogo e o Sp. Braga já liderava por 2-0 e a jogar contra 10. A partir daí, os guerreiros limitaram-se a explorar as transições e foi valendo Kritciuk perante o crescimento do Sporting na partida. O Sp. Braga ia desperdiçando a hipótese de resolver o jogo e o Sporting ganhava novo ânimo aos 83' quando Slimani aproveitou um erro defensivo para reduzir o marcador. Já em cima dos 90', foi Montero a levar o jogo para prolongamento. Nesta etapa o cansaço fez-se sentir e a expulsão de Mauro foi o mote para a final ser apenas decidida nos penáltis. Aí valeu o desperdício do Sp. Braga e um Rui Patrício que já havia dado de si no prolongamento a garantir o título no Jamor.

Sporting: A defesa revelou-se como o sector mais débil da equipa ao longo da época neste jogo tão decisivo mas isso acabou por ser atenuado pela reacção da equipa face às adversidades. Jogar tanto tempo com um homem a menos e estar sempre em cima do adversário acaba por ter mérito para quem se encontra em desvantagem. Marco Silva, indissociável a este triunfo, acertou em cheio nas substituições - Mané a lateral foi uma aposta ganha e Montero foi decisivo - e merece bastante crédito pela forma como a equipa nunca pareceu dar-se por derrotada e pelo resultado alcançado. O avançado colombiano conseguiu abrir buracos na defesa bracarense que foram devidamente aproveitados por ele e por Slimani (melhorou na segunda parte). Nani também esteve bastante irreverente mas foi acusando a fadiga com o desenrolar do jogo e Carrillo esteve muito apagado.

Sp. Braga: A qualidade das duas equipas não é assim tão díspar ao ponto de justificar o que se passou no Jamor. A jogar com um homem a mais acaba por ser um pouco humilhante este castigo para os homens de Sérgio Conceição, que falhou completamente na abordagem ao jogo depois do segundo golo da sua equipa (preferiu defender em vez de se aproveitar da superioridade numérica). Sendo igualmente verdade que os jogadores do Sp. Braga também se podem culpar de si próprios pelos erros cometidos, não deixa de haver muita culpa associada ao treinador. A entrada de Alan foi um dos momentos do jogo do ponto de vista táctico, uma vez que desequilibrou o meio-campo dos minhotos (o miolo defensivo foi um desastre nos últimos 25 minutos) e permitiu ao Sporting aproximar-se da baliza de Kritciuk, guarda-redes que fez uma exibição peculiarmente irregular. Djavan (nota-se que sabe atacar bem), Rafa (muito mérito na forma como lutou), Éder (deu bastante trabalho lá na frente) e Salvador Agra (suplente de excelência que mexeu bem com a partida) destacaram-se pela positiva.

Luta pelo título passa a ser a dois

Luta pelo título passa a ser a dois
FC Porto 3-0 Sporting
(Tello 31', 58' e 82')

O Sporting vai ter de se contentar com a Taça de Portugal e com a luta pelo 3º lugar. Já Lopetegui consegue finalmente a sua primeira vitória ante os rivais de Lisboa. Tello foi o homem da noite no Estádio do Dragão, ao apontar um hat-trick que volta a colocar os azuis e brancos a quatro pontos do Benfica. O jogo começou intenso e repartido, mas com o avançar do tempo o FC Porto foi-se aproximando cada vez mais da área adversária e assumindo o controlo do jogo. Explorando o espaço nas costas de Jonathan Silva e o excelente passe de Jackson, Tello abriu o marcador à passagem da meia hora, altura em que o Sporting adormeceu por completo e demonstrou uma inofensividade que se arrastou até ao apito final. Até lá, mais dois golos tirados a papel químico para o extremo emprestado pelo Barcelona e um cabeceamento de Marcano ao ferro. 

FC Porto: Algum nervosismo no início, sobretudo na defesa, e dificuldades nas transições defensivas (Casemiro escapou ao critério disciplinar). Isto durante 20 minutos. A partir daí, só deu FC Porto. A irreverência de Tello fez a diferença, Jackson voltou a mostrar que as suas qualidades de ponta-de-lança vão para além dos golos marcados, Herrera encheu o meio-campo (uma das melhores partidas dos últimos meses), Evandro também soube estar à altura da titularidade (boa primeira parte) e Brahimi acabou por ser o elemento mais apagado (Quaresma até entrou bem para o seu lugar), naquela que foi a melhor exibição dos jogadores à guarda de Lopetegui contra uma equipa com um nível mais elevado. 

Sporting: A equipa nem começou mal, pressionando alto a defesa contrária e não dando espaço ao trio ofensivo do FC Porto, mas com o desenrolar da primeira parte, o meio-campo leonino foi sendo engolido pelo meio-campo portista (aos 20' o campo inclinou-se irreversivelmente) e o primeiro golo de Tello praticamente resolveu a partida. Pouca inspiração, vários erros individuais, uma segunda parte desastrosa e uma derrota pesada que faz jus ao que se passou em campo. Paulo Oliveira foi o único a escapar com nota positiva na defesa (Jonathan Silva não conseguiu travar Tello, Cédric devia ter sido expulso, Tobias Figueiredo bastante nervoso e com influência em dois golos), William Carvalho foi claramente o melhor na primeira parte, Adrien muito apagado e um trio ofensivo pouco esclarecido que nem incomodou Fabiano, com Montero a ser uma autêntica nulidade na frente. De frisar ainda que o Sporting nem sequer rematou à baliza contrária.

Relatório de Olheiro: FC Porto x Sporting

Um jogo decisivo para ambas as equipas. E por razões distintas. O FC Porto, caso escorregue em casa, vê o Benfica, seu rival directo que se impôs com classe horas antes do clássico, a afastar-se ainda mais na liderança do campeonato, não esquecendo ainda o desfecho do jogo no Estádio do Dragão entre as duas equipas; o Sporting, por seu lado, luta pela chama que ainda não se apagou totalmente no que às contas do título diz respeito, e sabe que mais uma escorregadela pode começar a pôr em perigo o seu 3º lugar, já que o Sp. Braga tem estado em crescendo nas últimas semanas. Num clássico em que os treinadores não devem fugir muito aos seus onzes titulares (a maior dúvida prende-se com a organização do meio-campo portista), traço aqueles que podem ser pontos decisivos no embate deste domingo.


Convém relembrar que apenas a vitória interessa a cada uma das equipas. No caso do FC Porto, assumir o controlo do jogo é ponto assente. Foi o que falhou no jogo da primeira volta, em Alvalade, e Lopetegui não deve cometer esse mesmo erro. Uma das maiores vantagens dos dragões é a qualidade dos seus laterais (combinados, são a melhor dupla do campeonato), sobretudo pela sua manobra ofensiva e profundidade que oferecem nas suas alas. Dado que o Sporting está munido de bons jogadores no corredor central, esta será uma área a explorar, à qual se junta a qualidade técnica de Brahimi (não é um extremo veloz mas desequilibra como poucos) ou de Quaresma (a aposta não funcionou em Alvalade) e a irreverência de Tello. Este último até poderá ser o "joker" dos azuis e brancos uma vez que nem Cédric nem Jonathan Silva têm pedalada para o espanhol, cujo principal defeito é a tomada de decisões. Tendo em conta que o Sporting costuma jogar com uma linha defensiva pouco profunda, e beneficiando de um ponta-de-lança como Jackson, veremos como o FC Porto aborda este capítulo. Defensivamente, a maior preocupação prende-se com as transições defensivas - o Sporting sabe que as duas equipas vão jogar contra o relógio e, individualmente, Nani e Carrillo são capazes de marcar a diferença pela forma como serpenteiam os adversários e conduzem a bola e Montero (provável titular) é um avançado móvel e que abre espaços para as incursões dos extremos e dos médios mais ofensivos (João Mário que o diga).

Marco Silva, que ainda não perdeu com os outros "grandes" esta época, vai querer repetir a façanha da Taça de Portugal. Uma das grandes debilidades do FC Porto na "era Lopetegui", e que se verificou no jogo da 6ª jornada, foi a perda de bola na primeira fase de construção. Nesse sentido, e tendo um meio-campo recheado de peças que sabem pressionar o adversário, incomodar o adversário neste momento de jogo será uma boa forma de o Sporting condicionar a posse e o controlo do jogo portista. Se por um lado já foi dito, e é certo e sabido, que Nani e Carrillo são os principais dinamizadores do ataque leonino, por outro convém relembrar que do lado contrário estão laterais que também sabem atacar e que vão aproveitar cada lance para se incorporarem no ataque da equipa. Com William Carvalho a fechar ao meio (veremos qual será o comportamento de Adrien, habitualmente mais pressionante, e João Mário), pede-se que os extremos consigam anular o perigo nas alas, zona do terreno mais frágil na perspectiva verde e branca, colocando ainda alguma pressão no processo contra-ofensivo. Finalmente, e como bem ficou patente no último jogo dos leões, a eficácia ofensiva é crucial. O Sporting tem pela frente a melhor defesa do campeonato (10 golos concedidos, registo igual ao Benfica) e é uma das equipas do campeonato que mais dificuldades tem para concretizar as suas ocasiões em golo, isto do ponto de vista de percentagem de eficácia.

Jardel rouba a vitória ao Sporting no último minuto

Jardel rouba a vitória ao Sporting no último minuto
Sporting 1-1 Benfica
(Jefferson 87'; Jardel 90'+4')


O Benfica foi a equipa mais feliz do derby, depois de conseguir um empate já após os 90' no último remate enquadrado com a baliza em todo o encontro. A partida começou com uma intensidade impressionante, com um Sporting a tentar desmobilizar o adversário das suas posições (João Mário ocupou o espaço de Montero por inúmeras vezes) e a explorar a velocidade e desmarcações dos seus jogadores através de passes de ruptura e um Benfica a fechar espaços e a apostar na qualidade técnica dos homens da frente. Numa primeira parte muita táctica e sem grandes oportunidades de golo, um pouco à semelhança daquilo que foi o jogo na sua totalidade, o empate aceitava-se ao intervalo - o Benfica entrou ligeiramente melhor e o Sporting acabou por se superiorizar nos últimos minutos. A segunda metade começou com um Sporting mais intenso e a conseguir criar algumas situações de perigo. A partir do momento em que André Almeida viu cartão amarelo e Ola John saiu de campo, o Benfica perdeu o controlo do jogo (defensivamente) e ia valendo Artur (três intervenções de grande qualidade), que nada pôde fazer no golo do Sporting aos 87'. A correr atrás do prejuízo, o Benfica acabou por sorrir no fim, logrando um empate no último lance da partida.

Sporting: O Sporting sabia que teria de vencer o jogo para alimentar a esperança pelo título (o empate ainda não o arreda dessa corrida) mas agora vai depender muito dos outros (ainda vai jogar ao Dragão e sabe que o Benfica vai receber o FC Porto no seu estádio). O Benfica soube defender bem durante dois terços do encontro, mas face ao que aconteceu sobretudo na segunda parte o Sporting merecia mais que um ponto. Individualmente, a defesa esteve muito bem (o Benfica mal conseguiu criar lances de perigo e quando rematava era de fora da área), com Jefferson e Cédric a anularem por completo os seus opositores directos e a dupla jovem de centrais a evidenciar muita segurança, João Mário fez um jogo incansável, William encheu o meio-campo defensivo (abafou o ataque dos encarnados) e Adrien foi aquele que esteve em menor evidência na zona central, Nani foi bem anulado e não beneficiou da estratégia de Marco Silva (não teve muitas oportunidades de iniciar lances de "um contra um"), Carrillo foi uma ameaça constante para Eliseu e Montero não conseguiu ser eficaz na frente (mérito para o Benfica).

Benfica: Entrou bem, foi perdendo esse ímpeto e alcançou um empate importante de forma fortuita, valendo-se da sua eficácia (repetiu o feito da vitória no Dragão nesse capítulo). Entrou com uma mentalidade muito cautelosa e apenas explorou as transições, ainda que sem efeito, quando o Sporting estava por cima. Artur demonstrou muita segurança na baliza quando foi chamado a intervir, Luisão e Jardel cumpriram mais uma vez (Jardel tem elevado o seu estatuto ao longo da época e hoje foi o herói da partida), Maxi controlou Nani mas Eliseu teve mais dificuldades com o sobrepovoamento na sua ala (notava-se que o Sporting atacava mais e com mais do lado direito), no meio-campo Samaris e André Almeida quebraram com o desenrolar do jogo (não aguentaram a intensidade inicial e o grego ficou ligado ao golo sportinguista) após uma primeira parte bastante positiva, Salvio e Ola John pouco acrescentaram e Jonas foi muito mais influente que Lima, hoje muito desinspirado.

Relatório de Olheiro: Sporting x Benfica

Sporting e Benfica defrontam-se este domingo em Alvalade, num jogo que poderá revelar-se decisivo para as contas do campeonato. Os leões são obrigados a conseguir um resultado positivo que lhes permita encurtar distâncias para os rivais directos e manter o estatuto de "candidatos ao título", ao passo que o Benfica, em caso de vitória, praticamente hipoteca as esperanças do adversário e mantém uma margem confortável para o FC Porto, actual 2º classificado. Apesar de ainda restarem algumas incógnitas quanto à disponibilidade física de alguns jogadores e opções tácticas de cada um dos treinadores, é possível, ainda assim, traçar alguns pontos que devem ser explorados ou respeitados por cada uma das equipas.


O Sporting é uma das equipas que mais golos marca nos primeiros 15 minutos de jogo, apenas atrás do... Benfica. Daí que seja importante entrar forte e aguerrido, não deixar o adversário assumir o controlo do jogo e ter um bom índice de aproveitamento (dos "três grandes", o Sporting é o menos eficaz no ataque), colocando, assim, pressão do lado dos encarnados. O dérbi, muito provavelmente, será decidido no meio-campo. Adrien e João Mário devem iniciar a partida e terão a tarefa de impor ritmo, capacidade de pressão e intensidade extrema no meio-campo do Sporting que, globalmente, e ao contrário do que sucedera nos últimos clássicos, possui maior qualidade que o do Benfica; mais atrás estará William Carvalho, que terá a dupla missão de parar as investidas adversárias e auxiliar a dupla de centrais (ainda inexperiente). Por fim, quer seja Slimani ou Montero na frente (ou até os dois), é nas alas que vai residir o perigo constante para a baliza à guarda de Artur. Nani, um dos destaques da Liga, será auxiliado por um lateral bastante ofensivo (Jefferson), enquanto que Carrillo poderá ser o "joker" do Sporting - Eliseu, caso não seja rendido por André Almeida, não tem pedalada para o peruano e Ola John, se for o titular na ala esquerda dos encarnados, não cumpre tão bem defensivamente como Gaitán.

Para o Benfica tudo começa na baliza, onde Artur irá render um Júlio César em excelente momento de forma e enfrentar os fantasmas que permitiram ao Sporting sair da Luz com um ponto na mala no jogo da primeira volta do campeonato. De resto, a competência benfiquista será colocada à prova no sector intermediário do terreno (sim, volto a frisar que o meio-campo será a chave deste encontro). Se no jogo do Dragão a dupla Samaris-Enzo, secundada por Talisca, conseguiu fechar espaços e controlar o ímpeto adversário, a verdade é que a saída do argentino fará deste jogo uma verdadeira prova de fogo à disciplina táctica daquele que é o sector crucial do modelo de Jorge Jesus. Para ganhar, o Benfica não precisará necessariamente de ter mais posse de bola, mas sim ser inteligente com e sem o esférico e aproveitar bem as transições à sua disposição. Jonas e Lima são avançados bastante móveis, Gaitán (em dúvida), Salvio e Ola John são flechas apontadas à área contrária e terão pela frente um conjunto defensivo ainda muito jovem (os extremos têm tudo para suplantar os laterais). Por último, realçar que, à semelhança do que sucede com o Sporting, o Benfica vai tentar importunar ao máximo a organização de jogo a partir da defesa.

Sporting com missão difícil perante o Wolfsburgo

Sporting com missão difícil perante o Wolfsburgo
O Sporting joga a 19/2 e a 26/2
Face à lista de equipas que poderiam ter calhado ao Sporting já se sabia que não ia ser fácil, mas a equipa de Vieirinha era um dos cinco adversários a evitar nesta fase. A equipa alemã possui três jogadores de qualidade acima da média (Ricardo Rodríguez, Kevin de Bruyne e Luiz Gustavo) e muitos outros que são inclusivamente internacionais pelos seus países (não é à toa que ocupam o 2.º lugar da Bundesliga). Será uma eliminatória equilibrada e muito complicada para a formação de Marco Silva, ainda para mais quando o clássico frente ao FC Porto para o campeonato surge dias depois do encontro da segunda mão (reforça a ideia de que é necessário inverter a tendência de conceder golos às equipas alemãs, sobretudo em território estrangeiro).

Os restantes 15 jogos perspectivam duelos muito curiosos: Sevilha-B. M'Gladbach, Villarreal-Salzburg e Tottenham-Fiorentina saltam logo à vista, mas à excepção de 4/5 jogos tudo está em aberto nos confrontos que o sorteio ditou (Everton, D. Kiev, Roma e Inter têm mais que obrigação de avançar para a próxima fase)

A um passo do céu e a dois do abismo

Depois de um fim-de-semana marcado pelos jogos da 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, entre os quais um clássico entre FC Porto e Sporting no Estádio do Dragão que ditou o afastamento da equipa da casa, as atenções viravam-se agora para a Liga dos Campeões. Sporting e Benfica estavam obrigados a não perder pontos - aos encarnados interessava ainda mais somar os três pontos depois das duas derrotas nas jornadas anteriores - e o FC Porto procurava segurar o 1.º lugar e dar um passo importante rumo à fase seguinte.

Lopetegui mostrou mais uma vez que a rotatividade do plantel chega ao fim nos momentos mais importantes - já havia sido assim no início da época e não ganhar após o recente desaire na Taça de Portugal só aumentaria a pressão sobre o técnico e a própria equipa - e o resultado, apesar de todas as peripécias, favoreceu os azuis e brancos. Num jogo em que o golo sofrido voltou a nascer de um erro na fase de construção (à semelhança do que tem acontecido em quase todos os jogos da presente temporada), Lopetegui soube mexer bem a partir do banco, Quaresma assumiu o papel de herói para gáudio dos adeptos, que exigem mais minutos para o internacional português, e o FC Porto pode carimbar a presença nos oitavos-de-final já daqui a uns dias, em solo basco. Boas notícias para Portugal, num ano em que a representação nacional tem estado aquém das expectativas.

Menos sorte teve o Sporting, que foi traído pela infantilidade de Maurício (novamente em foco pela negativa), numa altura em que os leões estavam por cima na partida, e pelos graves erros da equipa de arbitragem. Apesar da vitória moral - recuperar de uma desvantagem de dois golos, a jogar fora de casa, com um elemento a menos, é notável -, associada a uma grande atitude dos jogadores e a uma sensação de crescimento gradual da equipa de Marco Silva, fica uma sensação de injustiça e culpa própria face àquela que é a realidade do grupo do Sporting na Liga dos Campeões. Se o sonho nas provas europeias tomou contornos mais ténues, também é justo dizer que as recentes exibições leoninas, incluindo a vitória no Estádio do Dragão, não têm sido obra do acaso e deixam boas indicações para o muito que ainda falta disputar esta época. Apenas um aparte, que já poderia ter sido escrito há mais tempo: ter João Mário no meio-campo aumenta consideravelmente o nível da equipa.

O Benfica, obrigado a somar pontos tal a distância que o separava das restantes equipas do grupo, foi a última equipa lusa a entrar em acção. Ainda assim, mais do mesmo. Entrada nervosa em campo (alguma falta de ritmo?), em que os encarnados voltaram a dar 45 minutos de avanço aos seus opositores (felizmente mais perdulários que Zenit e Bayer Leverkusen) e tentaram resgatar mais do que um mero ponto na segunda metade. O Benfica foi atraiçoado por alguma falta de eficácia e por Lisandro, expulso após uma entrada imprudente sobre Moutinho numa altura em que os campeões nacionais estavam a controlar o jogo, e teve de sofrer até ao fim para somar o seu primeiro ponto na prova milionária. Percurso curto para aquela que é a capacidade da equipa e que coloca os pupilos de Jorge Jesus, que hoje apresentou em campo a melhor equipa disponível, numa posição delicada para continuar nas provas europeias - já nem se fala apenas na Liga dos Campeões! Hora de redefinir prioridades?

Sporting e FC Porto repartem pontos em Alvalade (1-1)

Sporting e FC Porto repartem pontos em Alvalade (1-1)
Sporting 1-1 FC Porto
(Jonathan Silva 2'; Naby Sarr p.b. 56')


Para já vai beneficiando o Benfica. O Sporting foi a equipa que melhor entrou no clássico (pressão alta a não deixar os portistas organizar jogo) e cedo se viu em vantagem com um golo do lateral Jonathan Silva. Sinal mais para os leões no primeiro tempo - tiveram mais duas ocasiões para alargar o resultado - mas a reacção portista fez-se notar na segunda metade. Jackson Martínez deu o aviso (Rui Patrício evitou o golo) mas um lance infeliz do central Naby Sarr permitiu o 1-1. Até ao final da partida o jogo foi mais repartido. Capel enviou uma "bomba" ao travessão da baliza de Fabiano; do outro lado foi Herrera a permitir a Rui Patrício a defesa da noite e, já perto do fim, Tello a não ter capacidade para decidir o resultado.

Sporting: Muito boa a forma como pressionou o adversário em zonas mais adiantadas no terreno e nota positiva para os extremos, porém, as limitações defensivas continuam a ser óbvias. Carrillo continua a ser um dos mais irreverentes esta época (causou imensas dores de cabeça a Alex Sandro) e Nani acrescenta outra qualidade técnica ao jogo ofensivo dos leões. No meio-campo houve mais Adrien na primeira parte e mais William Carvalho na segunda (João Mário também esteve bem) e no sector mais recuado Rui Patrício fez duas defesas com um grau de dificuldade mais elevado (Jonathan Silva, que remeteu Jefferson para a bancada, apresentou argumentos suficientes para manter a titularidade).

FC Porto: Algumas dificuldades a meio-campo na primeira parte mas a entrada de Óliver soltou mais a equipa e as ocasiões de perigo começaram a acentuar-se. Ainda assim, pede-se mais a Lopetegui, que hoje "não acertou no onze inicial", face ao elenco que tem à sua disposição (curiosamente alguns jogadores pareceram evidenciar sinais de fadiga). Martins Indi foi o mais esclarecido no eixo defensivo, a capacidade de desequilíbrio de Tello sobrepôs-se tremendamente à técnica de Quaresma (hoje foi o elemento menos), Brahimi não conseguiu espalhar a sua qualidade como noutros jogos e Jackson Martínez fez um bom jogo mas desperdiçou uma das melhores oportunidades do jogo quando o jogo ainda estava 1-0. Nota ainda para a lesão de Casemiro que poderá afastar o brasileiro dos relvados durante algumas semanas.

Benfica e Sporting voltam a empatar 1-1 à 3.ª jornada pelo 2.º ano consecutivo

Benfica e Sporting voltam a empatar 1-1 à 3.ª jornada pelo 2.º ano consecutivo
Benfica 1-1 Sporting
(Gaitán 12'; Slimani 20')


Pelo segundo ano consecutivo águias e leões defrontaram-se ao cabo de três jornadas e o resultado não sofreu variações. Entrou melhor o Benfica, que cedo chegou à vantagem após uma boa jogada colectiva concluída por Gaitán. No entanto, o guardião Artur tomou o papel de vilão instantes depois oferecendo o golo da igualdade a Slimani. Um lance que mudou completamente a toada do jogo até então. O Sporting esteve por cima até ao intervalo e o Benfica apenas voltou a surgir na etapa complementar dando início a uma sequência de golos falhados. Face a ineficácia ofensiva dos encarnados foram os leões a terminar melhor a partida mas sem conseguirem modificar o 1-1.

Benfica: Precisa de aumentar o nível se quiser revalidar o título. Acima de tudo este derby será recordado pelo acumular de erros de Artur que, apesar de uma boa defesa já perto do fim, continua a não oferecer tranquilidade na baliza encarnada. Outro destaque pela negativa foi Jardel, com várias abordagens infantis. Eliseu voltou a exibir-se a bom nível (tem crescido muito ao longo dos jogos), Talisca fez uma exibição q.b. (tarda em convencer) e a dupla Gaitán-Salvio nem sempre conseguiu assumir a batuta e acusou algum desgaste na parte final do jogo (nota-se que são os únicos jogadores com capacidade para decidir uma partida).

Sporting: Marco Silva surpreendeu com a titularidade de Slimani e deu-se bem com isso. Teve três oportunidades flagrantes para marcar - fê-lo por uma vez - e deu bastante trabalho à defensiva contrária. Nani foi fazendo um jogo em crescendo, Esgaio conseguiu aguentar bem do lado direito da defesa mas o grande destaque da partida foi Rui Patrício. Várias intervenções de qualidade, sobretudo durante o melhor período do Benfica no jogo, e o responsável pelo facto de o Sporting apenas ter concedido um golo (a defesa leonina voltou a não dar garantias).

SPORTING no Grupo G com Chelsea, Schalke 04 e Maribor

SPORTING no Grupo G com Chelsea, Schalke 04 e Maribor
Maribor vs SPORTING (17/9)
SPORTING vs Chelsea (30/9) 
Schalke 04 vs SPORTING (21/10)
SPORTING vs Schalke 04 (5/11) 
SPORTING vs Maribor (25/11)
Chelsea vs SPORTING (10/12)


Sorteio que até nem correu mal ao Sporting, uma vez que evitou equipas como Borussia Dortmund, PSG ou Juventus, provenientes do pote 2. Já se sabia que os leões não iriam escapar a um "tubarão" europeu. Calhou o Chelsea, de José Mourinho, que assim está de volta a Portugal e que tem tudo para passear neste grupo. A conquista de um ponto frente aos londrinos, claramente favoritos a ocupar o 1.º lugar do grupo, já seria algo de fantástico. Ainda assim, o grande desafio do Sporting chama-se Schalke 04. Não será de estranhar que os alemães façam frente aos ingleses nos dois jogos do grupo mas dificilmente conseguirão apresentar armas que anulem a capacidade individual do Chelsea. Daí que seja muito importante que o Sporting se coloque em vantagem no confronto directo com o Schalke 04. A equipa germânica não está num patamar muito diferente do clube leonino e permite alimentar o sonho de uma eventual presença na próxima ronda. A completar o grupo está o Maribor, que era no plano teórico uma das equipas mais fracas do sorteio (é imperativo vencer os dois jogos frente aos eslovenos).

Sporting 2014/15: Manter a estabilidade e almejar o título

Possível onze do Sporting 2014/15
Depois do excelente campeonato realizado na temporada transacta não se pode pedir menos ao Sporting que não a luta pelo título. O plantel não sofreu alterações significativas (as pedras nucleares mantêm-se) e a mudança de treinador não terá um impacto negativo face à qualidade de Marco Silva. Resta saber o que o retorno aos principais palcos europeus implica quanto à gestão da equipa (é o factor que mais incógnitas suscita).


Esquema táctico do Sporting 2014/15
GR: Rui Patrício é dono e senhor do lugar, com Marcelo Boeck a ser o seu suplente. Nada de novo.
DD: Cédric voltará a ser o titular e André Geraldes será o jogador em reserva. Nada de especial até agora.
DE: Jefferson tem lugar cativo no onze e pouca concorrência (Rojo, face ao que fez no Mundial'2014, até pode ser opção).
DC: A saída de Dier implica que Rojo e Maurício mantenham a sua titularidade. Sarr, Paulo Oliveira e Rabia são apostas de futuro e devem ser introduzidos de forma gradual.
MD: O Sporting é o único dos três grandes que esta época vai jogar assumidamente com um médio defensivo, William Carvalho (também se habituou a jogar a médio centro). Rosell, jogador com muita qualidade contratado para o lugar de William em caso de saída do mesmo, será a segunda opção.
MC: Adrien é o pêndulo do meio-campo leonino. André Martins parece seguir em vantagem sobre João Mário na luta pela segunda vaga (poderá variar consoante o desenrolar da época). Slavchev e Gauld acrescentam profundidade à equipa.
EXT: Carrillo é o elemento que mais desequilibra e que se adapta bem ao esquema de Marco Silva e Capel deverá ser o titular do lado esquerdo. Mané será o principal elemento à espreita de um lugar no onze, com Shikabala e Héldon também atentos.
PL: Fredy Montero deverá ser o ponta-de-lança de serviço (não será estranho vê-lo actuar em zonas mais afastadas do centro) mas as opções que os leões têm no banco são muito boas. Slimani mostrou a sua mais-valia durante o Mundial'2014 e Tanaka deixou bons apontamentos na pré-época.

Reforço a ter em atenção: Rosell, que deverá apresentar muita qualidade sempre que for opção no onze do Sporting e que se destaca pela sua capacidade defensiva e inteligência no meio-campo.
Áreas a melhorar: A pressão alta do Sporting vai dar que falar pelas melhores razões e defensivamente a equipa está bem munida. Mas parece faltar uma alternativa a Jefferson e, acima de tudo, um extremo acima da média.

Benfica 0-1 Sporting (jogo amigável 2014/15)

Benfica 0-1 Sporting (jogo amigável 2014/15)
O Benfica perdeu com o Sporting (0-1) e permitiu que os seus rivais revalidassem o título da Taça de Honra da AF de Lisboa. O golo foi apontado por André Martins.
Onze inicial do Benfica: Artur, Luís Felipe, Benito, Jardel, César, João Teixeira, Talisca, Gaitán, Ola John, Lima e Cardozo

Principais destaques:
- Foi apenas o 2.º jogo da pré-época, desta vez frente a um adversário mais complicado, mas a exibição voltou a não convencer
- O Benfica demonstrou muitas dificuldades no processo ofensivo (praticamente não rematou à baliza de Marcelo Boeck)
- Os encarnados foram atropelados no meio-campo (Adrien esteve em destaque no conjunto leonino) e sentiram muitas dificuldades nos processos de transição defensiva
- Jardel e César foram os melhores elementos da defesa (Benito continua sem deslumbrar e Luís Felipe não tem qualidade suficiente para jogar no Benfica)
- João Teixeira realizou uma boa partida até ao erro que originou o golo do Sporting
- Cardozo pouco ou nada fez, Lima esteve activo mas pouco perigoso, Gaitán teve a missão de pautar o ataque (ainda assim não houve nenhum perigo pelas alas)
- Nenhum elemento se destacou a partir do banco e até surpreende o facto de Salvio, N. Oliveira e Sidnei (que não deve contar para Jorge Jesus) não terem tido mais minutos

Primeira volta do campeonato português: Sporting (parte II)

Primeira volta do campeonato português: Sporting (parte II)
Altura de fazer um breve balanço da primeira metade da Liga Zon-Sagres. O Benfica encontra-se neste momento em primeiro lugar mas um pequeno deslize dos encarnados poderá ser suficiente para Sporting ou FC Porto voltarem à liderança do campeonato. Por outro lado, Paços de Ferreira e Olhanense (em igualdade pontual com o Belenenses) terminaram a primeira volta  nos últimos lugares, embora houvesse uma diferença de apenas 6 pontos entre o 15º e o 8º classificado.

O Sporting é a equipa que mais evoluiu desde a temporada passada. Não tanto pela qualidade dos jogadores mas pela confiança e disciplina táctica que agora existe em Alvalade. A chegada de Bruno de Carvalho é sinónimo da chegada de um líder que acompanha a equipa de perto e que está consciente da realidade do universo leonino. O trabalho feito nas renovações de contrato e dispensas tem sido, de uma forma global, muito bom, e a interacção com Leonardo Jardim tem colhido frutos. O técnico madeirense é, aliás, o principal obreiro desta melhoria do Sporting dentro das quatro linhas: grande aposta na prata da casa, excelente conhecimento da limitação da equipa e na construção do sistema de jogo e capacidade de retirar o melhor de alguns jogadores como antes era raro acontecer. Dentro deste parâmetro Adrien tem sido um dos elementos em destaque - confirmou que não é um médio construtor de jogo como muitos teimavam em afirmar - e uma das pedras basilares do meio-campo a par de William Carvalho. O jovem está a ser a grande revelação do campeonato e será naturalmente cobiçado por grandes clubes europeus no final da época (a sua ascensão já lhe valeu inclusive uma chamada à Selecção, tendo sido chamado a intervir diante da Suécia). Montero tem revelado um instinto goleador (artilheiro do campeonato) e luta nesta altura por uma vaga no Mundial deste ano. A defesa, ainda que a mais fraca dos três grandes, foi a melhor da primeira volta (os leões não sofreram golos nos últimos seis jogos).

Evandro na mira do Sporting

Evandro na mira do Sporting
De acordo com o jornal A Bola, o Sporting poderá avançar para a contratação de Evandro, médio que actua no Estoril e que tem outros interessados no estrangeiro, já na reabertura do mercado de transferências em Janeiro.


Qualquer pessoa que acompanhe as últimas declarações provenientes dos lados de Alvalade sabe que este é um cenário muito improvável. Ainda assim, este é um assunto que merece uma atenção especial por dois motivos: 1) Este é um ano crucial para Evandro dar um salto na sua carreira. Tem sido um dos jogadores mais regulares do Estoril ao longo dos últimos 18 meses (neste momento joga, faz jogar - é o melhor marcador e assistente do Estoril - e até espanta como foi ignorado por outros clubes em detrimento de Licá ou Carlos Eduardo, por exemplo). Prova disso são os seus números para o campeonato e a forma como iniciou a presente temporada (foi ele quem qualificou o Estoril para a Liga Europa na fase pré-eliminatória); 2) Apesar de oferecer algo ao Sporting que continua a faltar ao clube leonino, ou seja, capacidade de transportar e construir jogo enchendo o meio-campo (Vitor foi contratado ao Paços de Ferreira para isso mesmo mas não tem tido muitas oportunidades; Evandro é mais completo que Vitor, destacando-se sobretudo pela diferença ao nível da técnica). Contudo, levando em consideração a maneira como Leonardo Jardim organiza a equipa, é curioso observar que Evandro faz mais falta ao FC Porto (Lucho está com um rendimento muito abaixo das suas capacidades e falta uma nova dinâmica ofensiva à equipa) do que ao Sporting.

O preço de um 11

Estamos a chegar ao término do primeiro terço da temporada. Numa altura em que se esperava uma luta a três - poderia ser a quatro, não fosse o mau momento de forma do Braga - pelo título nacional, poucos seriam, no início da temporada, os que acreditavam que a classificação estivesse da forma como está. Há quem diga que o mérito é do Sporting, há quem defenda que o demérito do FC Porto é maior, há quem critique o Benfica pelas exibições menos conseguidas mas que se cale perante a sua classificação. No meio de tudo há algo que não muda: FC Porto e Benfica lutam título e não escondem isso de ninguém, enquanto que para os lados de Alvalade a linguagem utilizada continue a ser mais contida. Contenção essa que passa também pelas despesas. Augusto Inácio, director do futebol profissional do Sporting, foi o último a fazer referência a isso mesmo: "... esta equipa é uma equipa de tostões a competir com outras de milhões ...". Surge então uma questão que fica a pairar no ar: dentro dos incontornáveis candidatos ao título, o que se entende por "equipa de tostões" e "equipa de milhões"? Traduzindo por miúdos, quanto terá custado o habitual onze titular de FC Porto, Benfica e Sporting?

Analisando o tempo de utilização dos diferentes jogadores dos "três grandes" em função da posição ocupada e do esquema táctico usual (por exemplo, seria injusto considerar três centrais em detrimento de um médio pois não há equipas que joguem habitualmente dessa forma) é possível fazer um onze base para cada clube (as tácticas mais comuns variam entre o 4-3-3, caso dos dragões e dos leões, e o 4-4-2, típico nas águias) e saber o dinheiro investido em cada equipa. Descomplicando: fazendo um estudo dos jogadores mais usados para cada posição e um somatório do dinheiro que o clube investiu na aquisição dos mesmos, será possível saber o "preço do 11" de cada um dos "grandes". Ora, feitas as contas*, o "onze de tostões" do Sporting equivale a 8,25M gastos (só Rojo custou mais de 5M!), ao passo que o onze do Benfica é o mais caro (54,75M investidos), seguido de perto pelos azuis e brancos (54,6M). Será este Sporting a prova de que continua a haver talento nas camadas jovens (6 dos 11 jogadores formaram-se em Alcochete) em nada inferior ao que chega vindo do estrangeiro? Benfica e FC Porto deviam seguir o exemplo do clube leonino?

*Dados do jornal A Bola




Sporting e FC Porto no mesmo grupo da Taça da Liga

Sporting e FC Porto no mesmo grupo da Taça da Liga
Foram ontem sorteados os grupos da Taça da Liga, onde FC Porto, Benfica, Braga e Paços de Ferreira partiam como cabeças-de-série, e Sp. Covilhã, Penafiel, Leixões e Beira-Mar como clubes representantes do escalão secundário do futebol português. O sorteio acabou por ditar um futuro confronto entre FC Porto e Sporting e um eventual encontro entre um destes grandes com o Benfica (caso passe no seu grupo, já que o vencedor do grupo A enfrenta o do C e o vencedor do grupo B joga contra o do D nas meias-finais da competição).
Grupo A: Paços de Ferreira, Rio Ave, Vit. Setúbal, Sp. Covilhã
Grupo B: FC Porto, Sporting, Marítimo, Penafiel
Grupo C: Braga, Estoril, Belenenses, Beira-Mar
Grupo D: Benfica, Nacional, Gil Vicente, Leixões


É um sorteio muito interessante que não beneficia propriamente ninguém, mas que dita uma tarefa mais complicada para o FC Porto (enquanto cabeça-de-série). O Paços de Ferreira, à partida favorito no grupo, não se encontra num bom momento de forma (agora com Henrique Calisto ao comando dos castores vejamos se apresentaram melhorias significantes) e um confronto com o Rio Ave poderá decidir o desfecho do grupo A. No grupo B o encontro que decidirá a passagem às meias-finais será, quase de certeza, o Sporting-FC Porto (curiosamente dois clubes que nunca venceram a Taça da Liga). No grupo C o Braga tem condições para passar à próxima fase (talvez o grupo mais acessível), ainda que o Estoril seja sempre um adversário a respeitar. No grupo D o Benfica é o claro favorito e apenas a deslocação ao reduto do Nacional é o grande obstáculo que separa os encarnados das meias-finais da competição.

Benfica e Sporting proporcionam o melhor jogo do ano (digno de uma final da Taça de Portugal)

Golo caricato de Luisão (4-3)
Um jogo destes merece um destaque especial! Benfica e Sporting presentearam os adeptos de futebol com o melhor jogo nacional do ano, numa partida recheada de emoção. O Benfica foi a primeira equipa a adiantar-se no marcador através de Cardozo (fica o alerta: não vai ser a última vez que este nome vai aparecer!) na sequência de um livre directo irrepreensivelmente cobrado à entrada da área leonina. O Sporting respondeu na primeira vez que rematou à baliza - Wilson Eduardo aproveitou o trabalho de Montero para cruzar de primeira para o segundo poste onde Capel encostou com muita classe. O jogo estava pautado pela eficácia de ambas as equipas e, a cinco minutos do intervalo, Cardozo voltou a adiantar os encarnados no marcador com um cabeceamento certeiro. Ainda antes do descanso, o inevitável Cardozo (outra vez...) voltou a fazer o gosto ao pé estabelecendo o 3-1. Após o descanso o Sporting, que ainda demorou alguns minutos a entrar no ritmo do jogo, evidenciou uma nova face e chegou à igualdade: Maurício aproveitou uma falha defensiva para reduzir a desvantagem e, já depois dos 90', Slimani, à semelhança do segundo golo - também de bola parada -, cabeceou para o empate e para o prolongamento. Na etapa complementar o Benfica foi mais feliz que o seu rival. Luisão desempatou a partida na sequência de um lance caricato em que Rui Patrício ficou muito mal na fotografia. Até ao apito final Rojo foi expulso (infantilidade do defesa) e cada equipa atirou uma bola ao ferro, insuficientes para a alteração do resultado. Segue em frente o Benfica, num jogo onde a derrota (e consequente eliminação) é um castigo demasiado penoso para a formação leonina dado o que se passou durante 120 minutos de bom futebol.


Benfica: Excelente primeira parte, sofrimento desnecessário na segunda e mérito no prolongamento. O Benfica entrou com uma organização táctica irrepreensível (ter Amorim, Matic e Enzo no onze confere uma estabilidade impressionante) e beneficiou de um Cardozo imperdulário. Enzo voltou a ser um pulmão no meio-campo, Gaitán espalhou pormenores técnicos e inteligência pelo terreno de jogo e de Cardozo já foi tudo dito (9 golos nos últimos 9 jogos). Mais uma vez dois problemas: as bolas paradas defensivas (a grande dor-de-cabeça desta época) e o adormecimento da equipa quando está por cima no jogo (contra o Belenenses foi fatal, hoje valeu o esforço no prolongamento), que não pode ser justificado pelo cansaço colectivo.

Sporting: Na primeira parte foi uma equipa passiva, pouco agressiva, com demasiados erros defensivos e pouca inspiração. A partir dos 55' começou a assentar jogo e chegou à igualdade já nos instantes finais. Em termos individuais não houve nada de novo: William Carvalho voltou a fazer um grande jogo (apesar de algumas perdas de bola infantis), Adrien foi um dos motores da boa exibição leonina na segunda parte e Montero voltou a semear o perigo na área contrária. Pela negativa, destaque para a defesa leonina (demasiados erros infantis e nem Rui Patrício, que até fez três defesas de bom nível, escapou a isso) e para Wilson Eduardo (à excepção da assistência que fez pouco ou nada acrescentou). Muito bem também Leonardo Jardim pela forma como mexeu na equipa após o intervalo e pelas declarações que fez na flash-interview.