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Relatório de Olheiro: Sporting x Benfica

O Sporting recebe o Benfica, este sábado, numa jornada que poderá ser importante para as contas do título. Contudo, aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: não será desta que o título ficará entregue. O Sporting chega ao clássico de Lisboa sem a margem sólida de vantagem que tinha à passagem da segunda volta do campeonato, fruto dos empates com Tondela, Rio Ave e Vit. Guimarães, mas com o foco completamente centrado na competição na qual ainda é líder. Do outro lado está o Benfica de Rui Vitória, que continua sem conseguir bater as equipas grandes e que sabe que uma nova derrota poderá complicar em definitivo as contas do título.



Sporting: Não há três sem quatro

Com a chegada de Jorge Jesus, o Sporting voltou a bater-se de igual com os seus rivais directos. A classificação não engana. O problema tem sido frente às equipas que se contentam com menos, ou seja, as que lutam por uma posição confortável na tabela. A maior parte dos pontos perdidos pelo Sporting esta época deve-se a clubes da metade inferior da tabela, e de todas as vitórias dos leões na Liga raras foram as vezes em que o clube venceu folgadamente os seus opositores. E quando o fez, espante-se, foi contra as melhores equipas. O que nos remete para este jogo. A jogar contra o campeão em título, o Sporting vai procurar confirmar a sua superioridade face à táctica de Rui Vitória, e alcançar o quarto triunfo - Liga, Supertaça e Taça de Portugal - sobre o Benfica na mesma época, algo que seria histórico e um marco importante na história recente do clube de Alvalade.

ASPECTO A EXPLORAR: Pressão na zona intermediária. É a justificação para os problemas do Benfica nos jogos grandes: a capacidade de construir jogo. Samaris e Renato Sanches posicionam-se no meio-campo para iniciarem o processo ofensivo e a equipa perde ideias de jogo quando tal não é possível. Nas alas tanto João Mário como Bruno César (ou Bryan Ruiz) terão atenções redobradas numa primeira linha de pressão e prontidão para se lançarem à defesa do Benfica em ataque rápido.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no remate. Foi curiosamente o problema do Benfica no seu último clássico, mas tem sido uma constante no percurso do Sporting ao longo da temporada. Relembre-se, porém, que Slimani, melhor marcador dos leões, agora sem uma alternativa credível, costuma dar-se bem contra as águias.

JOGADOR-CHAVE: Adrien. É um dos pilares do Sporting nos jogos mais importantes. A sua capacidade de pressão e a sua inteligência táctica complementam na perfeição as qualidades de William Carvalho e João Mário. Recentemente lesionado, e partindo do princípio que irá recuperar a tempo, a sua condição será determinante para o sucesso da táctica leonina.


Benfica: Não entregar o ouro ao bandido

Em Dezembro, após o nulo diante do U. Madeira, poucos foram os que acreditaram na recuperação do Benfica face à desvantagem para os seus principais rivais. Desde então, o pleno de vitórias encarnadas apenas foi interrompido pelo FC Porto (1-2), algo que, tendo em conta aquele que foi o calendário do Sporting até aqui, mantém o Benfica na discussão pelo título, embora sem grande margem de manobra, como é óbvio. Mais do que inverter o ciclo negativo do Benfica nos jogos mais importantes, Rui Vitória e o seu plantel sabem que uma nova derrota poderia colocar um ponto final no percurso dos encarnados rumo ao tri, deitando por terra todo o esforço de uma recuperação notável. Se ganhar é importante, perder está absolutamente fora de questão, pois seria entregar o título de mão beijada a quem já tanto castigou o Benfica esta época.


ASPECTO A EXPLORAR: Rapidez de processos. As equipas de Jorge Jesus costumam pressionar logo o portador da bola, o que gera um menor tempo de reacção. A capacidade de organizar jogo de forma rápida, seja com linhas de passe bastante unidas, seja através da condução de bola por parte dos jogadores com mais técnica, será importante para a criação de oportunidades de perigo. Foi algo que, por exemplo, faltou no segundo tempo diante do FC Porto.

TER ATENÇÃO A: Eficácia no passe. Vem no seguimento do ponto anterior. O Benfica tem denotado alguns problemas neste capítulo em vários jogos esta época e isso poderá ser fatal contra um adversário como o Sporting.

JOGADOR-CHAVE: Renato Sanches. Será importante nos diversos momentos do jogo: na capacidade de aguentar o ímpeto adversário a meio-campo, na precisão do seu passe, na leitura de jogo, na condução de bola para zonas mais restritas. Será o playmaker do Benfica. Se Renato Sanches se evidenciar - e que jogo para o fazer -, o Benfica terá hipóteses de sair de Alvalade com um bom resultado.

Mestre da táctica... defensiva

Apesar de uma maior contenção financeira, esperava-se que Jorge Jesus tivesse um impacto imediato e fosse capaz de finalmente fazer com que o Sporting rivalizasse com Benfica e FC Porto, os outros grandes candidatos ao título. E a verdade é que o clube de Alvalade está no bom caminho. Mas o apelidado "Mestre da Táctica", ao contrário do que nos habituou nas últimas épocas - apenas não superou a fasquia dos 100 golos marcados no ano passado -, está actualmente a (tentar) fazer valer a máxima «Ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos». Como se pode constatar pela imagem ao lado, e com o auxílio dos dados da Opta, o Sporting é a equipa que recebeu menos remates adversários enquadrados com a sua baliza (18), dos quais 5 (dois deles de grande penalidade) fizeram balançar as redes à guarda de Rui Patrício. Noutros registos defensivos importantes, o conjunto de Jorge Jesus apenas é superado pelo Vit. Guimarães (185) no número de desarmes ganhos e pelo Sp. Braga (639) no número de duelos ganhos - individualmente, Adrien lidera os leões em ambos os capítulos.

Com apenas um golo sofrido nas últimas sete jornadas [Sporting 5-1 Vit. Guimarães], estamos perante a segunda melhor defesa do campeonato, apenas superada pela do FC Porto (4 golos concedidos), e o melhor Sporting do século XXI no que diz respeito à quantidade de golos sofridos (5) no primeiro terço do campeonato. Já de Jorge Jesus não se pode afirmar o mesmo. O técnico igualou o registo alcançado na sua única época ao serviço do Sp. Braga, em 2008/09, em que alcançou o 5º lugar, meses antes de iniciar uma nova etapa enquanto treinador do Benfica.

Sporting 2014/15: O regresso aos títulos

Embora tenha ficado em 3º lugar no campeonato, uma posição abaixo do que se havia verificado em 2013/14, o Sporting voltou a conquistar um título (Taça de Portugal) sete anos depois. Apesar desse momento mais positivo, a temporada verde e branca ficou marcada pela divergência entre Bruno de Carvalho e Marco Silva, que culminou com o despedimento do técnico.

O arranque menos conseguido do Sporting na Liga acabou por ditar a sua sorte na competição. Tendo uma equipa jovem como base, em que a experiência do retornado Nani era uma das escassas excepções, o Sporting praticava um futebol bastante agradável do ponto de vista de posse e de balanço ofensivo (foi a equipa com mais remates em toda a Liga, apesar de ter sido apenas o 3º melhor ataque da prova), embora com graves lacunas defensivas, o sector que mais meteu água durante a época, inadmissíveis para quem ambiciona ser campeão (o registo de 103 cartões amarelos e 10 vermelhos ajuda a comprovar a ideia). Se os empates com Benfica e FC Porto não foram percalços de maior, o mesmo não se pode dizer de outros jogos no primeiro terço do campeonato. Mesmo sem ter averbado qualquer derrota em casa, os empates diante de equipas de meio da tabela atrasaram imenso o clube leonino na luta pelo título. E é mais ou menos a partir desta altura, final de 2014, que o caso ganha novos contornos. Eliminação injusta na Liga dos Campeões, blackout e o rumor do despedimento de Marco Silva. O treinador, porém, não se deixou abalar e esteve a segundos de alcançar os seus rivais directos. No entanto, o golo de Jardel (Benfica) no último minuto foi fatal para os leões, que logo a seguir foram eliminados das competições europeias e vergados pelo FC Porto. Após algumas semanas a garantir o 3º lugar e a cumprir calendário, a Taça de Portugal, pelo trajecto até à final, acabou por ser um prémio merecido para o Sporting.

O Sporting 2014/15, é certo, não se resumiu a Marco Silva. Nem mais uma vez ao ego de Bruno de Carvalho. Pelas exibições, pelo troféu conquistado (e mérito nessa mesma conquista) e pela forma como tirou o melhor de alguns jogadores (Carrillo, João Mário e Paulo Oliveira evoluíram bastante) e como lidou com a pressão interna, Marco Silva saiu injustamente pela "porta pequena". O plantel era bastante limitado quando comparado com o dos outros dois rivais mas fez um trabalho competente pese os erros individuais, daí que o 3º lugar não possa ser encarado como uma desilusão e o regresso aos títulos mereça o devido destaque. A partir de 2015/16 será a vez de Jorge Jesus assumir o cargo.

Esforço épico devolve a glória ao leão

Esforço épico devolve a glória ao leão
Sporting 2-2 Sp. Braga (3-1 após g.p.)
(Slimani 83', Montero 90'+2; Éder g.p. 16', Rafa 25')

Jogo digno de uma final. Numa reviravolta com proporções épicas, o Sporting venceu a Taça de Portugal pela 16ª vez e quebrou um jejum de títulos que já se arrastava desde 2008. O encontro ficou pautado desde cedo pela agressividade dos minhotos, que terminaram o jogo com o dobro das faltas face ao Sporting, e pelos erros defensivos que ditaram os dois golos do Sp. Braga, o primeiro apontado por Éder a castigar um penálti cometido por Cédric (expulso nesse lance) e o segundo por Rafa perante a passividade dos laterais sportinguistas. Meia hora de jogo e o Sp. Braga já liderava por 2-0 e a jogar contra 10. A partir daí, os guerreiros limitaram-se a explorar as transições e foi valendo Kritciuk perante o crescimento do Sporting na partida. O Sp. Braga ia desperdiçando a hipótese de resolver o jogo e o Sporting ganhava novo ânimo aos 83' quando Slimani aproveitou um erro defensivo para reduzir o marcador. Já em cima dos 90', foi Montero a levar o jogo para prolongamento. Nesta etapa o cansaço fez-se sentir e a expulsão de Mauro foi o mote para a final ser apenas decidida nos penáltis. Aí valeu o desperdício do Sp. Braga e um Rui Patrício que já havia dado de si no prolongamento a garantir o título no Jamor.

Sporting: A defesa revelou-se como o sector mais débil da equipa ao longo da época neste jogo tão decisivo mas isso acabou por ser atenuado pela reacção da equipa face às adversidades. Jogar tanto tempo com um homem a menos e estar sempre em cima do adversário acaba por ter mérito para quem se encontra em desvantagem. Marco Silva, indissociável a este triunfo, acertou em cheio nas substituições - Mané a lateral foi uma aposta ganha e Montero foi decisivo - e merece bastante crédito pela forma como a equipa nunca pareceu dar-se por derrotada e pelo resultado alcançado. O avançado colombiano conseguiu abrir buracos na defesa bracarense que foram devidamente aproveitados por ele e por Slimani (melhorou na segunda parte). Nani também esteve bastante irreverente mas foi acusando a fadiga com o desenrolar do jogo e Carrillo esteve muito apagado.

Sp. Braga: A qualidade das duas equipas não é assim tão díspar ao ponto de justificar o que se passou no Jamor. A jogar com um homem a mais acaba por ser um pouco humilhante este castigo para os homens de Sérgio Conceição, que falhou completamente na abordagem ao jogo depois do segundo golo da sua equipa (preferiu defender em vez de se aproveitar da superioridade numérica). Sendo igualmente verdade que os jogadores do Sp. Braga também se podem culpar de si próprios pelos erros cometidos, não deixa de haver muita culpa associada ao treinador. A entrada de Alan foi um dos momentos do jogo do ponto de vista táctico, uma vez que desequilibrou o meio-campo dos minhotos (o miolo defensivo foi um desastre nos últimos 25 minutos) e permitiu ao Sporting aproximar-se da baliza de Kritciuk, guarda-redes que fez uma exibição peculiarmente irregular. Djavan (nota-se que sabe atacar bem), Rafa (muito mérito na forma como lutou), Éder (deu bastante trabalho lá na frente) e Salvador Agra (suplente de excelência que mexeu bem com a partida) destacaram-se pela positiva.

Luta pelo título passa a ser a dois

Luta pelo título passa a ser a dois
FC Porto 3-0 Sporting
(Tello 31', 58' e 82')

O Sporting vai ter de se contentar com a Taça de Portugal e com a luta pelo 3º lugar. Já Lopetegui consegue finalmente a sua primeira vitória ante os rivais de Lisboa. Tello foi o homem da noite no Estádio do Dragão, ao apontar um hat-trick que volta a colocar os azuis e brancos a quatro pontos do Benfica. O jogo começou intenso e repartido, mas com o avançar do tempo o FC Porto foi-se aproximando cada vez mais da área adversária e assumindo o controlo do jogo. Explorando o espaço nas costas de Jonathan Silva e o excelente passe de Jackson, Tello abriu o marcador à passagem da meia hora, altura em que o Sporting adormeceu por completo e demonstrou uma inofensividade que se arrastou até ao apito final. Até lá, mais dois golos tirados a papel químico para o extremo emprestado pelo Barcelona e um cabeceamento de Marcano ao ferro. 

FC Porto: Algum nervosismo no início, sobretudo na defesa, e dificuldades nas transições defensivas (Casemiro escapou ao critério disciplinar). Isto durante 20 minutos. A partir daí, só deu FC Porto. A irreverência de Tello fez a diferença, Jackson voltou a mostrar que as suas qualidades de ponta-de-lança vão para além dos golos marcados, Herrera encheu o meio-campo (uma das melhores partidas dos últimos meses), Evandro também soube estar à altura da titularidade (boa primeira parte) e Brahimi acabou por ser o elemento mais apagado (Quaresma até entrou bem para o seu lugar), naquela que foi a melhor exibição dos jogadores à guarda de Lopetegui contra uma equipa com um nível mais elevado. 

Sporting: A equipa nem começou mal, pressionando alto a defesa contrária e não dando espaço ao trio ofensivo do FC Porto, mas com o desenrolar da primeira parte, o meio-campo leonino foi sendo engolido pelo meio-campo portista (aos 20' o campo inclinou-se irreversivelmente) e o primeiro golo de Tello praticamente resolveu a partida. Pouca inspiração, vários erros individuais, uma segunda parte desastrosa e uma derrota pesada que faz jus ao que se passou em campo. Paulo Oliveira foi o único a escapar com nota positiva na defesa (Jonathan Silva não conseguiu travar Tello, Cédric devia ter sido expulso, Tobias Figueiredo bastante nervoso e com influência em dois golos), William Carvalho foi claramente o melhor na primeira parte, Adrien muito apagado e um trio ofensivo pouco esclarecido que nem incomodou Fabiano, com Montero a ser uma autêntica nulidade na frente. De frisar ainda que o Sporting nem sequer rematou à baliza contrária.

Relatório de Olheiro: FC Porto x Sporting

Um jogo decisivo para ambas as equipas. E por razões distintas. O FC Porto, caso escorregue em casa, vê o Benfica, seu rival directo que se impôs com classe horas antes do clássico, a afastar-se ainda mais na liderança do campeonato, não esquecendo ainda o desfecho do jogo no Estádio do Dragão entre as duas equipas; o Sporting, por seu lado, luta pela chama que ainda não se apagou totalmente no que às contas do título diz respeito, e sabe que mais uma escorregadela pode começar a pôr em perigo o seu 3º lugar, já que o Sp. Braga tem estado em crescendo nas últimas semanas. Num clássico em que os treinadores não devem fugir muito aos seus onzes titulares (a maior dúvida prende-se com a organização do meio-campo portista), traço aqueles que podem ser pontos decisivos no embate deste domingo.


Convém relembrar que apenas a vitória interessa a cada uma das equipas. No caso do FC Porto, assumir o controlo do jogo é ponto assente. Foi o que falhou no jogo da primeira volta, em Alvalade, e Lopetegui não deve cometer esse mesmo erro. Uma das maiores vantagens dos dragões é a qualidade dos seus laterais (combinados, são a melhor dupla do campeonato), sobretudo pela sua manobra ofensiva e profundidade que oferecem nas suas alas. Dado que o Sporting está munido de bons jogadores no corredor central, esta será uma área a explorar, à qual se junta a qualidade técnica de Brahimi (não é um extremo veloz mas desequilibra como poucos) ou de Quaresma (a aposta não funcionou em Alvalade) e a irreverência de Tello. Este último até poderá ser o "joker" dos azuis e brancos uma vez que nem Cédric nem Jonathan Silva têm pedalada para o espanhol, cujo principal defeito é a tomada de decisões. Tendo em conta que o Sporting costuma jogar com uma linha defensiva pouco profunda, e beneficiando de um ponta-de-lança como Jackson, veremos como o FC Porto aborda este capítulo. Defensivamente, a maior preocupação prende-se com as transições defensivas - o Sporting sabe que as duas equipas vão jogar contra o relógio e, individualmente, Nani e Carrillo são capazes de marcar a diferença pela forma como serpenteiam os adversários e conduzem a bola e Montero (provável titular) é um avançado móvel e que abre espaços para as incursões dos extremos e dos médios mais ofensivos (João Mário que o diga).

Marco Silva, que ainda não perdeu com os outros "grandes" esta época, vai querer repetir a façanha da Taça de Portugal. Uma das grandes debilidades do FC Porto na "era Lopetegui", e que se verificou no jogo da 6ª jornada, foi a perda de bola na primeira fase de construção. Nesse sentido, e tendo um meio-campo recheado de peças que sabem pressionar o adversário, incomodar o adversário neste momento de jogo será uma boa forma de o Sporting condicionar a posse e o controlo do jogo portista. Se por um lado já foi dito, e é certo e sabido, que Nani e Carrillo são os principais dinamizadores do ataque leonino, por outro convém relembrar que do lado contrário estão laterais que também sabem atacar e que vão aproveitar cada lance para se incorporarem no ataque da equipa. Com William Carvalho a fechar ao meio (veremos qual será o comportamento de Adrien, habitualmente mais pressionante, e João Mário), pede-se que os extremos consigam anular o perigo nas alas, zona do terreno mais frágil na perspectiva verde e branca, colocando ainda alguma pressão no processo contra-ofensivo. Finalmente, e como bem ficou patente no último jogo dos leões, a eficácia ofensiva é crucial. O Sporting tem pela frente a melhor defesa do campeonato (10 golos concedidos, registo igual ao Benfica) e é uma das equipas do campeonato que mais dificuldades tem para concretizar as suas ocasiões em golo, isto do ponto de vista de percentagem de eficácia.

Jardel rouba a vitória ao Sporting no último minuto

Jardel rouba a vitória ao Sporting no último minuto
Sporting 1-1 Benfica
(Jefferson 87'; Jardel 90'+4')


O Benfica foi a equipa mais feliz do derby, depois de conseguir um empate já após os 90' no último remate enquadrado com a baliza em todo o encontro. A partida começou com uma intensidade impressionante, com um Sporting a tentar desmobilizar o adversário das suas posições (João Mário ocupou o espaço de Montero por inúmeras vezes) e a explorar a velocidade e desmarcações dos seus jogadores através de passes de ruptura e um Benfica a fechar espaços e a apostar na qualidade técnica dos homens da frente. Numa primeira parte muita táctica e sem grandes oportunidades de golo, um pouco à semelhança daquilo que foi o jogo na sua totalidade, o empate aceitava-se ao intervalo - o Benfica entrou ligeiramente melhor e o Sporting acabou por se superiorizar nos últimos minutos. A segunda metade começou com um Sporting mais intenso e a conseguir criar algumas situações de perigo. A partir do momento em que André Almeida viu cartão amarelo e Ola John saiu de campo, o Benfica perdeu o controlo do jogo (defensivamente) e ia valendo Artur (três intervenções de grande qualidade), que nada pôde fazer no golo do Sporting aos 87'. A correr atrás do prejuízo, o Benfica acabou por sorrir no fim, logrando um empate no último lance da partida.

Sporting: O Sporting sabia que teria de vencer o jogo para alimentar a esperança pelo título (o empate ainda não o arreda dessa corrida) mas agora vai depender muito dos outros (ainda vai jogar ao Dragão e sabe que o Benfica vai receber o FC Porto no seu estádio). O Benfica soube defender bem durante dois terços do encontro, mas face ao que aconteceu sobretudo na segunda parte o Sporting merecia mais que um ponto. Individualmente, a defesa esteve muito bem (o Benfica mal conseguiu criar lances de perigo e quando rematava era de fora da área), com Jefferson e Cédric a anularem por completo os seus opositores directos e a dupla jovem de centrais a evidenciar muita segurança, João Mário fez um jogo incansável, William encheu o meio-campo defensivo (abafou o ataque dos encarnados) e Adrien foi aquele que esteve em menor evidência na zona central, Nani foi bem anulado e não beneficiou da estratégia de Marco Silva (não teve muitas oportunidades de iniciar lances de "um contra um"), Carrillo foi uma ameaça constante para Eliseu e Montero não conseguiu ser eficaz na frente (mérito para o Benfica).

Benfica: Entrou bem, foi perdendo esse ímpeto e alcançou um empate importante de forma fortuita, valendo-se da sua eficácia (repetiu o feito da vitória no Dragão nesse capítulo). Entrou com uma mentalidade muito cautelosa e apenas explorou as transições, ainda que sem efeito, quando o Sporting estava por cima. Artur demonstrou muita segurança na baliza quando foi chamado a intervir, Luisão e Jardel cumpriram mais uma vez (Jardel tem elevado o seu estatuto ao longo da época e hoje foi o herói da partida), Maxi controlou Nani mas Eliseu teve mais dificuldades com o sobrepovoamento na sua ala (notava-se que o Sporting atacava mais e com mais do lado direito), no meio-campo Samaris e André Almeida quebraram com o desenrolar do jogo (não aguentaram a intensidade inicial e o grego ficou ligado ao golo sportinguista) após uma primeira parte bastante positiva, Salvio e Ola John pouco acrescentaram e Jonas foi muito mais influente que Lima, hoje muito desinspirado.

Relatório de Olheiro: Sporting x Benfica

Sporting e Benfica defrontam-se este domingo em Alvalade, num jogo que poderá revelar-se decisivo para as contas do campeonato. Os leões são obrigados a conseguir um resultado positivo que lhes permita encurtar distâncias para os rivais directos e manter o estatuto de "candidatos ao título", ao passo que o Benfica, em caso de vitória, praticamente hipoteca as esperanças do adversário e mantém uma margem confortável para o FC Porto, actual 2º classificado. Apesar de ainda restarem algumas incógnitas quanto à disponibilidade física de alguns jogadores e opções tácticas de cada um dos treinadores, é possível, ainda assim, traçar alguns pontos que devem ser explorados ou respeitados por cada uma das equipas.


O Sporting é uma das equipas que mais golos marca nos primeiros 15 minutos de jogo, apenas atrás do... Benfica. Daí que seja importante entrar forte e aguerrido, não deixar o adversário assumir o controlo do jogo e ter um bom índice de aproveitamento (dos "três grandes", o Sporting é o menos eficaz no ataque), colocando, assim, pressão do lado dos encarnados. O dérbi, muito provavelmente, será decidido no meio-campo. Adrien e João Mário devem iniciar a partida e terão a tarefa de impor ritmo, capacidade de pressão e intensidade extrema no meio-campo do Sporting que, globalmente, e ao contrário do que sucedera nos últimos clássicos, possui maior qualidade que o do Benfica; mais atrás estará William Carvalho, que terá a dupla missão de parar as investidas adversárias e auxiliar a dupla de centrais (ainda inexperiente). Por fim, quer seja Slimani ou Montero na frente (ou até os dois), é nas alas que vai residir o perigo constante para a baliza à guarda de Artur. Nani, um dos destaques da Liga, será auxiliado por um lateral bastante ofensivo (Jefferson), enquanto que Carrillo poderá ser o "joker" do Sporting - Eliseu, caso não seja rendido por André Almeida, não tem pedalada para o peruano e Ola John, se for o titular na ala esquerda dos encarnados, não cumpre tão bem defensivamente como Gaitán.

Para o Benfica tudo começa na baliza, onde Artur irá render um Júlio César em excelente momento de forma e enfrentar os fantasmas que permitiram ao Sporting sair da Luz com um ponto na mala no jogo da primeira volta do campeonato. De resto, a competência benfiquista será colocada à prova no sector intermediário do terreno (sim, volto a frisar que o meio-campo será a chave deste encontro). Se no jogo do Dragão a dupla Samaris-Enzo, secundada por Talisca, conseguiu fechar espaços e controlar o ímpeto adversário, a verdade é que a saída do argentino fará deste jogo uma verdadeira prova de fogo à disciplina táctica daquele que é o sector crucial do modelo de Jorge Jesus. Para ganhar, o Benfica não precisará necessariamente de ter mais posse de bola, mas sim ser inteligente com e sem o esférico e aproveitar bem as transições à sua disposição. Jonas e Lima são avançados bastante móveis, Gaitán (em dúvida), Salvio e Ola John são flechas apontadas à área contrária e terão pela frente um conjunto defensivo ainda muito jovem (os extremos têm tudo para suplantar os laterais). Por último, realçar que, à semelhança do que sucede com o Sporting, o Benfica vai tentar importunar ao máximo a organização de jogo a partir da defesa.