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O bingo de Jonas "Pistolas"

Mais dois golos. Mais uma vitória. Mais uma vítima. Jonas continua imparável na Liga Portuguesa e já leva 26 golos, liderando de forma impressionante a lista dos melhores marcadores do campeonato e a corrida à Bota de Ouro, com vantagem mínima sobre Higuaín e Suárez. Com o bis frente ao U. Madeira (2-0), já só restam dois "alvos a abater" para o "pistoleiro" da Luz - FC Porto e Sporting, próximo adversário do Benfica, são as únicas equipas da Liga que se foram conseguindo desviar das balas de Jonas.

Com 46 golos apontados em 51 jogos do campeonato, Jonas já "disparou" acertadamente na baliza de 17 dos 19 oponentes que enfrentou na Liga, com Belenenses e Nacional (6 golos) a serem, para já, os principais alvos do avançado brasileiro. Só em 2015/16, e com apenas 24 jornadas concluídas, Jonas já apontou golos a 12 dos 17 adversários em prova, somando 26 golos no total (média superior a 1 golo/jogo). Verdadeiro amuleto da sorte, sempre que Jonas marcou para o campeonato o Benfica acabou por vencer essa mesma partida - já nos cinco jogos em que participou diante dos principais rivais (três contra o FC Porto e dois contra o Sporting), e em que ficou em branco, o Benfica registou dois empates e três derrotas.

Jonas entre os principais goleadores de 2015

Depois de um ano de estreia ao mais alto nível, marcado pela hegemonia interna do Benfica, seu clube, parecem faltar adjectivos para descrever o impacto de Jonas no nosso campeonato. Um dos melhores jogadores do bicampeonato dos encarnados, e actual melhor marcador da prova, o avançado brasileiro inscreveu, em 2015, o seu nome entre os principais protagonistas do desporto-rei apontando 31 golos no campeonato, apenas superado pelos incontornáveis Cristiano Ronaldo (37) e Lionel Messi (34). Um registo verdadeiramente impressionante para um jogador do campeonato português.

No que diz respeito aos seis principais campeonatos europeus, Cristiano Ronaldo liderou a lista de melhores marcadores, embora tenha disputado mais partidas que o seu eterno rival, Messi, detalhe que se reflecte na média de golos por jogo - 0,97 do português, face aos 1,03 do argentino, o único dos principais goleadores com mais golos do que jogos. Segue-se então Jonas, com 31 golos em 32 jogos, incluindo quatro de grande penalidade, ligeiramente à frente do uruguaio Luís Suárez, com 29 golos na Liga Espanhola, e de Aubameyang, que também apontou 29 tentos na Bundesliga ao serviço do Borussia Dortmund, que assim fecham o Top-5. Para além de Higuaín e Harry Kane, ambos com 27 golos, apenas mais quatro avançados conseguiram superar a barreira dos 25 golos nas respectivas ligas, no presente ano civil: Ibrahimovic (26), Neymar (25), Lewandowski (25) e Griezmann (25).

Dos 31 golos de Jonas na Liga, apenas 8 foram marcados longe do Estádio da Luz, sendo que Académica e Belenenses, cada um com quatro golos encaixados, foram as suas vítimas predilectas. O registo goleador de Jonas funcionou, curiosamente, como um talismã para o Benfica, uma vez que o clube encarnado somou os três pontos em todos os encontros em que o avançado fez o gosto ao pé. Numa estatística mais geral de 2015, o número 17 das águias participou em 45 jogos, em todas as competições, fazendo balançar as redes adversárias em 36 ocasiões diferentes e contribuindo com mais 11 assistências.

Defesa aos pastéis

A 13ª jornada da Liga NOS não deverá guardar boas recordações para os adeptos do Belenenses, sobretudo os mais supersticiosos. Devido à derrota em Coimbra (3-4), a equipa permanece com 13 pontos, ocupando o 13º lugar, e ainda viu Ricardo Sá Pinto colocar o seu cargo à disposição. Olhando para o trabalho que o técnico português fez na Liga, salta logo à vista que a defesa tem "andado aos papéis". Ou "aos pastéis", tratando-se dos azuis do Restelo.

Nas 13 jornadas disputadas, o Belenenses tem 30 golos sofridos (média de 2,31 golos/jogo), sendo que 22 deles foram encaixados longe do próprio estádio, daí que não surpreenda que estejamos perante a defesa mais batida do campeonato. Em 6 dos 13 jogos, o guardião Ventura, totalista no campeonato, teve de ir buscar a bola ao fundo das redes pelo menos três vezes, o que atesta bem o desequilíbrio defensivo da turma azul - das restantes equipas, apenas a Académica (4) soma mais de três jogos com 3 ou mais golos consentidos em noventa minutos. Embora o registo defensivo seja predominantemente negativo, o Belenenses não é a equipa da Liga com menos clean sheets: Ventura conseguiu manter a baliza inviolável diante de Moreirense (2-0) e U. Madeira (1-0), tantas vezes quanto Salin, do Marítimo. Com apenas um jogo sem golos sofridos, Académica e Tondela dividem o estatuto de piores da prova nesse aspecto em particular.

Como os defesas também não estão inibidos de darem o seu contributo ao ataque, como é óbvio, convém realçar mais um dado estatístico bastante curioso: nenhum defesa do Belenenses soma um golo ou uma assistência até ao momento no campeonato, registo inédito entre todas as equipas da competição. Gonçalo Brandão, verdade seja dita, até já fez o gosto ao pé logo na jornada inaugural, frente ao Rio Ave (3-3)... mas na baliza errada.

De volta à boa forma?

Depois de um retorno em grande ao principal escalão do futebol nacional, o desafio do Moreirense para a nova época era o maior até à data. Privado de jogadores nucleares em 2014/15, que rumaram a outras paragens na abertura do mercado - Marafona, Paulinho, André Simões, Arsénio -, Miguel Leal sabia que um bom arranque poderia motivar um conjunto em reconstrução. No entanto, o início de época não correu como o desejado. Apesar de quase ter roubado pontos ao Benfica (2-3), na Luz, e de ter travado, em casa, o FC Porto (2-2), o Moreirense não fez mais do que 3 pontos nas oito jornadas inaugurais.

A ocupar a posição de "lanterna vermelha", foi em Coimbra [Académica 1-1 Moreirense], já para lá dos 90', que a equipa se relançou no campeonato, graças a um remate certeiro de Ença Fati. Desde então, a história dos cónegos mudou completamente: para além do registo de 3 jogos consecutivos sem sofrer golos (Stefanovic muito contribuiu para tal), a equipa venceu finalmente um jogo no campeonato, ante o Paços de Ferreira (2-0), deixou pela primeira vez o Rio Ave em branco (1-0) e roubou pontos ao Sp. Braga (0-0), uma das equipas a lutar abertamente pelos lugares cimeiros da tabela. Conhecido por montar bem a sua equipa do ponto de vista táctico, Miguel Leal viu, assim, o seu Moreirense melhorar substancialmente os índices ofensivos e, sobretudo, defensivos nas partidas mais recentes. Na época transacta, o técnico não foi além de 4 partidas consecutivas sem conhecer o sabor da derrota (2 vitórias, 2 empates), algo que agora se torna a verificar. Conseguirá na próxima jornada, diante do Sporting, melhorar esse registo e estabelecer um novo máximo?

"Su(k)cesso" Asiático

É muito raro ver um clube português apostar num jogador asiático para o seu plantel. Quer pela natural barreira linguística ou cultural, quer pela gritante diferença de exigência técnico-táctica, é bastante provável que essa mesma aposta não se torne num caso de sucesso. Suk Hyun-Jun, ou simplesmente Suk, é, portanto, uma excepção à regra. O avançado sul-coreano, que cumpre actualmente a sua terceira época no campeonato nacional, tem sido um dos melhores na sua posição desde o início da prova, assumindo uma preponderância vital no processo ofensivo do Vit. Setúbal.

Titular nas 12 jornadas da presente edição da Liga, e apenas superado pelo totalista Frederico Venâncio no número de minutos jogados por um jogador da formação sadina, Suk é o segundo melhor marcador da competição (juntamente com o sportinguista Islam Slimani) com 7 golos marcados. Um número que lhe permite melhorar a marca do ano passado (6 golos, ao serviço de Nacional e Vit. Setúbal, em 30 jogos) e isolar-se ainda mais como melhor marcador asiático em toda a história da Liga Portuguesa (17 golos). Aos tentos marcados em 2015/16, Suk acrescenta ainda 4 assistências, o que atesta a influência na manobra ofensiva da equipa - está directamente envolvido em 11 dos 21 golos (52,4%) do Vit. Setúbal na Liga.

Apenas superado por FC Porto e Benfica, e em igualdade com o Sporting, o ataque da turma do Sado também tem contado com outras peças em destaque. André Claro tem sido um parceiro à altura na frente de ataque (5 golos e uma assistência), Costinha teve um bom arranque de campeonato e Arnold Issoko e André Horta têm vindo a conquistar o seu espaço entre o grupo principal daquela que está a ser uma das revelações do principal escalão da Liga até ao momento.

Mestre da táctica... defensiva

Apesar de uma maior contenção financeira, esperava-se que Jorge Jesus tivesse um impacto imediato e fosse capaz de finalmente fazer com que o Sporting rivalizasse com Benfica e FC Porto, os outros grandes candidatos ao título. E a verdade é que o clube de Alvalade está no bom caminho. Mas o apelidado "Mestre da Táctica", ao contrário do que nos habituou nas últimas épocas - apenas não superou a fasquia dos 100 golos marcados no ano passado -, está actualmente a (tentar) fazer valer a máxima «Ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos». Como se pode constatar pela imagem ao lado, e com o auxílio dos dados da Opta, o Sporting é a equipa que recebeu menos remates adversários enquadrados com a sua baliza (18), dos quais 5 (dois deles de grande penalidade) fizeram balançar as redes à guarda de Rui Patrício. Noutros registos defensivos importantes, o conjunto de Jorge Jesus apenas é superado pelo Vit. Guimarães (185) no número de desarmes ganhos e pelo Sp. Braga (639) no número de duelos ganhos - individualmente, Adrien lidera os leões em ambos os capítulos.

Com apenas um golo sofrido nas últimas sete jornadas [Sporting 5-1 Vit. Guimarães], estamos perante a segunda melhor defesa do campeonato, apenas superada pela do FC Porto (4 golos concedidos), e o melhor Sporting do século XXI no que diz respeito à quantidade de golos sofridos (5) no primeiro terço do campeonato. Já de Jorge Jesus não se pode afirmar o mesmo. O técnico igualou o registo alcançado na sua única época ao serviço do Sp. Braga, em 2008/09, em que alcançou o 5º lugar, meses antes de iniciar uma nova etapa enquanto treinador do Benfica.

Nas asas do Dragão

Apesar de não praticar o futebol mais espectacular da Liga, ninguém pode negar que a defesa do FC Porto tem sido uma das mais consistentes do campeonato. Algo que já se havia verificado no ano passado. Uma das imagens de marca do sector defensivo deste ano tem sido, indubitavelmente, a influência ofensiva que os laterais têm tido. Depois das saídas de Danilo e Alex Sandro, este último ainda fez uma assistência no único jogo em que participou esta época, Maxi Pereira e Miguel Layún têm sabido dar boa resposta nas asas (leia-se "alas") do Dragão. O uruguaio já soma 5 assistências, apenas menos uma face ao registo de 2014/15, embora ainda não tenha feito o gosto ao pé. Já o mexicano, que apenas chegou no fecho do mercado de transferências, tem sido o melhor jogador da Liga nas últimas cinco jornadas, acrescentando um golo às suas 4 assistências.

Ainda assim, não são apenas os laterais que merecem destaque. O FC Porto é agora a equipa que já não sofre golos há mais tempo - desde a 6ª jornada -, dado que confere aos azuis e brancos o estatuto de melhor defesa do campeonato (4 golos sofridos). Neste primeiro terço de campeonato, para além dos três jogadores supracitados, também os centrais Iván Marcano e Maicon, com um e dois golos, respectivamente, já participaram em golos portistas. A boa forma do sector defensivo estende-se à baliza, onde Iker Casillas defendeu um penálti em Aveiro, diante do Tondela (1-0), dando continuidade ao número de minutos sem sofrer qualquer golo na Liga.

Muralha Russa

Já tinha sido destacado na Equipa do Mês de Outubro e está-se a tornar na grande figura do campeonato na sua posição. Isto depois de um ano em que foi suplente de Matheus, cujos minutos se restringem, agora, aos jogos da Liga Europa, e em que deu uma boa réplica sempre que foi chamado a intervir (6 clean-sheets em 11 jogos da Liga e uma exibição memorável num jogo da Taça de Portugal, no terreno do Benfica). Kritciuk, guarda-redes de 25 anos do Sp. Braga, somou o seu quinto jogo consecutivo sem qualquer golo encaixado. Líder da Liga em clean-sheets (6, em igualdade com Casillas), as boas exibições ante Vit. Guimarães (fora), Arouca (casa), FC Porto (fora), Belenenses (casa) e, mais recentemente, U. Madeira (fora) permitem que o russo continue a ser o único jogador da Liga sem golos sofridos nos meses de Outubro e Novembro [Sp. Braga 5-1 Marítimo, com um golo de Dyego Sousa, foi o último jogo em que a bola entrou na sua baliza]. A própria estatística mostra que o seu número de defesas aumentou consideravelmente nos últimos cinco jogos, o que se traduz na classificação da equipa minhota entre as melhores defesas do campeonato (1º lugar, com apenas 5 golos sofridos, tantos quanto o FC Porto, que tem um jogo a menos) e na tabela classificativa (3º lugar). Também merece uma atenção especial a defesa do Sp. Braga, sobretudo a jovem dupla de centrais constituída por Wily Boly, que cada vez mais adquire um papel imprescindível neste sector, e Ricardo Ferreira, que tem merecido a confiança de Paulo Fonseca e até já se estreou a marcar no campeonato.