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Era uma vez na toca da Raposa...

As três peças-chave vendidas em Janeiro
Já não é a primeira vez que destaco jogadores do Cruzeiro no blog. O que até pode nem espantar, dada a hegemonia do clube nas últimas duas edições do Brasileirão. Mas a próxima época vai ser um verdadeiro desafio aos actuais bicampeões brasileiros, que se viram privados de alguns dos seus craques desde Dezembro. Uma consequência natural do sucesso.
 
Depois de ter resistido às primeiras grandes investidas após a conquista do título em 2013, a "Raposa" facturou quase 10M só com a venda de Wallace (para o Sp. Braga, mas actualmente no Monaco), um dos jogadores, ainda assim, que não ocupava o "núcleo duro de craques" e dono de uma posição onde as alternativas eram igualmente boas, destacando-se Dedé que, após vários anos a despertar a cobiça de clubes europeus de renome, continua em solo sul-americano. No final de 2014, chegou o 2º título na Liga no espaço de dois anos e o Cruzeiro sabia que, inevitavelmente, as suas pérolas iriam ser mais cobiçadas que nunca. A juntar a isso, a notícia da proibição de fundos (a partir de Maio), algo que o clube dificilmente conseguiria contornar.

Os elogios não são recentes
Face ao último onze escalonado por Marcelo Oliveira no Brasileirão, apenas 5 jogadores se mantêm no plantel. E do meio-campo para a frente, lembrando, contudo, que Marcelo Moreno estava emprestado, somente Willian será repetente. Talvez Egídio (lateral que agora está ao serviço do Dnipro) e Nílton (forte médio defensivo que ingressou no Internacional) não sejam os nomes mais associados ao recente sucesso do Cruzeiro, mas o mesmo não se poderá dizer relativamente aos restantes três atletas já transferidos. Éverton Ribeiro (Al Ahli), constantemente elogiado neste blog e eleito "Craque do Brasileirão" nas últimas duas épocas, destacou-se pelo número de ocasiões de golo criadas e pela sua técnica invejável. O extremo, que despertou o interesse de Benfica e FC Porto, chegou inclusivamente à Selecção canarinha a meio da última época, à semelhança de Ricardo Goulart (juntos participaram em quase 50% dos golos do Cruzeiro), reconhecido como um dos maiores obreiros do título de 2014 e que rumou à China. A completar a lista, o novo merengue - Lucas Silva, um médio defensivo com boa técnica, capaz de oferecer muito bem linhas de passe aos colegas e que tem potencial para ser uma referência no futuro (veremos como se adapta ao futebol europeu).

Mas o Cruzeiro também tem demonstrado nos últimos anos que possui boa visão de mercado e que sabe encontrar soluções para fazer face à saída de jogadores nucleares. Para o meio-campo já chegou o jovem promissor uruguaio Giorgian De Arrascaeta e ainda há que contar com o talento jovem existente no plantel. Mayke, cobiçado pelo Benfica, é encarado como um dos laterais mais promissores do Brasileirão, Neílton demonstrou no Santos dotes técnicos que levaram as pessoas a compará-lo a Neymar, Alisson foi bastante usado por Marcelo Oliveira no último campeonato e é um jogador ofensivo com técnica suficiente para se fixar entre os titulares.

Walter e Alan Kardec: nova oportunidade?

Falta de oportunidades (no sentido em que necessitavam de mais tempo de jogo)? Ou escassez de qualidade para um campeonato mais competitivo, como é o português (as mentalidades e realidades tácticas são completamente diferentes)? Certo é que Walter e Alan Kardec têm estado em destaque desde que regressaram ao Brasil e a imprensa até já os inclui como potenciais candidatos a integrar a convocatória de Scolari para o Mundial'2014. O ex-portista tem sido um "reforço de peso" - tem respeitado uma dieta própria para resolver esse problema - uma vez que já apontou 3 golos em cerca de 30 minutos com a camisola do Fluminense (entrou no último quarto de hora nas partidas frente a Flamengo e Boavista-RJ). Já o jogador cedido pelo Benfica ao Palmeiras, clube que ajudou a marcar presença na próxima edição do Brasileirão, leva 5 golos em 9 jogos, este ano, o que poderá levar os dirigentes do clube verde e branco a activar a cláusula de compra do ponta-de-lança. Apesar de ainda estarmos numa fase prematura da época - jogos estaduais não têm metade da competitividade do campeonato a sério -, Walter e Alan Kardec se têm exibido a bom nível, algo que raramente conseguiram fazer em Portugal. Será este o início de uma nova etapa nas suas carreiras?

Melhor 11 do Brasileirão - Cruzeiro domina a lista, Elias e Walter incluídos

Numa altura em que o campeão Cruzeiro já fez a festa e falta apenas definir quem consegue uma vaga para disputar a Copa Libertadores e quem é relegado para a divisão secundária, já foi anunciado o "Melhor 11 do Campeonato Brasileiro" da presente temporada (pode vê-la na figura ao lado). Sem surpresas, o Cruzeiro é o clube mais representado (4), mas o grande destaque vai para as presenças dos emprestados Elias (Sporting/Flamengo) e Walter (FC Porto/Góias). Três perguntas impõem-se: Conseguirá o Cruzeiro manter as peças que lhe valeram um dos títulos mais folgados dos últimos anos? Como se explica que Elias e Walter apresentem este tipo de rendimento no Brasil? Qual o melhor cenário: reintegrá-los ou vendê-los enquanto é tempo?


A resposta à primeira pergunta é sempre a mais complicada. Há jogadores que valorizam e acabam por dar o salto, há aqueles que acabam por não se transferir por culpa do treinador ou da direcção e ainda há aqueles que apresentam um rendimento deste género em ligas cuja vertente táctica é menos expressiva (caso do Brasil). Ainda assim, Dedé (muitas vezes associado a grandes clubes europeus) e Éverton Ribeiro (apontado pelo Adjunto1x2 como um dos melhores jogadores do Brasileirão, prémio que inclusivamente lhe foi atribuído) têm condições para singrar noutro tipo de campeonato. Depois há os casos de Elias e Walter: o primeiro foi indiscutivelmente um dos melhores jogadores da primeira metade do campeonato, o outro terminou a competição como um dos dez melhores artilheiros. Nunca é fácil explicar uma diferença de rendimentos como esta, mas o que é certo é que Elias é um dos melhores médios actualmente no Brasil no que diz respeito a questões tácticas (seria injusto acusar a falta de confiança do jogador, até porque o Flamengo começou muito mal a prova e Elias foi a âncora que evitou males maiores) e Walter, sendo um avançado letal, beneficia da falta de rigor táctico das defesas contrárias (o que em Portugal não é tão frequente) para fazer estragos. Sendo assim, vale a pena reintegrá-los? Se de Elias já foi feita uma apreciação num momento anterior, no caso de Walter o cenário é diferente. Se o FC Porto realmente quiser um avançado titular ao nível de Falcao ou Jackson, Walter não é sinónimo de qualidade (isto apesar do seu poder de finalização). Seria um bom suplente mas o FC Porto já sabe, por experiência própria, no que isso resultaria...

A ritmo de Cruzeiro

A ritmo de Cruzeiro
Faltam apenas cinco rondas para que o Brasileirão chegue ao fim. Naquela que é apelidada de "zona de rebaixamento" (zona de despromoção), o Náutico é a única formação que já não tem hipóteses de lutar pela manutenção. Num campeonato a 20, onde os quatro últimos são encaminhados para a Série B, são 6 os pontos que separam o 17º classificado do 11º (por outras palavras, são 9 as equipas que ainda lutam pela permanência na Série A Brasileira - não esquecer o penúltimo e o antepenúltimo -, isto deixando de parte alguns cenários possíveis mas hipotéticos). Outra das grandes incertezas é a luta pela presença na Libertadores - 6 equipas tentam obter uma das três vagas ainda disponíveis na mais importante competição sul-americana. No meio de tudo isto existe uma certeza absoluta: o Cruzeiro vai ser o novo campeão brasileiro (bateu hoje o Grêmio e necessita apenas de uma vitória para confirmar o título).

Onde reside o sucesso da formação liderada por Marcelo Oliveira? Poder-se-ia dizer que é na defesa - a seguir ao Corinthians são a formação menos batida do campeonato. Jogadores como Dedé (central promissor já associado ao Benfica), Egídio ou Ceará (pela sua experiência) são a prova de que tal afirmação poderia ser a mais correcta. Por outro lado, o Cruzeiro possui o melhor ataque da prova (66 golos) e conta com o experiente Borges na dianteira do seu navio. É verdade que cada sector contribui significativamente à sua maneira, mas é o meio-campo que merece uma nota principal. Desde Nilton (tem-se destacado com o seu poder físico) e Lucas Silva (apenas 20 anos), elementos mais recuados, aos jogadores mais responsáveis pelos assaltos às defesas contrárias - Willian Magrão é um jogador que apoia muito bem o resto da equipa e tem sido decisivo em vários jogos esta época; Ricardo Goulart faz uso da sua qualidade de passe e transporte de bola para imprimir uma nova dinâmica ao sector onde actua; por fim, o extremo Éverton Ribeiro (é um dos grandes destaques desta edição do Brasileirão para o Adjunto1x2), exímio a desequilibrar a defesa contrária dada a sua técnica e capacidade de procurar a baliza adversária (esta formação do Cruzeiro conta ainda com Júlio Baptista, nome bem conhecido do futebol europeu, que acrescenta uma nova maturidade e rigor à zona central e avançada do terreno e com Dagoberto, que disputou ao longo da temporada o lugar no onze com W. Magrão).