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De cabeça quente

Não está a ser o início que os adeptos do Marítimo esperavam. A equipa do Funchal partiu para esta temporada com a ambição de voltar às competições europeias, mas ao cabo de oito jornadas soma apenas duas vitórias e um total de oito pontos (13º lugar). E um dos dados estatísticos que sobressai de imediato e tem deixado os adeptos de mãos na cabeça é, sem dúvida, o número de cartões vermelhos exibidos. Os jogadores do Marítimo já foram expulsos em seis ocasiões - Tiago Rodrigues (x2), Raúl Silva, João Diogo, Diallo e Dirceu -, sendo que todas elas surgiram nos últimos seis jogos (o encontro com o Vit. Setúbal, à 4ª jornada, foi o último a terminar com 11 insulares em campo). A nível geral, os verde-rubros lideram destacadamente a tabela da indisciplina da Liga NOS - têm o dobro dos cartões vermelhos (6) face às equipas que se seguem neste capítulo e são ainda a equipa com mais cartões amarelos (30). Juntamente com as restantes cinco equipas da Liga com pelo menos três vermelhos, representadas na imagem ao lado, temos aqui 68% das expulsões do campeonato!

Por falar em cabeça quente, e apesar de ter ficado em branco na derrota caseira com o Paços de Ferreira nesta última jornada, o Marítimo é a equipa da Liga com mais golos de cabeça (6), um registo entretanto igualado pelo Rio Ave no último fim-de-semana graças às finalizações certeiras de Zeegelaar e Guedes.

'Ola Jonas' e o aparecimento do herói inesperado

'Ola Jonas' e o aparecimento do herói inesperado
Benfica 2-1 Marítimo
(Jonas 37', Ola John 80'; João Diogo 56')

O Benfica voltou a erguer a Taça da Liga, troféu que viu escapar para o Sp. Braga no ano passado, e conquistou assim o terceiro título da temporada, depois da Supertaça Nacional e do Campeonato. O Marítimo entrou bastante pressionante e agressivo e foi adiando a entrada dos encarnados na partida. Depois de Lima ter desperdiçado uma soberana ocasião, Jonas voltou a fazer o gosto ao pé na competição (marcou nos cinco jogos). A segunda parte abriu com a expulsão de Raúl Silva, mas foram os insulares a beneficiar com isso a curto prazo e a empatar a contenda por intermédio de João Diogo. Nos últimos 20 minutos, e já a jogar para o empate e consequente desempate por grandes penalidades, o Marítimo viu Ola John, extremo que tinha sido fortemente apontado a clubes estrangeiros na véspera deste encontro, a sair do banco e a ser o herói desta final. Até ao fim, o Benfica não se livrou de um susto no último minuto mas soube controlar o encontro e defender o 2-1.

Benfica: No jogo que fechou a Liga, o Marítimo já tinha mostrado que podia ser o adversário temível, embora a defesa seja claramente o calcanhar de Aquiles deste conjunto. O meio-campo, principalmente na primeira metade, foi engolido e foram valendo as movimentações dos avançados, sobretudo a inteligência e técnica de Jonas, que parece ter tomado o gosto ao pé nesta competição, a desbloquear o jogo encarnado. Sulejmani não conseguiu fazer esquecer Salvio e foi mesmo a outra alternativa, Ola John, a resolver uma partida em que os encarnados desperdiçaram imenso na segunda parte, algo que poderia ter sido fatal. Criticado por não ser tão incisivo a defender, Eliseu fez uma exibição bastante agradável.

Marítimo: A estratégia de Ivo Vieira passava por condicionar a construção de jogo benfiquista com base num estilo de jogo intenso e agressivo. Acabou por ser uma boa partida dos insulares, pese o número excessivo de faltas, que acabaram por ser traídos pelas debilidades defensivas acentuadas pela expulsão de Raúl Silva. João Diogo fartou-se de recuperar bolas e ainda marcou o golo do empate, Danilo Pereira foi incansável na forma como se entregou ao jogo e Marega voltou a mostrar que é um dos destaques desta segunda metade da época no plano nacional.

O adjunto que depressa se tem revelado

O adjunto que depressa se tem revelado
Já não seria caso único em Portugal. Depois de Vítor Pereira ter assumido as rédeas do FC Porto aquando da saída de André Villas-Boas, e de ter feito um excelente trabalho na Invicta, que as pessoas começaram a valorizar cada vez mais o trabalho dos treinadores-adjuntos nos clubes nacionais.

O início da época a nível nacional ficou marcado pelo despedimento de Paulo Bento do comando da Selecção Nacional e pelo bom arranque de alguns clubes portugueses, como o Vit. Guimarães ou o Rio Ave. No entanto, não deixa de ser estranho notar a desvalorização em torno do bom trabalho que Leonel Pontes - adjunto de Paulo Bento no Sporting e na Selecção e substituto de Pedro Martins, agora treinador dos vilacondenses - tem feito nestas primeiras semanas enquanto técnico do Marítimo (a sua primeira experiência enquanto treinador principal).

Além de ser, curiosamente, a única equipa que ainda não averbou qualquer empate na Liga ZON-Sagres, o Marítimo é, a par do Sp. Braga, uma das duas formações com um registo imaculado em casa (três vitórias em outros tantos jogos). Leonel Pontes soube dar a volta à renovação feita na frente de ataque (apenas André Ferreira e Kukula, que combinados somam 22 minutos na Liga esta época, se mantiveram desde o ano passado) e o resultado está à vista: os avançados somam quatro golos e quatro assistências em seis jornadas e o clube possui o 4.º melhor ataque da prova. Também o meio-campo e a defesa têm dado uma ajuda neste capítulo - Fransérgio (4 golos) é o melhor marcador da equipa a par de Maazou e o lateral Rúben Ferreira é apenas superado por Gaitán no que a assistências para golo (4) diz respeito. Neste momento os insulares estão em igualdade pontual com o FC Porto, apenas atrás do Benfica, líder isolado, e têm vindo a crescer de rendimento ao longo das jornadas. Segue-se um encontro complicado diante do Paços de Ferreira, na Mata Real, equipa que apenas perdeu com Benfica e FC Porto sob a orientação de Paulo Fonseca. Apenas vamos entrar na 7.ª jornada do campeonato e ainda muito pode acontecer até ao seu término. Mas para já fica a pergunta: teremos o Marítimo num lugar europeu ao fim das 34 jornadas?