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Mundial'2014, o balanço final: Estádios (parte III)

Já deixa saudades o Mundial'2014. Golos não faltaram - 171 (igualando o recorde de 1998), sendo que 32 vieram do banco de suplentes (incluindo o golo do título, de Götze) -, protagonistas também não e houve um pouco de tudo durante um mês no Brasil. Nem mesmo as lesões que marcaram as semanas anteriores ao Mundial, e que durante a prova continuaram a surgir, conseguiram manchar uma competição que lançou várias incógnitas devido à sua organização mas que foi, no mínimo, espectacular.


Um mês passou desde o derradeiro jogo da competição... Depois de tanta contestação e especulação em torno dos estádios que iriam receber os jogos do Mundial'2014, eis que a resposta dos espectadores foi bastante positiva. Um total de 3.429.869 pessoas tiveram a oportunidade de sentir na pele todas as emoções da maior competição de futebol à escala mundial. Para além de quatro jogos com a lotação máxima, distribuídos pelo Maracanã e pelo Castelão, a percentagem de ocupação dos estádios foi, em média, muito superior aos 95%. Somente três estádios - Arena Fonte Nova, Arena Pantanal e Arena Pernambuco - tiveram uma taxa de ocupação média inferior aos 98,5%, registo verdadeiramente impressionante. O Maracanã, um dos estádios principais da prova e palco de todas as decisões, foi aquele que mais pessoas atraiu (era o que possuía maior capacidade de público) e o que conheceu maior taxa de ocupação (99,24%). Na lista de selecções que contaram com um maior número de pessoas nos estádios o grande destaque vai para os EUA (Brasil, a jogar em casa, Argentina e Alemanha, os dois finalistas, também se destacam neste capítulo).

Mundial'2014, o balanço final: Jogadores (parte II)

Já deixa saudades o Mundial'2014. Golos não faltaram - 171 (igualando o recorde de 1998), sendo que 32 vieram do banco de suplentes (incluindo o golo do título, de Götze) -, protagonistas também não e houve um pouco de tudo durante um mês no Brasil. Nem mesmo as lesões que marcaram as semanas anteriores ao Mundial, e que durante a prova continuaram a surgir, conseguiram manchar uma competição que lançou várias incógnitas devido à sua organização mas que foi, no mínimo, espectacular. 


A fase de grupos ficou desde logo marcada pelo elevado número de golos - 136 (média de 2,83 golos/jogo), com apenas 5 jogos a terminar em branco - e pelas eliminações surpreendentes da Espanha, campeã em título, e de outras selecções que à entrada para a prova englobavam o lote de favoritos. Quer isso dizer que elementos como Cristiano Ronaldo, Iniesta ou Pirlo cedo abandonaram a competição e hipotecaram a esperança de se tornarem nas grandes figuras do torneio. Por outro lado, temos aqueles que quebraram recordes e os que se assumiram como figuras dos respectivos países. Este será o Mundial que ficará para a história por Klose ter ultrapassado Ronaldo "Fenómeno" no topo dos melhores marcadores de sempre em fases finais de Campeonatos do Mundo, por Mondrágon se ter tornado no guarda-redes mais velho da prova (43 anos e 3 dias) e por Suárez ter mordido o ombro de Chiellini. Após alguma ponderação, o Adjunto1x2 decidiu não fazer a avaliação individual dos jogadores portugueses (a fraca prestação da Selecção assim o determinou) mas destacou aqueles que mais sobressaíram ao longo de um mês de competição.


Melhores Jogadores:
11 do Mundial para o Adjunto1x2
James Rodríguez (Colômbia): Uma das figuras do Mundial'2014. A sua boa forma foi recompensada com uma transferência para o seu clube de sonho. Espalhou magia no Brasil, somando seis golos e duas assistências em apenas cinco jogos, mostrou ao mundo toda a sua qualidade técnica e foi fundamental no sucesso de uma selecção com um futebol muito positivo.
Robben (Holanda): Nem parece que já tem 30 anos... Fez a diferença com a sua técnica e velocidade e ofensivamente carregou a Holanda às costas. Manteve um nível elevadíssimo durante toda a competição e discutiu com James Rodríguez o prémio de Melhor Jogador do torneio.
Müller (Alemanha): É um pouco injusto deixar Kroos ou Neuer de fora desta lista mas o que Müller tem feito em Mundiais é impressionante. Voltou a destacar-se pelo número de golos marcados, pela forma como deu trabalho às defesas contrárias e pela maneira como se entregou ao jogo. Se dúvidas havia quanto à utilização de Müller na frente de ataque germânica, o jogador do Bayern respondeu da melhor maneira.
Neymar (Brasil): Muitas eram as incógnitas em torno do craque brasileiro e da sua selecção. A jogar em casa e com um peso acrescido sobre os seus ombros, a verdade é que Neymar correspondeu e carregou o Brasil às costas enquanto pôde, contabilizando quatro golos e uma assistência e fazendo a diferença no ataque da Canarinha.
Mascherano (Argentina): Oficialmente, Messi venceu o troféu de Melhor Jogador do Mundial mas no entender do Adjunto1x2 nem sequer foi o argentino mais influente. Pela consistência defensiva, pela forma como imperou no meio-campo, pela qualidade do seu passe e pela bravura de camisola ao peito, Mascherano merece um lugar de destaque entre os melhores.

Jogadores Revelação:
Janmaat, Blind e Kuyt (Holanda): Janmaat era o menos conhecido dos três e destacou-se sobretudo na fase de grupos pela profundidade que deu ao flanco direito; Blind cativou pela sua polivalência (cumpriu em todas as posições que ocupou) e pela maneira simples como joga; Kuyt surpreendeu por ter cumprido eficazmente a jogar enquanto ala sendo um avançado de raiz.
Giancarlo González (Costa Rica): De todos os jogadores mais desconhecidos foi aquele que mais surpreendeu. Com 26 anos e a actuar na MLS, o central costa-riquenho demonstrou uma excelente capacidade de antecipação e leitura dos lances, soube fazer jus à sua elevada estatura e foi o grande destaque de uma defesa praticamente intransponível ao longo do torneio.
Alguns dos jogadores que se revelaram no Mundial'2014
Keylor Navas (Costa Rica): Brilhou logo contra o Uruguai e continuou a dar que falar durante as fases a eliminar até a Costa Rica ter sido eliminada nos penáltis frente à Holanda. Tirando Neuer foi talvez o melhor guarda-redes da prova convencendo inclusivamente grandes clubes europeus (deverá ser anunciado no Real Madrid a qualquer momento).
Enner Valencia (Equador): A sua envergadura e o seu poder de finalização fizeram com que se evidenciasse no Grupo E, onde chegou mesmo a decidir uma partida (frente às Honduras). Assinou pelo West Ham após o Mundial e poderá ser uma mais-valia para os hammers na Premier League.
Origi (Bélgica): Já tinha demonstrado potencial esta época ao serviço do Monaco e aproveitou da melhor forma o mau momento de Lukaku para se afirmar no ataque belga. Com apenas 19 anos, chamou a atenção de vários clubes pela sua técnica e poder de explosão, incluindo o Liverpool que o "pescou" de imediato (ainda irá evoluir em França, emprestado, por mais um ano).

Jogadores "Portugueses"
Herrera (México): Podia muito bem estar incluído no lote das surpresas deste Mundial. Tacticamente esteve irrepreensível, demonstrando uma inteligência e uma capacidade de pressão sobre o portador da bola acima da média - já o havia feito no FC Porto - e um poder de remate interessante. Algumas lacunas no capítulo do passe mas nada que manchasse uma prestação muito positiva.
Rojo (Argentina): Já se sabia que podia ser uma mais-valia na selecção e que seria o titular do lado esquerdo da defesa, mas impressionou pelo nível exibicional apresentado. Não sendo um jogador de projecção ofensiva conseguiu-se incorporar muito bem no ataque da Argentina por diversas vezes e esteve muito seguro sempre que foi chamado a intervir. Um dos três melhores na posição no Mundial'2014.
Halliche e Slimani (Argélia): Ainda estava ligado à Académica antes do Mundial se ter iniciado e comprovou mais uma vez que é influente na sua Selecção e que os estudantes não souberam gerir a sua situação contratual. Após um jogo algo discreto diante da Bélgica, foi subindo de produção rubricando as suas boas prestações com o seu primeiro golo ao serviço da selecção (frente à Coreia do Sul). Nota especial também para Slimani nesta Argélia por ter continuado com a sua veia goleadora e por ter ganho o seu espaço no onze inicial.

Mundial'2014, o balanço final: Equipas (parte I)

Já deixa saudades o Mundial'2014. Golos não faltaram - 171 (igualando o recorde de 1998), sendo que 32 vieram do banco de suplentes (incluindo o golo do título, de Götze) -, protagonistas também não e houve um pouco de tudo durante um mês no Brasil. Nem mesmo as lesões que marcaram as semanas anteriores ao Mundial, e que durante a prova continuaram a surgir, conseguiram manchar uma competição que lançou várias incógnitas devido à sua organização mas que foi, no mínimo, espectacular.


A fase de grupos ficou desde logo marcada pelo elevado número de golos - 136 (média de 2,83 golos/jogo), com apenas 5 jogos a terminar em branco - e pelas eliminações surpreendentes da Espanha, campeã em título, e de outras selecções que à entrada para a prova englobavam o lote de favoritos. Em sentido inverso, como já costuma ser habitual, houve equipas a desafiar as leis do favoritismo e a impressionar o mundo do futebol. Pela primeira vez na história dos Mundiais todos os oito líderes dos grupos passaram aos quartos-de-final. A partir desta fase os cenários expectáveis começaram a confirmar-se. Brasil, Alemanha, Holanda e Argentina, com maior ou menor dificuldade, chegaram às meias-finais, onde os dois jogos tiveram contornos bem distintos. A Alemanha trucidou o Brasil e a Argentina foi a selecção mais feliz nos penáltis diante da Holanda, que terminou em 3.º lugar. Na final, quando já se avistavam os penáltis, valeu Götze a oferecer a "Copa" à Mannschaft. Após alguma ponderação, o Adjunto1x2 fez o balanço da participação portuguesa no Mundial'2014 e de outras selecções que se destacaram ora pela positiva, ora pela negativa.

Portugal deixou o Top10 após o Mundial'2014

PORTUGAL: Campanha desastrosa da Selecção Nacional. A nível físico os jogadores demonstraram não estar prontos para as condições que iriam enfrentar no Brasil (impressionante como houve tanto jogador a lesionar-se em dez dias e como Paulo Bento foi forçado a usar 21 dos 23 jogadores disponíveis, incluindo os três guarda-redes), a nível mental é inadmissível a atitude de Pepe frente à Alemanha e a forma como encarámos o jogo com os EUA, a nível exibicional os dois primeiros jogos foram demasiado fracos para uma equipa que tinha a obrigação de passar a fase de grupos (Portugal ainda podia ter alcançado uma qualificação sofrível diante do Gana mas a desinpiração ofensiva foi o reflexo da prestação lusa no Mundial'2014). Paulo Bento, que não deve merecer todas as críticas, sai do Brasil com culpas no cartório.

O anfitrião (Brasil): Na retina ficam duas selecções completamente diferentes - o "Brasil com Neymar" e o "Brasil sem Neymar". Quanto ao "Brasil de Scolari", ficou evidente desde a fase de grupos que o craque brasileiro seria a grande figura de uma selecção que teria de se aplicar bastante para conquistar o título em casa. O nível de futebol praticado, bastante irregular, não se assemelhou ao da Taça das Confederações e para a história fica a goleada sofrida diante da Alemanha (7-1).

O campeão (Alemanha): Os pupilos de Löw, que teimavam em vacilar nas derradeiras etapas das grandes competições, finalmente demonstraram o seu favoritismo dentro das quatro linhas conquistando o título mundial. A Alemanha foi crescendo ao longo da competição - nem precisou de se esforçar muito durante a fase de grupos - e demonstrou que tem qualidade de sobra para os próximos anos (cedo evidenciou algumas fragilidades nas alas, aquela que curiosamente será a área mais débil da selecção após a renúncia de Lahm).

Selecções que mais surpreenderam
Holanda: Depois do descalabro no Euro'2012 ninguém contava que Van Gaal conseguisse dar tremenda volta a esta selecção e a levasse tão longe nesta competição (muitos até a afastaram dos oitavos-de-final). Defensivamente esteve impecável e Robben "encarregou-se do resto". Há que se tirar o chapéu ao seu seleccionador pela forma inteligente como geriu tacticamente o seu plantel (incrível como valorizou tantos jogadores) e pelo nível exibicional apresentado.
A Costa Rica foi a grande surpresa deste Mundial'2014
Costa Rica: A grande surpresa do Mundial'2014. Não há palavras que descrevam o que a modesta Costa Rica conseguiu fazer no Brasil. A jogar praticamente sem pressão, abismou meio mundo ao passar em 1.º num grupo que contava com três antigos campeões mundiais e impressionou pela organização táctica e coesão defensiva (apenas sofreu dois golos).
México: A inclusão dos mexicanos em detrimento da Colômbia, por exemplo, talvez possa espantar mas há que ter em conta a qualidade do plantel à disposição de Miguel Herrera (por esse motivo a prestação dos colombianos não foi tão surpreendente) e a forma como a equipa jogou. Fruto da sua organização táctica e intensidade, foram a equipa mais agradável de se acompanhar no Grupo A e estiveram perto de eliminar a Holanda nos oitavos-de-final. Não deixa também de ser curioso observar que as selecções destacadas pela positiva jogaram todas em 3-5-2 durante o Mundial.

Selecções que mais desiludiram
Espanha: Ficará para a história pelas piores razões. Desde a maior goleada sofrida por um campeão em título até à eliminação precoce, a Espanha apenas conseguiu pôr em prática o seu futebol quando já estava eliminada. Algumas culpas para Del Bosque pela forma como montou a sua equipa e para os jogadores pela falta de intensidade demonstrada.
Camarões: Foi um autêntico "saco de pancada" durante o Mundial (a exibição fraca diante do México podia ter sofrido contornos bem mais expressivos). Ofensivamente produziu muito pouco (esperava-se que fizesse dos seus contra-ataques a sua maior arma), defensivamente esteve mal e a expulsão de Song e o desentendimento entre Assou-Ekotto and Moukandjo, frente à Croácia, reflectiram a desorganização do conjunto de Volker Finke.
Rússia: Já se sabia que o ataque poderia ser o tendão de aquiles desta selecção durante o Mundial e isso foi bem visível. Pedia-se mais a Capello, técnico mais bem pago de todas as selecções em prova, que se tinha destacado na fase de qualificação pela forma como tinha organizado defensivamente a sua equipa (sofreu golos em todos as partidas). O desaire frente à Argélia foi o culminar de um futebol pobre demonstrado ao longo dos três jogos no Brasil.

Alemanha vence o Mundial'2014

Alemanha vence o Mundial'2014
Alemanha 1-0 Argentina (após prolongamento)

A Alemanha é a nova Campeã do Mundo após vencer a Argentina (1-0). Os germânicos sucedem assim à Espanha e tornam-se na primeira selecção europeia a conquistar o título mundial na América do Sul. Um golo de Götze já na 2.ª parte do prolongamento decidiu a final, que podia ter muito bem caído para o lado argentino não fosse alguma falta de eficácia da Albiceleste (tiveram as melhores ocasiões). A Alemanha teve mais posse de bola mas, à excepção de uma bola ao poste por parte de Höwedes, não conseguiram incomodar muitas mais vezes a baliza à guarda de Romero. Quanto a destaques individuais... Garay e Rojo voltaram a exibir-se a um nível muito elevado (o jogador do Sporting foi uma agradável surpresa no lado esquerdo da defesa), Mascherano voltou a encher o meio-campo e na frente houve demasiada desinspiração. Messi, sempre perigoso com a bola nos pés, conseguiu provocar alguns desequilíbrios durante o 1.º tempo mas esteve muito apagado durante o resto da partida (excepção apenas para um lance no início da 2.ª parte), Lavezzi, que até estava a jogar bem, saiu ao intervalo, Higuaín e Palacio desperdiçaram as ocasiões soberanas que tiveram. Do lado dos campeões, Neuer voltou a demonstrar uma fantástica leitura de jogo (hoje não teve tanto trabalho entre os postes), na defesa hoje foi Lahm a destacar-se, embora tenham estado globalmente bem), Schweinsteiger impôs-se no meio-campo e foi o rosto do espírito de luta alemão (sentiu-se a falta de Khedira e Kramer, ambos lesionados durante o dia da final) e na frente acabou por ser o banco a fazer a diferença, com Schürrle a assistir Götze para o golo que valeu o título à Alemanha.



Brasil volta a desiludir e fica em 4.º lugar

Brasil volta a desiludir e fica em 4.º lugar
Brasil 0-3 Holanda

Há que tirar o chapéu a Van Gaal e a esta Holanda. A Holanda terminou o Mundial'2014 na 3.ª posição remetendo o Brasil, país anfitrião, para o 4.º posto. O golo de penálti de Van Persie logo no início da partida pôs novamente a nu as fragilidades desta selecção brasileira. Num encontro marcado pela má arbitragem, a Holanda voltou a demonstrar a sua organização e sai deste Mundial com um amargo na boca devido ao epílogo do jogo diante da Argentina, mas com uma sensação de dever cumprido. Aliás, é impressionante a forma como Van Gaal conseguiu montar uma equipa tão disciplinada e como elementos como Blind, Vlaar, De Vrij, Janmaat, Kuyt e Robben se exibiram a um nível muito alto ao longo da competição. Quanto ao Brasil, ficou órfão de qualquer tipo de aspiração mais alta após a lesão de Neymar, o que demonstra bem a importância do craque do Barcelona nesta selecção de Scolari, mas tinha jogadores capazes de fazer muito melhor nestes últimos dois jogos. O ataque voltou a ser uma nulidade e defensivamente a equipa voltou a tremer imenso. Óscar, mesmo sem deslumbrar e com funções diferentes daquelas que normalmente costuma exercer, foi dos melhores.

Romero garante final à Argentina de Sabella

Romero garante final à Argentina de Sabella
Holanda 0-0 Argentina (2-4 após g.p.)

Mais uma partida decidida nos penáltis, a 4.ª do Mundial'2014. O equilíbrio e o receio foram os ingredientes principais do jogo durante o tempo regulamentar. Cillessen e Romero estiveram muito seguros entre os postes - o argentino destacou-se na marcação de grandes penalidades - mas foram os defesas a razão pela qual o 0-0 persistiu durante tanto tempo (Vlaar e De Vrij, na Holanda, Garay e Demichelis, na Argentina, fizeram exibições imperiais). Robben voltou a demonstrar uma capacidade explosiva impressionante, Kuyt fez uma exibição muito sólida a lateral e Blind voltou a demonstrar bastante simplicidade na forma como joga. Já na Argentina, Messi fora algumas fintas em zonas menos perigosas ou lances de bola parada foi bem anulado pelo adversário, Lavezzi e Higuaín estiveram apagados, Enzo jogou bem na condição de titular e Mascherano foi o melhor em campo (tem sido o melhor argentino nesta fase a eliminar).

Escândalo em Belo Horizonte: Alemanha humilha o Brasil rumo à final

Escândalo em Belo Horizonte: Alemanha humilha o Brasil rumo à final
Brasil 1-7 Alemanha

Humilhação total e pior derrota da história da Canarinha! A Alemanha, que ao intervalo já vencia 5-0, goleou o Brasil por 7-1 tornando-se na primeira selecção a marcar presença no Maracanã. Num encontro cujo grau de dificuldade seria mais acrescido para a Canarinha devido às ausências de Neymar e Thiago Silva, a Alemanha soube aproveitar bem as transições ofensivas e as fragilidades defensivas dos brasileiros. Se no Brasil é impossível destacar alguém pela positiva, na Alemanha passa-se exactamente o contrário. Elementos como Kroos (talvez o melhor em campo), Khedira e Müller demonstram toda a sua classe, Klose tornou-se no melhor marcador de sempre na história dos Mundiais (16 golos), a imabtibilidade do Brasil em casa foi quebrada (42 jogos), a Alemanha ultrapassou o Brasil no número de finais disputadas (9) e golos marcados em Mundiais (223), enfim... recordes atrás de recordes que aumentam o peso deste resultado escandaloso.

Krul, o herói da Holanda nos penáltis; Argentina não dá hipóteses à Bélgica

Krul, o herói da Holanda nos penáltis; Argentina não dá hipóteses à Bélgica
Holanda 0-0 Costa Rica (4-3 após g.p.)

A Costa Rica aguentou-se bem durante 120 minutos mas Tim Krul, aposta específica de Van Gaal para os penáltis, travou as aspirações da selecção que mais surpreendeu neste Mundial'2014. A Holanda só se pode queixar a si própria pelo nulo (oportunidades não faltaram). Robben esteve novamente activo, Van Persie demasiado perdulário e a defesa esteve insuperável (os costa-riquenhos apenas remataram uma vez à baliza). Do lado contrário valeu Keylor Navas a aguentar o empate e uma defesa bastante concentrada, como assim nos habituou (apenas um golo sofrido em toda a prova), que teve em Giancarlo González e Umaña dois autênticos muros. Mérito ainda para Van Gaal por ter reservado (e bem) a sua última substituição para as grandes penalidades (decisão que irá ficar para a história).



Argentina 1-0 Bélgica

Uma Bélgica irreconhecível, talvez ainda fatigada devido ao encontro dos oitavos-de-final. Incrível como o conjunto de Wilmots demonstrou pouca capacidade para tentar dar a volta ao resultado (De Bruyne foi dos poucos a safar-se). Um golo de Higuaín foi suficiente para colocar a Argentina nas meias-finais, num encontro marcado pela lesão de Di María (Enzo Pérez entrou para o seu lugar). A defesa argentina esteve em destaque, com Biglia a oferecer maior qualidade que Gago ao meio-campo e um trio de luxo na frente de ataque (melhor jogo de Higuaín até ao momento, Messi desequilibrou principalmente no 1.º tempo, Lavezzi também se foi apagando).

Dupla de centrais brasileira resolve; Entrada forte da Alemanha elimina a França

Dupla de centrais brasileira resolve; Entrada forte da Alemanha elimina a França
Brasil 2-1 Colômbia

A selecção anfitriã colocou um ponto final nas aspirações de uma Colômbia que se exibiu a grande nível neste Mundial'2014 (hoje foi traída pela sua prestação mais fraca no torneio). Uma partida marcada pelo número excessivo de faltas - uma delas tirou Neymar do resto do Mundial - e por um meio-campo brasileiro claramente melhor que o colombiano. Thiago Silva (um golo e um amarelo infantil que o tira da meia-final) e David Luiz (golaço de livre) fizeram a diferença, ainda assim, faltou alguma clarividência no ataque canarinho (Hulk e Neymar desequilibraram mas houve várias oportunidades desperdiçadas). Na Colômbia, houve mais uma vez um James Rodríguez endiabrado (voltou a marcar e arrisca-se a ser o melhor jogador da prova mesmo quedando-se pelos quartos-de-final) e que deu o exemplo quando a equipa perdia por dois, mas pouco mais do meio-campo para a frente (a defesa também não esteve mal face à boa réplica ofensiva do Brasil).




França 0-1 Alemanha

Desta vez foi fatal a falta de soluções ofensivas dos gauleses. A Alemanha, graças a um golo de Hummels e a uma entrada fortíssima em campo (não deixaram a França respirar durante o primeiro quarto de hora da partida), carimbou a passagem à meia-final. Um jogo menos espectacular do que se esperava à partida mas com muita competência germânica à mistura. Neuer este muito seguro entre os postes, Hummels foi o expoente máximo de uma defesa competente, o meio-campo esteve a grande nível mas na frente houve alguma desinspiração. Do lado da França, a equipa foi abalada pela entrada de rompante dos adversários e Valbuena foi dos poucos a conseguir remar contra a corrente (a defesa também não comprometeu).

Argentina sofre para derrotar a Suíça; Howard não consegue travar a Bélgica

Argentina sofre para derrotar a Suíça; Howard não consegue travar a Bélgica
Argentina 1-0 Suíça (após prolongamento)

Escapou à tangente. A Argentina precisou de esperar mais de 115 minutos para marcar o golo que lhe valeu a passagem aos quartos-de-final e ainda viu a Suíça atirar uma bola ao poste pouco tempo depois. A Argentina voltou a praticar um futebol muito aquém do aceitável (apenas encostou a Suíça na 2.ª parte, mas isso também se justifica pelo cansaço dos helvéticos) mas continua a somar vitórias. Valeu Di María (exibição muito esforçada mas inconstante) no prolongamento, Messi apenas apareceu na 2.ª parte mas também não deslumbrou (apesar de os seus desequilíbrios terem feito muita moça) e a defesa esteve segura. Higuaín e Lavezzi apresentaram pouco, ao contrário de Palacio que teve um bom contributo a partir do banco. Na Suíça, Benaglio evitou o golo por diversas vezes (a defesa até nem esteve mal, se bem que o lateral Ricardo Rodríguez se destacou), Inler e Behrami estiveram bem no meio-campo, mas na frente apenas Shaqiri, a espaços, conseguiu incomodar a defesa argentina.



Bélgica 2-1 EUA (após prolongamento)

Um gigante Tim Howard (16 defesas) não foi suficiente para suster o caudal ofensivo da Bélgica. O guarda-redes norte-americano foi aguentado o nulo durante os 90 minutos mas logo no início do prolongamento a Bélgica resolveu a questão. Os EUA ainda responderam (e marcaram) mas não conseguiram chegar ao empate. Na retina fica o falhanço de Wondolowski aos 90'+2. Foi a melhor exibição dos belgas no Mundial (De Bruyne, Origi e Lukaku brilharam), ainda assim, voltaram a ficar evidentes algumas fragilidades na defesa - ter dois centrais de raiz nas laterais também não ajuda no processo ofensivo - e nas transições. Os EUA deixam o Brasil com uma sensação de dever cumprido (incrível percurso de Klinsmann) e com a certeza de terem valorizado alguns dos activos. Os laterais Fabian Johnson (já tinha sido destacado pelo Adjunto1x2 antes do Mundial) e Yedlin, Besler, Jones e Bedoya foram algumas das agradáveis surpresas e Dempsey e Bradley confirmaram a sua qualidade deixando o relegado Donovan para um segundo plano.

Solidez francesa foi suficiente para bater a Nigéria; Argélia perto de surpreender a Alemanha

Solidez francesa foi suficiente para bater a Nigéria; Argélia perto de surpreender a Alemanha
França 2-0 Nigéria

Defensivamente foi competente mas ofensivamente deixou a desejar. A França teve muitas dificuldades para criar situações de perigo ao longo do encontro e apenas um erro de Enyeama, que "foi do 80 ao 8" nesse lance, permitiu que Pogba adiantasse os franceses no marcador. O auto-golo de Yobo selou a presença nos quartos-de-final. Houve pouco Benzema e sobretudo Giroud no ataque gaulês, mas ficou novamente evidente que o meio-campo tem uma qualidade acima da média e que a defesa é extremamente competente (Varane e Koscielny limparam tudo e Debuchy destacou-se na direita). Já do lado nigeriano, o trio Emenike, Musa e Moses esteve sempre irrequieto mas não conseguiu ultrapassar a muralha defensiva contrária.



Alemanha 2-1 Argélia (após prolongamento)

Fantástico jogo dos argelinos, que foram traídos pela sua finalização e condição física após o tempo regulamentar. M'Bolhi e Neuer brilharam nas balizas e foram as grandes figuras da partida. Após uma 1.ª parte em que a Argélia explorou muito bem os contra-ataques, a Alemanha começou a aproveitar a fadiga do adversário mas nunca conseguiu aproveitar as diversas oportunidades que teve. No prolongamento a história foi diferente, com a Alemanha a finalmente bater M'Bolhi e a agendar encontro com a França na próxima fase. Boateng foi o melhor numa defesa que esteve a um nível muito baixo, Lahm o mais consistente no meio-campo e valeu Schürrle a desquilibrar a balança na frente (Müller esteve activo mas muito inconsequente). Já a Argélia, que cresceu ao longo do torneio, sai do Brasil com um sentimento de injustiça. A dupla Halliche e Belkalem voltou a estar em bom plano, Feghouli destacou-se novamente e Slimani vai certamente sair do Mundial muito valorizado.

Holanda consegue reviravolta com muito sofrimento; Costa Rica faz história ao eliminar a Grécia

Holanda consegue reviravolta com muito sofrimento; Costa Rica faz história ao eliminar a Grécia
Holanda 2-1 México

Quase tínhamos uma "meia surpresa" nestes oitavos-de-final. O México voltou a demonstrar que é uma selecção bastante organizada e coesa mas o golo de Sneijder aos 88' abalou um colectivo que até então tinha estado praticamente irrepreensível. Depois de uma 1.ª parte em que o México teve sinal mais (Herrera voltou a destacar-se), a etapa complementar começou com o golo mexicano, que levou a equipa a recuar no terreno e assim oferecer a iniciativa aos holandeses. Apesar das dificuldades sentidas, a Holanda foi feliz na forma como igualou e marcou já para lá dos 90'. Robben voltou a ser o destaque na Holanda (o processo ofensivo passa quase todo pela sua capacidade de desequilíbrio), Huntelaar foi decisivo a partir do banco (Depay também entrou bem) mas não se percebem alguns aspectos tácticos de Van Gaal ao longo da partida (ausência de Janmaat e aposta feita logo após o 0-1), se bem que o mérito do resultado têm origem no próprio técnico. Já Miguel Herrera teve o azar do seu lado: jogou para o 1-0 mas a equipa não teve a capacidade de repetir o que havia feito diante da Croácia. Foi notória a ausência de Vázquez no centro, mas é difícil apontar o dedo a uma selecção que foi surpreendendo ao longo do torneio pela forma organizada como ocupava o campo.



Costa Rica 1-1 Grécia (5-3 após g.p.)

Grande percurso de Fernando Santos neste Mundial'2014. No único jogo em que a sua equipa esteve melhor não teve a mesma ponta de sorte no momento crucial. Sokratis ainda alimentou a "tragédia grega" mas Keylor Navas colocou um ponto final nas aspirações dos helénicos. O guardião foi adiando o desfecho, não conseguiu segurar a vitória dos costa-riquenhos aos 90', mas evitou a reviravolta aos 120' e selou o apuramento nos penáltis. Umaña e Giancarlo González destacaram-se no centro da defesa, Bryan Ruíz voltou a fazer uma partida muito positiva mas a equipa mal conseguiu provocar estragos após a expulsão de Oscar Duarte devido ao facto de terem 10 elementos e ao desgaste físico. Vitória histórica para a Costa Rica, que assim alcança os quartos-de-final de um Mundial pela primeira vez na sua história! Na Grécia, Sokratis foi o homem mais na defesa, Karagounis esteve impressionante durante 120 minutos e Christodoulopoulos também se exibiu a bom nível.

Brasil sofre para eliminar Chile; James continua a ser a figura do Mundial

Brasil sofre para eliminar Chile; James continua a ser a figura do Mundial
Brasil 1-1 Chile (3-2 após g.p.)

Não houve tanto Neymar de um lado e voltou a haver um Chile muito unido do outro, mas no fim foi Júlio César, que já tinha feito 120 minutos de bom nível, a garantir os "quartos" para os canarinhos. O Brasil realizou mais uma partida pouco convincente e deveu aos ferros da sua baliza - remate de Pinilla aos 120' e penálti decisivo de Diaz - uma passagem muito sofrida à ronda seguinte. Neymar esteve em "dia não" pela forma como não conseguiu aproveitar as oportunidades que dispôs, Hulk e Fred voltaram a acrescentar pouco e os destaques da equipa brasileira não têm tendência para melhorar muito. O problema que já vem da fase de grupos terá de ser ultrapassado porque a partir de agora o grau de exigência aumenta exponencialmente (Colômbia e eventualmente Alemanha/França antes da final). O Chile sai do Brasil com um "amargo na boca" (colectivamente foram uma das melhores selecções da competição) e com um meio-campo a anular o da equipa adversária e um Alexis Sánchez mais uma vez endiabrado.



Colômbia 2-0 Uruguai

James Rodríguez é, até ao momento, a grande figura do Mundial, somando 5 golos e 2 assistências. O Uruguai ressentiu-se da ausência de Suárez e foi vergado pela Colômbia, a quem faltou outro critério no último terço do terreno. Os uruguaios apenas responderam na parte final do encontro, por culpa dos colmobianos que tiraram o pé do acelarador, mas Ospina esteve simplesmente intransponível. Além de James, que marcou um golaço, Cuadrado voltou a espalhar técnica (é o "escudeiro" do n.º10 - três das suas quatro assistências no torneio foram para James), Yepes e Zapata estiveram em grande na defesa e foram bem auxiliados por Sanchez e Aguillar. Já o Uruguai voltou a demonstrar que é uma selecção praticamente banal sem Suárez, tal como já havia acontecido frente à Costa Rica. O problema nem é da qualidade dos jogadores, como ficou evidente no último quarto de hora, mas sim anímico.

Grupo H: Argélia consegue apuramento histórico

Grupo H: Argélia consegue apuramento histórico
Argélia 1-1 Rússia

A boa entrada da Rússia não foi suficiente para carimbar a passagem à próxima fase. Os argelinos foram assentando o seu jogo e Slimani aproveitou uma má saída de Akinfeev (muitas culpas neste Mundial) para colocar a Argélia pela primeira vez nos oitavos-de-final da competição. Grande jogo do avançado do Sporting, que continua a valorizar-se, bem secundado por Bentaleb e Feghouli (muito consistentes no meio-campo). A defesa também esteve segura (a dupla Halliche e Belkalem funcionou muito bem) mas aí há muito demérito do ataque russo. Glushakov foi dos elementos mais dos russos e o técnico Fabio Capello um dos que mais culpas arrecadou no cartório ao longo desta fase de grupos.



Coreia do Sul 0-1 Bélgica

Participação desastrosa das equipas asiáticas neste Mundial (nem uma única vitória). Ainda assim, e porque era essa a obrigação, a Coreia do Sul criou várias situações de perigo ao longo do jogo, mas um Courtois inspirado ou a cerimónia dos futebolistas asiáticos impediu que houvesse golos na baliza belga. Defour, hoje titular, foi expulso devido a uma entrada dura mas Vertonghen, aproveitando um remate de Origi (voltou a dar boas indicações), deu a vitória à sua equipa.




Emparelhamento dos oitavos-de-final

Grupo G: Portugal diz adeus ao Mundial'2014

Grupo G: Portugal diz adeus ao Mundial'2014
PORTUGAL 2-1 Gana

Uma vitória podia não chegar à Selecção, que também dependia do outro jogo do grupo. No entanto, a eliminação precoce deveu-se exclusivamente à equipa nacional que cometeu vários erros e não soube aproveitar as oportunidades que teve ao seu dispor. Nem mesmo as ofertas de Boye e Dauda chegaram para que Portugal conseguisse golear o Gana, que apenas foi perigoso devido à necessidade de precisarmos de ir em busca de um resultado avolumado. Quanto a prestações individuais... Beto ainda teve de ser substituído perto do fim mas não teve influência no resultado, Miguel Veloso e João Pereira tiveram bastantes dificuldades nas alas (João Pereira fez um Mundial péssimo), Pepe e Bruno Alves (mais uma vez fez passes longos sem nexo) também não estiveram muito seguros, Moutinho fez hoje o seu melhor jogo nesta fase de grupos (ter William Carvalho e Rúben Amorim no 11 deu logo outra dimensão ao meio-campo) mas a frente de ataque voltou a evidenciar demasiados problemas. Ronaldo marcou, acertou no ferro, mas falhou inúmeras ocasiões de golo (não costuma ser normal, nem mesmo a condição física o pode explicar), Nani foi o mais apagado e Éder esteve bem a vir buscar jogo atrás mas fora isso voltou a passar ao lado do jogo (contra os EUA tinha acontecido o mesmo). Notas finais para Vieirinha, que demonstrou vontade a partir do banco, e para aquilo que foi a participação portuguesa neste Mundial: um desastre, tendo em conta a qualidade dos jogadores, a preparação que foi / devia ter sido feita e o grupo onde estava inserido, que não era tão difícil quanto muitos julgavam (a Alemanha nem jogou a um ritmo elevado, os EUA e o Gana estavam perfeitamente ao alcance da Selecção) mas Portugal complicou a tarefa por culpa própria.



EUA 0-1 Alemanha

Temia-se que houvesse um jogo de interesses mas não foi isso que transpareceu. Os EUA jogaram nitidamente para o empate - e até o podiam ter alcançado já nos descontos - mas a Alemanha dominou a partida e apenas não dilatou o resultado por culpa própria. Continua a dar a ideia que os alemães ainda não encontraram o seu melhor nível de jogo mas nem isso os impediu de ficar em 1.º lugar deste grupo que tantos consideravam como «o mais difícil». Voltou a ser Müller a decidir o jogo, depois de Tim Howard ter feito várias intervenções de qualidade.

Grupo F: Argentina, com Messi outra vez em destaque, e Nigéria seguem em frente

Grupo F: Argentina, com Messi outra vez em destaque, e Nigéria seguem em frente
Nigéria 2-3 Argentina

Mesmo apurada, a Argentina optou por manter o seu 11 base e voltou a demonstrar algumas dificuldades (nomeadamente defensivas), apesar de a exibição ter sido mais satisfatória. Messi, ao contrário dos outros dois jogos, fez uma grande exibição (marcou dois e voltou a ser decisivo), Garay demonstrou muita segurança e esteve perto de marcar, Di María fez um jogo incansável mas faltou-lhe qualidade nos momentos cruciais e Rojo apontou o seu primeiro golo com a camisola da selecção. Do lado da Nigéria, Musa foi a grande figura ao marcar os dois golos da equipa mas Enyeama mostrou novamente a sua qualidade entre os postes com várias defesas de grande nível.



Bósnia-Herzegovina 3-1 Irão

Não era fácil a tarefa de Carlos Queiroz. A Bósnia alinhou com Dzeko e Ibisevic de início - algo que já deveria ter feito neste Mundial - e os resultados obtidos foram completamente diferentes. As notas de destaque dizem respeito à participação de cada uma das selecções neste Mundial. A Bósnia devia ter apostado num 11 com dois avançados, tal como fez na fase de qualificação por diversas vezes (era este o ADN da equipa), pelo menos frente a Nigéria e Irão. Pjanic foi quem mais se evidenciou neste Mundial do lado bósnio. Já o Irão sai de cabeça erguida, não só por ter marcado um golo hoje, e assim evitar o facto de ser a única equipa a sair do Brasil sem marcar, mas sobretudo pela organização defensiva que demonstrou ao longo do torneio, que por pouco não deu mais pontos a este conjunto.

Grupo E: Show de Shaqiri junta Suíça à França nos "oitavos"

Grupo E: Show de Shaqiri junta Suíça à França nos "oitavos"
Equador 0-0 França

A descansar alguns dos habituais titulares, a França sentiu algumas dificuldades no processo ofensivo, não passando do nulo frente a uma selecção equatoriana que teve no guardião Alexander Domínguez a grande figura da partida (defendeu tudo o que havia para defender). A tarefa da equipa sul-americana tornou-se ainda mais difícil após a expulsão de Antonio Valencia, mas nem assim os gauleses conseguiram aproveitar. Pogba dominou o meio-campo, sector em que faltou alguma criatividade (Cabaye não jogou), o que aliado à desinspiração dos atacantes explica o 0-0 final.



Honduras 0-3 Suíça

Resultado algo enganador mas que comprova a diferença de qualidade individual e experiência que existe entre as duas equipas. Após uma boa 1.ª parte dos suíços, as Honduras dominaram no 2.º tempo (tiveram um penálti por assinalar) mas faltou discernimento na hora da decisão. Wilson e Jerry Palacios estiveram muito activos e Claros também rubricou uma exibição sólida. No entanto, Shaqiri foi o homem do jogo. Três golos (o primeiro é um excelente remate) e uma capacidade de desequilíbrio que foi fatal para a defesa hondurenha. Drmic, Ricardo Rodríguez e Diego Benaglio (irrepreensível na baliza, foi o melhor na 2.ª parte) também estiveram bem.

Grupo D: Cabeça de Godín volta a ser decisiva

Grupo D: Cabeça de Godín volta a ser decisiva
Itália 0-1 Uruguai

Já tinha sido decisivo no jogo que valeu o título espanhol ao At. Madrid e quase deu a Liga dos Campeões ao clube da capital espanhola. Um cabeceamento de Diego Godín deu a vitória ao Uruguai sobre a Itália e garantiu a passagem aos oitavos-de-final. O jogo ficou marcado pela expulsão de Marchisio quando ainda se verificava o nulo, por mais um lance caricato a envolver Suárez (aparentemente mordeu o ombro de Chiellini) e levou a que Prandelli colocasse o lugar à disposição após a eliminação da Squadra Azzurra. Quanto a destaques, Verratti, enquanto se aguentou em campo, foi o melhor nos italianos, Buffon fez três defesas de grande qualidade, mas o ataque foi totalmente anulado pela defesa do Uruguai (a Itália apenas fez um remate à baliza). Arévalo Rios esteve novamente bem no meio-campo dos sul-americanos.



Costa Rica 0-0 Inglaterra

Um jogo que serviu essencialmente para cumprir calendário e que marcou a despedida de certas figuras incontornáveis da Inglaterra, como Lampard ou Gerrard, dos Mundiais. Mais do mesmo: a Inglaterra, que esteve quase sempre por cima na partida, teve dificuldades em criar lances de perigo e a Costa Rica voltou a demonstrar a sua excelente organização no terreno de jogo. Sturridge foi quem mais se evidenciou nos ingleses mas pela pior razão (falhou vários golos), Lampard mostrou que devia ter tido outro protagonismo neste Mundial e Ben Foster substituiu bem Joe Hart. Do lado costa-riquenho, Tejeda, Celso Borges e Bryan Ruiz foram os que mais se destacaram.

Grupo C: Final épico em Fortaleza reverte génio de James Rodríguez para segundo plano

Grupo C: Final épico em Fortaleza reverte génio de James Rodríguez para segundo plano
Grécia 2-1 Costa do Marfim

Jogo verdadeiramente alucinante e com a particularidade de Fernando Santos ter feito história pela Grécia - já tinha passado a fase de grupos do Euro'2012 quando ninguém esperava e agora leva a Grécia aos oitavos-de-final de um Mundial pela 1.ª vez. Um jogo que voltou a ficar marcado por problemas físicos do lado dos gregos (duas substituições forçadas), pelas bolas ao ferro e pela indecisão do resultado até ao último minuto (o penálti de Samaras foi apontado aos 90'+3). Holebas, Christodoulopoulos, Samaras e Samaris (entrou durante a 1.ª parte) destacaram-se nos gregos, enquanto Gervinho e Yaya Touré foram os mais resignados no conjunto africano (Drogba foi titular mas fez uma partida discreta). Nota final para a participação da Costa do Marfim neste Mundial, a selecção africana com os melhores jogadores, que ficou muito aquém do esperado.



Japão 1-4 Colômbia

Nem mesmo o facto de ter entrado ao intervalo o impediu de ser a figura do jogo... James Rodríguez continua a efectuar um excelente Mundial'2014 - tal como Cuadrado, autor do 1.º golo e que soma igualmente três assistências - e adicionou mais um golo e duas assistências à sua conta pessoal. Uma partida que o Japão precisava obrigatoriamente de vencer para se qualificar para a próxima ronda e em que até fez uma boa exibição até ao 2.º golo da Colômbia (um dos dois apontados pelo portista Jackson Martínez). A partir daí os colombianos massacraram a defensiva nipónica com as suas transições e excelência na qualidade técnica (daí os três golos de diferença). Última nota para a actuação do guarda-redes Mondragón, que assim se tornou no jogador mais velho a participar num Campeonato do Mundo (43 anos e 3 dias).

Grupo B: Holanda segura o 1.º lugar do grupo

Grupo B: Holanda segura o 1.º lugar do grupo
Holanda 2-0 Chile

Partida que serviu apenas para decidir quem ficava em 1.º lugar no grupo. Partida equilibrada, com a Holanda a demonstrar que está muito forte nas transições ofensivas e o Chile a mostrar que consegue manter um ritmo ofensivo durante um jogo inteiro. No fim, foi a Holanda a sorrir. Robben voltou a ser decisivo (tem sido o melhor jogador do Mundial'2014 a par de Neymar), Depay continua a fazer a diferença a partir do banco e a defesa esteve muito segura (Janmaat voltou a deixar boas indicações). Do lado chileno, cujo maior destaque foi Alexis Sánchez, sair sem golos acaba por penalizar a atitude da equipa.



Austrália 0-3 Espanha

Jogo que serviu para cumprir calendário e para marcar a despedida da selecção que dominou o futebol durante os últimos (o Adjunto1x2 já tinha avisado que seria muito improvável a Espanha renovar o título mundial). Del Bosque optou por rodar a equipa e a Espanha venceu uma Austrália refém de Tim Cahill (suspenso por acumulação de amarelos) com muita naturalidade. Villa confirmou que devia ter tido outro protagonismo nesta fase de grupos (um golo de belo efeito), Iniesta esteve melhor no meio-campo e a defesa esteve muito segura.