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Primeira volta do campeonato português: Destaques e desilusões (parte IV)

Primeira volta do campeonato português: Destaques e desilusões (parte IV)
Altura de fazer um breve balanço da primeira metade da Liga Zon-Sagres. O Benfica encontra-se neste momento em primeiro lugar mas um pequeno deslize dos encarnados poderá ser suficiente para Sporting ou FC Porto voltarem à liderança do campeonato. Por outro lado, Paços de Ferreira e Olhanense (em igualdade pontual com o Belenenses) terminaram a primeira volta  nos últimos lugares, embora houvesse uma diferença de apenas 6 pontos entre o 15º e o 8º classificado.

Analisada a primeira volta dos três grandes, será demasiado redundante dizer que o Sporting é a equipa que mais evoluiu desde a temporada passada e que tem sido uma das surpresas pela positiva. Além dos leões destaca-se o Estoril, conjunto que disputou a Liga Europa mas que conseguiu manter um lugar entre os quatro primeiros classificados (só esteve fora do top4 em quatro jornadas). Feito impressionante dado que o clube teve de contornar as saídas de Jefferson, Carlos Eduardo, Licá, Steven Vitória e, mais recentemente, Luís Leal, todos eles habituais titulares. Pela negativa destacam-se três clubes. O Paços de Ferreira é o caso mais flagrante. Costinha não conseguiu tomar conta do legado deixado pelo seu antecessor (a saída de alguns jogadores não ajudou, mas os castores deviam estar a lutar por um lugar a meio da tabela) abandonando a equipa a meio da primeira volta e o seu sucessor Henrique Calisto ainda não colocou a equipa a respirar de forma mais aliviada. O Sp. Braga é a outra equipa que se encontra numa posição que não corresponde ao verdadeiro valor da equipa. No caso da formação bracarense os resultados têm sido manifestamente piores que as exibições e os reforços de Inverno poderão ser importantes para que os minhotos recuperem a desvantagem pontual (não estão assim tão longe dos lugares europeus apesar de ocuparem o 7º lugar). Ainda assim, fica a ideia de que um início diferente poderia ser um tónico para os jogadores ambicionarem mais que um lugar na Liga Europa (a qualidade do plantel exige a luta por um lugar no top3).

NOTA: As exibições irregulares de Benfica e FC Porto só não merecem maior destaque pela negativa por não estarem a ser comprometedoras. Na primeira volta do campeonato houve ainda duas meias-surpresas, uma pela positiva, outra pela negativa: Gil Vicente (prometia ser a revelação da Liga mas "caiu na realidade") e Marítimo (a defesa não tem sido "amiga" de Pedro Martins).

Liga Europa: Os 32 classificados

Liga Europa: Os 32 classificados
Já são conhecidas as equipas que vão estar presentes no sorteio da próxima semana no que diz respeito à Liga Europa. À semelhança do que irá acontecer na Liga dos Campeões, também nesta competição observar-se-ão duelos muito interessantes face às fortes equipas que não serão cabeças-de-série. Os relegados Benfica e FC Porto - os encarnados jogarão a segunda mão em casa, ao contrário dos portistas, por serem cabeças-de-série - poderão ter tarefas bem difíceis antes de chegarem a uma fase avançada do torneio. Eis os possíveis adversários de cada uma das equipas portuguesas:

Benfica: Juventus, Ajax, Lazio, D. Kiev, Swansea, Plzen, Dnipro, Bétis, Anzhi, PAOK, Maccabi Tel-Aviv, Esbjerg, Ch. Odessa, Slovan Liberec e Maribor

FC Porto: Nápoles, Shakhtar, Valência, Tottenham, Rubin, Sevilha, Basileia, Ein. Frankfurt, Trabzonspor, Lyon, Fiorentina, Genk, AZ Alkmaar, Red Bull Salzburgo e Ludogorets


Das equipas portuguesas em prova na fase de grupos da Liga Europa, o Vit. Guimarães foi quem sonhou mais alto durante um período de tempo mais longo, mas o golo sofrido em casa frente ao Bétis foi um autêntico balde de água fria nas aspirações dos vimaranenses. A outra equipa que apresentou um futebol mais positivo foi o Estoril. No entanto, a ineficácia ofensiva, os erros defensivos infantis e os deslizes em casa foram fatais para o conjunto liderado por Marco Silva, que terminou a sua estreia na prova com 3 pontos e sem vitórias. Igual cenário registou-se com o Paços de Ferreira, que não teve argumentos suficientes perante Fiorentina e Dnipro (o empate frente aos italianos foi o melhor registo desta particpação pacense em provas de alto nível). De resto, PSV, Din. Zagreb, Wigan e Bordéus foram as maiores desilusões numa prova que até registou algumas surpresas pela positiva.

Quando o sonho se transforma em pesadelo

Quando o sonho se transforma em pesadelo
O Braga falhou o acesso à fase de grupos da Liga Europa, Paços de Ferreira, Estoril e Vit. Guimarães falharam a passagem à próxima fase dessa mesma competição, Benfica e FC Porto têm neste momento pé e meio fora da Liga dos Campeões. Aquele que podia ter sido um dos melhores anos para Portugal a nível continental (Benfica e FC Porto tinham grupos acessíveis, na Liga Europa sonhava-se em grande) está-se a tornar no cenário exactamente oposto.

De um lado tínhamos equipas que lutaram até às últimas jornadas pelo título do campeonato. Equipas que dispõem de jogadores apenas ao alcance das melhores equipas europeias, capazes de ombrear grande parte dos tubarões europeus (aliás, ao Benfica só faltou a estrelinha de campeão para bater o Chelsea na final da Liga Europa da temporada transacta). Equipas que tinham a obrigação de estar nos oitavos-de-final da liga milionária (Olympiacos e Zenit, apesar de contarem com jogadores de qualidade, não são em nada superiores a águias e dragões) e com isso amealhar ainda mais pontos para Portugal no ranking da UEFA. Quer tenha sido por exibições menos inspiradas, por um "vilão" espanhol que se revelou "herói grego" em Atenas, por um "super-herói" brasileiro que esteve a um penálti de distância de "esmagar" a sua antiga equipa, por climas adversos, por expulsões infantis, certo é que Benfica e FC Porto estão a ser encaminhados para a Liga Europa onde serão a par de mais duas ou três equipas - já contando com os restantes companheiros de viagem que descerão um lugar na sua etapa europeia - os grandes favoritos a vencer a prova.

Do outro lado tínhamos formações que deram boas indicações há uns meses mas que pouco ou nada fizeram de especial nesta edição da Liga Europa. O Estoril, que foi prejudicado por alguma falta de sorte, acumulou erros defensivos; o Paços de Ferreira, que ficou sem grande parte das peças que lhe valeram um inesquecível 3ºlugar, foi uma sombra daquilo que tinha sido durante os doze meses anteriores; o Vit. Guimarães, que começou bem a sua campanha europeia, foi descendo de nível culminando com um empate fatídico em Rijeka. E depois ainda há o caso do Sp. Braga, que foi vergado pelo modesto Pandurii ainda antes do sorteio dos grupos da Liga Europa, e que era a maior esperança entre os quatro clubes portugueses.

Aquilo que podia ter sido um ano de sonho para alguns clubes, virou pesadelo. Aquele que podia ter sido o ano em que finalmente nos distanciaríamos da França, acabou por se tornar no ano em que a margem pontual se vai desvanecendo aos poucos. Aqueles que dão maior relevância ao campeonato são também os que se esquecem que o número de vagas europeias pode diminuir consoante as prestações continentais. Será possível dar a volta à situação ainda esta época?

Benfica: Grande exibição de Enzo e eficácia de Garay dão triunfo aos encarnados

Benfica: Grande exibição de Enzo e eficácia de Garay dão triunfo aos encarnados
Num jogo que marcou as estreias de Siqueira (alvo de uma substituição forçada no segundo tempo devido a problemas musculares), Fejsa (suplente utilizado) e Markovic enquanto titular, o Benfica recebeu e venceu o Paços de Ferreira por 3-1. Sem muita margem de manobra os encarnados tentaram tomar a dianteira da partida logo à partida e adiantaram-se no marcador através de uma boa jogada pelo flanco esquerdo concluída por Enzo Pérez após passe de Lima. O Paços tentou responder (andou perto da baliza encarnada por três ocasiões) mas foi o Benfica que fez o segundo golo da partida - golo de Garay - num lance de laboratório na sequência de uma bola parada. Lima podia ter feito o terceiro antes do intervalo mas o guarda-redes pacense evitou tal cenário. Numa segunda parte mais pobre em termos de oportunidades de golo o Paços de Ferreira reduziu a desvantagem por intermédio de Rúben, mas no lance seguinte a equipa da casa, novamente por Garay sentenciou o resultado (3-1).


Benfica: O meio-campo revelou uma consistência completamente diferente e a presença de um elemento como Cardozo na frente de ataque faz logo uma grande diferença. No entanto, apesar da exibição ter sido a mais conseguida desta época, ainda continuam a escassear ocasiões de perigo e a persistir alguns erros defensivos infantis. Garay destacou-se pelos seus dois golos e por ter oferecido segurança à defesa (esteve melhor que Luisão) mas o grande destaque vai para Enzo Pérez - marcou um golo, fez uma assistência, recuperou várias bolas e destabilizou por completo a formação pacense. Siqueira fez uma exibição razoável antes de ter sido substituído (oferece uma nova dinâmica ao ataque, mas precisa de apreender mecanismos os defensivos do treinador) e Fejsa foi um autêntico pronto-socorro no meio-campo revelando muita competência defensiva ao lado de Matic. Destacar pela negativa algumas debilidades de Artur - não está isento de culpas no golo sofrido e parece cada vez mais nervoso sempre que a bola chega aos seus pés.

Paços de Ferreira: Costinha vai ter de dar a volta ao seu grupo - época oficial apenas com derrotas, vários golos sofridos e uma equipa com várias dificuldades em diferentes momentos do jogo. Defensivamente é uma equipa que treme bastante e o meio-campo está longe de convencer (a dupla atacante Carlão-Bebé não pôde ser estreada mas nota-se que é o sector mais avançado que oferece mais garantias). Hélder Lopes teve várias dificuldades em travar as acções de Enzo; Séri e Sérgio Oliveira não se conseguiram impor no meio-campo. Bebé desequilibrou mas só teve um lance digno de perigo para a baliza de Artur, ao passo que Rúben foi o elemento mais inconformado culminando a sua exibição com um golo.

Grupos complicados para Paços, Guimarães e Estoril

Grupos complicados para Paços, Guimarães e Estoril
Após Benfica e FC Porto terem ficado a conhecer os seus adversários na Liga dos Campeões, hoje foi a vez de Paços de Ferreira, Vit. Guimarães e Estoril saberem os seus opositores na Liga Europa. O sorteio não foi favorável às equipas portuguesas, nomeadamente ao nível dos cabeças-de-série - Fiorentina, Sevilha e Lyon -, três candidatos a chegar longe na competição (para já o principal favorito à conquista do troféu é o Tottenham).
 
Grupo A: Valência, Swansea, Kuban, St. Gallen
Grupo B: PSV, D. Zagreb, Chornomorets, Ludogorets
Grupo C: St. Liège; Red Bull Salzburgo, Elfsborg, Esbjerg
Grupo D: Rubin, Wigan, Maribor, Zulte
Grupo E: Fiorentina, Dnipro, PAÇOS DE FERREIRA, Pandurii
Grupo F: Bordéus, APOEL, Eintracht Frankfurt, M. Tel-Aviv
Grupo G: D. Kiev, Genk, Rapid Viena, Thun
Grupo H: Sevilha, Friburgo, ESTORIL, Slovan Liberec
Grupo I: Lyon, Bétis, VIT. GUIMARÃES, Rijeka
Grupo J: Lazio, Trabzonspor, Légia, Apollon
Grupo K: Tottenham, Anzhi, Sheriff, Tromso
Grupo L: AZ, PAOK, M. Haifa, Shakhter
 
 
Teoricamente, o Paços de Ferreira é a equipa com a tarefa mais espinhosa pela frente. A Fiorentina tem-se reforçado muito bem (pode ser uma das surpresas agradáveis da Serie A desta temporada) e é a principal candidata à vitória do grupo. O Dnipro é uma equipa muito perigosa, com jogadores fortes tecnicamente e com rotinas europeias muito superiores às do Paços, enquanto que o Pandurii não pode ser subestimado (a eliminação do Braga é um alerta).
 
No grupo H o cenário é mais positivo. O Sevilha é o claro favorito, mas está longe de ser o pior cabeça-de-série que podia ter calhado. Aliás, se considerarmos que o Estoril é uma equipa capaz de fazer frente aos principais emblemas portugueses, pontuar contra os espanhóis e os alemães do Friburgo (recentemente roubou pontos ao Bayern) não é tarefa impossível e a equipa de Marco Silva pode ser protagonista de uma surpresa nesta Liga Europa. Contudo, é importante não escorregar frente ao Slovan Liberec.
 
Ao Vit. Guimarães calhou uma das favas do sorteio. Depois da eliminação perante a Real Sociedad, o Lyon tornou-se numa das sérias ameaças da competição. Com o Bétis também no grupo, a formação minhota terá de fazer valer o factor casa e derrotar o Rijeka se quiser alimentar as suas esperanças.