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Muralha Russa

Já tinha sido destacado na Equipa do Mês de Outubro e está-se a tornar na grande figura do campeonato na sua posição. Isto depois de um ano em que foi suplente de Matheus, cujos minutos se restringem, agora, aos jogos da Liga Europa, e em que deu uma boa réplica sempre que foi chamado a intervir (6 clean-sheets em 11 jogos da Liga e uma exibição memorável num jogo da Taça de Portugal, no terreno do Benfica). Kritciuk, guarda-redes de 25 anos do Sp. Braga, somou o seu quinto jogo consecutivo sem qualquer golo encaixado. Líder da Liga em clean-sheets (6, em igualdade com Casillas), as boas exibições ante Vit. Guimarães (fora), Arouca (casa), FC Porto (fora), Belenenses (casa) e, mais recentemente, U. Madeira (fora) permitem que o russo continue a ser o único jogador da Liga sem golos sofridos nos meses de Outubro e Novembro [Sp. Braga 5-1 Marítimo, com um golo de Dyego Sousa, foi o último jogo em que a bola entrou na sua baliza]. A própria estatística mostra que o seu número de defesas aumentou consideravelmente nos últimos cinco jogos, o que se traduz na classificação da equipa minhota entre as melhores defesas do campeonato (1º lugar, com apenas 5 golos sofridos, tantos quanto o FC Porto, que tem um jogo a menos) e na tabela classificativa (3º lugar). Também merece uma atenção especial a defesa do Sp. Braga, sobretudo a jovem dupla de centrais constituída por Wily Boly, que cada vez mais adquire um papel imprescindível neste sector, e Ricardo Ferreira, que tem merecido a confiança de Paulo Fonseca e até já se estreou a marcar no campeonato.

Esforço épico devolve a glória ao leão

Esforço épico devolve a glória ao leão
Sporting 2-2 Sp. Braga (3-1 após g.p.)
(Slimani 83', Montero 90'+2; Éder g.p. 16', Rafa 25')

Jogo digno de uma final. Numa reviravolta com proporções épicas, o Sporting venceu a Taça de Portugal pela 16ª vez e quebrou um jejum de títulos que já se arrastava desde 2008. O encontro ficou pautado desde cedo pela agressividade dos minhotos, que terminaram o jogo com o dobro das faltas face ao Sporting, e pelos erros defensivos que ditaram os dois golos do Sp. Braga, o primeiro apontado por Éder a castigar um penálti cometido por Cédric (expulso nesse lance) e o segundo por Rafa perante a passividade dos laterais sportinguistas. Meia hora de jogo e o Sp. Braga já liderava por 2-0 e a jogar contra 10. A partir daí, os guerreiros limitaram-se a explorar as transições e foi valendo Kritciuk perante o crescimento do Sporting na partida. O Sp. Braga ia desperdiçando a hipótese de resolver o jogo e o Sporting ganhava novo ânimo aos 83' quando Slimani aproveitou um erro defensivo para reduzir o marcador. Já em cima dos 90', foi Montero a levar o jogo para prolongamento. Nesta etapa o cansaço fez-se sentir e a expulsão de Mauro foi o mote para a final ser apenas decidida nos penáltis. Aí valeu o desperdício do Sp. Braga e um Rui Patrício que já havia dado de si no prolongamento a garantir o título no Jamor.

Sporting: A defesa revelou-se como o sector mais débil da equipa ao longo da época neste jogo tão decisivo mas isso acabou por ser atenuado pela reacção da equipa face às adversidades. Jogar tanto tempo com um homem a menos e estar sempre em cima do adversário acaba por ter mérito para quem se encontra em desvantagem. Marco Silva, indissociável a este triunfo, acertou em cheio nas substituições - Mané a lateral foi uma aposta ganha e Montero foi decisivo - e merece bastante crédito pela forma como a equipa nunca pareceu dar-se por derrotada e pelo resultado alcançado. O avançado colombiano conseguiu abrir buracos na defesa bracarense que foram devidamente aproveitados por ele e por Slimani (melhorou na segunda parte). Nani também esteve bastante irreverente mas foi acusando a fadiga com o desenrolar do jogo e Carrillo esteve muito apagado.

Sp. Braga: A qualidade das duas equipas não é assim tão díspar ao ponto de justificar o que se passou no Jamor. A jogar com um homem a mais acaba por ser um pouco humilhante este castigo para os homens de Sérgio Conceição, que falhou completamente na abordagem ao jogo depois do segundo golo da sua equipa (preferiu defender em vez de se aproveitar da superioridade numérica). Sendo igualmente verdade que os jogadores do Sp. Braga também se podem culpar de si próprios pelos erros cometidos, não deixa de haver muita culpa associada ao treinador. A entrada de Alan foi um dos momentos do jogo do ponto de vista táctico, uma vez que desequilibrou o meio-campo dos minhotos (o miolo defensivo foi um desastre nos últimos 25 minutos) e permitiu ao Sporting aproximar-se da baliza de Kritciuk, guarda-redes que fez uma exibição peculiarmente irregular. Djavan (nota-se que sabe atacar bem), Rafa (muito mérito na forma como lutou), Éder (deu bastante trabalho lá na frente) e Salvador Agra (suplente de excelência que mexeu bem com a partida) destacaram-se pela positiva.

Primeira volta do campeonato português: Destaques e desilusões (parte IV)

Primeira volta do campeonato português: Destaques e desilusões (parte IV)
Altura de fazer um breve balanço da primeira metade da Liga Zon-Sagres. O Benfica encontra-se neste momento em primeiro lugar mas um pequeno deslize dos encarnados poderá ser suficiente para Sporting ou FC Porto voltarem à liderança do campeonato. Por outro lado, Paços de Ferreira e Olhanense (em igualdade pontual com o Belenenses) terminaram a primeira volta  nos últimos lugares, embora houvesse uma diferença de apenas 6 pontos entre o 15º e o 8º classificado.

Analisada a primeira volta dos três grandes, será demasiado redundante dizer que o Sporting é a equipa que mais evoluiu desde a temporada passada e que tem sido uma das surpresas pela positiva. Além dos leões destaca-se o Estoril, conjunto que disputou a Liga Europa mas que conseguiu manter um lugar entre os quatro primeiros classificados (só esteve fora do top4 em quatro jornadas). Feito impressionante dado que o clube teve de contornar as saídas de Jefferson, Carlos Eduardo, Licá, Steven Vitória e, mais recentemente, Luís Leal, todos eles habituais titulares. Pela negativa destacam-se três clubes. O Paços de Ferreira é o caso mais flagrante. Costinha não conseguiu tomar conta do legado deixado pelo seu antecessor (a saída de alguns jogadores não ajudou, mas os castores deviam estar a lutar por um lugar a meio da tabela) abandonando a equipa a meio da primeira volta e o seu sucessor Henrique Calisto ainda não colocou a equipa a respirar de forma mais aliviada. O Sp. Braga é a outra equipa que se encontra numa posição que não corresponde ao verdadeiro valor da equipa. No caso da formação bracarense os resultados têm sido manifestamente piores que as exibições e os reforços de Inverno poderão ser importantes para que os minhotos recuperem a desvantagem pontual (não estão assim tão longe dos lugares europeus apesar de ocuparem o 7º lugar). Ainda assim, fica a ideia de que um início diferente poderia ser um tónico para os jogadores ambicionarem mais que um lugar na Liga Europa (a qualidade do plantel exige a luta por um lugar no top3).

NOTA: As exibições irregulares de Benfica e FC Porto só não merecem maior destaque pela negativa por não estarem a ser comprometedoras. Na primeira volta do campeonato houve ainda duas meias-surpresas, uma pela positiva, outra pela negativa: Gil Vicente (prometia ser a revelação da Liga mas "caiu na realidade") e Marítimo (a defesa não tem sido "amiga" de Pedro Martins).

Quando o sonho se transforma em pesadelo

Quando o sonho se transforma em pesadelo
O Braga falhou o acesso à fase de grupos da Liga Europa, Paços de Ferreira, Estoril e Vit. Guimarães falharam a passagem à próxima fase dessa mesma competição, Benfica e FC Porto têm neste momento pé e meio fora da Liga dos Campeões. Aquele que podia ter sido um dos melhores anos para Portugal a nível continental (Benfica e FC Porto tinham grupos acessíveis, na Liga Europa sonhava-se em grande) está-se a tornar no cenário exactamente oposto.

De um lado tínhamos equipas que lutaram até às últimas jornadas pelo título do campeonato. Equipas que dispõem de jogadores apenas ao alcance das melhores equipas europeias, capazes de ombrear grande parte dos tubarões europeus (aliás, ao Benfica só faltou a estrelinha de campeão para bater o Chelsea na final da Liga Europa da temporada transacta). Equipas que tinham a obrigação de estar nos oitavos-de-final da liga milionária (Olympiacos e Zenit, apesar de contarem com jogadores de qualidade, não são em nada superiores a águias e dragões) e com isso amealhar ainda mais pontos para Portugal no ranking da UEFA. Quer tenha sido por exibições menos inspiradas, por um "vilão" espanhol que se revelou "herói grego" em Atenas, por um "super-herói" brasileiro que esteve a um penálti de distância de "esmagar" a sua antiga equipa, por climas adversos, por expulsões infantis, certo é que Benfica e FC Porto estão a ser encaminhados para a Liga Europa onde serão a par de mais duas ou três equipas - já contando com os restantes companheiros de viagem que descerão um lugar na sua etapa europeia - os grandes favoritos a vencer a prova.

Do outro lado tínhamos formações que deram boas indicações há uns meses mas que pouco ou nada fizeram de especial nesta edição da Liga Europa. O Estoril, que foi prejudicado por alguma falta de sorte, acumulou erros defensivos; o Paços de Ferreira, que ficou sem grande parte das peças que lhe valeram um inesquecível 3ºlugar, foi uma sombra daquilo que tinha sido durante os doze meses anteriores; o Vit. Guimarães, que começou bem a sua campanha europeia, foi descendo de nível culminando com um empate fatídico em Rijeka. E depois ainda há o caso do Sp. Braga, que foi vergado pelo modesto Pandurii ainda antes do sorteio dos grupos da Liga Europa, e que era a maior esperança entre os quatro clubes portugueses.

Aquilo que podia ter sido um ano de sonho para alguns clubes, virou pesadelo. Aquele que podia ter sido o ano em que finalmente nos distanciaríamos da França, acabou por se tornar no ano em que a margem pontual se vai desvanecendo aos poucos. Aqueles que dão maior relevância ao campeonato são também os que se esquecem que o número de vagas europeias pode diminuir consoante as prestações continentais. Será possível dar a volta à situação ainda esta época?

Sp. Braga: 2 meses sem vencer para a Liga

Antes de mais, e a jeito introdutório, não deixa de ser curioso que a equipa bracarense não regista qualquer empate em competições oficiais esta época (apenas vitórias e derrotas). Com o desaire de hoje no Estádio da Luz, o Sp. Braga registou a sua quinta derrota consecutiva em jogos a contar para a Liga Zon-Sagres (não vence desde o dia 20 de Setembro). A partir do momento em que o Sp. Braga bateu o Arouca já no final de Setembro, as únicas vitórias registaram-se para a Taça de Portugal (diante de Gafetense e Olhanense). Aliás, se analisarmos o calendário dos minhotos,  próximo adversário será justamente a formação algarvia. Depois, além da recepção ao Vit. Setúbal e dos jogos a contar para a Taça da Liga, o Sp. Braga desloca-se ao terreno do FC Porto e do Marítimo. Numa altura em que o Sp. Braga ocupa a 9ª posição, o cenário está longe de ser animador (relembre-se que a equipa já não está presente nas competições europeias). Estaremos a assistir à pior época do Sp. Braga nos últimos cinco anos (altura em que o clube até lutava pelo título)? Indo mais longe: num ano em que se esperava uma eventual luta a quatro pelo título, será que está a acontecer ao Sp. Braga aquilo que se passou com o Sporting nos últimos tempos?