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Taça das Confederações: balanço geral

Taça das Confederações: balanço geral
Brasil campeão invicto, Espanha a não conseguir espelhar nesta prova (pela segunda vez consecutiva) a sua hegemonia mundial, Neymar eleito o melhor jogador da Taça das Confederações. São estes os aspectos mais importantes da prova que teve lugar no Brasil em Junho deste ano e que culminou com a conquista do troféu por parte da selecção da casa. Uma semana depois é altura de recordar os principais destaques.
 
 
Selecção em destaque: O Brasil de Scolari conquistou cinco vitórias em outros tantos jogos e marcou posição para o Campeonato do Mundo do próximo ano, também disputado no país. Muitos foram os que colocaram interrogações quanto à capacidade de Scolari orientar a selecção canarinha e de conseguir uma conquista tão prematuramente (os jogadores que agora tem a seu dispor são completamente diferentes daqueles que treinou quando se sagrou campeão mundial pela última vez). Scolari provou que o grupo canarinho tem potencial para ser um dos sérios candidatos à conquista do Mundial de 2014, apesar de ainda ter de melhorar certos aspectos.
 
Jogadores em destaque: Para quem duvidava da capacidade de Neymar, esta Taça das Confederações foi um belo aperitivo para o que o jovem brasileiro poderá vir a fazer no Barcelona. Espalhou magia, mostrou que é ágil, tecnicista e pode decidir um jogo a qualquer instante. A inteligência de Iniesta, a dupla Cavani-Suaréz e a consistência táctica dos jogadores italianos também merecem uma nota de destaque.
 
Aspecto em destaque: Podia ser a goleada espanhola diante do Taiti ou a grande partida que opôs Japão e Itália, mas penso que será mais justo destacar a forma como Itália e Brasil anularam o tiki-taka espanhol. Saber marcar os jogadores certos, posicionar-se bem no terreno e pressionar de forma agressiva impedindo linhas de passe foram as chaves usadas por ambas as selecções. Uma passou, outra não. A que passou venceu por 3-0 e sagrou-se campeã.

Taça das Confederações: antecipando o Espanha vs Itália (parte II)

Tendo em conta o jogo de hoje que irá colocar frente a frente os finalistas do Campeonato da Europa de 2012 - Espanha e Itália -, resolvi analisar a evolução de ambas as selecções desde 2006, ano em que a Itália venceu o Campeonato do Mundo e que marcou o início da "era espanhola". Após ter apresentado os dados estatísticos referentes à selecção italiana, é chegada a vez de fazer o mesmo em relação ao conjunto espanhol.
 
 
Se por um lado a Itália apresentou quebras de rendimento que marcaram pela negativa a participação em provas máximas (exceptuando o Euro 2012), no caso da Espanha o cenário é totalmente diferente - meio-campo de luxo, tiki-taka irrepreensível e uma hegemonia que ficará para a história do futebol:
- Depois da Itália ter conquistado o Mundial em 2006, a Espanha só não arrebatou um troféu - Taça das Confederações (2009)
- A Espanha não perdeu um único jogo de qualificação desde 2007 e só foi derrotada por uma vez (obra da Suíça) em fases finais de Campeonatos Europeus e Mundiais
- Incríveis registos defensivos e ofensivos (já para não falar das percentagens de posse de bola, que não estão representadas na tabela)
- Um registo de golos sempre positivo desde 2006, independentemente da natureza do jogo (amigável, jogo de qualificação, fase final)
 
Será justo afirmar que esta selecção espanhola é uma das três melhores de todos os tempos no que concerne ao futebol mundial? Até quando irá durar este domínio espanhol (imbatível há 51(!) jogos de Campeonatos Europeus e Mundiais, se contarmos com os  das fases de qualificação)? Partindo de um plano geral para outro mais particular: quem vencerá o jogo de hoje? A Itália (afectada por algumas lesões) terá hipóteses de emendar o resultado de 2012? Creio que será muito complicado, mas no futebol (como em qualquer outro desporto) surpresas acontecem...
 
 
NOTA: As informações apresentadas no quadro estão compreendidas entre Janeiro de 2006 e a data de publicação deste artigo
* Jogo decidido nos penaltis (ganho)
** Jogo decidido nos penaltis (perdido)
 

Taça das Confederações: antecipando o Espanha vs Itália (parte I)


Espanha e Itália disputarão amanhã a segunda meia-final, naquela que será uma reedição da final do último Campeonato da Europa, na altura vencido pelos ibéricos (4-0). Frente a frente irão estar as duas nações carismáticas no que ao futebol internacional diz respeito e as últimas a vencer o Campeonato do Mundo. Aliás, desde 2006, ano em que a Itália conquistou o Campeonato do Mundo, a hegemonia espanhola tem sido avassaladora. Como têm sido os percursos de ambas as selecções desde essa competição?
 
 
A Itália tem feito uma caminhada irregular e algo peculiar depois de ter conquistado o Campeonato do Mundo de 2006:
- Os melhores registos remetem para as fases de qualificação para Campeonatos da Europa ou do Mundo (apenas uma derrota desde 2006 e um registo de golos sempre positivo)
- Existe um registo negativo de golos em todas as grandes competições posteriores ao Campeonato do Mundo de 2006
- Em cinco grandes competições, a Itália já venceu uma (2006)e foi finalista vencida noutra (2012); no entanto, também não passou da fase de grupos em duas ocasiões (2009 e 2010)
 
Como se explica esta incapacidade da Itália se afirmar nas grandes competições desde 2006? A final da Liga dos Campeões desse ano foi disputada por dois clubes italianos, a Bola de Ouro desse ano foi entregue a Cannavaro (Buffon em segundo), os italianos venceram o Campeonato do Mundo e no ano seguinte o AC Milan ganhou a Liga dos Campeões. Como se explica a quebra de rendimento? O Campeonato Europeu de 2012 foi o ponto de viragem?
 
 
NOTA: As informações apresentadas no quadro estão compreendidas entre Janeiro de 2006 e a data de publicação deste artigo
* Jogo decidido nos penaltis (ganho)
** Jogo decidido nos penaltis (perdido)
 

Taiti: a oportunidade de representar a Oceânia

Taiti: a oportunidade de representar a Oceânia
No seguimento da goleada imposta pela Espanha no seu último jogo, o blog Visão de Mercado, um dos mais conceituados a nível nacional (e internacional), publicou um artigo interessante relativo à coerência de se ter uma selecção como a do Taiti a disputar a prova da Taça das Confederações.
 
 
Faz sentido que as nações da Oceânia mereçam ter a oportunidade de participar numa prova mais competitiva (neste caso, a Taça das Confederações)? Para que os níveis de competitividade não diminuam significativamente nesta prova, será que a  desintegração das nações da Oceânia seria uma medida acertada? O Taiti chegou a esta edição da Taça das Confederações com todo o mérito (independentemente dos adversários que teve pelo caminho). Aquilo que está a acontecer com o Taiti poderia acontecer em qualquer outra prova prestigiada (por exemplo: nem sempre o vencedor da Taça de Portugal é uma equipa forte. Se venceu a prova tem todo o mérito. Vencendo, ficará apurado para as competições continentais, onde se sujeitará a defrontar algumas das equipas mais fortes a nível mundial e a resultados mais desequilibrados.). Além do mais, como o próprio nome indica, trata-se de uma competição onde cada uma das confederações é representada pela sua selecção mais forte (face ao desempenho nas principais provas internacionais) e, como tal, o Taiti merece a oportunidade de representar o seu contingente e não ser inserido noutro devido à qualidade dos seus jogadores internacionais.
 
Tal como o mesmo blog alerta, não faz sentido defender a participação do Taiti nesta prova e também defender a da Austrália (agora integrada nas competições asiáticas devido a discrepâncias no nível competitivo). Existem campeonatos espalhados um pouco por todo o mundo onde o campeão é praticamente sempre o mesmo. Mas se a Austrália, pese o facto de ser tremendamente superior face às restantes selecções da Oceânia, tem a oportunidade de representar o seu continente e opta por defrontar quem faz parte da Ásia, há que criticar essa postura (não devem ser os australianos a procurar maior competitividade, mas as outras nações oceânicas a oferecê-la e a melhorar nesse sentido) e concordar com o ponto de vista do Visão de Mercado. No mesmo sentido, penso que integrar todas as selecções num só contingente não será a melhor solução.