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Aprender com os erros do passado

Muitas eram as incógnitas em torno do FC Porto da época passada. O clube havia revalidado o título após um deslize do seu maior rival lisboeta, viu elementos nucleares como João Moutinho e James Rodríguez partir para o Monaco e em resposta contratou jogadores que não ofereciam garantias a curto prazo e mudou de treinador apesar de Vítor Pereira ter apenas concedido uma derrota nos dois campeonatos que conquistou. O resultado foi desastroso: Paulo Fonseca foi perdendo gás com o passar dos meses - acabou por ser despedido a meio da época - e o FC Porto terminou a temporada em 3.º lugar no campeonato e com um "título menor" (Supertaça Portuguesa).

Nova época. Regresso das incógnitas. Para evitar novo descalabro, Pinto da Costa resolveu trazer um treinador com cultura vencedora para a Invicta. Lopetegui cedo começou a definir os pontos fracos da equipa e a preparar um plantel capaz de voltar aos títulos. Os alvos foram antecipadamente identificados, os seus contratos prontamente fechados e a sua qualidade é indubitável. A direcção respondeu bem às saídas de Fernando (rendeu um bom encaixe aos cofres dos azuis e brancos) e Mangala (prestes a ser oficializada) contratando Bruno Martins Indi e Casemiro e acrescentando qualidade nos sectores mais avançados - Óliver Torres, Adrián e Tello -, fruto das boas relações entre os alvos e o técnico espanhol. Para já o FC Porto parte como favorito para a temporada que se avizinha. Ainda nem chegámos à última semana de Julho e os dragões já têm o plantel praticamente fechado e recheado de opções de alto gabarito. Esta é, de facto, a grande diferença entre o "FC Porto 2013/14" e o "FC Porto 2014/15". O projecto actual é aliciante. Resta saber se irá garantir os frutos desejados.

Sá Pinto, o "deus grego"

OFI Creta. É este o nome do clube ao qual Sá Pinto se juntou para abraçar um dos maiores desafios da sua vida. Esta modesta equipa da Liga Grega ocupava a 16.ª e antepenúltima posição aquando da chegada do ex-jogador e treinador do Sporting. Desfecho? Sá Pinto foi o autor de um autêntico esforço heróico, digno das maiores figuras da mitologia grega. Talvez seja uma descrição exagerada, mas o trabalho realizado pelo técnico foi verdadeiramente notável. Além de ter evitado a despromoção, levou o clube a um honroso 7.º lugar... e ainda tem a possibilidade de se qualificar para a Europa via Taça da Grécia!

Posição que foi ocupando na Liga ao longo das jornadas que disputou
Vamos por partes. Quando chegou ao OFI Creta, Sá Pinto encontrou uma equipa desmotivada, com apenas 5 pontos, frutos de outros tantos empates ao cabo de seis rondas da liga. O objectivo era bem claro: fugir aos últimos lugares e tentar manter a equipa no principal escalão. Juntamente com Daniel Fernandes e Milhazes - os dois portugueses do plantel - e com Dudu Cearense (um dos reforços) em especial evidência, o OFI Creta foi subindo na classificação e esteve perto de terminar o campeonato na 6.ª posição (a qualificação europeia apenas é possível do 5.º lugar para cima), não fosse a derrota na derradeira jornada.

Além da fantástica epopeia no campeonato, Sá Pinto também conseguiu guiar o clube às meias-finais da Taça, onde defronta o Panathinaikos. Para já, o OFI Creta leva uma vantagem caseira (1-0) do encontro da 1.ª mão. Caso chegue à final, e se o Olympiacos (defronta o PAOK) for o outro finalista, a presença na Liga Europa fica desde logo assegurada, uma vez que a equipa de Paulo Machado se sagrou campeã na liga e tem, por esse motivo, lugar garantido na Liga dos Campeões. Se o percurso no campeonato já é digno de uma nota especial, uma final da Taça consagraria Sá Pinto a "deus grego". Conseguirá o treinador português chegar "ao topo do Olimpo"?

À espera de um milagre

À espera de um milagre
Quando o FC Porto defrontou o Vit. Guimarães para a Supertaça de Portugal, poucos foram os adeptos que imaginaram a possibilidade de os azuis e brancos demonstrarem tamanhas fragilidades como as que tem apresentado. Uma coisa é certa: este é o pior plantel - na medida em que não possui as mesmas armas - do FC Porto, nos últimos anos. Paulo Fonseca não pode acarretar com todas as culpas. O que não quer dizer que esteja isento delas. Porque não está.

Um dos alertas lançado à partida foi precisamente a necessidade de encontrar alguém capaz desequilibrar nas alas após a saída de James Rodríguez (Varela já tinha lugar cativo do outro lado do campo). Exigia-se alguém dotado tecnicamente, como o colombiano. Quem ocuparia a vaga? Iturbe? Kelvin? Quintero? O primeiro, e talvez mais natural candidato à vaga, foi emprestado, o segundo continua a não receber oportunidades, o terceiro ia entrando a tempos no início da época (agora nem isso). A aposta acabou por recair em Licá (começou bem a temporada mas as suas limitações são evidentes) e Josué (tem lugar cativo neste plantel, mas não naquela posição). Quaresma ainda foi contratado para debelar danos e tem sido o extremo mais inconformado do FC Porto. Mas não tem chegado.

Ao se falar na transferência de James é necessário falar na de Moutinho. O português era a peça-chave do meio-campo. Pressionava, construía, corria quilómetros e era o principal pulmão do sector intermediário dos azuis e brancos. Agora não existe ninguém que esteja ao nível (ou desempenhe as funções) de Moutinho. Herrera não tem a sua categoria e Defour, não tendo também a qualidade do internacional português, continua a não entrar no onze. Como se já não bastasse a brecha deixada pela sua saída, a transferência de Lucho acentuou os problemas tácticos de Paulo Fonseca. Fernando tem tentado aguentar o meio-campo como pode - mesmo jogando fora do seu habitat natural, o "Polvo" tem sido um dos poucos destaques positivos desta equipa. Mas não tem chegado.

Os problemas dentro das quatro linhas acumulam-se. Mas a maior culpa que Paulo Fonseca tem relativamente a esta época medíocre do FC Porto regista-se precisamente fora dos relvados. O FC Porto já perdia antes da época ter início. Perdia peças-chave do seu esquema e não as substituía. Perdia na confiança que não depositava nos substitutos dessas peças-chave. A questão da renovação de Fernando, a transferência de Otamendi e a perda de um símbolo como Lucho foram os expoentes máximos de uma gestão longe de ser perfeita. E o clube ressente-se. Não deixa de ser curioso registar que, desde o fecho do mercado de Inverno, o FC Porto apenas tem três vitórias em sete partidas. Os jogadores sentem que o treinador não vive intensamente os jogos e não tem a mesma paixão pelo clube como os técnicos anteriores (AVB e Vítor Pereira) tinham. Sentem que os adeptos não estão contentes com a sua exibição e que os assobios são cada vez mais frequentes. Sentem que as exibições estão longe de ser perfeitas. Sentem que o campeonato está a fugir. E Paulo Fonseca tem consciência do que se passa. Vai tentando fazer o seu melhor, com "confiança cega" no seu trabalho, esperando por um milagre. Mas não tem chegado.

Quando a cabeça não acompanha o talento

Quando a cabeça não acompanha o talento
Tinha tudo para ser uma das maiores referências do futebol africano... No início de 2006, o Arsenal, clube que sempre apostou em jovens talentos, foi buscar Emmanuel Adebayor ao Mónaco. Impressionava pela sua técnica e estatura e era apontado como uma das maiores promessas na sua posição. Apesar de não ter sido uma das peças-chave de Wenger, que o via como um "novo Kanu", o togolês exibia um apurado faro pelo golo e evidenciava-se ao lado de nomes como Henry ou Fabregas. Os anos foram passsando. Podia ter feito carreira no Arsenal e aí deixar a sua marca pessoal. No entanto, quando o Man. City lhe acenou um contrato milionário, nem hesitou em juntar-se aos citizens. Após um início prometedor, começou a ser relegado para segundo plano. As polémicas que marcaram a sua carreira e o salário elevado do qual não queria abrir mão mantinham-no à margem dos grandes palcos do futebol europeu. A sua capacidade estagnou. O Tottenham ainda o tentou resgatar (isto após um empréstimo bem-sucedido ao emblema de White Hart Lane) mas a saída de Harry Redknapp e a falta de confiança que AVB depositava no togolês (muito devido a certas atitudes do jogador) ditaram escassos minutos de utilização. Agora, com a saída do treinador português, terá uma nova oportunidade. Tarde demais?

A verdadeira surpresa da Premier League

A verdadeira surpresa da Premier League
Há umas semanas, o Southampton era visto como a grande surpresa da Premier League 2013/14. Nessa mesma altura, foi feita alusão ao calendário que esperava a equipa de Pochettino (os seis jogos difíceis materializaram-se em apenas 2 pontos, o que levou a uma queda acentuada na tabela classificativa). Mas havia outra equipa mais habituada a classificações estáveis que também se ia transcendendo, dadas as mudanças ocorridas durante o Verão. O Everton perdeu David Moyes para o Man. United, bem como a sua estrela belga, Fellaini, e decidiu contratar Roberto Martínez, técnico que tinha impulsionado o Swansea para uma época de sonho em 2012/13. Os resultados do conjunto toffee estão à vista: defesa menos batida do campeonato, boa pressão sobre o portador da bola e a afirmação de talentos como Lukaku (emprestado por Chelsea) e Ross Barkley (médio promissor). Não tendo as condições financeiras dos clubes de topo em Inglaterra e tendo um plantel inferior a Tottenham ou Newcastle (equipas que lutam declaradamente por um lugar europeu, se bem que os spurs têm plantel para mais), o Everton está a demonstrar que é capaz de ombrear qualquer equipa que lhe faça frente.

Robin das Arábias

Robin das Arábias
Todos conhecem o Robin dos Bosques, aquele "herói mítico" que rouba aos ricos para dar aos mais pobres. Na Arábia Saudita existe um técnico que apresenta algumas semelhanças com essa personagem fictícia, desportivamente falando. Não é "Lawrence" mas encontra-se nas "Arábias". Vítor Pereira, o ex-técnico do FC Porto, voltou a fazer das suas há alguns dias, "roubando" Luís Leal, um dos melhores jogadores a actuar no nosso campeonato e que não pertence a um dos "clubes grandes", para uma outra Liga técnica e tacticamente mais fraca como é a da Arábia Saudita. O caso já se torna recorrente pois em Setembro Vítor Pereira já tinha feito uma abordagem semelhante ao resgatar Mossoró e Suk a Braga e Marítimo, respectivamente. Fica a ganhar o Al-Ahli Jeddah, que se reforça com jogadores que demonstraram bons pormenores na nosso campeonato, e a carteira dos jogadores com os salários que agora vão auferindo. Perde, por outro lado, a Liga Portuguesa, que se vê privada de jogadores que conferiam uma qualidade adicional a qualquer estádio onde jogavam. Duas questões vêm logo à cabeça. Como é possível não ter havido um melhor aproveitamento do talento dos jogadores acima mencionados (fica a ideia de que os "grandes" perderam boas oportunidades de negócio)? O caso de Mossoró (30 anos) ainda se poderá perceber, mas como se explica que Luís Leal (26) e Suk (22) decidam assinar por um clube árabe numa fase tão prematura da sua carreira?

Quando o sonho se transforma em pesadelo

Quando o sonho se transforma em pesadelo
O Braga falhou o acesso à fase de grupos da Liga Europa, Paços de Ferreira, Estoril e Vit. Guimarães falharam a passagem à próxima fase dessa mesma competição, Benfica e FC Porto têm neste momento pé e meio fora da Liga dos Campeões. Aquele que podia ter sido um dos melhores anos para Portugal a nível continental (Benfica e FC Porto tinham grupos acessíveis, na Liga Europa sonhava-se em grande) está-se a tornar no cenário exactamente oposto.

De um lado tínhamos equipas que lutaram até às últimas jornadas pelo título do campeonato. Equipas que dispõem de jogadores apenas ao alcance das melhores equipas europeias, capazes de ombrear grande parte dos tubarões europeus (aliás, ao Benfica só faltou a estrelinha de campeão para bater o Chelsea na final da Liga Europa da temporada transacta). Equipas que tinham a obrigação de estar nos oitavos-de-final da liga milionária (Olympiacos e Zenit, apesar de contarem com jogadores de qualidade, não são em nada superiores a águias e dragões) e com isso amealhar ainda mais pontos para Portugal no ranking da UEFA. Quer tenha sido por exibições menos inspiradas, por um "vilão" espanhol que se revelou "herói grego" em Atenas, por um "super-herói" brasileiro que esteve a um penálti de distância de "esmagar" a sua antiga equipa, por climas adversos, por expulsões infantis, certo é que Benfica e FC Porto estão a ser encaminhados para a Liga Europa onde serão a par de mais duas ou três equipas - já contando com os restantes companheiros de viagem que descerão um lugar na sua etapa europeia - os grandes favoritos a vencer a prova.

Do outro lado tínhamos formações que deram boas indicações há uns meses mas que pouco ou nada fizeram de especial nesta edição da Liga Europa. O Estoril, que foi prejudicado por alguma falta de sorte, acumulou erros defensivos; o Paços de Ferreira, que ficou sem grande parte das peças que lhe valeram um inesquecível 3ºlugar, foi uma sombra daquilo que tinha sido durante os doze meses anteriores; o Vit. Guimarães, que começou bem a sua campanha europeia, foi descendo de nível culminando com um empate fatídico em Rijeka. E depois ainda há o caso do Sp. Braga, que foi vergado pelo modesto Pandurii ainda antes do sorteio dos grupos da Liga Europa, e que era a maior esperança entre os quatro clubes portugueses.

Aquilo que podia ter sido um ano de sonho para alguns clubes, virou pesadelo. Aquele que podia ter sido o ano em que finalmente nos distanciaríamos da França, acabou por se tornar no ano em que a margem pontual se vai desvanecendo aos poucos. Aqueles que dão maior relevância ao campeonato são também os que se esquecem que o número de vagas europeias pode diminuir consoante as prestações continentais. Será possível dar a volta à situação ainda esta época?

A afirmação de Anthony Davis

A afirmação de Anthony Davis
Em 2012 foi a nº1 pick do draft e foi apontado como o mais forte candidato a rookie do ano - as lesões, os resultados da formação de New Orleans (na altura Hornets) e a forma de Lillard afastaram esse cenário. Pelo meio integrou a comitiva norte-americana, o que lhe valeu maior experiência e o ajudou em vários aspectos do seu jogo. Em 2013 o cenário mudou de figura - os Pelicans reconstruíram a sua equipa de modo a dar espaço aos jovens atletas para crescer e lutar por uma vaga nos playoffs. E Anthony Davis? Passou de rookie em quem todos depositavam grandes esperanças para referência da equipa. É certo que a campanha dos Pelicans está a ser negativa (3-5) mas nota-se um enorme upgrade em relação ao ano passado. Atente-se nos dados: na temporada anterior os Pelicans tinham uma média de 94,1 pontos/jogo e concediam aos adversários uma média de 97,9 no mesmo capítulo; este ano a média de pontos/jogo marcados subiu para 95,9 e desceu, ainda que ligeiramente, para 97,4 nos pontos concedidos (curioso observar que nas três vitórias da época não concederam mais que 85 pontos ao adversário). Mais uma vez se pergunta: e Anthony Davis? A estatística volta a não enganar muito. Tendo em conta que passou a ser a referência da equipa, os dados sugerem que melhorou imenso relativamente a 2012/13. Apesar de ainda estarmos numa fase precoce da época fica desde já a pergunta: depois de falhar o título de ROY (rookie do ano), será Anthony Davis o mais forte candidato a MIP (Atleta com maior evolução)?

A. Davis 2012/13 (64): PPG - 13,5; FG% - 51,6; FT% - 75,1; APG - 0,98; RPG - 8,2; SPG - 1,17; BPG - 1,75; TO - 1,39

A. Davis 2013/14 (8): PPG - 20,9; FG% - 46,8; FT% - 86,0; APG - 1,6; RPG - 10,8; SPG - 2,25; BPG - 3,38; TO - 1,38


(NOTA: Para consultar o glossário dos termos acima colocados clique aqui)

Southampton: De candidato à descida a surpresa do campeonato

Southampton: De candidato à descida a surpresa do campeonato
Na temporada passada, José Fonte e a sua restante equipa lutavam deseperadamente para não descer. O objectivo foi cumprido e o clube apostou o seu orçamento de Verão (cerca de 40M) em três jogadores-chave: Wanyama, Osvaldo e Lovren. No início da época, a mentalidade continuava a mesma: evitar a descida e a partir de então fazer o melhor trajecto possível. Três meses depois, eis o cenário: o Southampton é terceiro classificado e possui a defesa menos batida do campeonato (5 golos sofridos). Se atentarmos bem, existe um "quê de mérito" e outro "quê de calendário favorável". Vamos traduzir isto por outras palavras... Vencer no terreno do Liverpool, empatar em Old Trafford e contabilizar apenas uma derrota em 11 partidas não pode ser justificado somente com base na sorte (de igual modo, ter uma média inferior a 0,5 golos sofridos por encontro na Premier League não é normal e deve merecer rasgados elogios). Contudo, deve-se destacar dois aspectos importantes: 1) Exceptuando o Liverpool, todos os outros adversários estão num patamar inferior aos Saints (o Man. United só não é encarado como excepção devido ao péssimo arranque que protagonizou); 2) Só a partir da próxima jornada é que começa o verdadeiro desafio do Southampton - as próximas seis rondas incluem deslocações ao reduto de Arsenal, Chelsea e Newcastle e recepções a Aston Villa, Man. City e Tottenham. Conseguirá a equipa de Pochettino manter o nível que tem apresentado? Individualizando, a boa forma do sector defensivo do Southampton é suficiente para justificar uma chamada de José Fonte à Selecção?

A ritmo de Cruzeiro

A ritmo de Cruzeiro
Faltam apenas cinco rondas para que o Brasileirão chegue ao fim. Naquela que é apelidada de "zona de rebaixamento" (zona de despromoção), o Náutico é a única formação que já não tem hipóteses de lutar pela manutenção. Num campeonato a 20, onde os quatro últimos são encaminhados para a Série B, são 6 os pontos que separam o 17º classificado do 11º (por outras palavras, são 9 as equipas que ainda lutam pela permanência na Série A Brasileira - não esquecer o penúltimo e o antepenúltimo -, isto deixando de parte alguns cenários possíveis mas hipotéticos). Outra das grandes incertezas é a luta pela presença na Libertadores - 6 equipas tentam obter uma das três vagas ainda disponíveis na mais importante competição sul-americana. No meio de tudo isto existe uma certeza absoluta: o Cruzeiro vai ser o novo campeão brasileiro (bateu hoje o Grêmio e necessita apenas de uma vitória para confirmar o título).

Onde reside o sucesso da formação liderada por Marcelo Oliveira? Poder-se-ia dizer que é na defesa - a seguir ao Corinthians são a formação menos batida do campeonato. Jogadores como Dedé (central promissor já associado ao Benfica), Egídio ou Ceará (pela sua experiência) são a prova de que tal afirmação poderia ser a mais correcta. Por outro lado, o Cruzeiro possui o melhor ataque da prova (66 golos) e conta com o experiente Borges na dianteira do seu navio. É verdade que cada sector contribui significativamente à sua maneira, mas é o meio-campo que merece uma nota principal. Desde Nilton (tem-se destacado com o seu poder físico) e Lucas Silva (apenas 20 anos), elementos mais recuados, aos jogadores mais responsáveis pelos assaltos às defesas contrárias - Willian Magrão é um jogador que apoia muito bem o resto da equipa e tem sido decisivo em vários jogos esta época; Ricardo Goulart faz uso da sua qualidade de passe e transporte de bola para imprimir uma nova dinâmica ao sector onde actua; por fim, o extremo Éverton Ribeiro (é um dos grandes destaques desta edição do Brasileirão para o Adjunto1x2), exímio a desequilibrar a defesa contrária dada a sua técnica e capacidade de procurar a baliza adversária (esta formação do Cruzeiro conta ainda com Júlio Baptista, nome bem conhecido do futebol europeu, que acrescenta uma nova maturidade e rigor à zona central e avançada do terreno e com Dagoberto, que disputou ao longo da temporada o lugar no onze com W. Magrão).

Opinião: Jorge Jesus ganhou a batalha, não a guerra

Opinião: Jorge Jesus ganhou a batalha, não a guerra
Se à entrada para a última jornada a pressão já se fazia sentir sobre os ombros de Jorge Jesus, nos momentos que antecederam o apito inicial do árbitro na Amoreira ela atingiu o seu auge. Mais importante que evitar o seu despedimento - Luís Filipe Vieira, muito provavelmente, não deveria tomar essa decisão independentemente do resultado final -, JJ lutava em três frentes: 1) A da tabela classificativa: uma desvantagem de cinco pontos para o rival e primeiro classificado FC Porto não poderia de modo algum ser ainda mais dilatada; 2) A dos adeptos: um resultado negativo só iria agravar o clima de insatisfação em torno do técnico e acentuar a exigência de um novo treinador - curiosamente, o nome de Marco Silva foi um dos mais aclamados -, enquanto que uma vitória sempre colocaria alguma água na fervura; 3) A da própria equipa: numa altura em que as exibições estão longe de encher o olho ao mais apaixonado adepto benfiquista, o esforço e a actuação dos próprios jogadores encarnados foi posto em causa por várias entidades (desde dirigentes a presidente), factor que em nada abona a moral de quem se esfola dentro das quatro linhas à procura de três pontos. Com ou sem razão, a equipa é posta em causa e os níveis de confiança diminuem consideravelmente. Cabe, nestas alturas, ao treinador levantar a cabeça aos seus pupilos e mostrar-lhes que a confiança que neles deposita é grande e que as equipas deste calibre têm de ser capazes de enfrentar adversidades como esta.

O resultado final ditou mais uma vitória sofrida para o emblema encarnado. A margem de manobra continua infimamente reduzida. JJ evitou, no reduto do Estoril, uma bala, mas as pessoas continuam com ele na mira. E essa situação não deve mudar tão cedo. Até que se reduza a distância para os dois grandes rivais que se foram distanciando na classificação - rectifico: até que sejam pontualmente alcançados -, o treinador benfiquista vai ter que aguentar a pressão com a qual, segundo o próprio, "bem gosta de trabalhar". O Benfica conquistou três pontos no terreno de um adversário que não era batido em casa há vários meses. Para já
JJ venceu uma importante batalha. Falta ganhar a guerra.

Opinião: À boleia da irregularidade

Opinião: À boleia da irregularidade
A jornada anterior já tinha dado a entender, esta só veio confirmar. Do futebol irregular do Sporting e vitórias sofridas do FC Porto às exibições algo cinzentas do Benfica, que por agora vão rendendo três pontos, o campeonato nacional poderá estar a sofrer ventos de mudança no que ao momento de forma dos grandes diz respeito.

Se no início tivemos um Sporting a entrar em grande estilo com duas goleadas - o golo inaugural do Arouca ainda acordou alguns fantasmas reminiscentes da temporada anterior, mas a atitude da equipa foi convincente e os índices de confiança totalmente diferentes -, certo é que as duas últimas exibições mostraram um leão algo apático. Se no Algarve os dois golos de rajada fizeram a diferença - valeu a boa entrada no segundo tempo - , o Rio Ave veio mostrar que Leonardo Jardim tem razões para ainda não elevar a fasquia e manter os pés bem assentes no chão. Verdade que o Sporting foi prejudicado frente aos vila-condenses, porém tal não justifica a exibição amorfa de sábado.

O FC Porto, que até aqui ainda não tinha perdido pontos, viu o Estoril fazer uma grande exibição e perdeu a oportunidade de se destacar do rival Sporting. Se em casa o FC Porto tem mandado (a segunda parte frente ao Gil Vicente foi demasiado pobre apesar da justiça do triunfo), fora tem sido a excelência de Lucho ou Quintero a decidir partidas que deveriam ter um controlo bem diferente por parte dos azuis e brancos. A defesa parece mais frágil, Fernando está longe de ser um médio que enquadre no sistema táctico de Paulo Fonseca e se não for a genialidade de Jackson ou alguns rasgos de inspiração de Licá não existe ninguém que desequilibre as defensivas contrárias (como acontecia com Hulk ou James).

Continuando na senda das exibições irregulares encontramos a equipa que melhor se tem safado nesse capítulo ultimamente. O Benfica está longe de apresentar os níveis ofensivos das outras temporadas (Jorge Jesus demorou demasiado tempo a montar a sua equipa base e a ausência de Cardozo foi bastante influente) mas defensivamente já começa a demonstrar maior segurança devido, sobretudo, ao poder de Fejsa. A abordagem ao mercado foi terrível (não tanto pelas contratações mas pelo timing) e isso reflectiu-se no rendimento do conjunto encarnado. Conseguirá Jorge Jesus fazer uso do melhor plantel da Liga (e o melhor que já teve à sua disposição) e recuperar os pontos perdidos nas jornadas inaugurais?


PS: Fazendo um breve apanhado das primeiras cinco jornadas: o Sporting consentiu dois empates caseiros, um deles perante o eterno rival, e desloca-se a Braga na próxima ronda; o FC Porto largou pontos na Amoreira, único terreno que poderia justificar maiores preocupações; o Benfica perdeu os seus 5 pontos em três terrenos complicados. Será o rendimento fora de casa o aspecto-chave da presente época?


Opinião: Scolari 2004 vs Scolari 2014

Opinião: Scolari 2004 vs Scolari 2014

Após a conquista do Campeonato do Mundo de 2002, Scolari abandonou o comando da Selecção canarinha e abraçou um novo desafio ao tornar-se no seleccionador da Selecção Nacional. Objectivo: levar Portugal o mais longe possível no Campeonato Europeu que se iria realizar em pleno solo nacional. Resultado: Portugal sucumbiu perante a Grécia de Otto Rehagel (por duas vezes) e tornou-se vice-campeão europeu em 2004. Scolari ainda continuou à frente da Selecção Nacional por mais uns anos, cessando funções em 2008, após eliminação diante da Alemanha.

Dez anos volvidos, Scolari volta a assumir o controlo da Selecção Brasileira. Mais: volta a assumir o controlo de uma Selecção que será a anfitriã de uma das maiores provas futebolísticas. Os objectivos não diferem dos de 2004. Conseguirá repetir a façanha?

Não deixa de ser interessante que a táctica que Scolari adoptou em 2004 não é muito diferente da que deverá adoptar no Mundial de 2014. Nada melhor que fazer uma comparação entre os jogadores para uma melhor análise (nota: é preciso ter em atenção que o tipo de futebol praticado há dez anos era diferente do actual e que o futebol praticado no Brasil diverge de alguma forma do praticado em Portugal):
GR: Ricardo | J. César - Dois guardiões experientes. Um era titular indiscutível num Sporting que lutava pelo título, o outro foi uma das peças-chave do "Inter de Mourinho" e é o dono da baliza do QPR, equipa despromovida ao segundo escalão da Premiership.
DL: Miguel/N. Valente | D. Alves/Marcelo - Laterais muito diferentes. Se os portugueses tinham maior vocação defensiva e raramente se aventuravam muito no ataque para ajudar os extremos, os laterais brasileiros (como é costume no Brasil) são essencialmente ofensivos e procuram várias vezes a linha de fundo.
DC: R. Carvalho/J. Andrade | T. Silva/D. Luiz - Duas excelentes duplas. A portuguesa era exímia no desarme, posicionamento e índices de concentração; a brasileira é melhor física e tecnicamente e muito boa no jogo aéreo.
MC: Costinha/Maniche | L. Gustavo/Paulinho - Os dois médios mais recuados que conferem consistência táctica ao 11. A capacidade de desarme de Costinha vai agora ser sustentada pela de L. Gustavo. A capacidade de passe e inteligência táctica de Maniche vai estar a cargo de um jogador com melhor técnica - Paulinho.
MO: Deco | Oscar - Dois médios ofensivos que gostam de recuar para vir buscar jogo. Muito fortes tecnicamente e com grande qualidade de passe.
EXT: Figo/C. Ronaldo | Hulk/Neymar - Extremos completamente diferentes entre si mas que se complementam muito bem. Figo era inteligente e muito bom nos cruzamentos; Cristiano era mais forte tecnicamente e um desequilibrador nato. Hulk é um "poço de força" e muito bom nas diagonais que faz (dos quatro talvez seja o mais irregular); Neymar tem na sua técnica a maior arma, funcionando também como um falso avançado (Portugal usava um estilo de jogo mais largo em função dos seus extremos).
AV: Pauleta | Fred - Dois jogadores com poder de finalização muito bom. Se em 2004 Pauleta não foi a aposta mais regular de Scolari, Fred surpreende por ser o escolhido do técnico (opções como Pato, Leandro Damião ou o próprio Neymar a actuar na posição mais avançada foram preteridas).


Conseguirá Felipão igualar o feito de 2002 e ser bem-sucedido com esta selecção brasileira? Excluindo a Espanha, este Brasil é o principal candidato à vitória do Mundial? Apesar de todas as alterações que o futebol foi sofrendo qual a melhor Selecção que Scolari orientou: Portugal (2004) ou Brasil (actual)? 


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Opinião: O uso das equipas B

Opinião: O uso das equipas B
Já é uma questão que tem dado que falar há algum tempo e que se acentuou ainda mais nesta última pré-época com algumas contratações por parte dos principais emblemas portugueses: que uso se deve dar a uma equipa B?
Fazer alinhar apenas jogadores da formação para que estes se possam exibir a um nível competitivo mais próximo daquele apresentado no principal escalão? Fazer alinhar jogadores recentemente contratados para verificar se as expectativas neles depositados vão ser correspondidas? Fazer alinhar jogadores da equipa principal que não foram convocados para um jogo de maneira a conceder-lhes minutos de jogo para manterem a sua forma? De um outro ponto de vista: quantos jogadores deve ter uma equipa B? Deve haver maior aposta em jovens portugueses (o limite de idade não será abordado pois existem regras específicas estipuladas pela Liga)?
Partindo do pressuposto que a existência das equipas B implicam uma sustentabilidade financeira intrínseca ao próprio clube, eis uma perspectiva pessoal daquilo que deveria ser um plantel de uma equipa B:
  • Plantel com cerca de 23 jogadores - o elevado número de jogos exige que todas as posições possuam uma alternativa viável
  • Ter 1-2 jogador(es) com maior experiência no plantel - não necessariamente a titular(es) mas que pudesse(m) transmitir outros conhecimentos competitivos aos mais jovens
  • Apostar na formação - nem todos os jovens da formação têm qualidade, no entanto a equipa B é uma óptima oportunidade para verificar se o potencial exibido nas camadas mais jovens pode ser realmente aproveitado quando houver "jogos a doer"
  • Instituir processos tácticos semelhantes aos da equipa principal - treinador da equipa principal e treinador da equipa B devem ter sistemas/mecanismos tácticos que não sejam divergentes, o que apenas favorecerá a adaptação dos atletas ao clube em questão
  • Não contratar jogadores exclusivamente para a equipa B - salvo alguma excepção (o número de atletas estar abaixo do exigido pelos regulamentos), este plantel de "reservas" deve ser uma forma de apostar nos jovens da formação, rodar jogadores (não convocados) da equipa principal e servir de ponte para a equipa principal para jogadores que tenham sido recentemente contratados mas que a curto prazo integrem o plantel principal