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Relatório de Olheiro: Benfica x FC Porto

Benfica e FC Porto medem forças no Estádio da Luz, esta sexta-feira, num jogo importante para as contas do título, não fosse este um embate entre dois colossos do futebol português. O Benfica, invicto em 2016, e que já não perde para o campeonato desde a derrota caseira com o Sporting (0-3), está em primeiro lugar, em igualdade pontual com o Sporting, e chega assim mais moralizado para o Clássico, isto depois de o Arouca ter repetido uma façanha que não se verificava há largos meses, ao bater o FC Porto (1-2), para a Liga, no estádio dos azuis e brancos. Ainda à procura de uma identidade sob o comando de José Peseiro, os dragões sabem que tudo o que não signifique uma vitória poderá ser suficiente para voltar a ver o título escapar para um dos rivais de Lisboa. Vencer é, portanto, obrigatório para qualquer uma das equipas.


Benfica: Contrariar a tendência dos jogos grandes

Ao contrário do que aconteceu na época passada, o Benfica deixou o pragmatismo de parte nos jogos grandes e tem sentido muitas dificuldades para contrariar o ímpeto adversário. No Dragão, à 5ª jornada, o Benfica conseguiu disputar o jogo de forma equilibrada, sucumbindo nos últimos minutos. Contra o Sporting, as três derrotas em tantas partidas esta época não abonam a favor de Rui Vitória, que, no entanto, parece ter finamente encontrado o modelo de jogo mais adequado para a sua equipa. A afirmação de Lisandro face à lesão de Luisão, a juventude de Renato Sanches, agressivo na luta pela bola e com um pulmão imenso, e a importância táctica de Pizzi, o joker de Rui Vitória neste "novo" Benfica, têm catapultado os encarnados para o topo e dado uma nova moral à equipa.

ASPECTO A EXPLORAR: Liberdade criativa dos alas. Pizzi assumiu o lado direito do meio-campo e conferiu uma estabilidade táctica que tem sido preponderante no sucesso do Benfica. As suas movimentações, juntamente com a magia de Gaitán, exímio na condução de bola e um dos jogadores mais tecnicamente evoluídos do campeonato, podem desequilibrar uma partida a qualquer momento e baralhar as marcações individuais do FC Porto.

TER ATENÇÃO A: Bolas paradas. E isto em ambos os lados do campo, isto é, o FC Porto tem marcado vários golos de bola parada, sobretudo de canto, mas também tem sofrido bastantes de igual forma.

JOGADOR-CHAVE: Jonas. Acusado de não aparecer nos "jogos grandes", algo comprovado pela estatística, o brasileiro entra para este jogo no melhor momento da sua carreira (15 golos e 6 assistências, nos últimos 10 jogos da Liga). Perante uma equipa do FC Porto não tão coesa como anteriormente, as suas movimentações serão fulcrais para criar desequilíbrios - e oportunidades - e buscar, assim, o primeiro golo contra os dragões.


FC Porto: Manter a chama do título acesa

Um nada querido mês de Janeiro... Depois de terem sido afastados da Liga dos Campeões - o jogo em casa com o D. Kiev terá sido o momento chave da época - e da Taça da Liga, ainda que não de forma oficial, os dragões viram a liderança fugir logo no primeiro jogo de 2016 após uma exibição pobre frente ao Sporting. Fast-forward até à chegada de José Peseiro, encontramos um FC Porto cada vez mais longe do primeiro lugar, sem a mesma chama de outros tempos. A chegada do novo técnico implicou o abandono do futebol de posse e a adopção de um modelo que privilegia a largura de jogo e o envolvimento dos jogadores numa manobra mais ofensiva, com o uso recorrente dos flancos. Numa equipa ainda à procura de cimentar esta nova identidade, em vésperas de um dos jogos mais importantes da época, resta saber como se comportará o Dragão no Estádio da Luz.

ASPECTO A EXPLORAR: Largura de jogo e movimentos interiores. Tal como escrevi, o modelo de jogo de José Peseiro privilegia a exploração dos flancos. Se a equipa se conseguir balançar bem no ataque, trocando a bola rapidamente e baralhando o posicionamento defensivo do Benfica com movimentos interiores e de ruptura, as ocasiões de golo deverão surgir mais facilmente. Atenção ainda para as movimentações de André André, constantemente a derivar para o flanco, e Herrera.

TER ATENÇÃO A: Transição defensiva. O Benfica não é uma equipa especialmente talhada para o contra-ataque, mas Renato Sanches, Pizzi e Gaitán são jogadores capazes de imprimir uma nova velocidade de um momento para o outro. E o modelo ofensivo do FC Porto é bastante susceptível de abrir brechas no meio-campo defensivo - contra o Arouca isso ficou bem evidente.

JOGADOR-CHAVE: Corona. Poderia igualmente destacar Brahimi, mas "Tecatito" tem tudo para se evidenciar. No duelo com Eliseu leva clara vantagem, tanto no "um contra um" como nas desmarcações nas suas costas do internacional português, e a sua velocidade poderá igualmente ser útil em situações de transição rápida.

Nas asas do Dragão

Apesar de não praticar o futebol mais espectacular da Liga, ninguém pode negar que a defesa do FC Porto tem sido uma das mais consistentes do campeonato. Algo que já se havia verificado no ano passado. Uma das imagens de marca do sector defensivo deste ano tem sido, indubitavelmente, a influência ofensiva que os laterais têm tido. Depois das saídas de Danilo e Alex Sandro, este último ainda fez uma assistência no único jogo em que participou esta época, Maxi Pereira e Miguel Layún têm sabido dar boa resposta nas asas (leia-se "alas") do Dragão. O uruguaio já soma 5 assistências, apenas menos uma face ao registo de 2014/15, embora ainda não tenha feito o gosto ao pé. Já o mexicano, que apenas chegou no fecho do mercado de transferências, tem sido o melhor jogador da Liga nas últimas cinco jornadas, acrescentando um golo às suas 4 assistências.

Ainda assim, não são apenas os laterais que merecem destaque. O FC Porto é agora a equipa que já não sofre golos há mais tempo - desde a 6ª jornada -, dado que confere aos azuis e brancos o estatuto de melhor defesa do campeonato (4 golos sofridos). Neste primeiro terço de campeonato, para além dos três jogadores supracitados, também os centrais Iván Marcano e Maicon, com um e dois golos, respectivamente, já participaram em golos portistas. A boa forma do sector defensivo estende-se à baliza, onde Iker Casillas defendeu um penálti em Aveiro, diante do Tondela (1-0), dando continuidade ao número de minutos sem sofrer qualquer golo na Liga.

FC Porto 2014/15: Do berço para o colinho e do colinho para o berço

Ano em branco para o FC Porto. Os azuis e brancos foram obrigados a correr atrás do prejuízo desde muito cedo e vacilaram em jogos importantes. A Liga dos Campeões, tirando a goleada sofrida em Munique, acabou por ser o mal-menor a nível de competições.

Já se sabia de antemão que o FC Porto, numa tentativa de corrigir os erros da época anterior, iria ter uma nova identidade com a chegada de Lopetegui. No entanto, após boas indicações nos primeiros jogos oficiais, os dragões cedo viram o primeiro lugar do campeonato à distância, fruto de três empates consecutivos (Vit. Guimarães, Boavista e Sporting). E foi precisamente na "Cidade Berço" que tudo começou e acabou. O primeiro desaire do técnico espanhol levou-o a tecer duras críticas, quer aos adversários quer à arbitragem, algo recorrente ao longo da temporada - inclusive incentivou o Benfica a promover a campanha "Colinho" -, e os adeptos acusaram-no de rodar o plantel em demasia. A derrota diante do Benfica no Estádio do Dragão (0-2), que podia permitir a aproximação ao rival antes da paragem temporária do campeonato, embalou os encarnados, que encararam o jogo da segunda volta (0-0) de uma maneira diferente (importava não perder) e beneficiaram de alguma apatia dos rivais do Norte nesse encontro para se aproximarem do título. No espaço de uma semana, o FC Porto era humilhado e afastado da Liga dos Campeões - prova em que até se exibiu a bom nível - e criava condições ao Benfica para conquistar o bicampeonato. Mantendo a toada do que foi sucedendo ao longo da segunda volta da Liga, um novo deslize do Benfica, desta vez em Guimarães, foi atenuado pelo empate do FC Porto em Belém que, assim, consumou oficialmente a primeira temporada em branco desde 1988/89.

Uma época sem títulos tem obrigatoriamente de ser considerada um fracasso. Ainda para mais com a qualidade que Lopetegui tinha ao seu dispor. A incapacidade da equipa em sair da Madeira sem uma vitória (em três jogos) e, sobretudo, de não demonstrar o seu potencial nos jogos mais importantes da temporada (o jogo em casa frente ao Sporting foi, talvez, a única excepção) foram factores fundamentais para o insucesso portista. Mas, alargando o prisma, o FC Porto não parte em desvantagem para a nova época: a saída de jogadores-chave (Danilo e Jackson Martínez) já era esperada e teve tempo de ser acautelada, o encaixe financeiro em 2014/15 foi significativo e o treinador, e consequentemente as ideias de jogo, será o mesmo, algo que não acontece com os outros rivais directos. Prevê-se mais um ano de "tudo ou nada". Última oportunidade para o basco?

Os mestres das transferências nos últimos 10 anos

Já se sabe de antemão que os clubes portugueses, sobretudo Benfica e FC Porto, são exímios a garantir lucros consideráveis por jogadores adquiridos a baixo custo que são potenciados e introduzidos nas suas equipas. Não admira, portanto, que estes clubes estejam entre aqueles que mais dinheiro recebem pela venda dos seus activos. Nos últimos dez anos, nenhum clube a nível mundial possui um balanço receita/despesa tão positivo como Benfica e FC Porto. Os campeões nacionais compraram mais sem gastar tanto, mas os vice-campeões foram os que mais receberam vendendo menos. Os dados do Transfermarkt, que englobam os valores totais das transferências, ajudam a provar este cenário.


FC Porto: Uma Liga dos Campeões que mudou tudo

Balanço do FC Porto (valores em milhões de euros)
Até ao início do novo milénio, os clubes portugueses não eram, naturalmente, aqueles que mais dinheiro esbanjavam. Se a contratação de futebolistas estrangeiros era bastante mais limitada, o mesmo não se podia aplicar aos colossos europeus da altura. Ainda assim, como é certo e sabido, as verbas gastas não eram, nem de perto nem de longe, tão elevadas como as de hoje em dia. Porém, a Liga dos Campeões ganha pelo FC Porto de José Mourinho em 2003/04, época que nem sequer entra nestas contas, veio mudar o panorama do mercado de transferências a nível nacional.

E o FC Porto saiu claramente beneficiado. Os azuis e brancos são de longe o clube que mais lucrou com transferências à escala mundial. A temporada 2006/07 foi a única, nos últimos dez anos, em que os dragões não encaixaram um mínimo de 30M - por cinco ocasiões distintas receberam 70M -, sendo que essa fasquia, mesmo sem o mercado ter aberto de forma oficial, já foi atingida na preparação da temporada que se avizinha. Igualmente como excepção, a melhor temporada do FC Porto na última década (2010/11) foi aquela em que o volume das despesas superou o das receitas, ainda que por uma margem reduzida (inferior a 1,5M).

As cinco maiores vendas do FC Porto neste período foram as de James Rodríguez (45M), Falcao (40M), Hulk (40M), Mangala (40M), Danilo (31,5M) e Anderson (31,5M), todos eles já vendidos entretanto, enquanto que a compra de Hulk (19M) foi a mais cara, com Danilo (13M) e Adrián (11M) a fecharem o pódio.


Benfica: O mestre da táctica que rendeu ouro aos cofres encarnados

Balanço do Benfica (valores em milhões de euros)
Escusado será dizer que Jorge Jesus veio mudar a natureza do Benfica no capítulo das transferências. Se de 2005 a 2010 o Benfica teve mais prejuízo que lucro na maior parte dos casos (as vendas de Simão e Manuel Fernandes em 2007/08 foram a grande lufada de ar fresco), o contrário verificou-se após a primeira época de Jorge Jesus de águia ao peito.

O ex-técnico do Benfica foi o responsável por ter encaixado mais de 100M numa só temporada, um recorde absoluto entre clubes portugueses, e ganhou fama por conseguir tirar o melhor dos jogadores que potenciava, muitos deles jovens e/ou relativamente desconhecidos, e realizar futuramente encaixes significativos com os mesmos. Duas notas de curiosidade: os dois maiores encaixes financeiros do Benfica registaram-se nas temporadas que sucederam o título nacional - 2015/16 ainda está a meses de começar e as águias já levam um bom balanço - e o "Benfica da era Jorge Jesus" lucrou bem mais do que o rival no mesmo período (diferença aproximada de 50M).

Witsel (40M), Di María (33M), Fábio Coentrão (30M) e Rodrigo (30M) encabeçam as principais vendas do Benfica, ao passo que Óscar Cardozo (11,7M), Salvio (11M), Markovic (10M) e Samaris (10M) constituem as principais aquisições nos últimos dez anos.

Nulo aproxima Benfica do título

Nulo aproxima Benfica do título
Benfica 0-0 FC Porto

Um resultado que serve melhor os interesses do Benfica, que continuam a depender de si próprios para renovar o título. Quanto ao FC Porto, esperava-se mais ambição e ousadia de quem partia com uma dupla desvantagem (diferença pontual e confronto directo) à entrada para esta partida. Naquele que era o "jogo do título" desta temporada, viu-se um FC Porto com muita bola mas poucas oportunidades - na primeira parte Jackson Martínez desperdiçou aquela que foi a única grande ocasião em 45 minutos - e um Benfica a jogar pelo seguro, sabendo que um empate serviria para as suas contas do título. Apesar da segunda metade ter mostrado um pouco mais de atrevimento de parte a parte, o clássico, bastante faltoso, foi um dos mais pobres das últimas épocas, o que apenas favoreceu os encarnados que estão a nove pontos do bi-campeonato.

Benfica: Maior preocupação em não deixar o FC Porto criar chances do que propriamente assumir o controlo da partida. A abordagem mais cautelosa, claramente a apostar num empate como mal menor, resultou na perfeição. Se por um lado é verdade que Jorge Jesus interrompe o ciclo de dezenas de jogos consecutivos a marcar em casa para o campeonato, também é certo que finalmente não foi derrotado por nenhum dos dois grandes rivais nos quatro jogos da época. Individualmente, o maior destaque vai para Samaris, cada vez mais um senhor jogador na sua posição, e para Jardel, que esteve imperial no eixo da defesa. Eliseu teve bastantes dificuldades na primeira parte (viu amarelo nessa altura mas o adversário não soube aproveitar isso) e o meio-campo do FC Porto não permitiu muita margem de manobra aos homens da frente (face ao resultado adverso, a meia-hora final foi diferente).

FC Porto: Percebeu-se a intenção de controlar o meio-campo desde o início e assumir a batuta quanto à toada do jogo, mas não a falta de ambição de Lopetegui num jogo em que a vitória era o único resultado que interessava. Daí que fique a ideia que o espanhol deu meio jogo de vantagem ao rival e apenas reagiu demasiado tarde. Mea-surpresa para a titularidade de Hélton (Fabiano parece ter sido riscado a partir de agora), para o à-vontade de Rúben Neves num esquema de duplo-pivot que acabou por não ter resultados práticos face à necessidade de vitória dos portistas e para a exibição de Danilo, o mais consistente.

Relatório de Olheiro: Benfica x FC Porto

Já começa a ser uma constante: Benfica e FC Porto voltam-se a defrontar nas derradeiras jornadas da Liga, desta vez com tudo ainda em aberto, naquele que se pode afirmar que é o "jogo do título". Jorge Jesus procurará bater os rivais azuis e brancos pela segunda vez na Liga esta época, algo que já não acontece desde que John Mortimore guiou as águias ao título em 1976/77, enquanto que Julen Lopetegui sabe que está obrigado a vencer para sonhar com um título neste seu ano de estreia ao leme portista.


O Benfica parte em vantagem para este jogo, não só pelos três pontos de avanço, como pela vitória no Estádio do Dragão (2-0) na primeira volta do campeonato. Será, por isso, interessante de se perceber a estratégia que Jorge Jesus irá adoptar na abordagem a esta partida: maior preocupação em evitar um deslize caseiro ou a aposta no onze habitual (salvo alguma impossibilidade forçada), mesmo que isso implique uma eventual debilidade no esquema táctico. Se na defesa Eliseu é o único elemento que poderá ficar de fora, no meio-campo as dúvidas acentuam-se - Salvio está em dúvida; Pizzi pode não ser opção no miolo (André Almeida, titular em todos os clássicos desta época, e Rúben Amorim dão maior consistência defensiva) e até pode substituir o argentino; um meio-campo com três médios não seria inédito (o momento de forma de Jonas torna esta hipótese mais remota). O onze inicial dos encarnados será, portanto, uma incógnita até ao momento em que os jogadores pisarem o relvado. De qualquer das maneiras, a equipa terá de se manter sólida, sobretudo o meio-campo, que irá ser pressionado constantemente e que também terá de estar atento às movimentações de Herrera e à técnica de Óliver, isto para além da pressão alta que o FC Porto deverá fazer, o que forçará, na perspectiva encarnada, os jogadores a manterem a sua compostura e a limitarem os erros individuais (a eficácia de passe das águias não é a melhor). Na frente, apesar do momento de forma de Jonas, julgo que será Gaitán a fazer desequilibrar a balança, pelas suas movimentações interiores e capacidade de criar oportunidades de golo.

O FC Porto está obrigado a vencer a partida. E mesmo isso pode não ser suficiente. À semelhança do que aconteceu no confronto com o Bayern, os dragões devem entrar a todo o gás, com o intuito de assumir desde cedo o controlo do jogo e condicionar a fase de construção de jogo benfiquista, imprimindo uma pressão intensa e alta - a zona central do meio-campo azul e branco leva vantagem sobre a encarnada - e explorando as debilidades técnicas dos centrais e de Samaris. Se um dos pontos-chave é ser agressivo, outro será manter a disciplina, ou seja, evitar sanções disciplinares desnecessárias - para além das emoções de um Clássico, não será de estranhar a tentativa do Benfica em explorar as transições rápidas com maior frequência (todo o sector recuado, especialmente Casemiro, por ser o pêndulo defensivo e o elemento mais faltoso, está "sob alerta amarelo"). Finalmente, com Tello fora de combate, terá de ser Quaresma, que tem apresentado bons minutos diante do Benfica, a entrar em cena e fazer a diferença. Brahimi e Jackson também têm que melhorar em relação ao último confronto entre as duas equipas mas é a experiência e a capacidade de desequilíbrio do extremo português que leva a melhor sobre a ala esquerda encarnada, independentemente do opositor que estiver à sua frente.

Luta pelo título passa a ser a dois

Luta pelo título passa a ser a dois
FC Porto 3-0 Sporting
(Tello 31', 58' e 82')

O Sporting vai ter de se contentar com a Taça de Portugal e com a luta pelo 3º lugar. Já Lopetegui consegue finalmente a sua primeira vitória ante os rivais de Lisboa. Tello foi o homem da noite no Estádio do Dragão, ao apontar um hat-trick que volta a colocar os azuis e brancos a quatro pontos do Benfica. O jogo começou intenso e repartido, mas com o avançar do tempo o FC Porto foi-se aproximando cada vez mais da área adversária e assumindo o controlo do jogo. Explorando o espaço nas costas de Jonathan Silva e o excelente passe de Jackson, Tello abriu o marcador à passagem da meia hora, altura em que o Sporting adormeceu por completo e demonstrou uma inofensividade que se arrastou até ao apito final. Até lá, mais dois golos tirados a papel químico para o extremo emprestado pelo Barcelona e um cabeceamento de Marcano ao ferro. 

FC Porto: Algum nervosismo no início, sobretudo na defesa, e dificuldades nas transições defensivas (Casemiro escapou ao critério disciplinar). Isto durante 20 minutos. A partir daí, só deu FC Porto. A irreverência de Tello fez a diferença, Jackson voltou a mostrar que as suas qualidades de ponta-de-lança vão para além dos golos marcados, Herrera encheu o meio-campo (uma das melhores partidas dos últimos meses), Evandro também soube estar à altura da titularidade (boa primeira parte) e Brahimi acabou por ser o elemento mais apagado (Quaresma até entrou bem para o seu lugar), naquela que foi a melhor exibição dos jogadores à guarda de Lopetegui contra uma equipa com um nível mais elevado. 

Sporting: A equipa nem começou mal, pressionando alto a defesa contrária e não dando espaço ao trio ofensivo do FC Porto, mas com o desenrolar da primeira parte, o meio-campo leonino foi sendo engolido pelo meio-campo portista (aos 20' o campo inclinou-se irreversivelmente) e o primeiro golo de Tello praticamente resolveu a partida. Pouca inspiração, vários erros individuais, uma segunda parte desastrosa e uma derrota pesada que faz jus ao que se passou em campo. Paulo Oliveira foi o único a escapar com nota positiva na defesa (Jonathan Silva não conseguiu travar Tello, Cédric devia ter sido expulso, Tobias Figueiredo bastante nervoso e com influência em dois golos), William Carvalho foi claramente o melhor na primeira parte, Adrien muito apagado e um trio ofensivo pouco esclarecido que nem incomodou Fabiano, com Montero a ser uma autêntica nulidade na frente. De frisar ainda que o Sporting nem sequer rematou à baliza contrária.

Relatório de Olheiro: FC Porto x Sporting

Um jogo decisivo para ambas as equipas. E por razões distintas. O FC Porto, caso escorregue em casa, vê o Benfica, seu rival directo que se impôs com classe horas antes do clássico, a afastar-se ainda mais na liderança do campeonato, não esquecendo ainda o desfecho do jogo no Estádio do Dragão entre as duas equipas; o Sporting, por seu lado, luta pela chama que ainda não se apagou totalmente no que às contas do título diz respeito, e sabe que mais uma escorregadela pode começar a pôr em perigo o seu 3º lugar, já que o Sp. Braga tem estado em crescendo nas últimas semanas. Num clássico em que os treinadores não devem fugir muito aos seus onzes titulares (a maior dúvida prende-se com a organização do meio-campo portista), traço aqueles que podem ser pontos decisivos no embate deste domingo.


Convém relembrar que apenas a vitória interessa a cada uma das equipas. No caso do FC Porto, assumir o controlo do jogo é ponto assente. Foi o que falhou no jogo da primeira volta, em Alvalade, e Lopetegui não deve cometer esse mesmo erro. Uma das maiores vantagens dos dragões é a qualidade dos seus laterais (combinados, são a melhor dupla do campeonato), sobretudo pela sua manobra ofensiva e profundidade que oferecem nas suas alas. Dado que o Sporting está munido de bons jogadores no corredor central, esta será uma área a explorar, à qual se junta a qualidade técnica de Brahimi (não é um extremo veloz mas desequilibra como poucos) ou de Quaresma (a aposta não funcionou em Alvalade) e a irreverência de Tello. Este último até poderá ser o "joker" dos azuis e brancos uma vez que nem Cédric nem Jonathan Silva têm pedalada para o espanhol, cujo principal defeito é a tomada de decisões. Tendo em conta que o Sporting costuma jogar com uma linha defensiva pouco profunda, e beneficiando de um ponta-de-lança como Jackson, veremos como o FC Porto aborda este capítulo. Defensivamente, a maior preocupação prende-se com as transições defensivas - o Sporting sabe que as duas equipas vão jogar contra o relógio e, individualmente, Nani e Carrillo são capazes de marcar a diferença pela forma como serpenteiam os adversários e conduzem a bola e Montero (provável titular) é um avançado móvel e que abre espaços para as incursões dos extremos e dos médios mais ofensivos (João Mário que o diga).

Marco Silva, que ainda não perdeu com os outros "grandes" esta época, vai querer repetir a façanha da Taça de Portugal. Uma das grandes debilidades do FC Porto na "era Lopetegui", e que se verificou no jogo da 6ª jornada, foi a perda de bola na primeira fase de construção. Nesse sentido, e tendo um meio-campo recheado de peças que sabem pressionar o adversário, incomodar o adversário neste momento de jogo será uma boa forma de o Sporting condicionar a posse e o controlo do jogo portista. Se por um lado já foi dito, e é certo e sabido, que Nani e Carrillo são os principais dinamizadores do ataque leonino, por outro convém relembrar que do lado contrário estão laterais que também sabem atacar e que vão aproveitar cada lance para se incorporarem no ataque da equipa. Com William Carvalho a fechar ao meio (veremos qual será o comportamento de Adrien, habitualmente mais pressionante, e João Mário), pede-se que os extremos consigam anular o perigo nas alas, zona do terreno mais frágil na perspectiva verde e branca, colocando ainda alguma pressão no processo contra-ofensivo. Finalmente, e como bem ficou patente no último jogo dos leões, a eficácia ofensiva é crucial. O Sporting tem pela frente a melhor defesa do campeonato (10 golos concedidos, registo igual ao Benfica) e é uma das equipas do campeonato que mais dificuldades tem para concretizar as suas ocasiões em golo, isto do ponto de vista de percentagem de eficácia.