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Os mestres das transferências nos últimos 10 anos

Já se sabe de antemão que os clubes portugueses, sobretudo Benfica e FC Porto, são exímios a garantir lucros consideráveis por jogadores adquiridos a baixo custo que são potenciados e introduzidos nas suas equipas. Não admira, portanto, que estes clubes estejam entre aqueles que mais dinheiro recebem pela venda dos seus activos. Nos últimos dez anos, nenhum clube a nível mundial possui um balanço receita/despesa tão positivo como Benfica e FC Porto. Os campeões nacionais compraram mais sem gastar tanto, mas os vice-campeões foram os que mais receberam vendendo menos. Os dados do Transfermarkt, que englobam os valores totais das transferências, ajudam a provar este cenário.


FC Porto: Uma Liga dos Campeões que mudou tudo

Balanço do FC Porto (valores em milhões de euros)
Até ao início do novo milénio, os clubes portugueses não eram, naturalmente, aqueles que mais dinheiro esbanjavam. Se a contratação de futebolistas estrangeiros era bastante mais limitada, o mesmo não se podia aplicar aos colossos europeus da altura. Ainda assim, como é certo e sabido, as verbas gastas não eram, nem de perto nem de longe, tão elevadas como as de hoje em dia. Porém, a Liga dos Campeões ganha pelo FC Porto de José Mourinho em 2003/04, época que nem sequer entra nestas contas, veio mudar o panorama do mercado de transferências a nível nacional.

E o FC Porto saiu claramente beneficiado. Os azuis e brancos são de longe o clube que mais lucrou com transferências à escala mundial. A temporada 2006/07 foi a única, nos últimos dez anos, em que os dragões não encaixaram um mínimo de 30M - por cinco ocasiões distintas receberam 70M -, sendo que essa fasquia, mesmo sem o mercado ter aberto de forma oficial, já foi atingida na preparação da temporada que se avizinha. Igualmente como excepção, a melhor temporada do FC Porto na última década (2010/11) foi aquela em que o volume das despesas superou o das receitas, ainda que por uma margem reduzida (inferior a 1,5M).

As cinco maiores vendas do FC Porto neste período foram as de James Rodríguez (45M), Falcao (40M), Hulk (40M), Mangala (40M), Danilo (31,5M) e Anderson (31,5M), todos eles já vendidos entretanto, enquanto que a compra de Hulk (19M) foi a mais cara, com Danilo (13M) e Adrián (11M) a fecharem o pódio.


Benfica: O mestre da táctica que rendeu ouro aos cofres encarnados

Balanço do Benfica (valores em milhões de euros)
Escusado será dizer que Jorge Jesus veio mudar a natureza do Benfica no capítulo das transferências. Se de 2005 a 2010 o Benfica teve mais prejuízo que lucro na maior parte dos casos (as vendas de Simão e Manuel Fernandes em 2007/08 foram a grande lufada de ar fresco), o contrário verificou-se após a primeira época de Jorge Jesus de águia ao peito.

O ex-técnico do Benfica foi o responsável por ter encaixado mais de 100M numa só temporada, um recorde absoluto entre clubes portugueses, e ganhou fama por conseguir tirar o melhor dos jogadores que potenciava, muitos deles jovens e/ou relativamente desconhecidos, e realizar futuramente encaixes significativos com os mesmos. Duas notas de curiosidade: os dois maiores encaixes financeiros do Benfica registaram-se nas temporadas que sucederam o título nacional - 2015/16 ainda está a meses de começar e as águias já levam um bom balanço - e o "Benfica da era Jorge Jesus" lucrou bem mais do que o rival no mesmo período (diferença aproximada de 50M).

Witsel (40M), Di María (33M), Fábio Coentrão (30M) e Rodrigo (30M) encabeçam as principais vendas do Benfica, ao passo que Óscar Cardozo (11,7M), Salvio (11M), Markovic (10M) e Samaris (10M) constituem as principais aquisições nos últimos dez anos.

Mercado rigoroso para Vit. Guimarães e Belenenses

Hernâni e Deyverson entre as últimas movimentações
Vit. Guimarães e Belenenses foram os principais clubes portugueses afectados pelo último dia do mercado de transferências. Hernâni é reforço de Inverno do FC Porto, enquanto Deyverson foi cedido aos alemães do Colónia até ao final da temporada. Para além dos números e das exibições, convém ter em conta a preponderância que cada um destes dois jogadores estava a ter na respectiva equipa.

Hernâni estava a ser uma das surpresas dos comandados de Rui Vitória e um dos principais responsáveis pela forte dinâmica ofensiva do Vit. Guimarães (melhor ataque da Liga, exceptuando os "três grandes"). Com 4 golos e 3 assistências, apenas falhou um jogo devido a castigo e apresentou um nível exibicional suficiente para vigorar entre os melhores da primeira volta do campeonato, tudo isto na sua época de estreia no principal escalão do futebol nacional. Ainda moram na "Cidade Berço" os jovens Bernard, Tomané e Ricardo Valente (entre eles somam 9 golos e 7 assistências), aos quais se juntam os reforços Sami e Ivo Rodrigues (veremos como será a adaptação do jovem português, ele que se tem destacado nos últimos meses), isto para além do forte meio-campo já existente, onde André André é a principal referência.

Mais importante para a sua equipa estava a ser Deyverson. Com 8 golos e 2 assistências em 16 jogos, o avançado brasileiro participou directamente em 56% dos golos do Belenenses na corrente edição da Liga (sempre que marcou, o conjunto do Restelo não perdeu). Para a frente de ataque do conjunto de Lito Vidigal sobram agora Abel Camará e Tiago Caeiro - o júnior Dálcio Gomes merece uma atenção especial a partir de agora -, jogadores que, na Liga, ainda não fizeram o gosto ao pé. Nota adicional: José Fonte chega por empréstimo, conseguirá afirmar-se?

Balanço do mercado de transferências: Portugal (parte II)

O Benfica não entrou em loucuras na janela de transferências
Já se sabia que a excelente época anterior iria ter custos para os lados da Luz mas a abordagem à janela de transferências esteve longe de ser a melhor. A melhor notícia foi mesmo a permanência de Enzo Pérez e Gaitán. O Benfica viu partir cinco dos habituais titulares e falhou na aquisição de alguns dos seus substitutos. Júlio César chegou para dar nova concorrência a Artur entre os postes, a saída de Garay - negócio estranho e uma das piores vendas de sempre do clube - não implicou um esforço encarnado num jogador creditado (Lisandro López retornou de empréstimo e César é visto como uma aposta de futuro) e Jardel será à partida o seu substituto, o Benfica decidiu não investir 7M para adquirir Siqueira - devido a contenção financeira, segundo o Presidente - e foi buscar quatro jogadores que podem fazer a sua posição (Eliseu, que semanas antes podia ter vindo a custo zero, Benito, Djavan e Sílvio, cujo empréstimo foi prolongado e que é lateral direito de raiz), a venda de Markovic catapultou Salvio para o onze inicial e Rodrigo, vendido a um fundo em Janeiro à semelhança de André Gomes, saiu sem que tivesse chegado alguém com características similares. E é aqui que reside o maior problema. O jovem avançado era uma peça fulcral para Jorge Jesus pela forma como ajudava a pressionar numa primeira fase, vinha buscar jogo, transportava bola fruto da sua técnica e constituía uma ameaça para as defesas contrárias tal era a sua capacidade de movimentação e de remate. Talisca tem sido o mais usado na sua posição mas o treinador, em conferência de imprensa, admitiu que precisava de mais um avançado. Jara não convence, Talisca (habitual titular) e Derley têm características diferentes, Bebé não tem sido equacionado para a posição. Joel Campbell, do Arsenal, prometia ser reforço de última hora mas tal não se confirmou. O Benfica, que em três meses não arranjou ninguém para o lugar de Rodrigo, vê-se agora obrigado a atacar todas as frentes sem mais um avançado no plantel. Pelo menos até Janeiro. Pelo meio ficam as inadmissíveis entradas de Benito, Djavan, Luís Felipe e Candeias que nunca teriam/terão espaço/qualidade para singrar no campeão nacional. Nota final para a lesão de Rúben Amorim (e Fejsa, ainda que esta dure há mais tempo) que forçou a contratação de Cristante, depois de Samaris se ter tornado num dos reforços mais caros da história do Benfica. Duas boas soluções, uma delas dá mais garantias no imediato, mas que levam a maior parte dos adeptos benfiquistas a colocar algumas questões. Terá feito sentido investir tanto dinheiro num sector cujo reforço não era prioritário? Como se explica que se tenha identificado um alvo para o meio-campo no espaço de uma semana e que o mesmo não tenha acontecido para o ataque (havendo interesse para todas as partes) em três meses? E Djuricic, não entraria de caras no actual onze titular (ou será que Jorge Jesus espera que o sérvio tenha no estrangeiro uma evolução semelhante à de Rodrigo)?



Nani, de volta a "casa", é o grande trunfo do Sporting
Muito se falou na saída de William Carvalho mas o Sporting conseguiu manter o seu médio-defensivo durante mais alguns meses. Algo que atenuou a iminente saída de Rojo, que proporcionou um bom encaixe financeiro, e confirma o estatuto do Sporting desta época. Depois do "renascer das cinzas" no ano passado, é impossível esconder que a equipa passou agora a vigorar entre os principais candidatos ao título. As investidas no mercado foram, portanto, feitas nesse sentido. O plantel necessitava de profundidade, pois a presença na Liga dos Campeões a tal o obrigava, e de mais-valias inegáveis para certas posições. A defesa foi bastante reforçada mas a gestão pode não ter sido a mais acertada - Rojo e Dier foram para Inglaterra (o inglês podia ter rendido uma verba maior) e as suas saídas foram precavidas com três centrais jovens (poderá a falta de experiência ter algum impacto?), Jonathan Silva, dado o seu potencial, é uma boa opção para o lado esquerdo da defesa mas o mesmo não se pode afirmar relativamente a Geraldes, reserva de Cédric no lado oposto. Rosell e Slavchev foram as grandes novidades para um miolo - não esquecendo o regresso de João Mário - cuja grande incógnita continua a ser André Martins, mas é no tridente ofensivo que reside o nome mais sonante desta equipa: Nani. Os leões precisavam, indubitavelmente, de pelo menos um extremo muito acima da média e o internacional português, mesmo vindo por empréstimo, confere desde logo um novo estatuto a um ataque com força suficiente para atacar o título nacional. Nota ainda para mais dois aspectos. O primeiro é a surpreendente aposta do Sporting em campeonatos periféricos e em jogadores jovens (Nani e Tanaka são os únicos reforços acima da faixa etária dos 23 anos) e o segundo é a dificuldade em colocar certos excedentários, como Miguel Lopes (até é estranho não ser uma opção mais regular), Shikabala (nunca devia ter sido contratado) e Héldon/Capel (um dos dois devia ter saído face ao vasto leque de opções existentes).



O FC Porto foi o clube português que mais recebeu e gastou
Sem dúvida a equipa que melhor se reforçou em Portugal. Os alvos, de tremenda qualidade, foram antecipadamente identificados e o FC Porto, como foi mencionado anteriormente, é o grande favorito a conquistar o título nacional. Lopetegui, quando se pensava que já tinha o plantel praticamente fechado no início de Agosto, não descansou enquanto não teve pelo menos um jogador de qualidade por posição (excepção feita para o posto de defesa direito, uma vez que Opare foi um "tiro ao lado") e esteve activo no mercado até à última hora. Antes de falar melhor sobre quem veio, convém relembrar que os dragões também souberam gerir bem as suas vendas, como já é seu apanágio. Só as saídas em definitivo de Iturbe, Fernando e Mangala permitiram um encaixe superior a 60M, o que a juntar aos "excedentários" Defour e Castro (e a todos os outros emprestados) não diminuíram a força do plantel azul e branco - as três vendas já eram expectáveis e o montante recebido por elas até impressiona. Para o lugar de Fernando foi-se buscar Casemiro (por empréstimo) e Bruno Martins Indi foi o escolhido para suprir a venda do central francês. Mas é do meio-campo para a frente que se atesta a força deste conjunto. Óliver Torres, Tello (ambos por empréstimo), Brahimi, Evandro, Adrián e Aboubakar são nomes que se juntam a Jackson Martínez e companhia (importantíssima a continuidade do colombiano). Se por um lado pode parecer exagerado o número de reforços do FC Porto neste Verão, e tantos por empréstimo, a verdade é que estão reunidas todas as condições para que possa haver retorno desportivo. Por último, referir que haverá menos espaço para os jogadores portugueses (o jovem Rúben Neves e Quaresma deverão ser as únicas excepções) e que os azuis e brancos, ao contrário do que costuma ser habitual, não conseguiram resolver o "dossier Rolando".



Raeder, Rui Pedro, Monteiro, Bressan, Pedro Tiba e Ebinho
Altura de fazer um breve resumo da actividade dos restantes clubes da Liga Zon-Sagres mercado de transferências...

Marco Silva não foi o único a abandonar o Estoril neste defeso. Evandro, Tiago Gomes, Gonçalo Santos, Carlitos e João Pedro Galvão encabeçam a lista de jogadores que deixaram os canarinhos este Verão, enquanto Tozé, Kléber (ambos por empréstimo do FC Porto) e Anderson Esiti são os reforços mais sonantes numa equipa ainda a lamentar a saída das suas peças-chave. O Nacional, agora fora das competições europeias, viu Mexer, Candeias e Djaniny sair da Choupana mas garantiu os serviços de Marco Matias (ex-Vit. Guimarães) e Suk (destacou-se há dois anos no Marítimo) e continua com uma equipa capaz de lutar por um lugar europeu. Ainda na Madeira, o Marítimo, agora orientado por Leonel Pontes, renovou a sua frente de ataque: saíram Danilo Dias, Artur, Derley e Sami; entraram Maazou, Ebinho e Edgar Costa. O Vit. Setúbal também não escapou ao sucesso do ano passado - jogadores em foco como Pedro Tiba, Ricardo Horta, Ramón Cardozo ou Kieszek rumaram a outras paragens e Lukas Raeder (ex-suplente de Neuer), Manú (bem conhecido do futebol português) e João Schmidt (por empréstimo do São Paulo) tornaram-se nas novas caras da formação do Sado. A Académica foi outra equipa que ficou sem vários jogadores que constituíam o seu onze base da temporada transacta, mais precisamente seis, mas garantiu os serviços do experiente Rui Pedro, que assim se junta a nomes como o retornado Lino, Obiora ou Schumacher. De Coimbra seguimos para o Norte, viagem que fez o agora técnico do Sp. Braga, Sérgio Conceição, que consigo levou Marcelo Goiano e Djavan, ainda que o processo deste último tenha sido mais complexo, e que bem pode agradecer à Direcção pela contratação de Pedro Tiba. Permanecendo na mesma região, o Vit. Guimarães conteve-se mais no ataque ao mercado. Rui Vitória continua a dar prioridade à aposta na "prata da casa" numa equipa onde Adama Traoré e David Caiado são os nomes mais sonantes face à partida de Paulo Oliveira, Leonel Olímpio, Malonga, André Santos, Marco Matias e Maazou. O Rio Ave, finalista das taças nacionais, anunciou a contratação de duas figuras que se tornarão cruciais em Vila do Conde (Cássio e Bressan) e garantiu os empréstimos de Prince-Désir e Pedro Moreira. Em Arouca, Artur (ex-Marítimo) junta-se a Goicoechea, substituto de Cássio. O Gil Vicente viu Luís Martins rumar a Granada no último dia do mercado de transferências mas conta agora com Evaldo (ex-Sporting) e Diogo Valente (por empréstimo). O Belenenses surpreendeu com a aquisição de Nélson, ex-lateral do Benfica, que assim toma o lugar de Duarte Machado. O Paços de Ferreira viu André Leão sair da "Capital do Móvel" mas deu as boas-vindas a Rafael Defendi, Sérgio Oliveira e ainda resgatou Urreta à última da hora. Quanto aos novos emblemas na Primeira Liga, o Moreirense realizou aquisições interessantes, destacando-se Rámon Cardozo, Jorge Monteiro, Danielson e Arsénio. O Penafiel espantou os adeptos com a obtenção do guardião iraniano Alireza Haghighi por empréstimo. Já o Boavista teve de se movimentar bastante neste mercado, ainda que o hondurenho Beckeles, Pouga e Tengarrinha sejam nomes a reter no conjunto orientado por Petit, ex-internacional português.

Balanço do mercado de transferências: Internacional (parte I)

Falcao foi a "bomba" no mercado inglês
Foi um mercado de transferências bastante activo no que à Premier League diz respeito, tendo-se mesmo quebrado o recorde de dinheiro dispendido pelos diferentes clubes da principal divisão inglesa. O Man. United foi o grande agitador do mercado - depois da péssima classificação no ano passado tornou-se imperativo aumentar a qualidade do plantel - e contratou claras mais-valias como Di María ou Falcao, mas foi o Chelsea o verdadeiro vencedor deste mercado de transferências de Verão. Mourinho, agora com Filipe Luís, Fabregas e uma frente de ataque totalmente renovada (Diego Costa, Drogba e Remy), deixa de ter desculpas para não fazer melhor que o ano passado e tem neste momento um dos melhores plantéis, a par do Man. City, em termos de qualidade/profundidade. Os campeões ingleses, por sua vez, foram buscar quatro jogadores experientes - entre os quais os ex-portistas Fernando e Mangala - mas vão atacar a época com apenas três avançados (face à saída de Negredo), o que parece curto para uma liga como a inglesa. O vice-campeão Liverpool soube capitalizar muito bem o dinheiro da venda inevitável de Luís Suárez, reforçando-se sobretudo no Southampton (Lallana, Lambert e Lovren). Markovic e Balotelli foram outros dois jogadores contratados por Brendan Rodgers que assim possui um plantel bem mais composto que o da temporada anterior. Já o Arsenal adquiriu Alexis Sánchez, a grande aposta do defeso, Ospina, Debuchy, Calum Chambers e, à última da hora, Danny Welbeck, mas parece ter um plantel inferior ao dos restantes rivais. Jogadores que foram boas "pescas" nos restantes clubes da Premier League: Senderos (Aston Villa), Besic (Everton), Diamé (Hull City), Cabella e Janmaat (Newcastle), Fraser Forster e Sadio Mané (Southampton), Bojan Krkic (Stoke City), Pantilimon (Sunderland), Gomis (Swansea), Fazio e Dier (Tottenham).



Luís Suárez e James Rodríguez movimentaram cerca de 160M (€)
Em Espanha, o Barcelona, impedido de contratar na próxima janela de transferências, esbanjou milhões de euros na contratação de vários jogadores. O "dossier Valdés" foi resovido, a defesa foi devidamente reforçada, Rakitic chegou para suprir a vaga deixada em aberto pela saída de Fabregas e Suárez foi o reforço-bomba dos culés, que têm a obrigação de fazer muito melhor esta época. Em Madrid, o Real, desnecessariamente, movimentou-se bastante neste Verão, impulsionado, sobretudo, pelo que adveio do Mundial'2014 - James Rodríguez, Toni Kroos Keylor Navas e Chicharito (por empréstimo) tornaram-se nos novos "galácticos" e substituíram Di María, Xabi Alonso, Diego López e Morata, os três primeiros peças-chave na excelente temporada da equipa de Ancelotti. Ainda na capital espanhola, o campeão At. Madrid soube gerir bem as consequências de mais uma época de alto nível. Saíram Courtois (esteve sempre emprestado), Filipe Luís, Villa, Adrián e Diego Costa, mas chegaram outros jogadores de grande qualidade (Moyà, Oblak, Siqueira, Ansaldi, Raúl Giménez, Griezmann, Cerci e Mandzukic) que mantêm o nível da equipa de Simeone. Destaque ainda para o Valencia, agora treinado por Nuno Espírito Santo, que agora pode contar com Rodrigo, André Gomes e ainda João Cancelo (por empréstimo) e que tem todas as condições para fazer uma época interessante (jogadores jovens e de qualidade e um plantel com muita profundidade). Jogadores que foram boas "pescas" nos restantes clubes da La Liga: Nico Pareja e Aleix Vidal (Sevilha), Vietto (Villarreal), Cuenca (Deportivo), Caicedo (Espanyol), Guaita (Getafe), Ochoa e Ricardo Horta (Málaga).




Do custo zero de Lewa ao recorde por D. Luiz
Breve ronda ainda pelo campeonato alemão, italiano e francês...

O Bayern foi um dos dois clubes que mais empolgou com as suas transferências na Alemanha. Os campeões germânicos, que já tinham garantido Lewandowski, perderam Mandzukic e Kroos mas garantiram três excelentes mais-valias (Bernat, Benatia e Xabi Alonso) e outros reforços que permitem dar profundidade à equipa. O outro clube mais agitado foi o Borussia Dortmund - a saída de Lewandowski obrigou Klopp a procurar boas alternativas e as chegadas de Immobile e Adrián Ramos e os regressos em definitivo de Sahin e Kagawa conferem uma nova qualidade ao plantel. Nota especial para o Borussia Mönchengladbach pela forma como investiu o dinheiro da venda de Marc-André ter Stegen para o Barcelona: Yann Sommer, Fabian Johnson, André Hahn, Ibrahima Traoré e Thorgan Hazard (por empréstimo) provam a sua qualidade na abordagem ao mercado. Jogadores que foram boas "pescas" nos restantes clubes da Bundesliga: Sidney Sam (Schalke 04), Mehmedi (Freiburgo), Seferovic (Ein. Frankfurt), Bendtner (Wolfsburgo), Stocker e Salomon Kalou (Hertha Berlim).

A saída de Conte do comando técnico da Juventus foi o maior destaque em Itália. O clube não deixou sair nenhuma das suas pérolas e garantiu a contratação de Evra e Morata, que assim compensou as saídas de Quagliarella e Vucinic. Em Milão viveu-se um período de renovações. O Inter conteve-se nos gastos (Medel, ainda que sem deslumbramentos, foi a única excepção), recorrendo inclusivamente a alguns empréstimos (M'Villa, Dodô e Osvaldo), mas aumentou a qualidade da sua equipa. O mesmo aconteceu com o AC Milan, agora com Inzaghi no comando técnico. Nem mesmo a saída de Balotelli, compensada pela chegada de Fernando Torres (por empréstimo de dois anos), poderá ser desculpa para não se atacar o título esta temporada (Biabiany, que esteve muito próximo de assinar no último dia do mercado, seria a cereja no topo do bolo neste plantel). Outro clube que parece querer-se consolidar entre os grandes de Itália é a Roma, que mais uma vez voltou a apostar forte (e bem) no mercado (Manolas, Holebas, Nainggolan, Iturbe e Sanabria são alguns exemplos), não olhando a meios para o montante gasto (algo exagerado). Jogadores que foram boas "pescas" nos restantes clubes da Serie A: Stefan de Vrij (Lazio), Armero (Udinese), Alejandro Gómez (Atalanta), Diego Perotti (Génova), Cassano (Parma), Maxi López (Chievo), Quagliarella e Amauri (Torino).

Em França, o PSG apenas efectuou duas aquisições: o jovem promissor Aurier (por empréstimo, de forma de respeitar o fair-play financeiro) e David Luiz, batendo o montante gasto por um defesa em toda a história do futebol. Porém, foi o Marselha a revelar melhor visão de mercado entre os demais clubes gauleses, contratando Michy Batshuayi, Dória e Alessandrini por uma quantia total relativamente baixa considerando a relação qualidade/potencial/preço. Nota especial para o Monaco de Leonardo Jardim, onde também milita Bernardo Silva por empréstimo, que não atacou bem o mercado e que parte em desvantagem relativamente a outros adversários directos no campeonato francês. Jogadores que foram boas "pescas" nos restantes clubes da Ligue 1: Contento (Bordeaux), Tejeda (Évian), N'Gog (Reims), Corchia (Lille), Monnet-Paquet (Saint-Étienne), Hosiner e Mexer (Rennes).


NOTA: Boas "pescas": pouco dinheiro dispendido face à sua qualidade e valor de mercado + importância que podem ter na equipa + contratação a título definitivo

Falcao e Real Madrid, um sonho não concretizado

Falcao e Real Madrid, um sonho não concretizado
Voltou a estar no radar do Real Madrid mas a transferência voltou a cair por terra. Do Monaco segue para Manchester onde se irá juntar à turma de Van Gaal, que entretanto viu Danny Welbeck partir para Londres, a fim de representar o Arsenal. O avançado colombiano Radamel Falcao teve a hipótese de assinar pelos merengues - havia acordo entre os clubes - mas a sua transferência sofreu um revés e o seu destino cruzou-se com a Premier League. Falcao voltará, portanto, a falhar a Liga dos Campeões, juntando-se a um clube que permanece uma incógnita volvidas três jornadas daquela que é aclamada como a melhor liga de futebol do Mundo. Ficam a ganhar os clubes. O Man. United recebe um avançado de valia mundial, que será certamente um upgrade na frente de ataque orfã da boa forma de Van Persie e de Rooney. Já o Monaco, apercebendo-se da incapacidade de manter o colombiano na equipa, aproveitou-se da situação despoletada pela briga entre os diversos clubes interessados no jogador e conseguiu o melhor negócio, que, relembre-se, apenas ficará concluído para o ano devido ao fair-play financeiro. Do lado do jogador existe a oportunidade de jogar numa das ligas mais atractivas que existe, apesar de a espanhola ser a mais indicada para as características de El Tigre, e num dos clubes mais prestigiados que, este ano, possui a desvantagem de não estar presente nas competições europeias.

E quanto ao Real Madrid? Realmente esperava-se que Falcao fosse a solução ideal para os campeões europeus. E o negócio ter-se-ia concretizado, não fosse o envolvimento de outros agentes relativamente aos moldes do negócio. Face a esta situação os merengues buscaram uma alternativa nos últimos dias - Chicharito foi o eleito. Não possuindo a qualidade de Falcao, é um jogador que se enquadra bem no esquema de Ancelotti: muito móvel, excelente finalizador, bom no contra-ataque, experiente e alguém que sabe que Benzema é o titularíssimo no tridente que ainda conta com Cristiano Ronaldo e Bale. Uma opção melhor que Morata, estabelecendo um paralelismo com a temporada transacta, que chega por empréstimo e reduz assim alguma pressão em torno do negócio. A contratação de Chicharito - e não a de Falcao - não reduz, de alguma forma, as probabilidades do Real Madrid na liga espanhola. Essas diminuíram com a venda de outros activos que foram pilares da equipa no ano passado: Di María e Xabi Alonso.

Efeito Mundial'2014: Real Madrid contrata James Rodríguez por 80M (junta-se a Toni Kroos na lista de reforços sonantes)

Efeito Mundial'2014: Real Madrid contrata James Rodríguez por 80M (junta-se a Toni Kroos na lista de reforços sonantes)
James Rodríguez foi apresentado esta tarde no Santiago Bernabéu perante mais de 45.000 pessoas. O colombiano de 23 anos que se destacou no Mundial'2014 (6 golos, 2 assistências e para muitos o melhor jogador do torneio) trocou o Monaco pelo Real Madrid por 80M, asssinou por seis temporadas e irá envergar a camisola 10.

A qualidade do jogador não pode ser em causa e alguém com uma qualidade muito acima da média só pode ser bem-vindo. O onze titular do Real na época passada englobava Xabi Alonso, Modric e Di María no meio-campo, mais Bale e Ronaldo nas alas. Com a chegada de James, e deduzindo que o Real não estará disposto a deixar 80M no banco durante muito tempo, terá de haver uma mudança a nível táctico. O colombiano também está habituado a jogar pelas alas mas é na zona central que mais rende. Mas... Modric encheu o campo na posição que ocupou e Di María evoluiu imenso numa posição mais interior - viu-se bem ao serviço da Selecção. Caso Di María não saia (fala-se muito na possibilidade de ir para o PSG, o que seria um enorme erro para a turma espanhola), James seria uma boa opção para os jogos onde fosse necessária uma nova criatividade no último terço, alguém capaz de furar a defesa com o seu transporte de bola e com a sua capacidade técnica (inverter-se-ia o triângulo do meio-campo). Com a chegada de "El Bandido" é normal que Isco perca ainda mais espaço na equipa merengue.


Convém ainda lembrar que Toni Kroos, mais um reforço derivado do "efeito pós-Mundial", entretanto também reforçou o Real Madrid a troco de 30M. Aquele que é para o Adjunto1x2 um dos três melhores jogadores da actualidade no capítulo do passe e que se destaca pela forma simples como joga e oferece linhas de passe, características que faltavam a este Real de Ancelotti, é um excelente reforço (espanta como Guardiola deixou sair um jogador que tanto encaixa no seu estilo de jogo, ainda para mais por um preço tão razoável) e oferece maior profundidade à equipa. Resta saber como será a base do meio-campo. Se James poderá colocar Di María no banco (dificilmente Ancelotti abdicará de Benzema na frente e Ronaldo permanecerá a extremo), Kroos irá disputar uma vaga com Xabi Alonso e Modric (e até o próprio Di María). Resta saber se o técnico italiano estará disposto a adaptar Modric a uma posição mais recuada - seria um erro enorme - e relegar Xabi Alonso para um plano secundário para dar a titularidade ao alemão. Ainda assim, o mais provável é haver uma gestão equilibrada da equipa consoante a natureza dos jogos.

Um dos denominadores comuns a estas duas transferências é o espaço que alguns jogadores vão deixar de ter. Isco, Khedira e Illarramendi vão ter menos minutos de jogo e não será de espantar que pelo menos um deles - não esquecer Di María - abandone a equipa até ao final de Agosto. Por outro lado, Benzema é neste momento o único avançado do plantel após a saída de Morata para a Juventus, pelo que teria feito mais sentido canalizar o dinheiro da transferência de James Rodríguez para a contratação de uma alternativa ao francês (de preferência alguém com uma boa margem de progressão).

OFICIAL: Matic assina pelo Chelsea até 2019

OFICIAL: Matic assina pelo Chelsea até 2019
O sérvio Nemanja Matic vai voltar ao Chelsea, clube que o vendeu ao Benfica há cerca de três anos aquando do negócio de David Luiz. Tal como na altura, o clube londrino volta a desembolsar 25M a pronto e Matic torna-se no sérvio mais caro da história do futebol (a par de Milosevic em 2000).

Um negócio previsível dada a campanha do Benfica na Liga dos Campeões - Matic já podia ter saído na última janela de transferências mas o Benfica conseguiu segurá-lo, todavia a eliminação precoce na prova milionária fez com que o sérvio não hesitasse em se transferir para o Chelsea e o próprio Benfica precisava de concretizar pelo menos uma transferência sonante para equilibrar as contas. A inevitabilidade do negócio acabou por ser favorável ao Chelsea devido ao montante gasto (25M é muito pouco dada a importância do sérvio no meio-capo encarnado). O Benfica fica assim órfão de um dos seus melhores jogadores (a dupla Matic-Enzo foi finalmente desfeita) e Fejsa avizinha-se como principal substituto (o trinco da equipa deixará de construir jogo, à semelhança do que acontecia com Javi Garcia, apesar das diferenças no sistema táctico). Ainda assim, a saída de Matic mantém o Benfica como principal candidato ao título mediante duas condições: a equipa aguentar-se bem sem Matic nos jogos mais decisivos e não haver mais nehuma peça principal a deixar o Benfica em Janeiro (Garay e Rodrigo têm estado em destaque na imprensa).

Bayern garante Lewandowski

Bayern garante Lewandowski
Já era expectável mas só hoje é que é oficial! O Bayern anunciou a contratação de Lewandowski, que irá continuar a representar o B. Dortmund até ao fim da época, a custo zero. O polaco assinou até 2019 e pôs assim um ponto final a uma novela que já tinha sido iniciada no ano passado.

É a contratação mais sonante deste mercado de Inverno, apesar da sua previsibilidade. Guardiola continua a juntar jogadores de topo ao seu Bayern, Lewandowski segue as pisadas de Götze e Mandzukic parece ter os seus dias contados em Munique. O Bayern conseguiu contratar o melhor avançado a actuar na Alemanha, um elemento mais móvel que fazia falta à equipa na frente de ataque e que se irá encaixar perfeitamente no esquema táctico do treinador espanhol. Cada vez mais se confirma que o Bayern tem o melhor plantel do mundo (e ainda consegue "aniquilar" a sua concorrência directa adquirindo os seus melhores jogadores).