Liga NOS 2016/17: O inédito "tetra" ou o regresso aos títulos

O hábito de repartir o pódio

O Campeonato Europeu já lá vai. A pré-época até mereceu uma atenção diferente em função disso. Mas a partir de agora o país volta a olhar para o seu clube de eleição, a discutir quem anda a jogar melhor, quem anda a ser mais beneficiado ou prejudicado pelas arbitragens, quem se reforçou melhor e quem são os novos craques a pisar os relvados nacionais. Está de volta a Liga NOS.

Para não variar, tendência que se deverá manter por muito tempo, Benfica, Sporting e FC Porto disputam o tão ambicionado troféu, embora em circunstâncias completamente distintas. O campeão Benfica viu Gaitán e Renato Sanches abandonar o clube, mas manteve, até ver, peças igualmente importantes num plantel já habituado a elevados ritmos competitivos. O Sporting, bastante mais activo no mercado, garantiu várias soluções que oferecessem profundidade ao seu plantel e colmatassem as saídas de Slimani e João Mário. Já o FC Porto, numa tentativa de dar a volta ao jejum de títulos que vai perdurando, viu-se obrigado a tentar renovar o seu plantel, mantendo, contudo, as suas principais peças do ano transacto.

As primeiras jornadas permitiram perceber que o poder de arranque do Benfica já não é propriamente o mesmo, fruto do então virtuosismo de Gaitán e irreverência de Renato Sanches. Os encarnados partem para este novo exercício com múltiplas opções para as alas, mas sem uma opção fiável para a posição 8 - André Horta ainda não convence, Celis e Danilo ainda não somaram muitos minutos -, ela que constituiu o ponto de viragem no campeonato que garantiu o "tri" ao Benfica. E é exactamente por aí que passará a possibilidade de êxito dos campeões nacionais.

Depois de uma época marcada pela denominada "traição de Jesus" e por um percurso bastante positivo no campeonato, o Sporting parte para este novo desafio com a obrigação de lutar pelo título. Apesar das vendas de João Mário e Slimani, já esperadas, a turma de Alvalade viu chegar vários reforços de qualidade e possui neste momento argumentos mais que suficientes para chegar ao título, sobretudo no capítulo ofensivo. E numa Liga em que a capacidade ofensiva costuma marcar a diferença, exactamente por haver um fosso tão grande entre os três candidatos ao título e restantes quinze clubes, bem se pode dizer que o Sporting tem tudo ao seu alcance para voltar a ser campeão, algo que não acontece desde o início do milénio.

Já o caso do FC Porto é diferente. Nuno Espírito Santo chega ao clube numa fase em que o jejum de títulos teima em persistir, daí que a habitual pressão de ser campeão dê lugar a um tipo de pressão distinta: a retoma dos momentos de glória. Não houve saídas consideráveis, sempre um bom sinal para qualquer treinador, e chegaram soluções para a defesa e para as alas, tal como se exigia. Contudo, a posição 9 permanece débil - André Silva está em processo de afirmação e não parecem existir alternativas de qualidade ao jovem português. Sem uma profundidade de plantel ao nível da dos rivais, é justo afirmar que os azuis e brancos correm por trás este ano, embora sejam naturais candidatos ao título.


Uma luta a Norte pela Europa

Se a luta pelo título se resume sempre aos mesmos protagonistas, a luta pela Europa também não é assim tão diferente. O Sp. Braga assume-se como principal candidato ao 4º lugar. Outra vez. Nem mesmo as saídas de Rafa e Boly podem diminuir as odds do conjunto de José Peseiro, de regresso à Pedreira, claramente apetrechado para mais uma época onde campeonato e fase de grupos da Liga Europa são as grandes prioridades.

Igualmente favorito a um lugar europeu é o Vit. Guimarães. Depois de uma temporada desastrosa, em que o objectivo europeu foi redondamente falhado, Pedro Martins, habituado a estas andanças, foi o escolhido para pegar no bom plantel dos vimaranenses e recolocá-lo na rota europeia. A excelente abordagem de mercado, com particular destaque para o retorno de Hernâni e Bernard, e as aquisições de João Aurélio, Marega e Tiquinho Soares, também ajudam a comprovar a ambição do clube para esta nova temporada.


Potenciais surpresas

Vit. Setúbal: Europa à vista? Não seria a primeira vez que Couceiro vestiria a capa de herói em Setúbal. Há três anos o treinador do clube sadino alcançou um honroso 7º lugar, numa época em que sobressaíram jogadores como João Mário, Pedro Tiba e Ricardo Horta, então fora dos radares dos adeptos portugueses. Com um plantel bastante equilibrado e jogadores que podem seguir as pisadas dos supracitados, o Vit. Setúbal será uma equipa a acompanhar atentamente esta época.

Desp. Chaves: Clube que sobe de divisão é automaticamente um dos candidatos à descida. Costuma ser essa a norma, pelo menos. Mas no caso dos flavienses a história não deverá ser igual. Com um bom técnico ao comando (Jorge Simão) e um plantel bastante competente e habituado ao futebol nacional, não seria de estranhar que a equipa terminasse num lugar a meio da tabela. Mais do que isso seria uma proeza extraordinária.


10 jovens jogadores* a ter em atenção

  1. Lucas Farias || Estoril || Defesa || 22 anos
  2. Álex Grimaldo || Benfica || Defesa || 20 anos
  3. Alex Telles || FC Porto || Defesa || 23 anos
  4. João Pedro || Vit. Guimarães || Médio || 23 anos
  5. Pedrinho || P. Ferreira || Médio || 23 anos
  6. Tomás Martínez || Sp. Braga || Médio || 21 anos
  7. Raphinha || Vit. Guimarães || Avançado || 20 anos
  8. Andrija Zivkovic || Benfica || Avançado || 20 anos
  9. Peter Etebo || Feirense || Avançado || 20 anos
  10. Komnen Andric || Belenenses || Avançado || 21 anos

*Critérios dos jovens jogadores: idade igual ou inferior a 23 anos, debutantes na Liga ou com um máximo de 5 jogos em épocas anteriores
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Diogo Carvalho

Fanático por desporto e adepto da inteligência táctica. Até era capaz de dar um bom médio mas por agora resigna-se ao trabalho fora das quatro linhas. Entusiasma-se com as vitórias da Académica e com os títulos do Benfica. Troca horas de sono pelos jogos dos Chicago Bulls.

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